Sustentabilidade ambiental em unidades de
conservação: enfatizando os invertebrados marinhos da APA Jenipabu / RN
Leonardo Oliveira DA SILVA, Jucicleide
Gomes da Silva Souza,
Elineí
Araújo-de-Almeida
publicado em 1612/2010
RESUMO
Na atualidade, são poucos os exemplos de trabalhos informando
sobre a diversidade de Invertebrados da APA Jenipabu, mas, há
possibilidades de se registrar uma grande diversidade
biológica incluindo as mais diversas espécies dessa fauna,
desde os grupos mais conhecidos (Crustáceos, Moluscos,
Poliquetas e Equinodermados) até aqueles representantes de
táxons animais mais raros, entre eles Sipúnculos e Nemertea,
gerando, assim, uma necessidade para a busca para o registro
de informação sobre esses organismos.
A
NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO SOBRE OS INVERTEBRADOS MARINHOS E A
IMPORTÂNCIA DAS UNIDADES CONSERVAÇÃO
Diante do
atual quadro de grandes mudanças globais resultante do
crescimento populacional e conseqüentemente dos problemas de
degradação ambiental faz-se de suma importância a criação e
manutenção de áreas voltadas à conservação e preservação dos
recursos naturais bem como sua diversidade biológica de igual
modo essas ações devem ser desenvolvidas nos ambientes
costeiros.
Migotto e Tiago (1999)
informam que para a maioria da população habitante de regiões
costeiras, desconhecem as espécies marinhas e o contato com o
mar não garante uma conscientização sobre a sua importância.
Pescadores, caiçaras, veranistas e turistas, que vivem no
litoral desconhecem plantas e muitos invertebrados marinhos,
ignorando, em geral, a dependência do homem, direta ou
indiretamente, em relação a estes seres vivos. Com isso, toda
a diversidade torna-se exposta à exploração sem o devido
direcionamento para a sustentabilidade ambiental. Dessa forma,
faz-se necessário, criar meios que implementem ações de
educação voltadas para a percepção dos valores de que o ser
humano é parte da natureza e, sendo assim, cada um é
responsável pela conservação da biodiversidade (ver BRASIL,
1994).
Segundo Diegues (2001), um dos principais mecanismos, na
atualidade, para salvar a biodiversidade, tem sido o
estabelecimento de áreas de conservação. Contudo, este autor
informa que o procedimento por si só, não tem possibilitado os
resultados esperados, uma vez que os processos de degradação
de todos os ecossistemas ainda são evidentes.
A lei nº. 9.985 (BRASIL, 2000),
conhecida como “SNUC” (Sistema
Nacional de Unidades de Conservação),
estabelece critérios e normas para criação, implementação e
gestão das Unidades de Conservação - UC’s. A Área de Proteção
Ambiental (APA) compõe o grupo das Unidades de Uso
Sustentável. No Rio Grande do Norte a APA Jenipabu foi criada
com o objetivo de ordenar o uso, proteger e preservar:
ecossistemas de Praias, Mata Atlântica e Manguezal; Lagoas,
Rios, Dunas; e sua biodiversidade, contemplando assim, as
possibilidades de atenção voltadas aos invertebrados.
Diante dos problemas
enfrentados atualmente pelas UC’s e as diretrizes que norteiam
o SNUC do Brasil, destaca-se a importância da comunicação em
favor do movimento das questões ambientais proposto pela
Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental –
ENCEA (IBAMA, 2002), temos como objetivos ressaltar a
importância do estudo dos invertebrados existentes na APA
Jenipabu tendo como foco as perspectivas para o caminho da
sustentabilidade ambiental.
APA JENIPABU E A CONSERVAÇÃO DA DIVERSIDADE DOS
INVERTEBRADOS MARINHOS
A área de estudo corresponde
a APA Jenipabu, Unidade de Conservação localizada nos
municípios de Natal e Extremoz (35º 12' 56"W e 05º 40' 40"S),
litoral norte do Estado do Rio Grande do Norte, com uma
superfície total de 1.881ha, foi instituída pelo
Decreto Estadual n.º 12.620 de 17.05.95/ IDEMA-RN.
No ambiente costeiro desta Área de Proteção Ambiental incluem
duas Praias: Genipabu e Santa Rita. Nelas encontram faixas de
recifes de arenito que abrigam uma grande diversidade de
invertebrados.
Desta forma, apoiando-se num
modelo de trabalho de revisão, essa pesquisa mostra a
importância nos aprofundamentos em referenciais teóricos que
apontam para problemas ambientais que ocorrem atualmente na
APA Jenipabu. Verificando os aspectos das possibilidades de se
registrar perdas da diversidade dos invertebrados marinhos em
decorrência do desenvolvimento econômico e crescimento
populacional e, tem-se como ênfase os materiais bibliográficos
que enfocam as contribuições para a preservação e conservação
desta área de proteção ambiental bem como a manutenção dos
recursos naturais que sustentam a diversidade biológica a ela
associada.
