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As
Nações
Unidas declararam a
década
que
vivemos
como
a
Década
da
Educação
para
o
Desenvolvimento
Sustentável.
Muito
tem se
falado
sobre
o
tema,
mas
pouco
se tem
dito
sobre
como
e
porque
a
relação
da
espécie
humana
entre
si,
com
as outras
espécies
e
com
a
natureza
chegou ao
ponto
de
comprometer
a
própria
continuidade da
vida
na
Terra.
O
processo
civilizatório implementado no
Planeta
pela
espécie
humana
nos
últimos
10 000
anos,
instaurou uma verdadeira
máquina
de
destruição
que
vem
crescendo
em
progressão
geométrica.
Foram marcados
por
uma
visão
antropocêntrica
de
mundo,
pelo
desconhecimento
da
condição
ternária
(indíviduo/comunidade/espécie)
do
ser
humano
e
pelo
rompimento
de
sua
ligação
com
o Lar-Terra,
com
a Pacha-Mama,
com
Gaia...
Formamos uma
sociedade
predatória,
excludente,
competitiva,
defensiva,
fragmentária,
discriminatória,
autoritária.
Sociedade,
mesmo
quando
politicamente
democrática,
socialmente
fascista
e ambientalmente
irresponsável,
onde
se criam
demandas
fictícias
que
aumentam
ininterruptamente
o
consumo,
desconhecendo a
capacidade
de
suporte
e
regeneração
dos
ecossistemas
e a
capacidade
financeira
da
grande
maioria
dos
seres
humanos.
A
procura
incessante
pelo
acúmulo
de
riquezas
materiais
vem exaurindo os
recursos
naturais
do
Planeta
sem,
no
entanto,
melhorar
as
condições
de
vida
de
grande
parte
da
população
da
Terra.
O
domínio
destas
fontes
de
riqueza
e a
distribuição
dos
bens
produzidos estão
sob
controle,
cada
vez
mais
acirrado, de
pequenos
grupos
dominantes.
Países
ricos
desenvolvem
ciência
e
tecnologia
de
ponta,
instruem e capacitam
suas
populações,
cuidam de
sua
saúde,
protegem
sua
produção
e
emprego,
criando
assim
condições
de
prosseguir
em
sua
trajetória
de
sucessos...
Do
lado
de
fora,
milhões,
bilhões
de
seres
humanos
sonham
com
água
limpa,
um
prato
quente
de
comida,
um
remédio
para
aliviar
a
dor
de
dente,
baixar
a
febre.
Batem à
porta
dos
ricos
e
ela
está irremediavelmente fechada.
Nos
dois
hemisférios.
Apesar
de, a
partir
dos
anos
50,
já
haver
nas
esferas
governamental
e
científica,
o
conhecimento
da
gravidade
das
conseqüências
que
tal
modelo
de
civilização
estava trazendo ao
Planeta
como
um
todo,
a
destruição
da
natureza
e a
exclusão
social
prosseguiram ininterruptas.
A
década
de 60 traduz-se
para
o
mundo
como
o
berço
da
contracultura,
de
um
novo
arcabouço
de
princípios,
onde
os
valores
são
severamente
questionados.
Movimentos
de
libertação
nacional,
pacíficistas, naturalistas, de
consumidores,
de
direitos
humanos,
de
gênero
e o
ambientalista,
colocam na
pauta
universal,
entre
outros,
os
temas
da
injustiça
social,
da
concentração
econômica,
da
discriminação,
da
corrupção
e da
deterioração
ambiental.
Nas
décadas
subseqüentes,
paralelamente
à
ascensão
dos
regimes
democráticos
em
diversos
países
e ao
aumento
vertiginoso
do
número
de
organizações
não
governamentais,
o
movimento
ambientalista
se organiza e
seu
discurso,
embasado nas
novas
descobertas
científicas, mobiliza a
sociedade
civil
e esta
passa
a
exigir
de
governantes
e
empresas,
medidas
de
recuperação
e
conservação
dos
recursos
naturais.
Conferências
são
realizadas,
tratados
estabelecidos,
documentos
globais
elaborados.
Países
assinam
acordos
de redução de
emissões
de
poluentes,
de
conservação
de
florestas
e da
biodiversidade,
de
pesquisa
de
fontes
de
energia
alternativa
etc.
Populariza-se o
conceito
de
desenvolvimento
sustentável.
Para
dar
concretude ao
conceito,
primeiramente
cunhado
por
Lester Brown, surge
então
a
noção
do
exercício
da
responsabilidade
social
das
empresas.
Melhoram as
técnicas
de
produção,
a
disposição
dos
resíduos
é
mais
cuidadosa, a
reciclagem
vira
uma
febre,
tratam-se os
efluentes,
não
se
contrata
mais
mão
de
obra
infantil,
não
mais
se descrimina acintosamente as
mulheres,
os
negros,
as
emissões
de
poluentes
são
controladas,
compensações
ambientais
são
estabelecidas
pelos
governos,
surgem
legislações
mais
severas, fiscalização
mais
eficiente,
programas
sociais
de
vulto
são
mantidos pelas
grandes
empresas,
etc.etc.etc.
Mas
não
se
toca
no
cerne
da
questão:
a
mudança
do
marco
civilizatório, a
construção
de
um
novo
paradigma.
Assim,
ao
mesmo
tempo
em
que
medidas
mitigadoras e compensatórias se alastram, o
poder
político
do
mundo
continua
estreitamente
relacionado ao
poder
financeiro.
Os
países
ricos
tornam-se
cada
vez
mais
ricos,
aumenta
o
número
de
jovens
bilionários
enquanto
nos
países
pobres
explode o
número
de
miseráveis.
Nos
países
ricos
de
recursos
naturais,
governos,
mesmo
quando
democráticos,
estimulam
seu
uso
intensivo
como
fator
de
geração
de
riquezas.
Nos
países
emergentes,
a pós-modernidade, a tecno-ciência e a
abundância
convivem,
sem
nenhum
constrangimento,
com
as
trevas
da
idade
média,
a
ignorância,
a
fome,
a
doença.
E a
destruição
do
Planeta
prossegue
apesar
do "novo"
modelo
de
desenvolvimento,
dito
sustentável,
estar
em
grande
evidência
nos
discursos
de
políticos,
empresários
e
cientistas.
O
centro
de
poder
global
prefere
desconhecer
e/ou
minimizar
o
grito
de
alerta
que
a
comunidade
científica
lança,
no
advento
do
século
XXI:
pela
primeira
vez
em
15
bilhões
de
anos,
a
manutenção
da
vida
na
Terra
está seriamente ameaçada!
Problemas
como
o
aquecimento
global,
o comprometimento dos
estoques
de
água
doce,
a
destruição
da
biodiversidade,
o
desflorestamento,
a
chuva
ácida,
a contaminação dos
solos
e do
lençol
freático,
aliadas ao agravamento do
problema
da
exclusão
social,
da
fome,
da
miséria
e da
violência
desafiam a modernidade e põe
em
xeque
o
futuro
de
nossa
caminhada,
enquanto
humanidade |