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A
população
idosa
está
crescendo!
O
aumento
da
longevidade
da
população
brasileira
é um
fato
revelado
ano
após
ano
nas
pesquisas
do IBGE. Verificamos esta
tendência
ao compararmos o
número
de
brasileiros
com
60
anos
e mais
com
o de
crianças
com
menos
de
cinco
anos.
Em
1981, para
cada
100
crianças
nessa
faixa
etária,
havia 48,3
idosos.
Esses
dados
vêm se alterando e a
partir
de 2002 o
número
de
idosos
passou a ser
maior
do que
as
crianças.
Atualmente
o país
já
tem 120
idosos
para
cada
100
crianças!
A
principal
explicação
para
esse
fenômeno
é a queda
na taxa
de
fecundidade
da
mulher
brasileira.
Hoje
o
número
de
filhos
por
mulher
é de 2,1. Outras
razões
podem ser
encontradas no
desenvolvimento
de
políticas
de
saneamento
básico,
na
eficácia
no combate
a
moléstias
infecciosas e
doenças
degenerativas típicas da velhice, e
ainda
na
divulgação
de
hábitos
saudáveis
de
vida
que
previnem essas
enfermidades,
aumentando
assim
a
expectativa
de
vida
dos
mais
idosos.
Este
quadro
nos
leva
ao desafio
de pensar
a
oferta
de
políticas
públicas voltadas
para
esta
realidade e
principalmente
desconstruir
a
imagem
negativa
da velhice e do envelhecimento.
A
sociedade
moderna
ao cultuar
valores
do
progresso,
da
inovação,
da juventude
e
principalmente
do
consumo,
produziu
preconceitos,
mitos
e
indiferenças
a
respeito
do
envelhecer
que
devemos
superar,
porque
mais
importante
do que
viver
muito
é viver
bem!
MITOS E
VERDADES SOBRE
O ENVELHECIMENTO
Mito:
A velhice
começa
aos 60
anos.
Verdade:
Para
fins
de
proteção,
a
Organização
Mundial da
Saúde
(OMS) definiu
que
a velhice se inicia aos 60
anos
nos
países
em
desenvolvimento
(a
idade
sobe
para
65
nos
desenvolvidos).
É
sabido,
no
entanto,
que
a velhice
NÃO
começa
em
uma
idade
cronológica,
nem
ocorre de
forma
igual
para
todas as
pessoas.
Fruto
de
nossos
hábitos
e
costumes,
o envelhecimento é
um
processo
pessoal
e
também
difere de
época
para
época.
No
começo
dos
anos
40,
por
exemplo,
era
considerada
velha
uma pessoa
de
pouco
mais
de 50
anos
de
idade,
já
que
a
expectativa
de
vida
da
população
brasileira
era
de 45
anos.
Hoje
essa
expectativa
subiu para
71
anos,
sendo
que é
maior
para
as
mulheres
- 75,2
anos
e 67,6
anos
para
os
homens!
O
Envelhecimento é
um
processo
pessoal
e difere de
pessoa
para
pessoa,
de classe
social
para
classe
social
e de época
para
época.
Mito:
O
Velho
não
produz.
Verdade:
O
velho
é
detentor
de
conhecimento,
experiência
e
visão
ampla
do
mundo,
tendo
condições
de
participar
no
mercado
de trabalho,
contribuindo
com
sua
experiência
e
conhecimento
acumulados ao
longo
dos
anos.
Não
é só
o
jovem
que
produz e consome, o
idoso
pode
exercer
outras
atividades
produtivas e se tiver
recursos,
também
vai consumir.
Mito:
A velhice é
feia.
Verdade:
É
evidente
que
com
o decorrer
do
tempo
o ser
humano
vai perdendo o
frescor
da juventude
e a beleza
exterior,
tão
valorizada
em
nossa
sociedade.
A
beleza,
no
entanto,
assim
como
a velhice, é
um
conceito
efêmero
que
muda
de
geração
para
geração.
O belo
de
hoje
é
muito
diferente
do
belo
de
séculos
passados.
Atualmente,
no
entanto,
valoriza-se,
até
com
certo
exagero,
a beleza
juvenil.
Esconde-se,
por
outro
lado,
a beleza
da
idade,
refletida
não
apenas
no ar
de
sensatez,
sabedoria
e
sobriedade,
mas
também
nas
rugas
e nos
cabelos
brancos
como
marcas
do
tempo.
Não
é
difícil
ver
pessoas
com
cabelos
grisalhos
nas
ruas?
Por
que
tanta
gente
recorre à
cirurgia
plástica
na
face?Para
os
meios
de
comunicação
social,
a literatura,
o
teatro,
os
jovens
são
sempre
os
galãs,
os
mocinhos.
