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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:31                                               

 
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SÓCIO AMBIENTAL

Educação Ambiental: princípios e objetivos

   

João Gomes Moreira

publicado em 21/09/2007

 

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: princípios e objetivos. [1]

João Gomes Moreira[2]

 

         Considerando a educação como um processo social e dinâmico que ocorre através das relações e interações de uma sociedade faremos breve excursão/incursão e retrospectiva pelo universo da ética.  Um exame de alguns parâmetros que julgamos necessários para a educação ambiental.

 Esta palestra é, antes de tudo, uma reflexão sobre a epistemologia que fundamenta as atividades de desenvolvimento de práticas de ensino no campo da educação ambiental.  

                           

Breve notícia a guisa de Introdução

 

O ex-vice-presidente dos EUA  Al Gore, protagonista de um filme da seleção oficial do Festival de Cannes, alertou no dia 20 de maio de 2006,  a comunidade internacional sobre a necessidade urgente de tomar medidas para evitar uma catástrofe ecológica definitiva.         

 

O planeta passa por um momento extremamente delicado, provocado pele intervenção humana e seus efeitos climáticos, mas ainda não alcançou um ponto sem retorno, e o desaparecimento da humanidade pode ser evitado, disse Gore.

 

Ele afirmou ainda que se trate de uma questão “ética” e “moral”, mais do que política. Gore acrescentou que é preciso agir rápido, antes que aconteça uma catástrofe (grifo nosso).

 

Segundo  os dados científicos reunidos pelo ex-vice-presidente, a geração atual pode enfrentar conseqüências da devastação ecológica e agradeceria as reações tomadas a tempo para evitá-la.  Esta é a dupla mensagem, de alerta e otimismo, defendida por Al Gore.

A solução proposta por Gore passa por despertar a opinião pública, que seria capaz de provocar as mudanças políticas necessárias para que medidas sejam tomadas. Para isso, o ex-vice-presidente tenta esclarecer a população sobre a situação ambiental  atual, usando como exemplo o furacão Katrina, que destruiu Nova Orleans  em agosto de 2005.

 

Há anos o ex-vice-presidente apresentava sua tese em conferências nos EUA e no exterior.  Quatro produtores transformaram as palestras no documentário “An Inconvenient Truth” (uma verdade inconveniente), dirigido por Davis Guggenheim.

 

 

 Valores Ambientais

 

Para encontrarmos declarações explicitas a respeito de valores ambientais é necessário um recuo no tempo através da tradição ocidental. Uma retrospectiva breve remonta aos escritos de Moises no Pentateuco e mais tarde nos trabalhos de Aristóteles,   Santo Agostinho e São Tomas de Aquino (SINGER, 2002, P.119-12  ).

 

Segundo a tradição ocidental dominante, o mundo natural existe para beneficio dos seres humanos. Deus concedeu aos seres humanos o domínio sobre o mundo natural, e a Deus não importa como nós o tratamos.  Os seres humanos são os únicos membros moralmente importantes deste mundo. A própria natureza carece de valor intrínseco, e a destruição  das plantas e animais não pode ser pecado, exceto se nessa destruição forem prejudicados os seres humanos (SINGER, 2002, p. 121). (grifos nossos).

 

Essa concepção sobre a presença e utilidade da natureza é parcialmente satisfatória. Porque é limitada. Por exemplo: muitos argumentos contra a poluição, o uso de gases prejudiciais à camada de ozônio, a queima de combustíveis fósseis e a destruição das florestas podem ser apresentados em termos do prejuízo causado à saúde e ao bem-estar humanos pêlos poluentes ou pelas mudanças climáticas que podem ocorrer em decorrência do uso de combustíveis fósseis e destruição das florestas.  Como os seres humanos necessitam de um meio ambiente no qual possam sentir-se bem,  a preservação desse ambiente pode constituir um valor, dentro de um referencial moral centrado no humano.  

 

...Mas e quanto ao futuro?

 

Uma floresta é o produto de milhares de anos desde o surgimento das condições de vida do nosso planeta. Se ela for cortada, outra floresta poderá crescer, mas a continuidade foi interrompida. A perturbação dos ciclos naturais da vida de vegetais e animais significa que a floresta nunca mais será o que teria sido se não a tivessem cortado. 

Pode ser que haja ganhos econômicos agora, mas são ganhos de curto prazo. Depois de cortada ou submergida a mata, entretanto, a ligação com o passado se perdera para sempre. Isto pode ser motivo de arrependimento para todas as gerações que nos sucederem neste planeta.

