Resumo
Conhecer a
realidade da educação ambiental no Brasil é imprescindível para
o seu sucesso dentro ou fora da sala de aula. Portanto, para
conhecer esta realidade foram verificados documentos
disponibilizados por várias entidades, tanto organizações
governamentais como não–governamentais, analisando os dados
obtidos por estes documentos, com o objetivo de retratar as
principais características e dificuldades enfrentadas pela
educação ambiental no país. Foram analisados, neste trabalho, os
resultados da pesquisa realizada pelo INEP (Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), realizada
no período entre 2001 e 2004. Além de verificar o processo de
formação dos professores analisando o estudo de caso da FURB
(Universidade Regional de Blumenal), e consequentemente as
principais dificuldades na aplicação da educação ambiental no
sistema de ensino brasileiro.
Palavras –
chave:
educação
ambiental; universidades; formação dos professores; aplicação.
ABSTRACT
Knowing the reality of environmental education in Brazil is
essential to your success inside and outside the classroom. So
to know this fact has been verified documents provided by
various entities, both governmental and non-governmental
organizations, the data obtained by analyzing these documents,
aiming to portray the main features and difficulties faced by
the environmental education in the country. Were analyzed in
this study, the results of research undertaken by INEP (Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira),
held in the period between 2001 and 2004. Besides verifying the
process of training teachers analyzing the case study of FURB (Universidade
Regional de Blumenal), and consequently the main difficulties in
implementing environmental education in the Brazilian education
system.
Keywords:
environmental education, universities, teacher training,
implementation.
1. Introdução
Nas últimas décadas do século XX a educação ambiental alcançou
um rápido crescimento da sua presença nas escolas brasileiras,
isto se deve principalmente a sua institucionalização pelo
governo federal, que com esta decisão visa à divulgação da
educação ambiental em todos os setores da sociedade e a sua
inclusão em todos os níveis de ensino.
Com o intuito de atender as recomendações, decisões e
tratados internacionais assumidos pela comunidade internacional,
com relação à política ambiental, o Brasil compromete–se
elaborando políticas e programas de cunho ambiental. Nesse
sentido o governo brasileiro cria, o Programa Nacional de
Educação Ambiental (ProNEA), a Política Nacional de Educação
Ambiental (PNEA) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN),
todos estes projetos tem como finalidade implementar políticas
públicas destinadas ao setor educacional.
Reconhecendo a importante presença da educação
ambiental no sistema de ensino brasileiro, ela passa a integrar
o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a partir do ano de
2001. Através deste censo é possível constatar que é crescente o
número de escolas onde a educação ambiental é trabalhada em
alguma de suas modalidades.
Os estudos desenvolvidos a partir dos dados obtidos pelo Censo
Escolar, entre os anos de 2001 e 2004, possibilitaram traçar um
perfil com as principais características da educação ambiental
no ensino fundamental brasileiro. Porém, Castro (2009), afirma
que esses números não explicam qual tipo de educação ambiental
tem sido praticada nos estabelecimentos de ensino, nem suas
intencionalidades ou resultados obtidos.
Com a finalidade de entender melhor como a educação ambiental é
processada e significada nos diferentes contextos escolares
foi criado um projeto conjunto entre o Inep, Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC)
e a Associação Nacional de Pesquisa em Educação, visando
colaborar com o aprofundamento dos debates sobre as principais
problemáticas encontradas na aplicação da educação ambiental no
Brasil, a fim de contribuir para a implementação de políticas e
programas específicos ao setor.
O projeto intitulado: “O que fazem as escolas que dizem que
fazem a educação ambiental?”, é desenvolvido em três etapas,
sendo que na primeira etapa é analisado apenas o número de
escolas, que declararam trabalhar com a temática ambiental em
algumas de suas modalidades, Projetos, Disciplinas Especificas
ou Inserção da Temática Ambiental no Currículo. As etapas
seguintes são destinadas à estruturação de uma metodologia
básica para a realização de pesquisas mais aprofundadas, que
será desenvolvida em conjunto por especialistas das
universidades federais de cada região do país, e na última etapa
haverá o fomento de estudos de caso, etnografias e outras
pesquisas sobre a práxis em educação ambiental.
Além das questões relacionadas ao acesso da educação ambiental
na rede de ensino brasileira, também foram abordados os aspectos
relacionados à formação dos professores, pois, eles têm papel
fundamental na divulgação dos princípios da educação ambiental.
