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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: princípios e objetivos.
João Gomes Moreira
Considerando a educação como um processo social e dinâmico que
ocorre através das relações e interações de uma sociedade faremos breve
excursão/incursão e retrospectiva pelo universo da ética. Um exame de
alguns parâmetros que julgamos necessários para a educação ambiental.
Esta palestra é, antes de tudo, uma reflexão sobre a epistemologia que
fundamenta as atividades de desenvolvimento de práticas de ensino no
campo da educação ambiental.
Breve notícia a guisa de Introdução
O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, protagonista de um filme da
seleção oficial do Festival de Cannes, alertou no dia 20 de maio de
2006, a comunidade internacional sobre a necessidade urgente de tomar
medidas para evitar uma catástrofe ecológica definitiva.
O planeta passa por um momento extremamente delicado, provocado pele
intervenção humana e seus efeitos climáticos, mas ainda não alcançou um
ponto sem retorno, e o desaparecimento da humanidade pode ser evitado,
disse Gore.
Ele afirmou ainda que se trate de uma questão “ética” e “moral”, mais do
que política. Gore acrescentou que é preciso agir rápido, antes que
aconteça uma catástrofe (grifo nosso).
Segundo os dados científicos reunidos pelo ex-vice-presidente, a
geração atual pode enfrentar conseqüências da devastação ecológica e
agradeceria as reações tomadas a tempo para evitá-la. Esta é a dupla
mensagem, de alerta e otimismo, defendida por Al Gore.
A solução proposta por Gore passa por despertar a opinião pública, que
seria capaz de provocar as mudanças políticas necessárias para que
medidas sejam tomadas. Para isso, o ex-vice-presidente tenta esclarecer
a população sobre a situação ambiental atual, usando como exemplo o
furacão Katrina, que destruiu Nova Orleans em agosto de 2005.
Há anos o ex-vice-presidente apresentava sua tese em conferências nos
EUA e no exterior. Quatro produtores transformaram as palestras no
documentário “An Inconvenient Truth” (uma verdade inconveniente),
dirigido por Davis Guggenheim.
Valores Ambientais
Para encontrarmos declarações explicitas a respeito de valores
ambientais é necessário um recuo no tempo através da tradição ocidental.
Uma retrospectiva breve remonta aos escritos de Moises no Pentateuco e
mais tarde nos trabalhos de Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomas
de Aquino (SINGER, 2002, P.119-12 ).
Segundo a tradição ocidental dominante, o mundo natural existe para
beneficio dos seres humanos. Deus concedeu aos seres humanos o
domínio sobre o mundo natural, e a Deus não importa como nós
o tratamos. Os seres humanos são os únicos membros moralmente
importantes deste mundo. A própria natureza carece de valor
intrínseco, e a destruição das plantas e animais não pode ser
pecado, exceto se nessa destruição forem prejudicados os seres humanos
(SINGER, 2002, p. 121). (grifos nossos).
Essa concepção sobre a presença e utilidade da natureza é parcialmente
satisfatória. Porque é limitada. Por exemplo: muitos argumentos contra a
poluição, o uso de gases prejudiciais à camada de ozônio, a queima de
combustíveis fósseis e a destruição das florestas podem ser apresentados
em termos do prejuízo causado à saúde e ao bem-estar humanos pêlos
poluentes ou pelas mudanças climáticas que podem ocorrer em decorrência
do uso de combustíveis fósseis e destruição das florestas. Como os
seres humanos necessitam de um meio ambiente no qual possam sentir-se
bem, a preservação desse ambiente pode constituir um valor, dentro de
um referencial moral centrado no humano.
...Mas e quanto ao futuro?
Uma floresta é o produto de milhares de anos desde o surgimento das
condições de vida do nosso planeta. Se ela for cortada, outra floresta
poderá crescer, mas a continuidade foi interrompida. A perturbação dos
ciclos naturais da vida de vegetais e animais significa que a floresta
nunca mais será o que teria sido se não a tivessem cortado.
Pode ser que haja ganhos econômicos agora, mas são ganhos de curto
prazo. Depois de cortada ou submergida a mata, entretanto, a ligação com
o passado se perdera para sempre. Isto pode ser motivo de arrependimento
para todas as gerações que nos sucederem neste planeta.
Por exemplo: há uma relação direta das alterações climáticas e de todo
o ecossistema da Mata Atlântica do Brasil decorrência direta da
destruição sucessiva por séculos ao longa de toda a orla marítima.
Por “isso os ambientalistas estão certos quando se referem à mata nativa
como ‘herança planetária”.
Ao contrário de muitas sociedades humanas mais estáveis e
guiadas por tradições, nossos modernos costumes políticos e culturais
têm uma grande dificuldade de aceitar valores em longo prazo. É fato
notório que (alguns) políticos dificilmente enxergam mais longe que a
próxima eleição.
