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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:33                                               

 
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TERCEIRA IDADE

Demência e Envelhecimento

   

Edvaldo Soares

publicado em 24/05/2007

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial e apresenta conseqüências diretas nos sistemas de saúde pública. O crescimento da população idosa nos países desenvolvidos vem sendo estudado há vários anos. Nos países do terceiro mundo, e particularmente no Brasil, recentemente tal tema tem despertado interesse de alguns estudiosos, especialmente das áreas de saúde e ciências sociais.

 

 No Brasil, os idosos que representavam apenas 3,2% da população geral de 1900 e 4,7% em 1960, poderão atingir 13,8% no ano de 2025. No período de 1960 a 2025, espera-se que o crescimento da população idosa seja de 917%, enquanto que o ritmo de aumento da população total deverá cair para 250%. Hoje, temos aproximadamente 11 milhões de pessoas com mais de 60 anos e, algumas projeções indicam que seremos o 6º país do mundo em número de idosos no ano de 2020, com aproximadamente 32 milhões de idosos. Uma das principais conseqüências do crescimento desta parcela da população é o aumento da prevalência das demências. Mas, o que é demência? Na verdade, existem diversos tipos de demência (demência de Corpus de Lewy, demência Vascular, demência de Parkinson, demência fronto-temporal, etc), com diferentes prognósticos. Porém, uma característica geral é marcante em todas elas: a deterioração global e, na maioria das vezes, progressiva das funções cognitivas. A demência de Alzheimer é a mais freqüente, e talvez a mais estudada hoje, bem como é a patologia que tem despertado maior interesse da população em geral, em função da exploração do tema por parte da mídia.  

 

O interessante é que, até pouco tempo atrás, o quadro demencial, considerado de forma geral, era considerado como um fator relativamente natural que surgia em decorrência do envelhecimento. Ou seja, seria uma decorrência “natural” do processo de desenvolvimento humano. Porém, hoje, alguns estudiosos consideram que a demência deve ser considerada como uma patologia multifatorial e que não está somente dependente da idade. Poderíamos acrescentar ainda que, os quadros demenciais na verdade são sintomas decorrentes de outras patologias associadas. Nesse sentido, a prevenção de quadros demenciais depende diretamente da prevenção dessas patologias ou, pelo menos dos fatores de risco associados a elas. Ainda nesse sentido, é importante acrescentar que existem fatores de risco comuns a todas as demências e que podem e devem ser levados em conta, tanto pelas autoridades da área de saúde como pela população em geral, no sentido de retardar ou mesmo impedir o aparecimento de uma demência. Entre esses fatores, podemos citar, entre outros, o stress, a hipertensão arterial, a má nutrição, a baixa escolaridade e uma vida sedentária, tanto em termos mentais como físicos. Políticas públicas de prevenção são essenciais nesse sentido, bem como a participação mais efetiva da mídia no sentido de esclarecer a população em relação, principalmente a esses fatores. Orientação especial também se faz necessária tanto aos cuidadores como aos familiares de indivíduos que apresentam patologias dessa natureza. 

 

Apesar de não fácil fazer um diagnóstico preciso em relação às demências, é consenso ser fundamental determinar qual o tipo de demência, a fim de que o tratamento seja personalizado. Além disso, a identificação de indivíduos com potencial risco é fundamental, tanto em termos de prevenção como de posterior terapia. Também é importante levar em consideração que alguns fatores de risco são evitáveis, o que nos faz pensar que somos, em grande parte, responsáveis pela nossa futura saúde mental.

 

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::sobre o autor::

Edvaldo Soares é graduado em Filosofia - Faculdades Associadas do Ipiranga (1989), mestre em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1996) e doutor em Psicologia (Neurociências e Comportamento) pela Universidade de São Paulo (2003). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Neurociências e Comportamento, atuando principalmente nos seguintes temas: neurociências e comportamento, educação, neuropsicologia, envelhecimento humano e epistemologia. Atualmente coordena o Projeto de Pesquisa e Extensão "Memória e Envelhecimento Humano" e o Grupo de Neurociências e Comportamento, na FFC- Unesp - Campus de Marília SP.
 

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Envelhecimento Humano: Memória e Fatores de Risco 
Por
Edvaldo Soares
publicado em 17/09/2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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