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Entretanto o que seria a cartografia ambiental? Uma nova cartografia
temática? Uma cartografia ambiental direcionada para problemas
ambientais da sociedade?
Entendemos a cartografia ambiental, intrincada dentro da cartografia
temática, com algumas especificações e aplicações diferenciadas. Uma
cartografia presa por sua vez, a um setor específico da cartografia
temática responsável pela sistematização dos mapas ambientais ou do
ambiente..
“Representação é usada em seu mais amplo significado; um mapa representa
melhor o que se conhece da terra, do que se pode ver dos pontos mais
altos. Dois extremos são trabalhados, abstrações e convenções” (RAISZ,
1952:58).
A representação gráfica do ambiente, esta presa na configuração da
superfície terrestre e como ela vem sendo representada pelo homem, bem
como a necessidade de enfatizar paisagens e lugares ocupados pelas
atividades do homem.
Quando lidamos com representação gráfica ambiental, estamos nos
referindo à técnica e a arte. Utilizamos a palavra representação nos
moldes de RAISZ (1952) “usada no seu mais amplo significado: um mapa
representa melhor o que se conhece da Terra, do que se pode ver dos
pontos mais altos”. Vemos o confronto nesta definição de duas visões: a
técnica com todo o seu convencionalismo e a arte com toda a sua
abstração.
O processo de representação gráfica ambiental consta de três partes,
seguindo o raciocínio de RAISZ (1952): O Agrimensor mede o terreno, o
Cartógrafo reúne todos os dados obtidos pelo anterior e transporta para
o mapa, por último o Geógrafo interpreta os assuntos explorados. Desse
processo caberia a nós Geógrafos, atermos a última parte interpretando a
representação gráfica e construindo subprodutos para melhor entendê-lo.
Estes subprodutos seriam os mapas ambientais, os mapas de impacto
ambiental, entre outros, úteis aos pesquisadores ambientais, como
geógrafos, biólogos, ecólogos entre outros.
Segundo BERTIN (1969) “a representação gráfica faz parte do sistema de
signos que o homem constrói para melhor reter, compreender e comunicar
as observações que lhe são necessárias”. Refletindo sobre essa definição
e a necessidade que os geógrafos têm de criar subprodutos da
representação gráfica, levantamos uma nova questão referente a
cartografia ambiental: Temos que criar um novo sistema de signos para
transmitir as informações importantes do ambiente? Esta indagação
complementa as anteriores.
Comunicação em
cartografia ambiental
A cartografia ambiental deve explorar os dois sistemas semiológicos
conjuntamente: polissêmico e o monossêmico. O polissêmico (significados
múltiplos, como os da linguagem figurativa) e o monossêmico (significado
único, como o da linguagem matemática e o da representação gráfica – o
mapa) (BERTIN, 1967; MARTINELLI, 1991). Além de trabalhar com as
multiescalas, fotografias, bloco-diagramas, desenhos, entre outras
representações gráficas.
A cartografia ambiental nasce de forma similar aos primeiros mapas
temáticos, aqueles que iam se constituindo através do acréscimo
elementos específicos do meio ambiente, principalmente com manifestações
pontual, ao mapa topográfico. Deste modo tais mapas não chegam a uma
construção mais elaborada sobre categorias do tema ambiental e apenas
demonstram uma organização visual, confirmando a tradição cartográfica
de descrever o mundo visível. Não podemos falar de um sistema próprio de
representação gráfica do ambiente, com signos próprios pensados e
repensados para o fenômeno ambiental.
Devemos frisar a cartografia ambiental pertencendo a um contexto bem
específico – o da representação gráfica – dentro da comunicação visual.
Os dois sistemas semiológicos interagem quando a imagem do lugar (o que
atrai os indivíduos) e o mapa do lugar (novo fator motivador) interagem
para a decisão de escolha e domínio do lugar escolhido para a ação
ambiental (seja caminhada, exploração científica), razão pela qual a
cartografia ambiental deve utilizar os dois sistemas semiológicos, como
complementos e não como antagonismos.
Algumas considerações
A representação gráfica dada a sua complexidade, tem ao longo do tempo
aprimorado quanto à imagem das referências naturais e à precisão da
localização dos principais fenômenos ambientais. Entretanto, não
conseguimos apreender sua evolução quanto à visualização, pois o número
de informações ainda são escassas e temos dificuldade em acompanhar o
desenvolvimento deste ramo da cartografia temática.
Percebemos o evoluir das técnicas sem a evolução da discussão e
apreensão teórica da cartografia ambiental e sua estrutura dinâmica.
Podemos inferir que os dois sistemas semiológicos são complementares, um
ao outro, proporcionando uma melhor representação gráfica do fenômeno
ambiental, quando utilizados juntos ou correlacionados.
Referências
BERTIN, J. Sémiologie Graphique: Les Diagrames, Les Réseaux, Les Cartes.
Mounton e Gauthier – Villars. Paris, 1967 (432 p.).
BERTIN, J. A Neografia e o Tratamento Gráfico da Informação, Editora da
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1986 (273 p.).
JOLY, F. La Cartografia. Editora Ariel S/A. Barcelona, 1982. (303p.).
MARTINELLI, M. Curso de Cartografia Temática. Campinas: Papirus, 1991.
MARTINELLI, M. Orientação semiológica para as representações da
Geografia. Orientação, 8. São Paulo, 1990 (p.55-62).
MARTINELLI, M. & FOURRIER, F. Cartografia geobotânica. Revista do
Departamento de Geografia, 12, São Paulo,: FFLCH/USP, 2000.
RAISZ, E. Cartografia General. Ediciones Omega S/A. Barcelona, 1952 (435
p).
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