Revista Virtual Partes - Aproveitando o tempo
spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 03 de novembro de 2011 17:24:24                                               
Home Ambientais Agenda Colunistas Reportagens Terceiro Setor blog Normas Crônicas Poesias e Contos Turismo Terceira Idade Educação
 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Terceira Idade
Aproveitando o tempo    

Aparecida Luzia de Mello*

publicado em 03/11/2011

O Marido é da área tecnológica e participa sempre que pode de eventos, treinamentos, lançamentos e tudo que esteja relacionado à sua área já que este é um dos setores que mais sofre mudanças.

Ela em contrapartida é da área social. Sempre preocupada com pessoas, sentimentos, emoções. Seu conhecimento e interação com a área tecnológica é apenas como usuária.

Como o casal tem por hábito fazer muitas atividades juntos, desde que a agenda permita, ela sempre que pode o acompanha e vice-versa, todavia quando os eventos tecnológicos são de treinamentos ou lançamentos, às vezes os assuntos parecem verdadeiros ETs, pois os jargões das áreas de conhecimento específico tornam os assuntos incompreensíveis. Claro que isto se dá principalmente com ela. Afinal de gente todo mundo fala, mas de bits e bytes nem todos.

Nem por isto ela desistiu de acompanhá-lo e para não sentir-se enfadonha nestas situações, ela inventou algumas artimanhas que até agora trouxe resultados positivos.

Para garantir que o momento não será cansativo demais, ela tem sempre na bolsa um livro e um caderninho. Se o momento é de espera, aproveita para ler, se for uma palestra com tema muito complicado onde só “rola” bits, bytes e outros bichos, ela abre seu caderninho...

Neste caderninho há diversos títulos de contos para desenvolver, previamente registrados com a ideia central, comentários feitos por pessoas a sua volta, familiares, alunos, amigos, conhecidos, colegas de trabalho, conversas ouvidas na condução ou nas filas de espera enquanto aguarda para ser atendida, incluindo experiências da própria vida. Uma vez o caderninho aberto deixa a imaginação voar e rapidamente começa a escrever.

Assim alia seu interesse em escrever, a falta de tempo e o prazer de acompanhar o marido. O palestrante ou técnico do assunto nem percebe e não se constrange, pois ela não dorme, não faz cara de “estou viajando” e ainda talvez imagine que ela seja expert no assunto e interessada anota as principais informações passadas.

O resultado tem sido tão bom que já tem material suficiente para lançar um livro, afinal nunca se sabe. Mas num destes eventos técnicos esta atitude rendeu um fato curioso, que ela jamais imaginou que fosse acontecer.

Depois de uma longa e complexa palestra tecnológica em que ela escrevera todo o tempo fazendo pequenas paradas para ajustar as ideias, levantando a cabeça e olhando para o palestrante “sem vê-lo” e voltar a escrever, o profissional informou que ia sortear alguns equipamentos da empresa aos participantes como fazia costumeiramente.

Começou dizendo que naquele dia em especial dois presentes de “peso” seriam oferecidos, mas um deles seria entregue, sem sorteio, a uma pessoa que havia participado ativamente de sua palestra, e, completou:

-: tenho certeza que o ganhador registrou quase tudo que falei.

E sem mais rodeios apontou para ela com largo sorriso, convidando-a por meio de gestos a subir na tribuna. A estas alturas ela o contemplava com cara de “retrato”.

O marido percebendo que ainda não tinha “caído a ficha”, já que ela não reagia, cutucou-a para ir receber o prêmio. Apavorado, vendo-a levantar-se toda atrapalhada depois do cutucão tentando “processar o que estava acontecendo”, ele cochichou em seu ouvido:

-: vá receber seu premio, mas cuidado com o que você vai falar. Melhor mesmo será ficar calada!

Como se estivesse em transe, constrangida, foi em direção ao palco ainda com o bendito caderninho na mão.

O palestrante perguntou seu nome, mas ela rubra de vergonha balbuciou com dificuldade:

-: desculpe não entendi?

Ele então olhando para o crachá que ela trazia no peito, leu o nome dela e o da empresa que ela representava, ou seja, a empresa do marido. Cumprimentou-a com efusivo abraço e pedindo licença tomou o caderninho das mãos dela, levantou o dito cujo e disse:

-: pessoal, com a surpresa ela está tão emocionada que não consegue falar, mas tudo que falamos durante a palestra está registrado aqui. Querem ver...

Abriu-o e tentou ler algo. Mas... Não conseguiu e rindo disse:

-: gente, ela anotou tudo mesmo, mas por meio da taquigrafia! Certamente depois ela vai traduzir.

Aliviada ela agradecia a Deus, em pensamento, pelos garranchos e abreviações que utiliza para não perder o raciocínio enquanto está escrevendo, já que o raciocínio é mais rápido que a mão, e ao mesmo tempo por começar a entender o que estava acontecendo.

Limitou-se a sorrir e finalmente disse:

-: não tenho palavras para agradecer porque estou muito emocionada. Eu não esperava por isto. Muito obrigada!

No outro dia o site da empresa divulgava dados do evento citando o número expressivo de participantes, o profundo interesse demonstrado por alguns profissionais, os sorteios promovidos e ao lado do texto a foto do palestrante abraçado com ela. A foto retratava-a com um “sorriso amarelo” e o netboock, que ganhara de presente, nas mãos!


* Advogada, Mestre em Políticas Sociais, Pós-Graduada em Gestão e Organização do 3º Setor, Psicogerontologia e Memórias. Palestrante, professora, dirige o PEEM Ponto de Encontro e Estudo da Maturidade, voluntária do Núcleo de Convivência de Idosos Nosso Lar.

Email: cidamell@uol.com.br 

 

 
 

Pesquisa personalizada

 
  

spacer
::sobre o autor::
Aparecida Luzia de Mello é  Advogada, Mestre em Políticas Sociais, Pós-Graduada em Gestão e Organização do 3º Setor, Psicogerontologia e Memórias. Palestrante, professora, dirige o PEEM Ponto de Encontro e Estudo da Maturidade, voluntária da 3ª Idade e Recanto do Idoso Nosso Lar.  cidamell@uol.com.br
::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::

Casinhos
Aparecida Luzia de Mello

publicado em 05/07/2011

 

A Voz de Deus
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 02/06/2011

Aventuras no Motel
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 04/03/2011

Bigode

Aparecida Luzia de Mello

publicado em 04/03/2011
 

 

Natal Social
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 04/01/2011

         A Cigana
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 01/012/2011


Imaginação
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 04/01/2011

 

A galinha do ano novo
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 02/10/2010

De novo vovô!
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 03/09/2010

A gringa elegante
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 01/11/2010

De novo vovô!
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 03/09/2010

Molho Holandês
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 01/07/2010

Leite Compensado
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 02/06/2010

Morreu feliz!
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 03/05/2010

Tanto riso...
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 31/03/2010

Amor Mofado
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 11/03/2010

Batom Vermelho na Maturidade
Aparecida Luzia de Mello
publicado em 04/02/2010

 

 

Normas para publicar artigos Revista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2011
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer

Home Ambientais Agenda Colunistas Reportagens Terceiro Setor blog Normas Crônicas Poesias e Contos Turismo Terceira Idade Educação