Responsabilidade
Socioambiental: um olhar sobre a relação da empresa com o meio ambiente
Jeanne Christine Mendes Teixeirai;
Max Leandro de
Araújo Britoii;
Elane de
Oliveiraiii
publicado em 03/02/2011
Resumo: O presente
artigo objetiva perceber aspectos referentes à relação
existente entre a atuação das organizações em relação ao meio
ambiente e as ações governamentais desenvolvidas em relação ao
mesmo. Caracteriza-se por ser uma pesquisa qualitativa. Faz
referências tanto a linha de pensamento que defende que não é
papel das organizações assumirem ações que caberiam ao Estado,
quanto aborda o aspecto, que defende um posicionamento mais
social e responsável das organizações em relação à sociedade.
Palavras-Chave:
Responsabilidade Socioambiental; Meio Ambiente; Gestão; Ética.
Abstract: This article aims to understand aspects concerning
the relationship between the performance of organizations in
relation to the environment and governmental actions
undertaken in relation to it. Be characterized by a
qualitative research. Makes references as of thought that
argues that is not the function
of organizations take actions that would fit the state, when adress the issue,
which advocates a more social and responsible position of
organizations in relation to society.Makes references as seem
the line of thought that argues that is not the role of
organizations take actions that would fit the state, and
address the issue, which advocates a more social and
responsible position of organizations in relation to society.
Se observarmos o
homem no decorrer da sua evolução, verifica-se que este, no
início da sua existência, adaptou-se ao meio ambiente,
utilizando estratégias de sobrevivência que causavam baixo
impacto ao ecossistema no qual estavam inseridos. Entretanto,
no decorrer da sua história e de forma paralela com o
desenvolvimento tecnológico, o homem descobriu que, além de
produzir e transportar possuía a capacidade de armazenar. Tal
descoberta transformou sua forma de relacionamento e uso, com
o meio ambiente. A partir de então, as modificações
ambientais, que ocorriam em pequena escala passaram a assumir
proporções significativas.
O atual modelo de
desenvolvimento socioeconômico está fundamentado sob três
aspectos: uso de tecnologias agressivas e poluidoras ao meio
ambiente; crescimento econômico ilimitado; e uma cultura
social orientada para o consumo e o acúmulo de bens materiais.
Esse é o cenário em que as organizações estão inseridas.
Porém, com as recentes mudanças ambientais, decorrentes das
ações degradadoras do homem para com o meio ambiente, a
necessidade de preservação ambiental tem-se tornado algo cada
vez mais urgente. Nesse sentido, é freqüente as empresas
procurarem formas de amenizar o efeito de suas ações tentando
adequar-se às necessidades ambientais. Isto é, procurarem
meios de agir de maneira responsável com o meio ambiente.
Entretanto a responsabilidade socioambiental realizada pelas
empresas tem dividido opiniões e sido abordada sobre dois
aspectos: para uns não é papel das empresas conduzirem
mudanças sociais que caberiam ao Estado; para outros as ações
sociais das empresas privadas podem ir além do que é exigido
por lei.
Para tanto o
presente artigo tem por objetivo perceber aspectos referentes
à relação existente entre a atuação das organizações em
relação ao meio ambiente e as ações governamentais
desenvolvidas em relação ao mesmo. Assim, em função de
diversos questionamentos conceituais que envolvem o tema, a
metodologia utilizada consiste na revisão da literatura
abordando questões sobre meio ambiente, ética, economia e
responsabilidade socioambiental caracterizando uma pesquisa
qualitativa (ROESCH, 2005).
