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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 19 de abril de 2008 20:41:50                                               

 
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SÓCIO AMBIENTAL
A Cartografia Ambiental ou do Ambiente na Geografia

Clézio Santos

publicado em 19/03/2008

 

Entretanto o que seria a cartografia ambiental? Uma nova cartografia temática? Uma cartografia ambiental direcionada para problemas ambientais da sociedade?

Entendemos a cartografia ambiental, intrincada dentro da cartografia temática, com algumas especificações e aplicações diferenciadas. Uma cartografia presa por sua vez, a um setor específico da cartografia temática responsável pela sistematização dos mapas ambientais ou do ambiente..

“Representação é usada em seu mais amplo significado; um mapa representa melhor o que se conhece da terra, do que se pode ver dos pontos mais altos. Dois extremos são trabalhados, abstrações e convenções” (RAISZ, 1952:58).

A representação gráfica do ambiente, esta presa na configuração da superfície terrestre e como ela vem sendo representada pelo homem, bem como a necessidade de enfatizar paisagens e lugares ocupados pelas atividades do homem.

Quando lidamos com representação gráfica ambiental, estamos nos referindo à técnica e a arte. Utilizamos a palavra representação nos moldes de RAISZ (1952) “usada no seu mais amplo significado: um mapa representa melhor o que se conhece da Terra, do que se pode ver dos pontos mais altos”. Vemos o confronto nesta definição de duas visões: a técnica com todo o seu convencionalismo e a arte com toda a sua abstração.

O processo de representação gráfica ambiental consta de três partes, seguindo o raciocínio de RAISZ (1952): O Agrimensor mede o terreno, o Cartógrafo reúne todos os dados obtidos pelo anterior e transporta para o mapa, por último o Geógrafo interpreta os assuntos explorados. Desse processo caberia a nós Geógrafos, atermos a última parte interpretando a representação gráfica e construindo subprodutos para melhor entendê-lo. Estes subprodutos seriam os mapas ambientais, os mapas de impacto ambiental, entre outros, úteis aos pesquisadores ambientais, como geógrafos, biólogos, ecólogos entre outros.

Segundo BERTIN (1969) “a representação gráfica faz parte do sistema de signos que o homem constrói para melhor reter, compreender e comunicar as observações que lhe são necessárias”. Refletindo sobre essa definição e a necessidade que os geógrafos têm de criar subprodutos da representação gráfica, levantamos uma nova questão referente a cartografia ambiental: Temos que criar um novo sistema de signos para transmitir as informações importantes do ambiente? Esta indagação complementa as anteriores.

 

Comunicação em cartografia ambiental

 

A cartografia ambiental deve explorar os dois sistemas semiológicos conjuntamente: polissêmico e o monossêmico. O polissêmico (significados múltiplos, como os da linguagem figurativa) e o monossêmico (significado único, como o da linguagem matemática e o da representação gráfica – o mapa) (BERTIN, 1967; MARTINELLI, 1991). Além de trabalhar com as multiescalas, fotografias, bloco-diagramas, desenhos, entre outras representações gráficas.

A cartografia ambiental nasce de forma similar aos primeiros mapas temáticos, aqueles que iam se constituindo através do acréscimo elementos específicos do meio ambiente, principalmente com manifestações pontual, ao mapa topográfico. Deste modo tais mapas não chegam a uma construção mais elaborada sobre categorias do tema ambiental e apenas demonstram uma organização visual, confirmando a tradição cartográfica de descrever o mundo visível. Não podemos falar de um sistema próprio de representação gráfica do ambiente, com signos próprios pensados e repensados para o fenômeno ambiental.

Devemos frisar a cartografia ambiental pertencendo a um contexto bem específico – o da representação gráfica – dentro da comunicação visual.

Os dois sistemas semiológicos interagem quando a imagem do lugar (o que atrai os indivíduos) e o mapa do lugar (novo fator motivador) interagem para a decisão de escolha e domínio do lugar escolhido para a ação ambiental (seja caminhada, exploração científica), razão pela qual a cartografia ambiental deve utilizar os dois sistemas semiológicos, como complementos e não como antagonismos.

 

Algumas considerações

 

A representação gráfica dada a sua complexidade, tem ao longo do tempo aprimorado quanto à imagem das referências naturais e à precisão da localização dos principais fenômenos ambientais. Entretanto, não conseguimos apreender sua evolução quanto à visualização, pois o número de informações ainda são escassas e temos dificuldade em acompanhar o desenvolvimento deste ramo da cartografia temática.

Percebemos o evoluir das técnicas sem a evolução da discussão e apreensão teórica da cartografia ambiental e sua estrutura dinâmica.

Podemos inferir que os dois sistemas semiológicos são complementares, um ao outro, proporcionando uma melhor representação gráfica do fenômeno ambiental, quando utilizados juntos ou correlacionados.

 

Referências

 

BERTIN, J. Sémiologie Graphique: Les Diagrames, Les Réseaux, Les Cartes. Mounton e Gauthier – Villars. Paris, 1967 (432 p.).

BERTIN, J. A Neografia e o Tratamento Gráfico da Informação, Editora da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1986 (273 p.).

JOLY, F. La Cartografia. Editora Ariel S/A. Barcelona, 1982. (303p.).

MARTINELLI, M. Curso de Cartografia Temática. Campinas: Papirus, 1991.

MARTINELLI, M. Orientação semiológica para as representações da Geografia. Orientação, 8. São Paulo, 1990 (p.55-62).

MARTINELLI, M. & FOURRIER, F. Cartografia geobotânica. Revista do Departamento de Geografia, 12, São Paulo,: FFLCH/USP, 2000.

RAISZ, E. Cartografia General. Ediciones Omega S/A. Barcelona, 1952 (435 p).

 


 

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::sobre o autor::

Clézio Santos é professor do Colegiado de Geografia do Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), do curso de Geografia do Centro Universitário Assunção (UNIFAI), mestre em Geografia (USP), mestre e doutorando em Geociências (UNICAMP) e autor de trabalhos na área de geografia, turismo e cartografia.
 

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