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Terceira Idade

Ano I - Nº11 - fevereiro de 2001

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A FORÇA DO CARÁTER

e a poética de uma vida longa

 

O psicólogo James Hillman desdobra a tese lançada por ele em O Código do Ser e afirma que só na velhice o caráter de uma pessoa se define

 

 

“Para um livro sobre a longevidade, A força do caráter é simplesmente perfeito,
não somente pela sabedoria de seu conteúdo, mas também pelo tom e ritmo”
San Francisco Chronicle
 
“Como sempre, Hillman dá um novo sopro de vida a um venerável conceito e, ao fazê-lo,
 nos ajuda a redescobrir as possibilidades anímicas de quando envelhecemos”
Publishers Weekly

 

 
Nas culturas antigas, caráter e velhice caminhavam lado a lado. O idoso era o detentor da sabedoria e o responsável por transmitir às novas gerações um exemplo de vida. Com o passar do tempo, a relação entre idade e caráter foi se modificando. Em A FORÇA DO CARÁTER — E A POÉTICA DE UMA VIDA LONGA, o psicólogo James Hillman ressuscita a importância da experiência de vida na formação da psique humana e afirma que o caráter só é definido na terceira idade.


Convites para que os idosos passem a agir como jovens estão por toda parte. Nesse contexto, lembra Hillman, os velhos que não experimentam mergulhar em alguma espécie de fonte da juventude estão fadados ao ostracismo. A obra de Hillman surge como um convite à reflexão sobre o universo do idoso nesses dias em que o valor do ser humano está associado mais à sua capacidade física que à psicológica.


A tese defendida em A FORÇA DO CARÁTER é um desdobramento de uma outra teoria do autor — lançada no livro O Código do Ser — segundo a qual o caráter é predeterminado geneticamente. Hillman demonstra, agora, como somente o tempo é capaz de confirmar o que a genética definira como sendo o caráter de cada indivíduo.

 

O autor busca na medicina e na filosofia as bases que pontuam a sua narrativa doce e poética na defesa da terceira idade e das marcas do tempo impressas no corpo adulto. Para Hillman, as rugas acumuladas na face ao longo de décadas trazem consigo uma carga de experiência de vida de valor inestimável. Apagá-la é como negar o amadurecimento.


A leitura de A FORÇA DO CARÁTER suscita alguns questionamentos. Se a velhice define o caráter, então o que dizer daqueles que morrem antes dos 50 anos? “Talvez sejam corretas as observações do tipo ‘ele morreu cedo demais’” — explica Hillman. “Com isso, queremos dizer que o caráter deles ainda não estava completamente amadurecido”.

 

E os indivíduos dos séculos passados, que viviam somente até os 30 ou 40 anos? O caráter de cada uma delas era incompleto? Hillman responde: “Talvez a velhice fosse menos necessária naquela época porque as culturas antigas ritualizavam a formação do caráter com iniciações, festivais e funerais; e os mais velhos forneciam instruções coletivas. Embora os mais velhos deles devessem ser mais jovens em anos do que os nossos idosos, eles mesmo assim eram bastante presentes, enfatizando a cada membro do grupo o valor do caráter”.


JAMES HILLMAN é psicólogo, conferencista internacional, autor de mais de 20 livros, dentre eles o best-seller O Código do Ser, publicado pela Objetiva. Analista junguiano e criador da "psicologia arquetípica" pós-junguiana, lecionou na Universidade de Yale, na Universidade de Siracusa, na Universidade de Chicago, e na Universidade de Dallas - onde foi co-fundador do Dallas Institute por Humanities and Culture. Mora em Connecticut, EUA.

 
A FORÇA DO CÁRATER, de James Hillman.
Tradução: Eliana Sabino
256 páginas

R$ 29,90

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