 

Por exemplo: há uma relação direta das alterações climáticas e de todo o  ecossistema da Mata Atlântica do Brasil decorrência direta da  destruição sucessiva por séculos ao longa de toda a orla marítima.

 

Por “isso os ambientalistas estão certos quando se referem à mata nativa como ‘herança planetária”.

 

         Ao contrário de muitas  sociedades humanas mais estáveis e guiadas por tradições, nossos modernos costumes políticos e culturais têm  uma grande dificuldade de aceitar valores em longo prazo.  É fato notório que (alguns) políticos dificilmente enxergam mais longe que a próxima eleição.

 

As ciências econômicas e políticas não podem dar uma resposta real para o significado da preservação de uma espécie ou de uma mata nativa. A mensuração de vantagens ou desvantagens de tê-las passa peles argumentos:

 (Relevância paisagística) estéticos:  quanto custa fruir de um entardecer a margem de um rio e a visão do sol paulatinamente desaparecendo no horizonte? (experiência que muitas não religiosas descrevem em termos de experiência espiritual). 

Podemos ter certeza que as futuras gerações irão apreciar a mata?  Talvez fiquem mais felizes em sentar-se num centro comercial com ar-condicionado, jogando videogames mais sofisticados do que somos capazes de imaginar.   Mas a tendência geral tem sido no rumo da valorização da conservação e preservação.

         (Relevância biológica) – é um grande repositório de conhecimento ainda não adquirido.

         (relevância turística/saúde) – possibilidade de pratica de diferentes tipos de esportes (exclusivas oportunidades de recreação).

         Como comparar o valor estético de um vale de um rio agreste ou de uma floresta virgem com o valor de uma pintura do Louvre?

                        Mas a apreciação pela natureza pode ser que não venha a ser compartilhada por pessoas que viverão dentro de um ou dois séculos.  Depende de nós que as futuras gerações valorizem e respeitem a natureza. Isso todos podemos  influenciar.  Graças ao nosso esforço de conservação de áreas florestais, oferecemos as gerações vindouras uma oportunidade, e, por meio dos livros, filmes que produzimos, palestras, criamos uma cultura que pode ser legada aos  nossos filhos e aos filhos deles.  Se a experiência de caminhar pela mata com uma mochila, às costas e acampar é mais gratificante do que seria jogar games ou ainda mais gratificante do que sentarmos diante da TV, então devemos encorajar as futuras gerações a se sensibilizarem ante a natureza.     

 

Haverá valor além da espécie humana?          

                        Para explorarmos os valores ambientais uma questão central é a existência ou não de algo dotado de um valor intrínseco que ultrapasse os seres humanos.

                        O conceito de valor intrínseco – uma coisa tem valor enterneço se ela é boa ou desejável em si mesma.

                        Em contraste temos:

                        O conceito de valor instrumental – que é o valor como meio de obtenção de algum fim ou objetivo.

                        Nossa própria felicidade tem valor intrínseco em si mesmo.  (no sentido que a desejamos por si mesma).

                        O dinheiro por outro lado, tem para nós valor instrumental. (nos o queremos por causa das coisas que podemos comprar e consequentemente ficarmos felizes).

                        A conservação e preservação do meio ambiente tem valor intrínseco ou valor instrumental?

                        O entendimento que tivermos sobre isso dirigirá nossas 

nossas concepções e realizações sobre a natureza (preservação, conservação), sobre o mundo econômico (tipo de alimentação, vestuário, transporte, etc.) e principalmente o mundo social (saúde, educação, esportes, etc.). 

                        Assim essa argumentação racional na ética permite que as pessoas reflitam,  e, eventualmente,  se  convençam da importância da consideração dos valores ambientais.

                         Pesquisa do Instituto Vox Populi aponta pra um crescimento na consciência ambiental do brasileiro. Registra aumento de 30% nos últimos 15 anos.  Porém o aumento da consciência ainda não é acompanhado de um aumento considerável de atitudes e comportamentos pró - meio ambiente, sendo que o  perfil do cidadão mais preocupado com o meio ambiente é ainda o de alta escolaridade, de alta renda e morador de centros urbanos(MENDES, 2006).

                        Então chegamos a seguinte síntese:

1-     nós compartilhamos o planeta com seres de outras espécies que são igualmente capazes de sentir dor, de sofrer, e cujas vidas podem ir bem ou mal.

