A tecnologia não é
um privilégio dos jovens. Se um dia já foi verdadeira, essa premissa
caiu em desuso, sobremaneira motivada pela popularização do que se
convencionou chamar de “novas mídias” em nossa sociedade. A velocidade
espantosa de algumas mudanças pode assustar, ao mesmo tempo em que aguça
a curiosidade de um número cada vez maior de pessoas, de diferentes
faixas etárias. Aos poucos, o computador pessoal vai deixando de ser um
estranho aos que já foram adeptos das máquinas de escrever e das
calculadoras de bolso. Quem já usou uma máquina dessas percebe
facilmente que o tempo passou, e que a revolução da informação chegou há
alguns.
Mas não é só o PC de
Bill Gates que chama a atenção. Nos últimos dez anos, os telefones
celulares deixaram de ser aparelhos caríssimos e pesados e para se
transformar em utensílios capazes de tirar fotografias, tocar canções e
transmitir vídeos com um simples toque ao teclado. Centenas de músicas
digitais já podem ser armazenadas em um aparelhinho do tamanho de
isqueiro, dispensando os CD’s e os já praticamente extintos discos de
vinil das vitrolas de antigamente – ou da Antigüidade, se preferir, dada
a evolução dos produtos atuais em comparação com o que havia de mais
moderno num prazo curto de tempo, como cinco décadas atrás.
No passado, a
impressão que se tinha era a de que as descobertas dos cientistas e
grandes empresários levavam um tempo até se popularizarem e caírem no
gosto da população. Sem dúvida, o fator impeditivo era o preço das
mercadorias, que demorava a baixar e a atingir os menos afortunados. A
TV é um caso exemplar. Apesar de ter sido lançada no início dos anos 50,
só viria a se popularizar duas décadas depois. Hoje em dia todos têm
acesso às novidades. Um monitor de tela plana é lançado no mercado a um
preço mais alto, às vezes proibitivo. Ocorre que seis meses depois a
mesma fábrica lança um novo modelo e joga o preço do anterior lá
embaixo.
Há quem exagere
nesse culto à tecnologia. Gente jovem, decerto. Os mais velhos se
contentam com bem menos, o que não significa que se prendam às
parafernálias de outrora para divertir-se no mundo virtual. A Internet
que o diga. Nos últimos anos, muita gente que se sentia sozinha
conseguiu arrumar boas companhias através de salas de bate-papo, correio
eletrônico e softwares de comunicação instantânea. Atualmente, é
possível acompanhar o crescimento de um neto à distância, munido apenas
de um PC, uma câmera de vídeo portátil e um par de caixas de som. É só
marcar um horário e ter som, voz e imagem à disposição. Se o preço ainda
não é tão baixo, já se transformou em algo acessível para um número
considerável de pessoas.
Muitos colegas
aposentados já se dão ao luxo de passar tardes inteiras na frente de um
computador fazendo pesquisas, lendo reportagens e até jogando xadrez com
gente do outro lado do mundo. No início, a tarefa parece complicada, com
botões novos e diversas instruções a seguir. Não entre em pânico nessas
horas. Apenas lembre-se que o computador funciona através da lógica. Com
o tempo, você adquire prática e perde definitivamente o medo da
tecnologia - ou tecnofobia num linguajar moderno - e aí começa a
diversão.
Esse contato com a
tecnologia pode até não ser melhor do que jogar conversa fora com os
amigos no banco da praça. Mas é uma opção a mais para, inclusive,
facilitar algumas tarefas do dia-a-dia, como consultar o saldo no banco,
o benefício do INSS, os filmes que estão em cartaz no cinema perto de
casa e até o horário dos jogos de futebol na TV. Em comunidades virtuais
como o Orkut, que imagino você já deve ter ouvido falar, reencontra-se
amigos dos quais não se têm notícias por décadas.
Toda essa revolução
está ocorrendo diante de nossos olhos. Se você tem curiosidade ou
vontade de aprender um pouco mais sobre esses aparelhos que fazem a
cabeça dos jovens, vá em frente. Peça a uma pessoa de confiança, um
filho(a) ou um neto(a), que lhe dê as instruções básicas e depois faça
do jeito que achar melhor. Não existe razão para ficar assistindo a
essas transformações como um mero espectador, passivamente, se tem
chances de participar e fazer parte desse processo. O máximo que pode
acontecer é você se cansar disso tudo. Aí é só apertar o botão “desliga”
e tirar o aparelho da tomada.