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Terceira Idade |
Ano I - Nº12 - março de 2001 |
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A velhice sob a ótica da mulher Fátima Teixeira "O segredo de se
envelhecer bem é se aceitar, se você olhar para as suas rugas com crítica,
com rejeição, é lógico que as pessoas vão ver você assim. Se, no
entanto, você deixar fluir sua auto-estima, se você sorri para a vida,
suas rugas aparecem em segundo plano; o sorriso é que aparece
primeiro". (Cecília Bourbon
no livro Quarenta A Idade da Loba, de Regina Lemos)
No dia 08 de março comemora-se o Dia
Internacional da Mulher. Esse dia, explorado inclusive A história dessa data está ligada à
greve de operárias da fábrica Cotton, ocorrida em Nova York (EUA) em 1857.
Elas reivindicavam redução da jornada de trabalho para 10 horas diárias e
o direito à licença-maternidade. As forças policiais, com o intuito de
reprimir o movimento, atearam fogo à fábrica provocando a morte de 129
mulheres queimadas. Este é um exemplo de como as mulheres, ao
longo da história, tem se movimentado com garra e determinação para obter
os direitos que garantam a melhoria das condições de vida e de trabalho. E ao envelhecer? Como a mulher idosa
continua enfrentando as questões ligadas ao preconceito, a subalternidade e
a marginalização? A velhice é uma questão que afeta
particularmente a mulher, porque muitas vezes ela é acompanhada de doenças,
diminuição do padrão sócio-econômico e solidão. A mulher, de uma maneira geral, está
acostumada a realizar acompanhamento mais sistemático de sua saúde. Alguns
eventos de sua vida, como a gravidez e o climatério, colaboram para a
realização de consultas médicas e exames clínicos periódicos, ajudando
a detectar e prevenir doenças. Ao envelhecer os prognósticos antecipados
podem não significar a cura das doenças, mas facilitam o controle e a
manutenção da qualidade de vida. As ações preventivas e de
acompanhamento de moléstias consideradas comuns nessa fase da vida, ajudam
a prolongar a autonomia, um dos requisitos indispensáveis para viver a
velhice de forma bem sucedida. Infelizmente a falta de recursos públicos
para o atendimento à saúde da pessoa idosa é objeto de grande preocupação,
pois, as doenças comuns que afetam o idoso necessitam de medicamentos e
acompanhamento contínuos, obrigando-os a enfrentarem imensas filas nos
postos médicos. Com os baixos salários previdenciários e sem a ajuda dos
filhos, nem todos tem possibilidades de recorrer a convênios médicos
particulares, provocando insegurança e ansiedade ao idoso. A mulher que ao longo de sua vida exerceu
atividade profissional, em geral, ganhou menos do que o homem, até porque
historicamente o gênero feminino tem aparecido numa posição de
subalternidade com relação ao gênero masculino. Sem contar com a exploração
no nível doméstico a que a mulher foi submetida com a dupla jornada de
trabalho estimulada pelo próprio sistema e suas instituições
representativas como a família, a igreja, a escola, entre outras, responsáveis
pela reprodução de valores e princípios que permeiam as relações
sociais. A mulher, via de regra, casa-se mais jovem
do que o homem e este tem maior probabilidade de morrer antes do que ela.
Segundo recentes pesquisas, o número de idosos no país atualmente chega a
8% do total da população, com predominância de mulheres sozinhas,
separadas de seus companheiros, cuja a esperança de vida é
estatisticamente menor. Desta maneira a mulher se vê velha, empobrecida e só. Em recente viagem ao Rio de Janeiro fiquei
impressionada com o número de idosos em Copacabana, tradicional bairro
carioca, especialmente com as mulheres que realizam caminhadas pelo calçadão,
freqüentam os restaurantes e confeitarias do bairro, sempre em grupos de
duas ou três mulheres. Demonstram bom humor, vitalidade e boa disposição
para realizar atividades que propiciem a sociabilidade. Aparentemente essas mulheres não são
diferentes daquelas que tive a oportunidade de conhecer nos grupos de
terceira idade formados em bairros periféricos da zona leste de São Paulo.
Conversando com várias delas pude constatar que são aposentadas ou
pensionistas, moram sós, ou com seus companheiros de muitos anos de
casamento, gostam de conviver em grupos, viajar, fazer amigos, conhecer
lugares novos, enfim, mantém o desejo e a alegria de viver. Prezam a
liberdade conquistada, após anos de dedicação quase incondicional à família.
Ao perguntar-lhes sobre os homens,
respondiam-me:
"Ah! Eles, em sua maioria, relutam em aceitar que chegaram à
terceira idade e ilusoriamente buscam na companhia das mulheres mais novas
reencontrar a vitalidade e a juventude". De fato, os homens se mostram mais
resistentes do que as mulheres em assumir a velhice, preferindo
relacionar-se, sempre que possível, com mulheres mais jovens, num velado
desprezo àquelas de sua mesma faixa etária. Parece-me que estas mulheres estão
enfrentando o processo de envelhecimento com maturidade, pois conseguem
reconhecer seus limites e ver que na velhice perde-se algumas coisas, mas
ganha-se outras. Perde-se o frescor da juventude física, em compensação
ganha-se em experiências que podem e devem ser passadas aos mais jovens,
numa relação não pautada na competição, mas sim no estímulo,
encorajamento e troca. A estas bravas mulheres minha sincera
homenagem neste 8 de março de 2001!
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Restaurando a dignidade no envelhecimento O idoso e a família: os dois lados da mesma moeda
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