RESUMO INFORMATIVO
Na
atualidade, são poucos os exemplos de trabalhos informando sobre
a diversidade de Invertebrados da APA Jenipabu, mas, há
possibilidades de se registrar uma grande diversidade biológica
incluindo as mais diversas espécies dessa fauna, desde os grupos
mais conhecidos (Crustáceos, Moluscos, Poliquetas e
Equinodermados) até aqueles representantes de táxons animais
mais raros, entre eles Sipúnculos e Nemertea, gerando, assim,
uma necessidade para a busca para o registro de informação sobre
esses organismos.
A NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO SOBRE
OS INVERTEBRADOS MARINHOS E A IMPORTÂNCIA DAS UNIDADES
CONSERVAÇÃO
Diante
do atual quadro de grandes mudanças globais resultante do
crescimento populacional e conseqüentemente dos problemas de
degradação ambiental faz-se de suma importância a criação e
manutenção de áreas voltadas à conservação e preservação dos
recursos naturais bem como sua diversidade biológica de igual
modo essas ações devem ser desenvolvidas nos ambientes
costeiros.
Migotto e Tiago (1999) informam que para a maioria da população
habitante de regiões costeiras, desconhecem as espécies marinhas
e o contato com o mar não garante uma conscientização sobre a
sua importância. Pescadores, caiçaras, veranistas e turistas,
que vivem no litoral desconhecem plantas e muitos invertebrados
marinhos, ignorando, em geral, a dependência do homem, direta ou
indiretamente, em relação a estes seres vivos. Com isso, toda a
diversidade torna-se exposta à exploração sem o devido
direcionamento para a sustentabilidade ambiental. Dessa forma,
faz-se necessário, criar meios que implementem ações de educação
voltadas para a percepção dos valores de que o ser humano é
parte da natureza e, sendo assim, cada um é responsável pela
conservação da biodiversidade (ver BRASIL, 1994).
Segundo Diegues
(2001), um dos principais mecanismos, na atualidade, para salvar
a biodiversidade, tem sido o estabelecimento de áreas de
conservação. Contudo, este autor informa que o procedimento por
si só, não tem possibilitado os resultados esperados, uma vez
que os processos de degradação de todos os ecossistemas ainda
são evidentes.
A lei
nº. 9.985 (BRASIL, 2000), conhecida como “SNUC” (Sistema
Nacional de Unidades de Conservação),
estabelece critérios e normas para criação, implementação e
gestão das Unidades de Conservação - UC’s. A Área de Proteção
Ambiental (APA) compõe o grupo das Unidades de Uso Sustentável.
No Rio Grande do Norte a APA Jenipabu foi criada com o
objetivo de ordenar o uso, proteger e preservar: ecossistemas de
Praias, Mata Atlântica e Manguezal; Lagoas, Rios, Dunas; e sua
biodiversidade, contemplando assim, as possibilidades de atenção
voltadas aos invertebrados.
Diante dos problemas enfrentados atualmente pelas UC’s e as
diretrizes que norteiam o SNUC do Brasil, destaca-se a
importância da comunicação em favor do movimento das questões
ambientais proposto pela Estratégia Nacional de Comunicação e
Educação Ambiental – ENCEA (IBAMA, 2002), temos como objetivos
ressaltar a importância do estudo dos invertebrados existentes
na APA Jenipabu tendo como foco as perspectivas para o caminho
da sustentabilidade ambiental.
APA JENIPABU E A
CONSERVAÇÃO DA DIVERSIDADE DOS INVERTEBRADOS MARINHOS
A
área de estudo corresponde a APA Jenipabu, Unidade de
Conservação localizada nos municípios de Natal e Extremoz (35º
12' 56"W e 05º 40' 40"S), litoral norte do Estado do Rio Grande
do Norte, com uma superfície total de 1.881ha, foi instituída
pelo
Decreto
Estadual n.º 12.620 de 17.05.95/ IDEMA-RN.
No ambiente costeiro desta Área de Proteção Ambiental incluem
duas Praias: Genipabu e Santa Rita. Nelas encontram faixas de
recifes de arenito que abrigam uma grande diversidade de
invertebrados.
Desta forma, apoiando-se num modelo de trabalho de revisão, essa
pesquisa mostra a importância nos aprofundamentos em
referenciais teóricos que apontam para problemas ambientais que
ocorrem atualmente na APA Jenipabu. Verificando os aspectos das
possibilidades de se registrar perdas da diversidade dos
invertebrados marinhos em decorrência do desenvolvimento
econômico e crescimento populacional e, tem-se como ênfase os
materiais bibliográficos que enfocam as contribuições para a
preservação e conservação desta área de proteção ambiental bem
como a manutenção dos recursos naturais que sustentam a
diversidade biológica a ela associada.
Para finalizarmos mencionamos os objetivos e as diretrizes que
norteiam o Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil
e os problemas enfrentados atualmente pelas Unidades de
Conservação e a importância da comunicação frente o movimento
que envolve as questões ambientais diante do proposto pelo ENCEA.
EM BUSCA DE
ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: EVIDENCIANDO OS
INVERTEBRADOS
A
realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, e isto
se produz na inter-relação dos saberes e das práticas coletivas
que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante
da possibilidade de reapropriação da natureza, numa perspectiva
que privilegia o diálogo entre saberes. Refletir sobre a
complexidade ambiental que proporciona a abertura de novas
perspectivas de conservação, e que estas estimulem novas
oportunidades para a formação de agentes multiplicadores e esses
venham compreender a geração desses novos atores sociais que se
mobilizam para a apropriação da natureza. Neste aspecto, a
biodiversidade é repensada como parte própria do ser humano e,
ao aprofundarmos os olhares em aspectos que levem a compreensão
e aprendizagem sobre o meio torna-se urgentemente necessário.
