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Revista Partes - Ano V - 27/11/2006 20:29:16

 
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Envelhecimento: mitos e verdades 

Por Fátima de Jesus Teixeira

Colaboradoras: Elisa Aparecida Gonçalves Moreira e Silvana Ladeira de Oliveira

 A população idosa está crescendo!

O aumento da longevidade da população brasileira é um fato revelado ano após ano nas pesquisas do IBGE. Verificamos esta tendência ao compararmos o número de brasileiros com 60 anos e mais com o de crianças com menos de cinco anos.

Em 1981, para cada 100 crianças nessa faixa etária, havia 48,3 idosos. Esses dados vêm se alterando e a partir de 2002 o número de idosos passou a ser maior do que as crianças.

Atualmente o país tem 120 idosos para cada 100 crianças!

A principal explicação para esse fenômeno é a queda na taxa de fecundidade da mulher brasileira. Hoje o número de filhos por mulher é de 2,1. Outras razões podem ser encontradas no desenvolvimento de políticas de saneamento básico, na eficácia no combate a moléstias infecciosas e doenças degenerativas típicas da velhice, e ainda na divulgação de hábitos saudáveis de vida que previnem essas enfermidades, aumentando assim a expectativa de vida dos mais idosos.

Este quadro nos leva ao desafio de pensar a oferta de políticas públicas voltadas para esta realidade e principalmente desconstruir a imagem negativa da velhice e do envelhecimento.

A sociedade moderna ao cultuar valores do progresso, da inovação, da juventude e principalmente do consumo, produziu preconceitos, mitos e indiferenças a respeito do envelhecer que devemos superar, porque mais importante do que viver muito é viver bem!

 

MITOS E VERDADES SOBRE O ENVELHECIMENTO 

 Mito: A velhice começa aos 60 anos.

Verdade: Para fins de proteção, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que a velhice se inicia aos 60 anos nos países em desenvolvimento (a idade sobe para 65 nos desenvolvidos). É sabido, no entanto, que a velhice NÃO começa em uma idade cronológica, nem ocorre de forma igual para todas as pessoas. Fruto de nossos hábitos e costumes, o envelhecimento é um processo pessoal e também difere de época para época. No começo dos anos 40, por exemplo, era considerada velha uma pessoa de pouco mais de 50 anos de idade, que a expectativa de vida da população brasileira era de 45 anos. Hoje essa expectativa subiu para 71 anos, sendo que é maior para as mulheres - 75,2 anos e 67,6 anos para os homens!

O Envelhecimento é um processo pessoal e difere de pessoa para pessoa, de classe social para classe social e de época para época.

 

Mito: O Velho não produz.

Verdade: O velho é detentor de conhecimento, experiência e visão ampla do mundo, tendo condições de participar no mercado de trabalho, contribuindo com sua experiência e conhecimento acumulados ao longo dos anos. Não é o jovem que produz e consome, o idoso pode exercer outras atividades produtivas e se tiver recursos, também vai consumir.

 

Mito: A velhice é feia.

Verdade: É evidente que com o decorrer do tempo o ser humano vai perdendo o frescor da juventude e a beleza exterior, tão valorizada em nossa sociedade.

A beleza, no entanto, assim como a velhice, é um conceito efêmero que muda de geração para geração. O belo de hoje é muito diferente do belo de séculos passados. Atualmente, no entanto, valoriza-se, até com certo exagero, a beleza juvenil. Esconde-se, por outro lado, a beleza da idade, refletida não apenas no ar de sensatez, sabedoria e sobriedade, mas também nas rugas e nos cabelos brancos como marcas do tempo. Não é difícil ver pessoas com cabelos grisalhos nas ruas? Por que tanta gente recorre à cirurgia plástica na face?Para os meios de comunicação social, a literatura, o teatro, os jovens são sempre os galãs, os mocinhos. A fada aparece como uma bela jovem. a bruxa é uma velha horrenda.

