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O número de idosos vem
crescendo cada vez mais no mundo e, no Brasil, em quatro
décadas o número de idosos praticamente duplicou, podendo
ser observado por meio das estatísticas.
Segundo Lima (200l, p.19), no
ano de 1960 havia apenas 4,7% de idosos no Brasil, em 1980
já somava 6,0% e, em 1991 era 7,0% já em 2000 chegou a 8,6%
.
Se o número de
idosos tende a aumentar, está surgindo uma possibilidade de
se pensar uma nova maneira de "ser velho". Ao oposto de
ficarem em casa isolados, eles participam em locais
recreativos tais como: bailes, centros de convivência e
universidades.
O envelhecimento
apresenta uma ampla variação nas formas como é vivido,
simbolizado e interpretado em cada sociedade. "Está se
vivendo um momento histórico e social proporcionado pelo
grande impacto da tecnologia e inovações, medicamentos novos
(antibióticos, penicilina), saneamento básico (esgotos,
entre outros), que favorecem a longevidade humana. Há um
grande crescimento do contingente de idosos decorrente da
baixa taxa de mortalidade". (Lima, 2001,18).
No momento atual
vê-se crescer a população idosa e junto com ela o aumento de
múltiplas exigências e necessidades para garantir uma vida
plena a estas pessoas. O abalo do envelhecer emerge com uma
força ainda desconhecida por aqueles que a vivenciam, de
sujeitos que tornam visível à possibilidade de modificação
da velhice, tirando rótulos e contestando os mitos.
Deve-se pensar que no futuro
não muito distante o lidar com atitudes e significados
frente aos idosos e a velhice deva ser uma questão
prioritária, procurando assim ajudá-los a construírem uma
realidade, encarando seus problemas e oferecendo reais
oportunidades de realização pessoal, social e profissional.
De acordo com os dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
(2000), o Estado do Tocantins possui o maior índice de
idosos da região Norte do país com 90.726.000, além da sua
capital ocupar o sexto lugar perante todas as capitais
brasileiras em violência e maus tratos a pessoa idosa.
A autora deste estudo ao
desenvolver um diálogo com a coletividade recebeu as
demandas acima citadas e procurou atribuir um tratamento
acadêmico como resposta para superar estas condições de
desigualdade e exclusão evidentes e ignoradas pelos governos
e sociedade perante esta faixa etária.
Em fevereiro de 2006, a
Universidade Federal do Tocantins por meio da Congregação de
Pedagogia assumiu o desafio de contribuir para a inclusão
social do cidadão e da cidadã de faixa etária igual ou acima
de 45 anos e criou o seu programa de educação inclusiva
denominada "Universidade da Maturidade", o qual destaca os
seus objetivos como sendo o de:
·
Incentivar esta
população a freqüentar a Universidade para adquirir
conhecimento científico conseqüentemente mais autonomia e
credibilidade para terem vez e voz com seus familiares,
sociedade e governos.
·
Contribuir para
a compreensão do lugar e do papel da pessoa de faixa etária
igual ou acima de 45 anos na sociedade, da importância deste
lutar por seus direitos, por uma melhor qualidade de vida e
por um novo status social, para ser respeitado.
·
Desenvolver
atividades intelectuais, culturais, criativas e científicas,
estabelecendo novas relações sociais desta pessoa com a
vida, propiciando o redescobrimento e o renascimento da sua
alegria de viver com dignidade.
·
Oferecer
conhecimentos de relações intergeracionais.
·
Abrir espaços de
realização continuada em termos de desenvolvimento de
projetos de ação comunitária e de assistência social.
Uma grade
curricular especial é oferecida no sentido de se conseguir
alcançar estes objetivos. Tal programação aborda e
considera, entre outros, a formação de um educador político
capaz de elaborar e participar de projetos de ação
comunitária e de assistência social dentro de três linhas
estabelecidas, a saber: Governo, Terceiro Setor e Sociedade.
O curso possui dezoito
meses de duração com carga horária de 360h/a e é dividido em
três módulos. O primeiro visa uma renovação cultural com as
disciplinas; Gerontologia, Direito, Políticas Sociais do
Envelhecimento, Formação de Monitores, Relações
Intergeracionais, Literatura, Informática, Oficina do Corpo,
Teatro Terapêutico e Ioga. Participação em eventos sobre
Envelhecimento Humano e Campanhas educativas.