Na atualidade, são
poucos os exemplos de trabalhos informando sobre a diversidade
de Invertebrados da APA Jenipabu, mas, há possibilidades de se
registrar uma grande diversidade biológica incluindo as mais
diversas espécies dessa fauna, desde os grupos mais conhecidos
(Crustáceos, Moluscos, Poliquetas e Equinodermados) até aqueles
representantes de táxons animais mais raros, entre eles
Sipúnculos e Nemertea. Considerando que não se conhece a fauna
aí existente, muitos grupos podem estar ameaçados de extinsão e
não se tem esse conhecimento.
O Ministério do Meio
Ambiente incluiu, em Instrução Normativa, 34 espécies dos bentos
marinhos como ameaçadas e dez como sobreexplotadas ou em risco
de sobreexplotação (ver FUNDAÇÃO BIO-RIO et al. 2002). A
conservação da biodiversidade marinha no Brasil ainda é
consideravelmente inadequada a despeito da legislação existente
e das áreas protegidas marinhas implantadas. Referindo-se à
diversidade biológica, no Brasil são desenvolvidos alguns
projetos, visto que este é considerado como o país que apresenta
a maior diversidade de espécies da Terra (LEWINSOHN; PRADO,
2005).
Por
isso, a ENCEA enquanto estratégia contendo princípios,
diretrizes, objetivos e propostas de ações necessárias à
execução de políticas públicas, programas e atividades de
Educação Ambiental e Comunicação voltadas ao (re)conhecimento,
valorização, criação, implementação, gestão e defesa das
Unidades de Conservação, poderá suprir a lacuna do conhecimento
sobre a diversidade biológica, incluindo então as informações
sobre os Invertebrados. Neste caso, podemos superar a concepção
“sociedade de risco”, de Beck (1994), onde se amplia a
compreensão de um cenário marcado por nova lógica de
distribuição dos riscos.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Os elementos de
Comunicação e a Educação Ambiental, atuando como instrumentos
indispensáveis para assegurar a sensibilização da população
sobre a importância das UC’s pode garantir a participação de
pesquisadores em associação com as comunidades residentes e do
entorno, nos processos de criação, implementação e gestão desses
espaços para o conhecimento da diversidade biológica,
principalmente os táxons menos estudados. Favorecendo, assim, a
busca para suprir a falta de informação sobre os Invertebrados
da APA Jenipabu para que possa ressaltar a importância para a
sua conservação.
Devem
ser considerados, prioritariamente, órgãos e instituições cujas
atribuições são voltadas ao trato da temática socioambiental,
educacional e de comunicação social, mas também devem sentir-se
incorporadas a este movimento as demais organizações envolvidas
com tais necessidades. Neste caso, o processo de implementação
da ENCEA, deve ser realizado em movimento sincronizado e
partilhado entre os órgãos de governo federais, estaduais e
municipais, sendo sempre fortalecido por meio da integração de
suas ações com aquelas desenvolvidas por organizações
não-governamentais, movimentos sociais, instituições privadas e
organismos internacionais.
REFERÊNCIAS
BECK,
U. Risk Society. London: Sage Publications, 1994.
BRASIL. Decreto no 84.017, de
21 de setembro de 1979. In: Diário Oficial da União, 21
set. de 1979. Instituiu o Regulamento dos Parques
Nacionais Brasileiros, 1979.
BRASIL. Decreto-Legislativo no 2 de 8 de fevereiro de 1994. In:
Diário Oficial da União, 8 fev. de 1994. Ratifica a
Convenção sobre Diversidade Biológica, 1994.
BRASIL. Lei no 9.985 de 18 de julho de 2000. In: Diário
Oficial da União, 18 de julho de 2000. Estabelece critérios
e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de
conservação e regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III
e VII da Constituição Federal, 2000.
FUNDAÇÃO BIO-RIO et al. 2002. Avaliação e ações prioritárias
para a conservação da biodiversidade das zonas costeira e
marinha. Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF),
Ministério do Meio Ambiente (MMA), Brasília.
IBAMA - INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS
NATURAIS. DOCUMENTO INICIAL.
Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental no
Âmbito do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - ENCEA.
Brasília, 2002.
DIEGUES, A. C. O mito moderno da natureza intocada. 3ª. Ed. São
Paulo: Editora Hucitec, 2001.
LEWINSOHN, T. M.; PRADO, P. I. Quantas espécies há no Brasil?
Megadiversidade. 1(1): 36-42, 2005.
LOMBARDO, M. A. Unidades de Conservação: Área de Proteção
Ambiental. In: TAUK, S. M. et al. Análise Ambiental:
estratégias e ações. São Paulo. Unesp, p. 166-169, 1995.
MIGOTTO, A. E.; TIAGO, C G. Síntese. In: MIGOTTO, A. E.; TIAGO,
C G. (Orgs.). Biodiversidade do Estado de São Paulo:
síntese do conhecimento ao final do Século XX. Vol 3.
Invertebrados Marinhos. São Paulo: FAPESP. 1999, p. 301 – 310.