spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 11:29:51                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Política e Cidadania
 Entrevistas
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Assédio Moral
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÓCIO AMBIENTAL

Aceitar as metas internacionais de redução de Co2 é uma questão de consciência

   

Giselle Ferreira de Araújo

publicado em 30/11/2007

 

 

Os recentes relatórios do IPCC demonstram claramente que a questão não é saber se os impactos ambientais e sociais do aquecimento global irão ou não ocorrer, mas em que grau irão ocorrer.

O atual nível de informação científica mundial revela de forma inequívoca que o destino do homem é indissociável dos destinos do planeta.

Do ponto de vista geopolítico, sabemos que os países em desenvolvimento com suas áreas tropicais são muito mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Muitos ecossistemas em países pobres estão sob stress e os efeitos do aquecimento global irão contribuir para exacerbar este contexto. Não somente o meio ambiente está no centro da questão, mas os sistemas econômico e social são igualmente vulneráveis devido ao baixo nível de renda, à deficiência tecnológica, política e institucional dos países menos desenvolvidos.

As conseqüências humanas serão muito mais sérias e atingirão os paises em desenvolvimento em primeiro lugar, os mais pobres serão atingidos mais severamente e milhões sofrerão e poderão morrer devido à desnutrição , doenças e eventos naturais. O aspecto relevante desta discussão é o de que os países em desenvolvimento não somente sofrerão maiores impactos, mas eles têm em comum a baixa capacidade de adaptação o que deveria despertar um maior nível de consciência em relação à adoção de metas de redução de Co2.

A diferença de cenário e perspectivas é causada não somente por diversos fatores socioeconomicos autônomos, mas principalmente pelas escolhas humanas que levam a diferentes caminhos de desenvolvimento.

Não  podemos coadunar com modelos ultrapassados de desenvolvimento a todo custo, a um preço altíssimo para a presente e as futuras gerações que venham a comprometer a própria sobrevivência. É necessário harmonizar metas econômicas, sociais e ambientais do mesmo modo que é fundamental estabelecer políticas efetivas que permitam o acesso aos recursos naturais pautados por critérios sustentáveis.

A assunção desta conduta  implica diretamente para o Brasil adotar políticas efetivas para coibir o grau de desmatamento e queimadas que ocorre hoje na Amazônia, responsável pelo maior nível de emissões de Co2 em nosso país.

Afirmar que a responsabilidade pelo aquecimento global é dos países desenvolvidos é no mínimo um argumento insuficiente e arriscado.

A questão não se resume em comparar responsabilidades de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, mas de adotar uma atitude  integrada de cooperação em nível global. O momento exige um esforço conjunto em prol de um movimento de sobrevivência e de cidadania global.

Não pode haver uma abordagem de facções como aquela citada em relação aos membros da Opep e a dos países insulares, na medida em que sabemos que todos os países, indistintamente, sofrerão as conseqüências da mudança climática, principalmente as nações cujas questões estruturais essenciais ainda não foram devidamente solucionadas.

Nos países em desenvolvimento o ingrediente básico é a interação entre empresas, governo e sociedade. A força institucional é o real desafio e acordos voluntários não são mais suficientes. São necessárias normas e estrutura regulatória capazes de refletir um efetivo compromisso das nações com a redução de emissões de gases de efeito estufa, bem como se fazem necessários também desenvolver mecanismos de efetividade destas normas. É necessário criar novos marcos regulatórios para consolidar uma base legal que discipline o aquecimento global em nível mundial e que todos as nações assumam formalmente esse compromisso.

O Protocolo de Kyoto foi apenas o primeiro passo, ele não tem por si só a capacidade de minimizar os efeitos das mudanças climáticas. É necessária a elaboração de um instrumento jurídico com força executiva que congregue todas as nações dentro de um critério de proporcionalidade para que todas as nações realmente estejam comprometidas com o corte de emissões de gases de efeito estufa.

Sustentabilidade não é apenas adaptar ou mitigar, mas também mudar o foco do desenvolvimento, porque o aquecimento global é uma questão civilizatória mundial não podendo ser tratada de forma segmentada.

O Brasil deveria abandonar as resistências e se posicionar de uma forma mais arrojada, coerente com sua posição de líder no desenvolvimento de energias renováveis para estimular a reflexão e o diálogo entre outras nações em desenvolvimento que precisam se conscientizar de que o nosso futuro exige a mudança de paradigmas em relação aos atuais padrões de crescimento.
 
Referências

ANNAN, Kofi, “Foundations for a Fair and Free World Trade System”, in Sampson (ed.), The Role of the WTO in Global Governance, chapter 1.

BHAGWATI, Jagdish and Hudec, Robert H., Fair Trade and Harmonisation, vols I and II, Cambridge, MA: MIT Press, 1997.

CORREA, Carlos. Access to Drugs under TRIPS: A Not so Expeditious Solution, Bridges, Vol. 8, n. 1, January 2004.

DUTFIELD, Graham.  Intellectual Property Rights, Trade and Biodiversity, London: IUCN and Earthscan Publications, 2000.

GATT, International Trade 1990 – 1: Volume 1, Chapter 3. The Director-General also submitted GATT, Trade and Environment, L/6896.

WTO, Doha Declarations: The Doha Development Agenda, Geneva: WTO Secretariat, 2001.

WTO, Report of the World Summit on Sustainable Development, Geneva: WTO Secretariat, WT/CTE/W/220/Rev.1, 20 December 2002, para. 47(a).

 
 

spacer
::sobre o autor::

Gisele Ferreira Araújo é professora visitante da Universidade de Oxford (Reino Unido), da London School of Economics (Reino Unido), da Freie Universität de Berlin (Alemanha) e do Stetson University Program (Estados Unidos), Pós-doutora pela Faculdade de Direito da  Universidade de Lisboa (Portugal), especialista pelo Human Rights Program da Harvard Law School (Estados Unidos), Doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (Brasil), Mestre em Direito pela Universidade de São Paulo (Brasil), Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil).

 

GiselleFerreira de Araújo: visiting Professor at University of Oxford (UK), at London School of Economics (UK), at Freie Universität Berlin (Germany), at Stetson University Program (USA), Postdoctorate in Law - “Universidade de Lisboa” (Portugal), Human Rights Program of Harvard Law School (USA), Doctorate Degree in Law – “Universidade de São Paulo” (Brazil), Master’s Degree in Law – “Universidade de São Paulo”(Brazil), Bachelor’s Degree – “Pontifícia Universidade Católica de São Paulo” (Brazil). Professor of International Law and Environmental Law. Scientific Researcher (“Universidade Ibirapuera”) in  Sustainable Development, Environmental Law, Climate Change, Renewable Energies, Corporate Social Responsibility (CSR), Social-Environmental Policies, Public Policies in Developing Countries. Legal advisor in Sustainability and Environmental Law for corporations and governmental organisms.

 

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::

Política Ambiental e o Comércio Internacional – Principais Aspectos
Giselle Ferreira de Araújo
publicado em 24/11/2007

 

 

 

 

 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::anúncios::






© copyright Revista P@rtes 2000-2007
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer