A preservação do meio ambiente, ao lado
das medidas adotadas para enfrentar a crise econômica, é o assunto que
tem dominado as páginas dos jornais e programas jornalísticos de rádio e
TV nos últimos tempos. A discussão é sempre muito ampla e, em geral,
emperra em dois tipos diferentes de radicalismo.
O primeiro é o daqueles que só acreditam na
preservação do meio ambiente tornando-o intocável, quase um santuário.
Essa postura traz o congelamento de áreas produtivas, restrições a
direitos constitucionais, o que prejudica empreendedores e atrasa o
desenvolvimento do país.
A outra forma de radicalismo vem do lado oposto,
daqueles grupos que acreditam que o progresso é inevitável e por isso
tem que ser viabilizado a qualquer custo. Brigam pelo direito de
construir, empreender e ampliar os negócios, encarando a devastação do
meio ambiente como uma questão secundária, quase uma firula.
No meio dessa batalha inglória, estão os cidadãos
comuns, que sabem da necessidade da preservação e que não concordam em
estagnar o país, mas que sofrem com a burocracia que muitas vezes, sob a
bandeira do ambientalismo, impede a realização de seu sonho. O sonho de
poder investir suadas economias em uma casa de campo ou de praia para
poder usufruí-la nos finais de semana com a família ou os amigos.
Para manter esse equilíbrio entre a preservação do
meio ambiente e os sonhos ou projetos de vida dos cidadãos, foram
criados órgãos, responsáveis por conceder licenças ambientais. Hoje, sem
estes, nada pode ser feito. Em São Paulo, o Departamento de Preservação
dos Recursos Naturais (DEPRN) e o Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat)
respondem por essa tarefa. No entanto, em vez de viabilizar sonhos e
projetos, talvez por receio de no futuro sofrerem questionamentos
jurídicos, esses órgãos têm se revelado pródigos em impedir o exercício
do direito de propriedade.
Por lei, o Condephaat e o DPRN têm prazo de 90 dias
para que visitem o local a ser licenciado. Note que já é um tempo longo
demais em se tratando de casos simples como propriedades de pequeno
porte, em torno de mil metros quadrados. Mas a alegada falta de efetivo
faz com que essa vistoria não aconteça em menos de sete longos meses de
espera.
Aliás, basta se dirigir a um desses órgãos para
perceber a necessidade de investimentos em pessoal, em equipamentos e
qualificação. Os dados não estão informatizados, os atendentes não estão
preparados, os técnicos não conhecem a legislação - bastante falha e
complexa, aliás.
Com isso, uma licença ambiental para desmatar uma
parcela de um terreno leva em média um ano e meio para ser concedida. E
ainda se corre o risco de, depois desse período, um decreto vir a
suspender todas as licenças obtidas por prazo indeterminado. Frise-se
que me refiro a áreas urbanas de pequeno porte.
Nesse decorrer de tempo muitas pessoas desistem de
construir suas casas de veraneio ou de abrir suas empresas; afinal em um
ano muita coisa pode mudar.
Essa morosidade desencadeia um processo que faz com
que crise econômica e defesa do meio ambiente se choquem. Explico: na
medida em que ficam suspensas construções de casas ou implantações de
empresas, engenheiros, arquitetos, empreiteiros, pedreiros, marceneiros,
encanadores e toda uma gama de trabalhadores e fornecedores perdem seus
trabalhos. Com isso, a renda que sustentaria suas famílias e circularia
no país fica represada.
Para agravar ainda mais essa situação, ao invés de
estimular na sociedade a preocupação com o meio ambiente, cria-se uma
antipatia com relação aos órgãos encarregados de sua defesa. Afinal, são
eles os responsáveis pela restrição dos direitos, pelo mal
assessoramento, por onerar projetos etc.
A antipatia só deixará de existir quando os órgãos
governamentais se fizerem eficientes e ágeis na análise e concessão de
uma licença ambiental, conferindo às pessoas a segurança jurídica
necessária ao investimento a que se propõem.
Além disso, é preciso fazer valer a pena respeitar e
investir no meio ambiente. No entanto, produtos reciclados são
invariavelmente mais caros. Sistemas de aquecimento solar, de reciclagem
de água e de tratamento de esgoto oneram a construção.
Com isso, a combinação “antipatia com carestia”
justifica o pouco interesse do cidadão brasileiro em investir na
preservação do meio ambiente. E a conclusão é que está ao alcance do
governo promover ações que possam dar um novo norte a essa questão.
Capacitar os órgãos públicos e promover incentivos fiscais às pessoas
que optarem por sistemas que ajudem a preservar o meio ambiente são
medidas que trarão vantagem aos bem intencionados e melhores resultados
na árdua luta pela preservação ambiental.