2-     Alterações (antrópicas) nos ecossistemas provocam mudanças em todo o planeta causando malefícios aos seres animados e inanimados. 

3-     A Variável Tempo. É  mister uma ética para o futuro. Qual será nosso legado para nossos sucessores.    Ao longo do tempo a natureza se defende das agressões. Porém a cobrança da CONTA  com juros e correções (Vide casos: Tsunami, Katrina, Ciclones no sul do Brasil nesta década)!

Reverência pela vida

                        Albert Schweitzer escreveu: a ética consiste nisso: em que eu sinta a necessidade de pôr em prática, diante de toda vontade de viver, a mesma reverencia pela vida que sinto diante da minha própria. Nisso encontro o necessário principio fundamental da moralidade. Manter e fomentar a vida é bom; destruir e impedir a vida é mau. (Civilization end Ethics (parte II de The Philisophy of Civilization, trad. De C.T. Campion, 2ª ed. Londres, A & C Black, 1929) p. 247).        

                        Precisamos de uma aplicação da ética que contemple não só indivíduos mas também as espécies e os ecossistemas – uma dimensão holística --  indivíduos, espécies e ecossistemas não são uma “coleção de coisas”  mas uma ENTIDADE EM SI MESMA.   

                        A ética ambiental parte de uma visão ecocêntrica. Surge uma nova relação de consciência entre o homem e a natureza. Nesta nova concepção o homem passa a se preocupar com as ações e como conseqüência passa a praticar ações coerentes com a natureza (SANTOS JR., 2006. Grifo nosso.). isso leva ao desenvolvimento de  conscientização e compromisso preservacionista e concervacionista da vida global. (SANTOS JR., 2006).

Para que ocorra realmente desenvolvimento sustentável é mister também um processo educacional efetivo. Uma alfabetização ambiental. Nesse processo, os valores adequados à concretização desse princípio deveriam estar em evidência para  fundamentar a tomada de decisões que favoreçam o  ambiente e a sociedade que dele depende. espera-se que do processo educacional decorra a implantação de valores e atitudes que preparariam o cidadão para um futuro ambientalmente sustentável (Parentoni & Coutinho, 2006).  

                        No entanto uma sociedade que privilegia a competitividade, o enriquecimento rápido e o consumo desenfreado, onde caberiam os valores que favorecessem a implementação de tal perspectiva ? surge uma questão básica: como se pode falar de uma educação para valores ambientais se o que falta são justamente estes valores?  Em sua pratica efetiva, como a escola deveria estar preparada para educar  para valores conflitantes com as exigências de uma sociedade competitiva?  Estariam os próprios alunos ou profissionais interessados em se imolar no mercado de trabalho em nome de elevados e nobres valores que os manteriam desempregados? 

                        Este é um dos maiores desafios para educadores: Implantar condutas éticas em uma sociedade que valoriza o fútil e efêmero.   Talvez o caminho seja a via do diálogo multidisciplinar entre profissionais em busca da resolução dos complexos problemas como os ambientais. Um contrato ético-social construído pela mediação entre cientistas e agentes sociais irmanados no processo.                   

              Ética antropocêntrica  X    Ética ecocêntrica .

                              (Kant)                                        (Lovelock, Teoria Gaia)

 

 

BIBLIOGRAFIA

A ÚLTIMA ARCA DE NOÉ. Ética Ambiental. Disponível em: www.aultimaarcadenoe.com/direitoeitcia.htm  acesso em: 25 mai. 2006. 

CAPRA, Fritjof. Ética Ecológica na Política. Disponível em: www.ambientebrasil.com.br acesso em: 09 mai. 2006.

FERRI, Mario G. Ecologia: temas e problemas brasileiros. São Paulo: Itatiaia. Vol. 3, 1974.

GAARDER, Jostein. Uma ética ambiental para o futuro. Revista Eco 21. Ano XV, n.98, jan. 2005.

GRYZINSKI, Vilma. A Terra no Limite. Perigo Real e Imediato. Revista Veja Especial.  S. Paulo: Abril. Ano: 38, ed.: 1926. 12 out. 2005. P. 84-118. 

LBA. Conferencia do LBA divulga novos resultados de pesquisa. Disponivel em:  <http//lba.cptec.inpe.br/lba-conf-manaus02-en/resultado.htm>  Acesso em 26 mai. 2006. 

LOVATI, Franciane. Em busca de uma lixeira cósmica. Revista Ciência Hoje. Disponível em:http://cienciahoje.uol.com.br/4225 Acesso em: 26 mai. 2006.  

MENCONI, Darlene. O verde contra-ataca. Revista Istoé. São Paulo:Editora Três. N.1809. 09 jun. 2004. P. 92-97.  

MENDES, Daniela. Pesquisa mostra crescimento da consciência ambiental no Brasil.  Disponível em www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.  Acesso em 25 mai. 2006.

PARENTONI, Rogério & COUTINHO, Francisco A. O meio ambiente como bem comum. Revista Diversa. Ano 2. N. 4. Disponível em: www.ufmg.br/diversa/4/meioambiente.htm Acesso em: 25 mai. 2006.

RIZZINI,  Carlos T. & Et al. Ecossistemas Brasileiros.  Rio: Index, 1988.

SANTOR JR., Hidejal N. Ética Ambiental.  Disponível em: www.saude.inf.br/etica.htm acesso em: 20 mai. 2006.   

SINGER, Paul. Vida Ética. Rio: Ediouro, 2002.

ULTIMO SEGUNDO. Estudo confirma recuperação da camada de ozônio. Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/materiais/saude/ Acesso em: 26 mai. 2006.

 

FILMOGRAFIA.

HOMEM URSO. (Grizzly Man). EUA, 2005. Direção: Werner Herzog.   Documentário.

O dia depois de amanhã . 

O DIA EM QUE A TERRA PAROU.

THE JUNGLE BEAT (Batida na Floresta. documentário). Produção:                NDA/IGPHA/UCG E NOMAD FILM. Adrian Cowbell.  2005.

Waterworld (Waterworld o segrêdo das águas). 1995.

Dances With Wolves (Dança com Lobos)  1990.

A qualquer preço

Na Linha do Horizonte. Produtor: Alice Antunes, Brasil 2005.

Césio 137, o Brilho da Morte. Luis E. Jorge. Brasil, 2005. 

Uma Verdade Inconveniente (An Inconveniente Truth). Dirigido por Davis Guggenheim, USA,  2006.

Twister

Núcleo

Volcano

Tainá

O Cubo

 

LEGISLAÇÃO

Política Nacional de EA – Lei 9795 – 27-04-99

Decreto  4281   - 25-jun-02

Constituição  Federal. 1988. 

Constituição Estadual RO. 1989.  

Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA

Sancionada pelo presidente  Fernando Henrique, em 27 de abril de 1999, a Lei No 9795 "Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências." O Projeto de Lei, proposto pelo deputado federal Fábio Feldmann, reconhece, enfim, a educação ambiental como um componente urgente, essencial e permanente em todo processo educativo, formal e/ou não-formal, como orientam os Artigos 205 e 225 da Constituição Federal.

Diretrizes para Operacionalização do Programa Nacional de Educação Ambiental

Durante um ano a Câmara Técnica de Educação Ambiental do CONAMA. , na época, presidida pela COEA/MEC discutiu propostas para regulamentação da Lei. Em 25 de junho de 2002 foi assinado pelo Presidente da República a Regulamentação da Lei nº 9795 pelo Decreto 4.281.

http://www.mec.gov.br/se/educacaoambiental/estrategia.shtm.


 

[1]   Este ensaio foi produzindo em maio de 2006 a fim de desencadear processo de reflexão e estudo na Semana do Meio Ambiente.  Apresentado em junho na UNESC, Cacoal, RO.

[2] João Gomes Moreira.  Tecnólogo em Processamento de Dados, Especialista em Administração e Planejamento para Docentes, Mestre em Educação pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, UNASP. Ph.D. em Ciência da Informação pela American World University, AWU – IOWA/USA. Integrante do Grupo de Pesquisa – PRAXIS – Universidade Federal de Rondônia, UNIR, é Analista Ambiental do IBAMA GEREX JI-PARANÁ. e participou como coordenador em outubro e novembro de 2005 das Conferências Regionais e Estadual sobre Meio Ambiente em 2005. 

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João Gomes Moreira.  Tecnólogo em Processamento de Dados, Especialista em Administração e Planejamento para Docentes, Mestre em Educação pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, UNASP. Ph.D. em Ciência da Informação pela American World University, AWU – IOWA/USA. Integrante do Grupo de Pesquisa – PRAXIS – Universidade Federal de Rondônia, UNIR, é Analista Ambiental do IBAMA GEREX JI-PARANÁ. e participou como coordenador em outubro e novembro de 2005 das Conferências Regionais e Estadual sobre Meio Ambiente em 2005

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