As ciências econômicas e políticas não podem dar uma resposta real para
o significado da preservação de uma espécie ou de uma mata nativa. A
mensuração de vantagens ou desvantagens de tê-las passa peles
argumentos:
(Relevância paisagística) estéticos: quanto custa fruir de um
entardecer a margem de um rio e a visão do sol paulatinamente
desaparecendo no horizonte? (experiência que muitas não religiosas
descrevem em termos de experiência espiritual).
Podemos ter certeza que as futuras gerações irão apreciar a mata?
Talvez fiquem mais felizes em sentar-se num centro comercial com
ar-condicionado, jogando videogames mais sofisticados do que somos
capazes de imaginar. Mas a tendência geral tem sido no rumo da
valorização da conservação e preservação.
(Relevância biológica) – é um grande repositório de
conhecimento ainda não adquirido.
(relevância turística/saúde) – possibilidade de pratica de
diferentes tipos de esportes (exclusivas oportunidades de recreação).
Como comparar o valor estético de um vale de um rio agreste ou
de uma floresta virgem com o valor de uma pintura do Louvre?
Mas a apreciação pela natureza pode ser que não
venha a ser compartilhada por pessoas que viverão dentro de um ou dois
séculos. Depende de nós que as futuras gerações valorizem e respeitem a
natureza. Isso todos podemos influenciar. Graças ao nosso esforço de
conservação de áreas florestais, oferecemos as gerações vindouras uma
oportunidade, e, por meio dos livros, filmes que produzimos, palestras,
criamos uma cultura que pode ser legada aos nossos filhos e aos filhos
deles. Se a experiência de caminhar pela mata com uma mochila, às
costas e acampar é mais gratificante do que seria jogar games ou ainda
mais gratificante do que sentarmos diante da TV, então devemos encorajar
as futuras gerações a se sensibilizarem ante a natureza.
Haverá valor além da espécie humana?
Para explorarmos os valores ambientais uma
questão central é a existência ou não de algo dotado de um valor
intrínseco que ultrapasse os seres humanos.
O conceito de valor intrínseco – uma coisa tem
valor enterneço se ela é boa ou desejável em si mesma.
Em contraste temos:
O conceito de valor instrumental – que é o valor
como meio de obtenção de algum fim ou objetivo.
Nossa própria felicidade tem valor intrínseco em
si mesmo. (no sentido que a desejamos por si mesma).
O dinheiro por outro lado, tem para nós valor
instrumental. (nos o queremos por causa das coisas que podemos comprar e
consequentemente ficarmos felizes).
A conservação e preservação do meio ambiente tem
valor intrínseco ou valor instrumental?
O entendimento que tivermos sobre isso dirigirá
nossas
nossas concepções e realizações sobre a natureza (preservação,
conservação), sobre o mundo econômico (tipo de alimentação, vestuário,
transporte, etc.) e principalmente o mundo social (saúde, educação,
esportes, etc.).
Assim essa argumentação racional na ética
permite que as pessoas reflitam, e, eventualmente, se convençam da
importância da consideração dos valores ambientais.
Pesquisa do Instituto Vox Populi aponta pra um
crescimento na consciência ambiental do brasileiro. Registra aumento de
30% nos últimos 15 anos. Porém o aumento da consciência ainda não é
acompanhado de um aumento considerável de atitudes e comportamentos pró
- meio ambiente, sendo que o perfil do cidadão mais preocupado com o
meio ambiente é ainda o de alta escolaridade, de alta renda e morador de
centros urbanos(MENDES, 2006).
Então chegamos a seguinte síntese:
1-
nós compartilhamos o planeta com seres de outras espécies que são
igualmente capazes de sentir dor, de sofrer, e cujas vidas podem ir bem
ou mal.
2-
Alterações (antrópicas) nos ecossistemas provocam mudanças em todo o
planeta causando malefícios aos seres animados e inanimados.
3-
A Variável Tempo. É mister uma ética para o futuro. Qual será nosso
legado para nossos sucessores. Ao longo do tempo a natureza se
defende das agressões. Porém a cobrança da CONTA com juros e correções
(Vide casos: Tsunami, Katrina, Ciclones no sul do Brasil nesta década)!
Reverência pela vida
Albert Schweitzer escreveu: a ética consiste
nisso: em que eu sinta a necessidade de pôr em prática, diante de toda
vontade de viver, a mesma reverencia pela vida que sinto diante da minha
própria. Nisso encontro o necessário principio fundamental da
moralidade. Manter e fomentar a vida é bom; destruir e impedir a vida é
mau.
(Civilization end Ethics (parte II de The Philisophy of Civilization,
trad. De C.T. Campion, 2ª ed. Londres, A & C Black, 1929) p.
247).