2. A temática
ambiental
A partir da segunda
metade do século XX as questões ambientais ganharam destaque
no cenário mundial, uma vez que os efeitos dos danos ao meio
ambiente decorrentes da ação humana fizeram-se sentir sobre
diferentes áreas da sociedade, tais como: na economia, na
política, nas organizações e principalmente na pesquisa, mais
especificamente no processo de criação de novas tecnologias. A
percepção de tais efeitos tem sido reforçada em função da
maior incidência de problemas ambientais globais, que vem se
agravando com o passar do tempo, como o aquecimento global, a
redução da camada de ozônio, a contaminação do solo, a
poluição do ar entre outros danos ambientais. Entretanto é
importante ressaltar que esses problemas ambientais
enfrentados atualmente não são novos, apenas a consciência do
tamanho da sua complexidade é que é recente.
A existência de tais
problemas ambientais é atribuída a diferentes fatores:
Há certa concordância na
comunidade científica e em parcelas significativas da
população de que as causas destes problemas ambientais
devem-se ao aumento extraordinário da população do planeta, ao
consumo individual abusivo de parcelas significativas da
população (em especial dos países desenvolvidos e das regiões
mais desenvolvidas dos países em desenvolvimento) e a
continuação da utilização de processos e tecnologias de
produção incompatíveis com a preservação dos recursos
naturais.
(DIAS, 2007, p.01):
A maneira como a
sociedade está estruturada reflete diretamente nas questões
ambientais, principalmente na forma como as instituições, quer
sejam privadas ou governamentais, atuam na busca dos objetivos
organizacionais. As questões ambientais exigem do indivíduo um
olhar sistêmico sobre os diversos elementos que constituem a
sociedade. É necessário que se investigue o meio ambiente
através dos aspectos global, social, organizacional, coletivo
e individual, e por meio do enfoque de diferentes áreas como:
sociologia, administração, filosofia, geografia, antropologia.
3. O papel
puramente econômico das organizações
Uma forma de
identificar a relação entre as organizações e o meio ambiente
está em observar que as empresas estão no meio ambiente sob a
forma de emissões de resíduos, perda da biodiversidade e uso
constante do patrimônio natural; por sua vez, o meio ambiente
está nas empresas como parte do ecossistema em que estas estão
inseridas. Partindo dessa forma sistêmica de olhar a relação
das empresas com a sociedade:
[...] Os mercados e,
portanto, a organização empresarial, não são autônomos com
relação ao conjunto da vida social e não podem ser encarados
como engrenagens permanentes, dotadas de regras fixas, imunes
ao entorno em que se formam e se desenvolvem. Quando se abre a
caixa-preta dos mercados, o que há dentro é sociedade,
conflitos permanentes em torno de visões de mundo; interesses
e formas de organizar a própria atividade privada.
(VEIGA, 2009,
p.339)
Observando-se os
limites da relação entre a dimensão social das atividades que
caberiam ao setor público e ao setor privado, algumas
correntes de pensamento apontam para a inadequação do termo
Responsabilidade Socioambiental por representarem argumentos
de significados contrários, visto ser para muitos, a relação
entre competitividade e proteção ambiental, elementos
conflitantes. Numa perspectiva econômica meio ambiente e
mercado aparecem como elementos excludentes e que só passam a
ser considerados como interacionais quando exigidos por lei.
Estas são as condições que a estrutura capitalista impõe nas
relações entre mercado e natureza e que realizar ações de
responsabilidade socioambiental não estreitaria as relações
entre a dinâmica do mercado e o meio ambiente.
4. A nova postura
das empresas contemporâneas
O ser humano vive
dentro de si, o que se denomina de tensão dos contrários.
Trata-se de algo que faz parte da natureza humana, sendo
caracterizado por polaridades ou relatividades. Essas
relatividades normalmente giram em torno de diversas questões,
tais como: o bem e o mal, o certo e o errado entre outras.
