spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 13:02:51                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÓCIO AMBIENTAL

A década da educação para o desenvolvimento sustentável

   
Por Miriam Duailibi

 

 

As Nações Unidas declararam a década que vivemos como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

Muito tem se falado sobre o tema, mas pouco se tem dito sobre como e porque a relação da espécie humana entre si, com as outras espécies e com a natureza chegou ao ponto de comprometer a própria continuidade da vida na Terra.

O processo civilizatório implementado no Planeta pela espécie humana nos últimos 10 000 anos, instaurou uma verdadeira máquina de destruição que vem crescendo em progressão geométrica. Foram marcados por uma visão antropocêntrica de mundo, pelo desconhecimento da condição ternária (indíviduo/comunidade/espécie) do ser humano e pelo rompimento de sua ligação com o Lar-Terra, com a Pacha-Mama, com Gaia...

Formamos uma sociedade predatória, excludente, competitiva, defensiva, fragmentária, discriminatória, autoritária.

Sociedade, mesmo quando politicamente democrática, socialmente fascista e ambientalmente irresponsável, onde se criam demandas fictícias que aumentam ininterruptamente o consumo, desconhecendo a capacidade de suporte e regeneração dos ecossistemas e a capacidade financeira da grande maioria dos seres humanos.

A procura incessante pelo acúmulo de riquezas materiais vem exaurindo os recursos naturais do Planeta sem, no entanto, melhorar as condições de vida de grande parte da população da Terra.

O domínio destas fontes de riqueza e a distribuição dos bens produzidos estão sob controle, cada vez mais acirrado, de pequenos grupos dominantes.

Países ricos desenvolvem ciência e tecnologia de ponta, instruem e capacitam suas populações, cuidam de sua saúde, protegem sua produção e emprego, criando assim condições de prosseguir em sua trajetória de sucessos...

Do lado de fora, milhões, bilhões de seres humanos sonham com água limpa, um prato quente de comida, um remédio para aliviar a dor de dente, baixar a febre. Batem à porta dos ricos e ela está irremediavelmente fechada. Nos dois hemisférios.

Apesar de, a partir dos anos 50, haver nas esferas governamental e científica, o conhecimento da gravidade das conseqüências que tal modelo de civilização estava trazendo ao Planeta como um todo, a destruição da natureza e a exclusão social prosseguiram ininterruptas.

A década de 60 traduz-se para o mundo como o berço da contracultura, de um novo arcabouço de princípios, onde os valores são severamente questionados. Movimentos de libertação nacional, pacíficistas, naturalistas, de consumidores, de direitos humanos, de gênero e o ambientalista, colocam na pauta universal, entre outros, os temas da injustiça social, da concentração econômica, da discriminação, da corrupção e da deterioração ambiental.

Nas décadas subseqüentes, paralelamente à ascensão dos regimes democráticos em diversos países e ao aumento vertiginoso do número de organizações não governamentais, o movimento ambientalista se organiza e seu discurso, embasado nas novas descobertas científicas, mobiliza a sociedade civil e esta passa a exigir de governantes e empresas, medidas de recuperação e conservação dos recursos naturais.

Conferências são realizadas, tratados estabelecidos, documentos globais elaborados. Países assinam acordos de redução de emissões de poluentes, de conservação de florestas e da biodiversidade, de pesquisa de fontes de energia alternativa etc.

Populariza-se o conceito de desenvolvimento sustentável. Para dar concretude ao conceito, primeiramente cunhado por Lester Brown, surge então a noção do exercício da responsabilidade social das empresas.

Melhoram as técnicas de produção, a disposição dos resíduos é mais cuidadosa, a reciclagem vira uma febre, tratam-se os efluentes, não se contrata mais mão de obra infantil, não mais se descrimina acintosamente as mulheres, os negros, as emissões de poluentes são controladas, compensações ambientais são estabelecidas pelos governos, surgem legislações mais severas, fiscalização mais eficiente, programas sociais de vulto são mantidos pelas grandes empresas, etc.etc.etc.

Mas não se toca no cerne da questão: a mudança do marco civilizatório, a construção de um novo paradigma.

Assim, ao mesmo tempo em que medidas mitigadoras e compensatórias se alastram, o poder político do mundo continua estreitamente relacionado ao poder financeiro.

Os países ricos tornam-se cada vez mais ricos, aumenta o número de jovens bilionários enquanto nos países pobres explode o número de miseráveis.

Nos países ricos de recursos naturais, governos, mesmo quando democráticos, estimulam seu uso intensivo como fator de geração de riquezas.

Nos países emergentes, a pós-modernidade, a tecno-ciência e a abundância convivem, sem nenhum constrangimento, com as trevas da idade média, a ignorância, a fome, a doença.

E a destruição do Planeta prossegue apesar do "novo" modelo de desenvolvimento, dito sustentável, estar em grande evidência nos discursos de políticos, empresários e cientistas.

O centro de poder global prefere desconhecer e/ou minimizar o grito de alerta que a comunidade científica lança, no advento do século XXI: pela primeira vez em 15 bilhões de anos, a manutenção da vida na Terra está seriamente ameaçada!

Problemas como o aquecimento global, o comprometimento dos estoques de água doce, a destruição da biodiversidade, o desflorestamento, a chuva ácida, a contaminação dos solos e do lençol freático, aliadas ao agravamento do problema da exclusão social, da fome, da miséria e da violência desafiam a modernidade e põe em xeque o futuro de nossa caminhada, enquanto humanidade