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Depreende-se que o crescimento econômico desordenado provoca efeitos
indesejáveis como, por exemplo, a qualidade do meio ambiente, e
justamente por esses problemas se agravarem com o passar do tempo, temos
no final da década de setenta um aumento notável a respeito dos efeitos
negativos desse processo.
As discussões nesse período estavam marcadas por uma nítida polarização.
Os países industrializados buscando garantir seu crescimento e os países
em desenvolvimento não visualizavam a discussão como algo palpável. A
conferência de Estocolmo marca essa polarização e também marca os
avanços na interpretação dos problemas ambientais, colocando em destaque
a idéia de que é compatível o desenvolvimento econômico com a
conservação da natureza.
Somente obtivemos avanços mais palpáveis com o Relatório de Brundtland,
onde foi tratado da insustentabilidade de muitos padrões de
desenvolvimento em curso, que depredavam os recursos naturais e o meio
ambiente em que estavam inseridos, limitando as possibilidades de
desenvolvimento futuro, fazendo também conexões entre pobreza e
desenvolvimento, desigualdades sociais, o uso e o manejo inadequado dos
recursos naturais, e as ameaças desses modelos num futuro próximo.
Surge então a necessidade de substituir conceitos tradicionais de
desenvolvimento e de segurança mundial por uma nova noção: o de
desenvolvimento sustentável. Entretanto, se é um consenso entre países
em desenvolvimento e países industrializados acerca da interpretação dos
problemas ambientais e da necessidade de adotar estratégias para um
desenvolvimento sustentável, esse mesmo caminho enfrenta interesses
conflitantes.
A noção de desenvolvimento sustentável é extremamente importante na
medida em que traz oportunidade de conciliar, objetivos de crescimento
econômico, questões sociais e proteção do meio ambiente. Mas está longe
de um consenso, o único consenso que existe é o de que o modelo atual é
insustentável, colocando em evidência a necessidade de um novo modelo de
desenvolvimento.
Os maiores desafios do desenvolvimento sustentável referem-se
ao processo de materialização da sustentabilidade, ou seja, na
transformação da filosofia e do discurso em ação e realização. Nesse
processo encontram-se os verdadeiros obstáculos e aparecem as grandes
discordâncias sobre como construir um desenvolvimento multidimensional,
que integre justiça social, sustentabilidade ambiental, viabilidade
econômica, democracia participativa, ética comportamental, solidariedade
e conhecimento integrador.
A qualidade da consciência pública, de sua percepção da realidade e dos
problemas vividos, e de sua capacidade de organização para impulsionar
mudanças no sentido de uma sociedade verdadeiramente sustentável.
Dependerá igualmente da habilidade dos movimentos sociais, em sentido
amplo, em atrair forças, em estabelecer alianças e de liderar um
processo que torne a filosofia da sustentabilidade, em seu sentido mais
avançado, em uma alternativa real de desenvolvimento social.
Referências:
LEFF, Enrique. Ecologia, capital e cultura: racionalidade ambiental,
democracia participativa e desenvolvimento sustentável/ Enrique Leff;
tradução de Jorge Esteves da Silva. Blumenal Editora da Furb, 2000.
(Coleção Sociedade e Ambiente).
CAVALCANTI, Clóvis. Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e
Políticas Públicas. 4 edição. São Paulo: Editora Cortez, 2002. (ORG).
SACHS, Ignacy. Desenvolvimento includente, sustentável sustentado. Rio
de Janeiro: Editora Garamond Ltda, 2004.
SACHS, Ignacy.
Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. São Paulo, Vértice, 1986.
KITAMURA, Paulo Choji. A Amazônia e o Desenvolvimento Sustentável.
Brasília: Embrapa, 1994.
CAVALCANTI, Clóvis. Desenvolvimento e Natureza: Estudos para uma
Sociedade Sustentável. 4 edição. São Paulo: Editora Cortez, 2003. (ORG)
GIANSANTI, Roberto. O Desafio do Desenvolvimento Sustentavel. 4ª edição.
São Paulo: Atual, 1998.
FREITAS, Marcílio de (colaboração de Walter Esteves de Castro Junior).
Amazônia e Desenvolvimento Sustentável: um diálogo que todos os
brasileiros deveriam conhecer. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004. |