Essas formas de discriminação, felizmente, estão sendo combatidas com iniciativas diversas. Um exemplo é um calendário que fez enorme sucesso no mundo todo. Criado por um grupo de senhoras da pequena e conservadora cidade de Knapely, que fica no norte da Inglaterra, ele apresenta as próprias em fotos artísticas mostrando seus corpos seminus com sensualidade, charme, discrição, elegância e beleza superando valores e preconceitos.

 

Mito: O envelhecimento acarreta perda da memória.

Verdade: Os efeitos do envelhecimento sobre a memória não são inevitáveis nem irreversíveis. As pessoas possuem capacidade de recordar em qualquer idade, desde que exercitem a memória. O jovem também esquece, também se engana e ainda age muitas vezes de maneira ilógica

Mito: A velhice é uma etapa totalmente negativa.

Verdade: A maioria dos idosos não tem limitações, nem suas vidas são negativas e dependentes.  Uma pessoa idosa possui várias experiências, conhecimentos e saberes que um jovem não pode ter, mas este possui a força e a vitalidade que o velho carece. Se a sociedade valorizar unicamente o vigor físico, o idoso fica em desvantagem. O importante numa sociedade democrática e pluralista é respeitar a condição do idoso, sua experiência e conhecimento da vida, equilibrando com a capacidade de inovação, iniciativa e vitalidade do jovem.  

Mito: Idoso gosta de bingo e baile.

Verdade: O baile traz a possibilidade de relembrar e reviver momentos prazerosos, desenvolver a sociabilidade, as habilidades e talentos, promover a atividade física por meio da dança, estimular a sensualidade, desenvolver o gosto pela música e soltar a imaginação e fantasia. Esta atividade não se restringe apenas aos idosos, ela tem efeitos positivos em qualquer faixa etária.

O bingo pode ser um excelente espaço de sociabilidade quando promovido com o objetivo de diversão e integração comunitária. Quando a atividade se caracteriza como comercial pode levar ao vício, isolamento e perdas materiais, que são aspectos negativos em qualquer faixa etária. Estas diferenças, portanto, devem ser consideradas. 

Mito: Velhice é doença.

Verdade: Há muitos meios de prevenir doenças e preservar a saúde física e mental. Existem doenças que se manifestam na velhice, mas podem ter sido adquiridas na infância e se agravaram ao longo da vida. O envelhecimento com qualidade depende da prevenção, de cuidados e hábitos saudáveis cultivados desde os primeiros anos de vida.  

Mito: O velho é ranzinza.

Verdade: A pessoa que possui características como teimosia, rigidez, mau humor, é considerado ranzinza e pode tê-las acentuada na velhice. No entanto, estes comportamentos não são exclusivos da pessoa idosa. Ela é prudente e experimentada na vida, e cede quando percebe a irracionalidade. 

Mito: O envelhecimento traz impotência sexual.

Verdade: Esse é o mito mais presente, basta observar o apelo da mídia, da TV e do cinema. Hoje os médicos, psicólogos e sexólogos já desmistificaram esse assunto tão importante para a pessoa em todas as etapas da vida. O corpo muda, mas a sexualidade continua, a sensibilidade fica refinada e mais bela. Daí a importância da manutenção dos cuidados preventivos em relação as doenças sexualmente transmissíveis, garantindo assim o sexo seguro e reverter estatísticas que apresentam altos índices de AIDS entre os idosos.  

Assim citamos alguns mitos atribuídos às pessoas idosas, as quais terminam aceitando-os e assumindo uma posição submissa, o que as leva ao isolamento.

È urgente que o idoso assuma seu papel na sociedade e não aceite as imposições familiares e sociais, supere os mitos e preconceitos para viver a velhice na sua plenitude. 

 

Bibliografia: 

MELO, O. V. O Idoso Cidadão. São Paulo. AM Edições, 1996.

MORAGAS, R. Gerontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. São

      Paulo, Edições Paulinas, 1997

Fátima Teixeira (foto), Elisa Aparecida Gonçalves Moreira e Silvana Ladeira de Oliveira são profissionais da Prefeitura do Município de São Paulo



 

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