Precisamos de uma aplicação da ética que contemple não só indivíduos mas
também as espécies e os ecossistemas – uma dimensão holística --
indivíduos, espécies e ecossistemas não são uma “coleção de coisas” mas
uma ENTIDADE
EM SI MESMA.
A ética ambiental parte de uma visão
ecocêntrica. Surge uma nova relação de consciência entre o homem
e a natureza. Nesta nova concepção o homem passa a se preocupar com as
ações e como conseqüência passa a praticar ações coerentes com a
natureza (SANTOS JR., 2006. Grifo nosso.). isso leva ao desenvolvimento
de conscientização e compromisso preservacionista e concervacionista da
vida global. (SANTOS JR., 2006).
Para que ocorra realmente desenvolvimento sustentável é mister também um
processo educacional efetivo. Uma alfabetização ambiental. Nesse
processo, os valores adequados à concretização desse princípio deveriam
estar em evidência para fundamentar a tomada de decisões que favoreçam
o ambiente e a sociedade que dele depende. espera-se que do processo
educacional decorra a implantação de valores e atitudes que preparariam
o cidadão para um futuro ambientalmente sustentável (Parentoni &
Coutinho, 2006).
No entanto uma sociedade que privilegia a
competitividade, o enriquecimento rápido e o consumo desenfreado, onde
caberiam os valores que favorecessem a implementação de tal perspectiva
? surge uma questão básica: como se pode falar de uma educação para
valores ambientais se o que falta são justamente estes valores? Em sua
pratica efetiva, como a escola deveria estar preparada para educar para
valores conflitantes com as exigências de uma sociedade competitiva?
Estariam os próprios alunos ou profissionais interessados em se imolar
no mercado de trabalho em nome de elevados e nobres valores que os
manteriam desempregados?
Este é um dos maiores desafios para educadores:
Implantar condutas éticas em uma sociedade que valoriza o fútil e
efêmero. Talvez o caminho seja a via do diálogo multidisciplinar entre
profissionais em busca da resolução dos complexos problemas como os
ambientais. Um contrato ético-social construído pela mediação entre
cientistas e agentes sociais irmanados no processo.
Ética antropocêntrica X Ética ecocêntrica .
(Kant)
(Lovelock, Teoria Gaia)
BIBLIOGRAFIA
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O
dia depois de amanhã .
O
DIA EM QUE A TERRA PAROU.
THE
JUNGLE BEAT
(Batida na Floresta. documentário). Produção: NDA/IGPHA/UCG
E NOMAD FILM.
Adrian Cowbell. 2005.
Waterworld
(Waterworld o segrêdo das águas). 1995.
Dances With Wolves
(Dança com Lobos) 1990.
A
qualquer preço
Na
Linha do Horizonte.
Produtor: Alice Antunes, Brasil 2005.
Césio 137, o Brilho da Morte.
Luis E. Jorge. Brasil, 2005.
Uma
Verdade Inconveniente
(An Inconveniente Truth). Dirigido por Davis Guggenheim, USA, 2006.
Twister
Núcleo
Volcano
Tainá
O
Cubo
LEGISLAÇÃO
Política Nacional de EA – Lei 9795 – 27-04-99
Decreto 4281 - 25-jun-02
Constituição Federal. 1988.
Constituição Estadual RO. 1989.
Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA
Sancionada pelo presidente Fernando Henrique, em 27 de abril de 1999, a
Lei No 9795 "Dispõe
sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação
Ambiental e dá outras providências." O Projeto de Lei, proposto pelo
deputado federal Fábio Feldmann, reconhece, enfim, a educação ambiental
como um componente urgente, essencial e permanente em todo processo
educativo, formal e/ou não-formal, como orientam os Artigos 205 e 225 da
Constituição Federal.
Diretrizes para
Operacionalização do Programa Nacional de Educação Ambiental
Durante um ano a
Câmara Técnica de Educação Ambiental do CONAMA. , na época,
presidida pela COEA/MEC discutiu propostas para regulamentação da Lei.
Em 25 de junho de 2002 foi assinado pelo Presidente da República a
Regulamentação da
Lei nº 9795 pelo
Decreto 4.281.
http://www.mec.gov.br/se/educacaoambiental/estrategia.shtm.
João Gomes Moreira. Tecnólogo em Processamento de Dados,
Especialista em Administração e Planejamento para Docentes,
Mestre em Educação pelo Centro Universitário Adventista de São
Paulo, UNASP. Ph.D. em Ciência da Informação pela American World
University, AWU – IOWA/USA. Integrante do Grupo de Pesquisa –
PRAXIS – Universidade Federal de Rondônia, UNIR, é Analista
Ambiental do IBAMA GEREX JI-PARANÁ. e participou como
coordenador em outubro e novembro de 2005 das Conferências
Regionais e Estadual sobre Meio Ambiente em 2005.
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