.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 05/02/2007 21:39:04

 
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Universidade da Maturidade: uma proposta de educação inclusiva na Universidade Federal do Tocantins. Campus de Palmas/Pedagogia.  
Por
Neila Barbosa Osório, Luiz Sinésio Neto e Domingas Monteiro

 

O número de idosos vem crescendo cada vez mais no mundo e, no Brasil, em quatro décadas o número de idosos praticamente duplicou, podendo ser observado por meio das estatísticas.

Segundo Lima (200l, p.19), no ano de 1960 havia apenas 4,7% de idosos no Brasil, em 1980 já somava 6,0% e, em 1991 era 7,0% já em 2000 chegou a 8,6% .

            Se o número de idosos tende a aumentar, está surgindo uma possibilidade de se pensar uma nova maneira de "ser velho". Ao oposto de ficarem em casa isolados, eles participam em locais recreativos tais como: bailes, centros de convivência e universidades.  

           O envelhecimento apresenta uma ampla variação nas formas como é vivido, simbolizado e interpretado em cada sociedade. "Está se vivendo um momento histórico e social proporcionado pelo grande impacto da tecnologia e inovações, medicamentos novos (antibióticos, penicilina), saneamento básico (esgotos, entre outros), que favorecem a longevidade humana. Há um grande crescimento do contingente de idosos decorrente da baixa taxa de mortalidade". (Lima, 2001,18).

           No momento atual vê-se crescer a população idosa e junto com ela o aumento de múltiplas exigências e necessidades para garantir uma vida plena a estas pessoas. O abalo do envelhecer emerge com uma força ainda desconhecida por aqueles que a vivenciam, de sujeitos que tornam visível à possibilidade de modificação da velhice, tirando rótulos e contestando os mitos.

Deve-se pensar que no futuro não muito distante o lidar com atitudes e significados frente aos idosos e a velhice deva ser uma questão prioritária, procurando assim ajudá-los a construírem uma realidade, encarando seus problemas e oferecendo reais oportunidades de realização pessoal, social e profissional.

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2000), o Estado do Tocantins possui o maior índice de idosos da região Norte do país com 90.726.000, além da sua capital ocupar o sexto lugar perante todas as capitais brasileiras em violência e maus tratos a pessoa idosa.

A autora deste estudo ao desenvolver um diálogo com a coletividade recebeu as demandas acima citadas e procurou atribuir um tratamento acadêmico como resposta para superar estas condições de desigualdade e exclusão evidentes e ignoradas pelos governos e sociedade perante esta faixa etária.

     Em fevereiro de 2006, a Universidade Federal do Tocantins por meio da Congregação de Pedagogia assumiu o desafio de contribuir para a inclusão social do cidadão e da cidadã de faixa etária igual ou acima de 45 anos e criou o seu programa de educação inclusiva denominada "Universidade da Maturidade", o qual destaca os seus objetivos como sendo o de:

·        Incentivar esta população a freqüentar a Universidade para adquirir conhecimento científico conseqüentemente mais autonomia e credibilidade para terem vez e voz com seus familiares, sociedade e governos.

·        Contribuir para a compreensão do lugar e do papel da pessoa de faixa etária igual ou acima de 45 anos na sociedade, da importância deste lutar por seus direitos, por uma melhor qualidade de vida e por um novo status social, para ser respeitado.

·        Desenvolver atividades intelectuais, culturais, criativas e científicas, estabelecendo novas relações sociais desta pessoa com a vida, propiciando o redescobrimento e o renascimento da sua alegria de viver com dignidade.

·        Oferecer conhecimentos de relações intergeracionais.

·        Abrir espaços de realização continuada em termos de desenvolvimento de projetos de ação comunitária e de assistência social.

                  Uma grade curricular especial é oferecida no sentido de se conseguir alcançar estes objetivos. Tal programação aborda e considera, entre outros, a formação de um educador político capaz de elaborar e participar de projetos de ação comunitária e de assistência social dentro de três linhas estabelecidas, a saber: Governo, Terceiro Setor e Sociedade.

     O curso possui dezoito meses de duração com carga horária de 360h/a e é dividido em três módulos. O primeiro visa uma renovação cultural com as disciplinas; Gerontologia, Direito, Políticas Sociais do Envelhecimento, Formação de Monitores, Relações Intergeracionais, Literatura, Informática, Oficina do Corpo, Teatro Terapêutico e Ioga. Participação em eventos sobre Envelhecimento Humano e Campanhas educativas.