Através da análise dos dados obtidos por estudos de caso
desenvolvidos em três regiões distintas do país, foi possível
traçar o perfil dos profissionais que trabalham com educação
ambiental, abordando aspectos desde o seu início na faculdade
até sua atuação na sala de aula.
2. As características da educação ambiental nas escolas
brasileiras
Os resultados apresentados pelo relatório revelam a historia de
uma expansão agressiva e acelerada do acesso à educação
ambiental em um breve período de tempo (VEIGA et al., 2005). De
acordo com o Censo Escolar realizado pelo Inep no ano de 2001 o
número de escolas que ofereciam educação ambiental era de 115
mil, no ano de 2004 este número aumenta para aproximadamente 152
mil escolas, apresentando assim uma taxa de crescimento de 32%
durante o período de analise.
O crescimento do número de escolas do ensino fundamental que
oferecem educação ambiental, durante o período em questão,
permite diagnosticar a diminuição dos desequilíbrios e das
heterogeneidades entre as regiões brasileiras. Estes dados
também permitem a constatação de um aumento significativo no
acesso à educação ambiental, impulsionado por programas e
políticas destinadas ao setor.
Também está presente no relatório de Veiga et al. (2005), as
principais características e dinâmicas das modalidades de
aplicação da educação ambiental, mais utilizada no sistema de
ensino brasileiro: Projetos (PR), Disciplinas Especiais (DE) e
Inserção da Temática Ambiental nas Disciplinas (ITAD). Nesta
parte os números apresentados indicam que em 2001 do total das
escolas do ensino fundamental que oferecem educação ambiental,
cerca de 94 mil escolas ofereciam ITAD, 33,6 mil escolas, PR e
apenas 2,9 mil escolas ofereciam DE.
É importante ressaltar que as taxas de crescimento verificadas
durante o período de análise demonstram que, as modalidades
Projeto e Disciplinas Especiais, apontam para valores muito
elevados, ambos em torno de 90%. Quanto que para a modalidade
Inserção da Temática Ambiental nas Disciplinas, a taxa de
crescimento foi de apenas 17%, a explicação para este fato é o
elevado número de escolas que já ofereciam esta modalidade em
2001.
A resposta para essa grande diferença de crescimento entre as
modalidades PR e DE e a modalidade ITAD, esta na baixa taxa de
crescimento apresentada por esta modalidade no período sob
análise, isto deve-se a dois fatores, o primeiro são os altos
valores apresentados pela modalidade ITAD em 2001, o segundo
fator é devido ao forte crescimento das outras duas modalidades
em comparação com o crescimento da modalidade ITAD.
A destinação final do lixo produzido nas escolas que oferecem
educação ambiental também foi investigada. De acordo as
tabulações do Censo Escolar, o lixo pode ter cinco destinos:
coleta periódica, reutilização, queima, reciclagem ou ser jogado
em outra área. Para Veiga et al. (2005), a coleta periódica, a
reutilização e a reciclagem do lixo são consideradas práticas
corretas do ponto de vista ambiental, já queimar ou jogar o lixo
em outras áreas contribuem para o aumento do risco ambiental,
além de criar um conflito ético entre o que a educação ambiental
prega e o que é praticado por essas escolas.
Apesar de ter ocorrido um aumento significativo do acesso à
educação ambiental no país, práticas consideradas ambientalmente
incorretas ainda predominam em muitas escolas que oferecem
educação ambiental, principalmente com relação ao manejo do
lixo.
Os resultados obtidos através do Censo Escolar, realizado pelo
Inep, demonstram que no ano de 2004, cerca de 49,3% das escolas
que oferecem educação ambiental no país apresentavam como
pratica comum, a coleta periódica do lixo, para a sua destinação
final; infelizmente a segunda posição, com 41,3% do total, ficou
com as escolas que tinham como pratica comum a queima do lixo; e
as escolas que utilizavam a pratica de jogar o seu lixo em
outras áreas ficou na terceira posição, com 11,9%; já as escolas
que praticam a reutilização ou reciclagem do lixo alcançam
apenas os 5,5% do total (0,9% e 4,6%, respectivamente). Esses
números revelam as deficiências encontradas na aplicação dos
princípios da educação ambiental nas escolas brasileiras.
É revelado pelo relatório que as práticas consideradas
ambientalmente corretas, como no caso da coleta periódica do
lixo, são praticadas em sua maioria nas escolas particulares e
federais, em 2004, 97% dessas escolas utilizaram este serviço.