No segundo módulo se
propõe uma avaliação no conceito de qualidade de vida diante
da constante mudança das pessoas, ou seja, por intermédio de
seu corpo, do seu modo de vestir, de pensar, da sua maneira
de ver o mundo, de se comunicar e de se relacionar. Neste
movimento é que o ser humano está continuamente estudando,
aprendendo e vivendo. Ele é capaz de aprender sempre e de se
adaptar a uma permanente transformação. As disciplinas
oferecidas: Gerontologia, Geriatria, Pesquisa-ação, Perdas
Necessárias em todas as idades, Informática, Hidroginástica
e Emprendedorismo Pessoal. Encerramento do projeto de
Relações Intergeracionais. Participação em Seminários de
Envelhecimento, Conferência Estadual de Defesa a Pessoa
Idosa, Desfile cívico e Dia Nacional do Idoso, Dia dos Avós.
No terceiro módulo
apresenta-se um roteiro para elaboração de novos saberes
práticos e pedagógicos para se construir um conhecimento
científico. Disciplinas oferecidas: Terceiro Setor,
Sociedade e Envelhecimento, Políticas Públicas e o Idoso,
Metodologia da Pesquisa, Estágio em instituições que
realizam trabalhos com envelhecimento humano, elaboração e
apresentação de um artigo científico com a temática
escolhida no decorrer do estágio. Lançamento da Revista da
UMA: A questão do envelhecimento está tatuada em mim...!
Outras atividades são
ofertadas: Participação em Torneios de Jogos Adaptados,
Palestras em escolas públicas e privadas sobre envelhecer
ativamente e festas de confraternização permitem ao aluno se
socializar e aumentar a capacidade de desapego, egoísmo e
controle que são características que se não forem
descobertas e trabalhadas favorecem um envelhecimento alegre
e participativo.
Conseqüentemente,
proposta da Universidade da Maturidade é uma educação
permanentemente aberta, ou seja, onde nenhum pré-requisito é
exigido para o ingresso, além daquele de ter a idade mínima
de 45 e saber ler e escrever.
Benefícios esperados dos
alunos da UMA no final do curso:
-
Adquirir a capacidade de
aproveitar o seu potencial criativo, inteligência e
valores.
-
Incidir sua curiosidade
para o mundo: a atualidade
-
Ligar a mente para o
moderno e o inédito
-
Buscar inovar o estilo de
vida
-
Ultrapassar estados
depressivos e sentimentos negativos
-
Oferecer serviços à
comunidade em que vive
-
Aprimorar continuamente
seus conhecimentos
-
Envolver-se em atividades
desportivas, culturais e de lazer.
-
Participar de movimentos
sociais, políticos e assistenciais.
-
Permanecer continuamente a
criar e a imaginar
-
Descobrir novas áreas de
interesses e a possibilidade de agir e produzir novas
tecnologias
-
Avaliação constante das
conquistas e satisfações, procurando estabelecer novos
planos e metas futuras.
Destarte, a Universidade da
Maturidade/UMA, constitui-se num local de aprendizagem
permanente e de convivência de quem já caminhou, caminha e
caminhará, sempre com muito a contribuir.
Os alunos formam um grupo
muito diversificado devido à história de vida de cada um,
suas experiências ao longo do tempo e da influência no local
geográfico onde moram, condições sociais e culturais. O
envolvimento deste público na construção do futuro está
sendo vital porque por um lado são testemunhos de um passado
e por outro tem o que dizer pela experiência e prudência
adquiridas ao longo de suas vidas.
Conclui-se com De Masi,
(2000) que ressalta que todo "o ócio pode transformar-se em
violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se
elevar para a arte, a criatividade e a liberdade. É no tempo
livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que
devemos concentrar nossas potencialidades.”.
Referências
Bibliográficas
De Mais, D. O Ócio Criativo,
Editora Sextante, 2000.
Lima, M. P. Gerontologia
Educacional, uma pedagogia especifica para o idoso.
Editora LTR, 2001.
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