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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 30 de junho de 2007 18:58:47                                               

 
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SÓCIO AMBIENTAL

Usinas nucleares, o debate continua

   

Por William Jorge Gerab

publicado em 30/06/2007

 
Antes de tudo, quero saudar a atitude dos companheiros, tanto do Luiz Claudio Afonso, quanto do Álvaro, de não se omitirem frente a um debate tão decisivo para a qualidade ambiental (que redunda na própria qualidade de vida), não só do nosso país, mas também do nosso planeta. Temos que nos lembrar, também, não se tratar apenas de uma discussão técnica, mas sim sobre a escolha do mundo em que queremos viver. Resgatemos o raciocínio ecossocialista: não construiremos uma sociedade mais justa se não salvarmos o planeta, assim como não salvaremos o planeta se não construirmos uma sociedade mais fraterna.

Antes de decidirmos de quais fontes virá o montante de energia, que precisamos, temos que estudar e debater muito, não só quais devem ser essas fontes, mais todos os pressupostos (de onde virão os recursos e quais as tecnologias a serem utilizadas etc.) e as conseqüências (riscos e garantias de eliminá-los, o que será afetado com cada escolha e como serão resolvidos e mitigados os problemas causados etc.). Aí reside a nossa primeira divergência com a postura assumida pelo Governo Lula, pois claudica às pressões dos grandes investidores, que querem aprovações açodadas dos órgãos ambientais para os seus empreendimentos.

Lula alega a necessidade de acelerar o desenvolvimento econômico do país, mas de qual desenvolvimento ele está falando? Ninguém, em sã consciência, há de querer um falso desenvolvimento, que traria a todos grandes prejuízos a curto, médio e longo prazos. Decisões amadurecidas não serão alcançadas, utilizando-se o recurso à energia nuclear como um aríete para derrubar a resistência dos técnicos em meio ambiente e dos ambientalistas, que precisam de mais tempo, justamente para estudar os projetos, como os das usinas hidroelétricas nos afluentes do Rio Amazonas (isso para não pensarmos em pressões para excluir ou diminuir exigências consideradas essenciais).

Ninguém pode duvidar da possibilidade de utilização desse e de outros tipos de expedientes ainda mais grosseiros, depois do que vem acontecendo na implantação do projeto de transposição do Rio São Francisco (desrespeito a acordos feitos com representantes da população local e de movimentos sociais, de âmbito nacional) ou do tratamento dado ao Ibama e seus funcionários (mudar a estrutura da instituição, como punição por não ter chegado às conclusões, que o governo queria).

Mas, supondo-se que Lula queira, realmente, levar o projeto das usinas nucleares às últimas conseqüências, é importante puxarmos um pouco pela memória. Se pesquisarmos encontraremos em jornais, não muito antigos, notícias sobre vazamentos nas usinas de Angra dos Reis / RJ, inclusive mencionando rachaduras em paredes de compartimentos importantes. Acharemos, ainda, técnicos e professores, de saberes reconhecidos, afirmando que a tecnologia utilizada em Angra é de uma tecnologia, que foi sucatada, antes mesmo de ser utilizada na Alemanha, pois teve a sua concepção questionada e rejeitada. Os jornais atuais têm noticiado que a Alemanha vem deixando de utilizar a tecnologia nuclear como fonte de energia de uso cotidiano.

Um outro aspecto, que compromete a energia de origem nuclear e o fato de ainda não estar resolvido o problema da destinação final do lixo gerado, que é altamente contaminante, maléfico e possui um longo período de atividade. Isso torna o argumento de que esse tipo de energia não produz os gazes do efeito estufa complemente inócuo.

É evidente que as reações à utilização de usinas nucleares não são meras emoções. Apesar de ser até bom que certas atitudes provoquem forte indignação em amplas camadas populares, principalmente quando colocam em risco as suas próprias vidas e a vida em geral no planeta.

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