Para finalizarmos
mencionamos os objetivos e as diretrizes que norteiam o
Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil e os
problemas enfrentados atualmente pelas Unidades de Conservação
e a importância da comunicação frente o movimento que envolve
as questões ambientais diante do proposto pelo ENCEA.
EM BUSCA DE ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO E
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: EVIDENCIANDO OS INVERTEBRADOS
A realidade atual exige uma
reflexão cada vez menos linear, e isto se produz na
inter-relação dos saberes e das práticas coletivas que criam
identidades e valores comuns e ações solidárias diante da
possibilidade de reapropriação da natureza, numa perspectiva
que privilegia o diálogo entre saberes. Refletir sobre a
complexidade ambiental que proporciona a abertura de novas
perspectivas de conservação, e que estas estimulem novas
oportunidades para a formação de agentes multiplicadores e
esses venham compreender a geração desses novos atores sociais
que se mobilizam para a apropriação da natureza. Neste
aspecto, a biodiversidade é repensada como parte própria do
ser humano e, ao aprofundarmos os olhares em aspectos que
levem a compreensão e aprendizagem sobre o meio torna-se
urgentemente necessário.
Na atualidade, são poucos os exemplos de trabalhos informando
sobre a diversidade de Invertebrados da APA Jenipabu, mas, há
possibilidades de se registrar uma grande diversidade
biológica incluindo as mais diversas espécies dessa fauna,
desde os grupos mais conhecidos (Crustáceos, Moluscos,
Poliquetas e Equinodermados) até aqueles representantes de
táxons animais mais raros, entre eles Sipúnculos e Nemertea.
Considerando que não se conhece a fauna aí existente, muitos
grupos podem estar ameaçados de extinsão e não se tem esse
conhecimento.
O Ministério do Meio Ambiente incluiu, em Instrução Normativa,
34 espécies dos bentos marinhos como ameaçadas e dez como
sobreexplotadas ou em risco de sobreexplotação (ver FUNDAÇÃO
BIO-RIO et al. 2002). A conservação da biodiversidade marinha
no Brasil ainda é consideravelmente inadequada a despeito da
legislação existente e das áreas protegidas marinhas
implantadas. Referindo-se à diversidade biológica, no Brasil
são desenvolvidos alguns projetos, visto que este é
considerado como o país que apresenta a maior diversidade de
espécies da Terra (LEWINSOHN; PRADO, 2005).
Por isso, a ENCEA enquanto
estratégia contendo princípios, diretrizes, objetivos e
propostas de ações necessárias à execução de políticas
públicas, programas e atividades de Educação Ambiental e
Comunicação voltadas ao (re)conhecimento, valorização,
criação, implementação, gestão e defesa das Unidades de
Conservação, poderá suprir a lacuna do conhecimento sobre a
diversidade biológica, incluindo então as informações sobre os
Invertebrados. Neste caso, podemos superar a concepção
“sociedade de risco”, de Beck (1994), onde se amplia a
compreensão de um cenário marcado por nova lógica de
distribuição dos riscos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os elementos de Comunicação e a Educação Ambiental, atuando
como instrumentos indispensáveis para assegurar a
sensibilização da população sobre a importância das UC’s pode
garantir a participação de pesquisadores em associação com as
comunidades residentes e do entorno, nos processos de criação,
implementação e gestão desses espaços para o conhecimento da
diversidade biológica, principalmente os táxons menos
estudados. Favorecendo, assim, a busca para suprir a falta de
informação sobre os Invertebrados da APA Jenipabu para que
possa ressaltar a importância para a sua conservação.
Devem ser
considerados, prioritariamente, órgãos e instituições cujas
atribuições são voltadas ao trato da temática socioambiental,
educacional e de comunicação social, mas também devem
sentir-se incorporadas a este movimento as demais organizações
envolvidas com tais necessidades. Neste caso, o processo de
implementação da ENCEA, deve ser realizado em movimento
sincronizado e partilhado entre os órgãos de governo federais,
estaduais e municipais, sendo sempre fortalecido por meio da
integração de suas ações com aquelas desenvolvidas por
organizações não-governamentais, movimentos sociais,
instituições privadas e organismos internacionais.
REFERÊNCIAS
BECK, U.
Risk Society. London: Sage Publications, 1994.
BRASIL. Decreto no 84.017, de
21 de setembro de 1979. In: Diário Oficial da União, 21
set. de 1979. Instituiu oRegulamento dos Parques
Nacionais Brasileiros, 1979.
BRASIL. Decreto-Legislativo
no 2 de 8 de fevereiro de 1994. In: Diário Oficial da União,
8 fev. de 1994. Ratifica a Convenção sobre Diversidade
Biológica, 1994.
BRASIL. Lei no 9.985 de 18
de julho de 2000. In: Diário Oficial da União, 18 de
julho de 2000. Estabelece critérios e normas para a criação,
implantação e gestão das unidades de conservação e
regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da
Constituição Federal, 2000.
FUNDAÇÃO BIO-RIO et al.
2002. Avaliação e ações prioritárias para a conservação da
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(MMA), Brasília.
IBAMA - INSTITUTO BRASILEIRO
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LEWINSOHN, T. M.; PRADO, P.
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