Outros aspectos identificados neste relatório, afirmam que as
escolas particulares lideram a reutilização e a reciclagem do
lixo, com 1,04% e 8,6%, respectivamente em segundo lugar nestes
quesitos estão às escolas federais, com 8,1%. Por outro lado as
escolas estaduais ocupam o segundo lugar na reutilização do
lixo, com 1%.
Esses dados afirmam que as escolas particulares e federais são
as que possuem as melhores práticas no que diz respeito à
destinação do lixo. Já as escolas municipais foram as que mais
utilizaram práticas ambientalmente incorretas, demonstrando
assim, um processo de deterioração crescente nestas praticas por
parte das escolas municipais.
Além do acesso a educação ambiental, modalidade de aplicação e o
manejo do lixo nas escolas que oferecem educação ambiental,
também foram mensurados a participação das escolas que oferecem
educação ambiental em atividades comunitárias. Para Veiga et al.
(2005, p. XX):
Uma das funções mais importantes da escola é seu poder de
transformação da comunidade em que esta inserida. Por outro
lado, é na temática ambiental que a escola poderia apresentar um
impacto significativo na sociedade, mediante a criação de canais
de comunicação com a população que possibilitem a discussão e
reflexão sobre o papel dos cidadãos quanto ao meio ambiente.
A participação das escolas, que oferecem educação ambiental, em
atividades comunitárias no Brasil é de apenas 37,18%, sendo que
a sua participação esta distribuída em três atividades básicas:
manutenção de hortas, pomares e jardins, mutirão de limpeza da
escola, e manutenção da estrutura física da escola.
Com estes resultados ficam
constatados que, apenas 8,8% das escolas que oferecem educação
ambiental participam de atividades de manutenção de hortas,
pomares e jardins; em termos absolutos, isto representa,
aproximadamente, 13,4 mil escolas, das 152 mil que oferecem
educação ambiental. A atividade com maior participação no país
nas escolas que oferecem educação ambiental corresponde ao
mutirão de limpeza da escola, com 17,9% (27,2 mil escolas). A
participação das escolas que oferecem educação ambiental, nas
atividades de manutenção da estrutura física da escola,
corresponde a 10,5% (aproximadamente 15,9 mil escolas).
Portanto, para que a participação das escolas em atividades
comunitárias ainda tem muito que avançar. Como referido
anteriormente, os números apresentados pelo Censo Escolar
demonstram uma participação muito baixa em qualquer uma das três
atividades estudadas, sendo assim é preciso incrementar a
participação das escolas em atividades comunitárias.
3. As deficiências na formação do professor
Muitos debates estão sendo travados mundo a fora sobre a melhor
maneira de se trabalhar a educação ambiental nas escolas ou
qualquer outro espaço social. Para isto, foram assinados
tratados recomendando a sua aplicação,
neste contexto o Brasil
incorporou suas propostas na Constituição Federal de 1988, e a
partir disto surgiram leis, políticas e programas para validar o
seu uso, mas ainda assim, podemos observar algumas falhas na sua
aplicação.
Isto nos leva a refletir sobre o aspecto da formação
profissional, que irá capacitar os professores para trabalhar
com a educação ambiental nas escolas e fora delas, isto
possibilitará a realização ou não de trabalhos sérios e
comprometidos com a causa ambiental ou como vem acontecendo mais
comumente, à elaboração e a execução de projetos ineficientes e
sem nenhum comprometimento com a problemática ambiental.
Na opinião de Travassos (2006),
uma visão da educação para o meio ambiente tem que ser
mais ampla, deve envolver as pessoas da comunidade, os
currículos escolares e a preparação dos professores em geral,
portanto para o sucesso desta proposta é preciso que as
instituições de ensino superior estejam aptas a preparar o
profissional de qualquer área do conhecimento a atuar de forma
interdisciplinar como exige a natureza da educação ambiental.
Segundo Moraes et al.(2009, p. XX):
Sabe – se que as instituições de ensino superior apresentam–se
hoje, como um segmento importante para a consolidação e produção
do novo saber ambiental que os novos tempos exigem. Como destaca
Morales, a universidade, como instituição de investigação e
centro de educação técnica e superior, tem papel essencial na
reconfiguração de mundo e, portanto, deve assumir a
responsabilidade maior no processo de produção e incorporação da
dimensão ambiental nos sistemas de educação e formação
profissional. Devem também propiciar aos profissionais
educadores ambientais, fundamentos teóricos – práticos
indispensáveis para compreender, analisar, refletir e reorientar
seu fazer profissional numa perspectiva ambiental.