Fazer uma escolha assume para o indivíduo um caráter subjetivo
e particularmente perturbador, pois, por ser um elemento que
vive em sociedade o ser humano não está sozinho e, na maioria
das vezes, para se sentir aceito assume padrões de conduta que
caracterizam a sociedade em detrimento daquilo que o
caracterizaria. Ou seja, muitas vezes, o indivíduo assume
aquilo que ele não é, mas que pretende que os outros acreditem
que ele é. Portanto, vive-se constantemente sob a tensão que
acompanha o processo de escolha ou de tomada de decisão. Ou se
escolhe o que se acredita ser certo, ou opta-se pelo que a
sociedade nos seduz e aponta como alternativa padrão.
A constante
repetitividade desse processo de decisão quer seja para algo
de grande impacto, como para algo de pequeno efeito, leva o
indivíduo a um padrão de comportamento no qual este não avalia
mais tão profundamente o impacto que pode vir a decorrer de
suas escolhas. Os constantes modelos de comportamento a que a
sociedade expõe o indivíduo refletem sobre o valor de suas
ações, tanto individuais como coletivas, o que na maioria das
vezes, leva o mesmo a valorizar mais o pensar da coletividade
do que a dar valor a seu próprio pensar. Como uma forma de
equilibrar o processo de escolhas do indivíduo e auxiliar a
sua tomada de decisão e suas ações, existe a Ética (STUKART,
2003).
A discussão sobre a
ética abrange diversos aspectos da sociedade e suas relações.
Dentre eles pode-se destacar a relação entre a administração
das organizações e o meio ambiente. Sob esse aspecto,
verifica-se e relacionam-se questões quanto à presença das
organizações na sociedade, o papel e o efeito das organizações
sobre o meio ambiente, sobre a natureza. O comportamento ético
dos administradores e a responsabilidade social das
organizações estão entre os temas que mais influenciam a
administração na atualidade.
A
Responsabilidade Socioambiental tem tomado um aspecto
relevante, tendo em vista a postura das empresas durante
muitos anos, em relação ao meio ambiente. Estas são vistas
como principais responsáveis pelas alterações ocorridas na
natureza em função da exploração desenfreada dos recursos
naturais. Porém, a partir da década de 90, com o evento da Rio
92, algumas empresas resolveram adotar uma postura mais
responsável em relação ao meio ambiente, tornando seus
processos produtivos mais eficientes em termos ecológicos.
As constantes
pressões sofridas pelas empresas provenientes dos órgãos
ambientais, dos consumidores e da opinião pública, têm levado
as empresas a adotarem uma postura mais proativa em relação à
sociedade e ao meio ambiente. Embora alguns empresários ainda
mantenham uma visão conservadora em relação à questão
ambiental, já se presenciam mudanças significativas, tendo em
vista que ações que provocam um impacto ambiental
significativo podem afetar a empresa a curto, médio ou longo
prazo. Em função dessas circunstâncias o papel das empresas
vem, com o passar do tempo, transformando-se e voltando-se
para o enfoque da responsabilidade socioambiental, retirando
um pouco as empresas do seu papel puramente econômico para
assumir uma maior responsabilidade social e ambiental.
5. Considerações
finais
Assim, em função
desse olhar sobre o posicionamento das organizações em relação
ao meio ambiente e as funções governamentais em relação ao
mesmo percebe-se ser necessário, que se estabeleçam limites de
atuação em relação às ações cabíveis a cada um dos setores.
Pois, a existência de parâmetros não muito claros que
delimitem a atuação de ambos favorece aqueles que ainda não
estão conscientes da interação entre ações organizacionais e
efeitos ambientais a permanecerem em um estado de imobilidade
e baixo comprometimento em relação às modificações
comportamentais necessárias em relação ao meio ambiente.
Referências
DIAS, Reinaldo.
Marketing ambiental: ética, responsabilidade social e
competitividade nos negócios. São Paulo: Atlas, 2007.
ROESCH, S. M. A.
Projetos de estágio e de pesquisa em Administração. São
Paulo: Atlas, 2005.
STUKART, Herbert
Lowe. Ética e corrupção: os benefícios da conduta ética
na vida pessoal e empresarial. São Paulo: Nobel, 2003.