     No segundo módulo se propõe uma avaliação no conceito de qualidade de vida diante da constante mudança das pessoas, ou seja, por intermédio de seu corpo, do seu modo de vestir, de pensar, da sua maneira de ver o mundo, de se comunicar e de se relacionar. Neste movimento é que o ser humano está continuamente estudando, aprendendo e vivendo. Ele é capaz de aprender sempre e de se adaptar a uma permanente transformação. As disciplinas oferecidas: Gerontologia, Geriatria, Pesquisa-ação, Perdas Necessárias em todas as idades, Informática, Hidroginástica e Emprendedorismo Pessoal. Encerramento do projeto de Relações Intergeracionais. Participação em Seminários de Envelhecimento, Conferência Estadual de Defesa a Pessoa Idosa, Desfile cívico e Dia Nacional do Idoso, Dia dos Avós.

    No terceiro módulo apresenta-se um roteiro para elaboração de novos saberes práticos e pedagógicos para se construir um conhecimento científico. Disciplinas oferecidas: Terceiro Setor, Sociedade e Envelhecimento, Políticas Públicas e o Idoso, Metodologia da Pesquisa, Estágio em instituições que realizam trabalhos com envelhecimento humano, elaboração e apresentação de um artigo científico com a temática escolhida no decorrer do estágio. Lançamento da Revista da UMA: A questão do envelhecimento está tatuada em mim...!

  Outras atividades são ofertadas: Participação em Torneios de Jogos Adaptados, Palestras em escolas públicas e privadas sobre envelhecer ativamente e festas de confraternização permitem ao aluno se socializar e aumentar a capacidade de desapego, egoísmo e controle que são características que se não forem descobertas e trabalhadas favorecem um envelhecimento alegre e participativo.

       Conseqüentemente, proposta da Universidade da Maturidade é uma educação permanentemente aberta, ou seja, onde nenhum pré-requisito é exigido para o ingresso, além daquele de ter a idade mínima de 45 e saber ler e escrever.

     Benefícios esperados dos alunos da UMA no final do curso:

  • Adquirir a capacidade de aproveitar o seu potencial criativo, inteligência e valores.

  • Incidir sua curiosidade para o mundo: a atualidade

  • Ligar a mente para o moderno e o inédito

  • Buscar inovar o estilo de vida

  • Ultrapassar estados depressivos e sentimentos negativos

  • Oferecer serviços à comunidade em que vive

  • Aprimorar continuamente seus conhecimentos

  • Envolver-se em atividades desportivas, culturais e de lazer.

  • Participar de movimentos sociais, políticos e assistenciais.

  • Permanecer continuamente a criar e a imaginar

  • Descobrir novas áreas de interesses e a possibilidade de agir e produzir novas tecnologias

  • Avaliação constante das conquistas e satisfações, procurando estabelecer novos planos e metas futuras.

Destarte, a Universidade da Maturidade/UMA, constitui-se num local de aprendizagem permanente e de convivência de quem já caminhou, caminha e caminhará, sempre com muito a contribuir.

Os alunos formam um grupo muito diversificado devido à história de vida de cada um, suas experiências ao longo do tempo e da influência no local geográfico onde moram, condições sociais e culturais. O envolvimento deste público na construção do futuro está sendo vital porque por um lado são testemunhos de um passado e por outro tem o que dizer pela experiência e prudência adquiridas ao longo de suas vidas.

     Conclui-se com De Masi, (2000) que ressalta que todo "o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se elevar para a arte, a criatividade e a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades.”.

Referências Bibliográficas

De Mais, D. O Ócio Criativo, Editora Sextante, 2000.

 Lima, M. P. Gerontologia Educacional, uma pedagogia especifica para o idoso. Editora LTR, 2001.

 

Prof. Dra. Neila Barbosa Osório neilaosorio@uft.edu.br autora e apresentadora do projeto. Luiz Sinésio Neto – Secretário e docente UMA/UFT  luizneto@uft.edu.br . Domingas Monteiro - pós graduanda em Gerontologia da UFT e docente da UMA.



 

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