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Resumo:
Este artigo traz uma descrição da ocupação amazônica no Brasil e as
conseqüências para os povos indígenas. As dificuldades impostas pelo
ambiente e as estratégias políticas foram um grande empecilho para tal
fim, deixando a região à margem do cenário nacional por um grande
período de tempo. As frentes de ocupação se deram em três períodos
distintos e um grande impacto para as populações indígenas ali
existentes, mas, é só a partir da década de sessenta do século XX, que
ela se tornará efetiva. Para tanto, foi necessário criar políticas
públicas como a abertura de estradas, incentivos fiscais e estimular a
migração.
Palavras-chave:
Amazônia. Povos Indígenas.
Políticas Públicas. Colonização.
Abstract:
This article brings a description from the amazon occupation in Brazil
and the consequences for the indigenous peoples. The difficulties
imposed by the environment and the political strategies were a great
trammel for such end, letting the
region to the margin of the national scenery for a time's great
period. The occupation fronts gave on three distinct periods and a
great impact for the indigenous there
existing populations, but, is alone
from decade on of sixty of century XX, that she
will become effective. For so much, it was necessary to create public
politicses as the highways opening, fiscal incentives and to
stimulate the migration.
Keywords:
Amazônia. Indigenous Peoples. Public
Politicses.
Colonization.
Introdução
Historicamente a
Amazônia esteve relegada a uma situação marginal em relação ao país,
seja pelas dificuldades impostas pelas dificuldades de comunicação e
transporte com as outras regiões do país e as imposições da Coroa
Portuguesa, fechando o acesso de embarcações aos seus rios em virtude do
controle mercantil e do eminente risco de confronto com os espanhóis
durante o período colonial. Mesmo no período imediatamente após a
independência, a região amazônica não despertou o interesse das classes
dominantes em empreender um projeto de desenvolvimento e a integração
com as demais regiões do país, exceto quando da valorização da borracha
nos fins do Século XIX e durante a Segunda Guerra Mundial para
suprimento dos exércitos aliados – momento em que se foi largamente
incentivada a atividade extrativa. Porém, é a colonização agrícola
deflagrada pelo governo militar brasileiro, a partir da década de
sessenta do século XX, que a ocupação amazônica realmente se consolida.
Todas essas investidas pela região levaram à dizimação de grandes
contingentes de populações e culturas indígenas.
O artigo que segue tem o objetivo de fazer um apanhado histórico da
ocupação amazônica e o seu impacto sobre os indígenas que residiam e
residem nessa imensa região.
A ocupação amazônica
Estudos arqueológicos remontam à ocupação humana da região há pelo menos
11 mil anos (NEVES, 2006, p.22). Segundo os relatos de aventureiros
espanhóis e portugueses, era grande o número de sociedades indígenas às
margens do Rio Amazonas no início do período colonial. Dois fatores
importantes levaram ao extermínio dessas sociedades: primeiro o próprio
contato com o europeu, que introduziu um grande número de doenças e
contra as quais os indígenas não apresentaram resistências orgânicas;
segundo a própria dinâmica da política administrativa e da exploração da
natureza pelos europeus (MOREIRA NETO, 1988).
Este último fator engloba uma série de empresas utilizadas pelo europeu,
como a escravização dos indígenas para trabalhar a terra ou na
mineração, as guerras deflagradas contra os grupos locais para abrir
frentes de avanço para o interior da região a distâncias cada vez
maiores e a catequização pela igreja, que através de seus ensinamentos
levaram a substituição de suas culturas tradicionais pela européia, ou
seja, tinha “o objetivo civilizatório” (RIBEIRO, 1995).
A variação das atividades para ocupação da região amazônica, de acordo
com Amaral (2004, p.42), foi assim caracterizada:
[...] primeiramente o que podemos denominar de uma ocupação pontual, na
fase do Brasil colônia; em seguida, com início no século passado e
primeira metade desse século, temos uma ocupação de caráter linear e
beiradeira, norteada pelo extrativismo do látex das seringueiras
nativas; e recentemente, após década de sessenta, deu-se uma ocupação
interfluvial dando início ao ciclo de colonização agrícola, dos projetos
agropecuários, minerais, minério-metalúrgico e de hidroelétricas.
Teixeira e Fonseca (1998, p.32), no livro História Regional: Rondônia,
abordam que em relação à ocupação da região amazônica, em especial, o
citado Estado:
[...] apesar de várias expedições científicas, predominaram, nos
primeiros séculos da conquista, as expedições de reconhecimento e busca
de riquezas fabulosas. Entre o paraíso associado ao Eldorado e os
conquistadores desejosos de riqueza, juventude e venturas, interpunha-se
a grande floresta e o meio hostil com seus rios, cachoeiras, insetos,
índios feras e doenças tropicais. A esse conjunto de fatores e a essa
nova visão, nem paraíso nem inferno, interpunha-se a necessidade de
colonização.