A fada
aparece
como
uma
bela
jovem.
Já
a bruxa
é uma
velha
horrenda.
Essas
formas
de
discriminação,
felizmente,
estão sendo combatidas
com
iniciativas
diversas.
Um
exemplo
é um
calendário
que
fez
enorme
sucesso
no
mundo
todo.
Criado
por
um
grupo
de
senhoras
da
pequena
e conservadora
cidade
de
Knapely,
que
fica no
norte da
Inglaterra,
ele
apresenta as próprias
em
fotos
artísticas mostrando
seus
corpos
seminus
com
sensualidade,
charme,
discrição,
elegância
e beleza
superando
valores
e
preconceitos.
Mito:
O envelhecimento
acarreta
perda
da
memória.
Verdade:
Os
efeitos
do envelhecimento
sobre
a
memória
não
são
inevitáveis
nem
irreversíveis.
As
pessoas
possuem
capacidade
de recordar
em
qualquer
idade,
desde
que
exercitem a
memória.
O
jovem
também
esquece,
também
se
engana
e
ainda
age muitas
vezes
de
maneira
ilógica.
Mito:
A velhice é uma
etapa
totalmente
negativa.
Verdade:
A
maioria
dos
idosos
não
tem
limitações,
nem
suas
vidas
são
negativas
e
dependentes.
Uma pessoa
idosa
possui várias
experiências,
conhecimentos
e
saberes
que
um
jovem
não
pode ter,
mas
este
possui a
força
e a
vitalidade
que
o
velho
carece. Se a
sociedade
valorizar
unicamente o
vigor
físico,
o
idoso
fica
em
desvantagem.
O
importante
numa
sociedade
democrática
e pluralista é
respeitar
a
condição
do
idoso,
sua
experiência
e
conhecimento
da
vida,
equilibrando
com
a
capacidade
de
inovação,
iniciativa
e
vitalidade
do
jovem.
Mito:
Idoso
só
gosta
de
bingo
e
baile.
Verdade:
O baile traz a possibilidade de relembrar e
reviver momentos prazerosos, desenvolver a sociabilidade, as
habilidades e talentos, promover a atividade física por meio
da dança, estimular a sensualidade, desenvolver o gosto pela
música e soltar a imaginação e fantasia. Esta atividade não
se restringe apenas aos idosos, ela tem efeitos positivos em
qualquer faixa etária.
O bingo pode
ser um excelente espaço de sociabilidade quando promovido
com o objetivo de diversão e integração comunitária. Quando
a atividade se caracteriza como comercial pode levar ao
vício, isolamento e perdas materiais, que são aspectos
negativos em qualquer faixa etária. Estas diferenças,
portanto, devem ser consideradas.
Mito:
Velhice é doença.
Verdade:
Há muitos meios de prevenir doenças e
preservar a saúde física e mental. Existem doenças que se
manifestam na velhice, mas podem ter sido adquiridas na
infância e se agravaram ao longo da vida. O envelhecimento
com qualidade depende da prevenção, de cuidados e hábitos
saudáveis cultivados desde os primeiros anos de vida.
Mito:
O velho é ranzinza.
Verdade:
A pessoa que possui características como teimosia,
rigidez, mau humor, é considerado ranzinza e pode tê-las
acentuada na velhice. No entanto, estes comportamentos não
são exclusivos da pessoa idosa. Ela é prudente e
experimentada na vida, e cede quando percebe a
irracionalidade.
Mito:
O envelhecimento traz impotência sexual.
Verdade:
Esse é o mito mais presente, basta
observar o apelo da mídia, da TV e do cinema. Hoje os
médicos, psicólogos e sexólogos já desmistificaram esse
assunto tão importante para a pessoa em todas as etapas da
vida. O corpo muda, mas a sexualidade continua, a
sensibilidade fica refinada e mais bela. Daí a importância
da manutenção dos cuidados preventivos em relação as doenças
sexualmente transmissíveis, garantindo assim o sexo seguro e
reverter estatísticas que apresentam altos índices de AIDS
entre os idosos.
Assim
citamos alguns mitos atribuídos às pessoas idosas, as quais
terminam aceitando-os e assumindo uma posição submissa, o
que as leva ao isolamento.
È urgente
que o idoso assuma seu papel na sociedade e não aceite as
imposições familiares e sociais, supere os mitos e
preconceitos para viver a velhice na sua plenitude.
Bibliografia:
MELO, O. V.
O Idoso Cidadão. São Paulo. AM Edições, 1996.
MORAGAS, R.
Gerontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. São
Paulo,
Edições Paulinas, 1997 |