Desta forma é preciso que as instituições de ensino superior
estejam preparadas para desenvolver nos seus cursos de graduação
uma prática crítica e reflexiva para proporcionar a formação de
um profissional ambientalmente mais capacitado para lidar com as
novas demandas. Porém, antes de qualquer ação é necessária a
mudança de pensamento, principalmente nas instituições de nível
superior, para assim possibilitar uma compreensão mais holística
da problemática ambiental.
Estudos realizados na universidade regional de Blumenal (FURB),
em Santa Catarina,
corroboram com o que já foi mencionado anteriormente, os dados
obtidos por esta pesquisa revelam que nos 10 cursos de
licenciatura pesquisados são oferecidas apenas 15 disciplinas
com conteúdos ambientais, sendo uma disciplina oferecida como
optativa. Percebeu–se que existem varias inserções de temas
ambientais nas atividades de ensino da FURB, porém, estas
inserções são fragmentadas, isoladas, sem diretrizes definidas
ou uma inter–relação entre si.
O trabalho de Verdi e Pereira (2009) também comparam essa
incorporação em outras instituições de ensino superior no país.
Nesta comparação é possível identificar muitas e variadas
atividades de ensino, pesquisa e extensão voltada para a área
ambiental. Através da identificação dessas atividades, pode–se
concluir que, assim como na FURB outras instituições de ensino
superior também apresenta essa incorporação de forma
fragmentada.
Sendo assim, o conceito de meio ambiente é influenciado pela
área de formação do professor, chamando atenção para o grande
número de professores que associam meio ambiente aos recursos
naturais sem entender o ser humano como parte do meio. Outro
fato identificado na pesquisa diz respeito a formação dos
professores dessa Universidade. Constatou– e que a maioria dos
professores da FURB não possui ou não tiveram formação na
graduação ou na pós – graduação na temática ambiental, nem
participam de cursos na área ambiental, deixando evidente a
falta de preparo da maioria dos educadores para lidar com as
questões ambientais.
Na visão de Verdi e Pereira (2009), falta unir em um único eixo
as ações já existentes, porém isoladas. Em um número
considerável de universidades é possível observar a inserção de
disciplinas especificas de Educação Ambiental, tentando
preencher as lacunas existentes.
Os resultados encontrados nos cursos de graduação, oferecidos
pelas universidades, colaboram com a realidade encontrada em
muitas escolas país afora, onde o despreparo do professor é
refletido através de práticas inadequadas na aplicação da
educação ambiental.
Pesquisas realizadas em escolas da rede pública e particular
mostram resultados que reforçam o quadro encontrado nas
instituições de ensino superior. Em sua pesquisa Travassos
(2006), constata que, 87,5% dos professores entrevistados
afirmaram que durante a graduação não tiveram uma preparação
adequada para tratar da educação ambiental no exercício da sua
profissão.
Estudos realizados por Viana e Oliveira (2009), acompanham essa
mesma tendência, onde cerca de 80% dos profissionais que
trabalham na instituição de ensino, onde ocorreu a pesquisa,
afirmaram não ter recebido uma preparação adequada durante a
graduação. Por causa da deficiência na formação dos professores
fica difícil que políticas públicas destinadas às questões
ambientais sejam cumpridas de maneira eficiente dentro das
escolas.
4. Mudança de paradigma
A ruptura de um paradigma decorre da existência de um conjunto
de problemas cujas soluções já não se encontram no horizonte de
determinado campo teórico, dando origem a anomalias ameaçadoras
da construção cientifica (Moraes, 1997). Atualmente a educação,
como um todo, passa por um momento de instabilidade,
demonstrando sinais eminentes de uma mudança nos seus principais
modelos teóricos, ou seja, uma ruptura com o paradigma
educacional tradicional. Esta movimentação é impulsionada pelos
novos desafios, que provoca a elaboração de novas formulas para
a solução dos novos problemas.
Diante do que foi citado, o problema ambiental têm se mostrado
como um dos principais elementos causadores da desestabilização
do paradigma educacional vigente, pois, requer uma nova postura
mais participativa e ágil por parte da escola na localidade onde
ela esta inserida. Por causa disto tem ocorrido novos debates,
articulações e reflexões, tendo como base os novos fundamentos
científicos e educacionais.
Com o agravamento da problemática ambiental, e com os avanços
tecnológicos, ocorridos nas últimas décadas do século passado e
no início do século XXI, principalmente na área da informação,
têm acarretado o surgimento de novos desafios ecológicos e
sociais, que necessitam de respostas cada vez mais justas e
equilibradas. Frente a estes novos desafios surgem novos
pensamentos, propondo modelos inovadores e provocando a
transição de um paradigma para outro.