Os autores acima citados realçam dois aspectos freqüentes no imaginário
amazônico: um é o inegável reconhecimento dos rios como facilitadores ao
acesso e o outro é a abundância de riquezas em contraste com as
dificuldades oferecidas pelo meio. E é com bases nesses aspectos que
realmente se inicia a ocupação nos primeiros tempos de colonização.
A inserção da Amazônia no contexto nacional como prioridade de governo
só realmente efetivou-se quando se rompeu o isolamento econômico e
social através de medidas político-administrativo, e a colonização passa
a ser essa ação governamental apresentada pelos militares brasileiros,
objetivando a modernização do país. O que na realidade se queria era
amenizar a situação de conflito que estava prestes a estourar na Região
Centro-Sul do país, fazendo com que a migração das massas camponesas
dessa região para a Região Norte cedesse espaço à agricultura mecanizada
e empresarial.
Para colocar em prática o programa de colonização da Amazônia, o governo
militar brasileiro teve que implementar políticas públicas como a
criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM,
reestruturar o Banco da Amazônia, criar o Instituto de Colonização e
Reforma Agrária – INCRA e o Programa de Redistribuição de Terras e
Estímulo à Agricultura do Norte – PROTERRA, sendo estes dois últimos de
acordo com o Plano de Integração Nacional – PIN. A estratégia utilizada
para tanto foi implantar as redes de integração espacial (estradas,
comunicações, entre outras), superposição de territórios federais sobre
os estaduais e subsídios ao fluxo de capital e indução dos fluxos
migratórios (BECKER,1990).
Para melhor compreensão de todos esses acontecimentos é necessário
repensar o conceito de fronteira, aplicando-o às condicionais do próprio
movimento de colonização.
“Fronteira hoje, portanto, não é sinônimo de terras devolutas, cuja
apropriação econômica é franqueada a pioneiros e camponeses. É um espaço
também social e político, que pode ser definido como um espaço não
plenamente estruturado, potencialmente gerador de realidades novas”
(Becker, 1990, p.11).
Por ser também um espaço social e político, conforme acima
citado, a colonização atingiu de forma avassaladora as populações
indígenas e as populações tradicionais
em toda Amazônia
através da invasão de seus territórios. Martins (1997, p. 29) afirma que
o movimento de expansão territorial “[...] resultou e tem resultado no
massacre das populações nativas, sua drástica redução demográfica e até
seu desaparecimento”.
Em todas as investidas para ocupação da Amazônia o componente
que mais sofreu foram os povos indígenas. Seja pela perda de seus
territórios tradicionais, seja pela doença do não-índio (contra as quais
não apresentavam resistências), ou mesmo pelos massacres sofridos. Dessa
forma, Davis (1978, p.15) defende que: “[...] as doenças, a morte e o
sofrimento humano, que se desencadearam maciçamente sobre os índios
brasileiros nos últimos anos, são o resultado direto da política de
desenvolvimento econômico dos Governos militares do Brasil”.
Considerações
Diante do que fora discutido, podemos afirmar que a colonização não se
preocupou com os povos indígenas e as demais culturas existentes na
Amazônia. Esta é a forma de expansão do capital, o grande legado para os
tempos modernos ou como alguns podem afirmar, pós-moderno.
Passados trinta anos do início da colonização na Amazônia, ela continua
a abrir novas fronteiras, a ameaçar a sobrevivência das diversas
espécies vegetal e animal, e quem sabe, a povos isolados desconhecidos.
As queimadas embora em menor ritmo que na década de oitenta, continua a
destruir o patrimônio ambiental. Aos índios sobraram 20% do território
da região e uma pressão muito grande sobre suas terras pela ganância dos
madeireiros, garimpeiros e fazendeiros que insistem em invadi-las. Resta
também ao Estado brasileiro uma posição mais firme, pois os conflitos
continuam.
Referências
AMARAL, Januário. Mata Virgem: Terra Prostituta. São
Paulo, Terceira Margem, 2004.
BECKER, Berta K. Amazônia. São Paulo: Ática, 1990, 112p.
DAVIS, Shelton H.
Vítimas do milagre: o desenvolvimento e os índios do Brasil.
Traduzido por Jorge Alexandre Faure Pontual. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, 1978.
MARTINS, José de Souza. Fronteira: a degradação do outro nos confins
do humano. São Paulo: Hucitec, 1997.
MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. Índios da Amazônia, de maioria a
minoria (1750-1850). Petrópolis: Vozes, 1988
NEVES, Eduardo Góes. Arqueologia da Amazônia. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed., 2006. 86p.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil.
São Paulo: Cia. Das Letras, 1995. 470 p.
TEIXEIRA, Marco Antônio Domingues e FONSECA, Dante Ribeiro da.
História Regional: Rondônia. Porto Velho: Rondoniana,
1998. 241 p.
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