Mas, apesar de todas as críticas, debates e reflexões
ocorridos acerca do pensamento moderno, cuja principal
característica é a exacerbação do uso da ciência e da razão para
orientar a ação humana frente aos fenômenos naturais e da vida
em sociedade (CASTRO et al., 2002), ainda assim, o que temos é
uma escola fundamentada nos ideais iluministas, onde se prioriza
a razão e o discurso cientifico como forma de instrumentalizar
as capacidades intelectuais e cognitivas, concebendo a escola
características de reprodutora da ideologia dominante. Neste
contexto a educação ambiental surge como uma proposta educativa,
que contesta o modelo de exploração do meio ambiente e,
consequentemente, da sociedade moderna.
Desta forma a universidade seria o espaço natural para essa
tomada de consciência, pois, ela como instituição responsável
pela produção de conhecimento e de formação profissional deve
estar à frente destas transformações, assumindo assim, papel
relevante na modificação da realidade ambiental.
Moraes et al. (2009), reforçam o que já foi mencionado,
lembrando que as Instituições de Ensino Superior têm a
responsabilidade de integrar–se à sociedade, promovendo a
integração de saberes e buscando adquirir uma práxis critica e
reflexiva promovendo a formação ambiental dos discentes e
mudanças paradigmáticas dos docentes. Entretanto isto ainda não
tem acontecido de forma rápida e articulada, pois, muitas
universidades ainda estão isoladas dentro de seus muros e
afastadas da vida cotidiana.
Porém, com a crescente tomada de consciência sobre os problemas
ambientais, surge a necessidade da formação de educadores
ambientais preparados para buscar soluções mediatas para essa
situação. Para Castro et al. (2002, p. XX):
Cabe destacar que a formação de educadores ambientais implica
uma formulação metodológica, conceitual e curricular, ou, ainda,
um novo tipo de docente. Esse professor deve assumir o
conhecimento enquanto processo dialético resultante da interação
entre o sujeito e objeto do conhecimento, a dimensão afetiva, a
complexidade, a contextualização dos problemas ambientais.
Para a concretização dos princípios da educação ambiental dentro
das instituições de ensino superior deve ser considerada a
problemática ambiental, fazendo com que as praticas pedagógica
não fiquem restritas apenas a ações pontuais que buscam a
promoção de mudanças individuais no comportamento das pessoas.
5. Considerações finais
Com o estudo desenvolvido neste trabalho foi possível
traçar um perfil com as principais características da educação
ambiental praticada no Brasil. Ficou constatado neste estudo que
houve uma rápida expansão da educação ambiental nas escolas
brasileiras, isto se deve principalmente aos Parâmetros
Curriculares Nacionais, que incorporou a educação ambiental como
um dos seus temas transversais, impulsionando a sua aplicação em
inúmeras escolas país afora.
Mas, apesar da expansão da educação ambiental relatada pela
pesquisa, ter sido grande, o que mais chamou atenção aqui, foi o
fato de escolas que oferecem educação ambiental manterem
atitudes ambientalmente incorretas principalmente no que diz
respeito ao manejo do lixo, sendo que a maior parte das escolas
respondeu que queimam ou jogam o lixo em outra área,
contradizendo os princípios da educação ambiental.
A explicação para este fato esta na formação deficiente dos
professores e demais profissionais que trabalham na educação
(serventes, merendeiras, porteiros etc.) que é a realidade
identificada no cotidiano de várias escolas brasileiras. Devido
a esse despreparo torna–se difícil trabalhar com as sugestões
apresentadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais deixando a
desejar a sua aplicação dentro e fora da sala de aula.
Para sanarmos alguns dos problemas identificados neste trabalho
será necessário mais do que políticas públicas, elaboração de
programas, diretrizes ou parâmetros que sirvam de modelos para
uma transformação profunda na sociedade atual. É preciso uma
revisão dos princípios éticos responsáveis pela intermediação
das relações interpessoais e sociais; é preciso repensar o
modelo de sociedade que impera no mundo (MORAES, 1997).
Portanto se quisermos contribuirpara a formação de sujeitos
cujas atitudes sejam baseadas em pressupostos éticos que
conduzam suas ações de forma a proporcionar uma atuação de forma
responsável e solidária frente aos problemas sócio–ambientais do
seu cotidiano, é preciso adotar um currículo que rompa com os
valores antropocêntricos vigentes, e desperte uma consciência
ambiental no homem, concebendo–o de forma sistêmica, inseparável
do meio no qual habita.
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