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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 04 de outubro de 2008 23:59:47                                               

 
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TERCEIRA IDADE
Análise da aptidão física de idosos portadores de insuficiência renal crônica    

Rodrigo de Rosso Krug¹ ;Moane Marchesan²; Marilia de Rosso Krug³;

publicado em 04/10/2008

 

 

Resumo 

O objetivo deste estudo, do tipo quantitativo descritivo diagnóstico, foi analisar a aptidão física dos pacientes idosos com insuficiência renal crônica (IRC) que faziam Hemodiálise (HD) na clínica renal do hospital Santa Lúcia de Cruz Alta – RS. Participaram do mesmo 12 pacientes com IRC, com idades entre 55 e 73 anos, com 32,9 meses de média de tempo de HD, sendo 10 pacientes do gênero masculino e 2 do feminino. Os instrumentos utilizados nesta pesquisa foram: os testes de sentar e levantar em 1 minuto e em 30 segundos, para determinar a resistência muscular de membros inferiores; teste de abdominal Eurofit, para a determinação da resistência muscular localizada de abdômen; teste de sentar e alcançar, para determinar a flexibilidade; e teste de caminhada de seis minutos (T6), para determinação da resistência aeróbia. Os dados foram tratados através da estatística descritiva (média, desvio padrão, valor máximo e valor mínimo). Os pacientes idosos com IRC apresentaram uma baixa aptidão física quando comparados a zona ideal para boa saúde. Desta forma foi possível concluir que é necessária a prescrição de exercícios que incluam força/RML, flexibilidade e resistência aeróbia para que os mesmos aumentem estas variáveis.

 

Palavras chaves: Insuficiência renal crônica, hemodiálise, Aptidão Física, Idosos.

 

Introdução

 

A velhice traz consigo a redução da aptidão física, da capacidade funcional, da massa óssea e muscular, da elasticidade, o aumento de peso, a maior lentidão nos movimentos e doenças crônicas (SALVADOR, KALININE, 2007). Dentre essas doenças está a Insuficiência Renal Crônica (IRC).

A IRC resulta da perda progressiva e irreversível, da função renal perdendo um número cada vez maior de néfrons. Em indivíduos normais o número total de néfrons é de aproximadamente 2.000.000, já em portadores de IRC esse valor pode se reduzir em até 75%, tendo como conseqüência uma diminuição gradual da função renal global (GUYTON; HALL, 2002).

A IRC trás como principal característica, de acordo com Moreira et al (1997), a atrofia do músculo, com conseqüente redução na força muscular e fraqueza generalizada o que leva a uma diminuição da tolerância a exercícios físicos.

Painter e Hanson (1987) citam que a diminuição da tolerância aos exercícios físicos, dos pacientes em hemodiálise (HD), pode ser, também, em decorrência de uma interação alterada nos mecanismos de transporte e de extração de oxigênio (O2), já que o transporte de O2 para o músculo, em exercício, é determinado pela freqüência cardíaca, pelo volume sistólico e conteúdo arterial de oxigênio. Na IRC ocorre uma redução no débito cardíaco, um bloqueio da freqüência cardíaca máxima e uma diminuição do conteúdo arterial de O2. Além destas complicações, Painter (1994), acrescenta a insuficiência cardíaca congestiva e as pneumonias urêmicas. Estas complicações fisiológicas são os principais fatores determinantes da inatividade física que, segundo o mesmo autor citado anteriormente, é unanimidade entre estes pacientes, o que gera um descondicionamento limitando-o cada vez mais, e dificultando ainda mais a sua recuperação.

Devido a todas estas conseqüências o paciente com IRC terá uma diminuição da aptidão física, além da que teria somente por ser sedentário, comprometendo mais ainda a saúde do mesmo (MEDEIROS et al, 2002), acrescentando-se a isso o fato de este sujeito também ser idoso o que acarreta ainda mais a diminuição da aptidão física da população deste estudo.

A aptidão física é parte integrante da aptidão total, estando estreitamente relacionada com a capacidade do paciente com IRC realizar suas atividades de vida diária, resultando assim em uma melhora da qualidade de vida do mesmo (LIANZA, 1995).

Casaburi (2004) ressalta que mesmo realizando a HD o paciente com IRC freqüentemente apresenta um baixo nível de aptidão física. Desta forma justifica-se este estudo que teve como objetivo analisar a aptidão física dos pacientes idosos com IRC da clinica renal do hospital Santa Lúcia de Cruz Alta – RS. Estes dados servirão de subsídios para implementação de um programa de atividades físicas voltadas a reabilitação da referida população

 

Metodologia

 

         Participaram deste estudo de caráter descritivo diagnóstico 12 portadores de IRC, que realizavam HD na Clínica Renal do Hospital Santa Lúcia da cidade de Cruz Alta – RS, sendo 10 do gênero masculino e 2 do feminino, com idades entre 55 e 73 anos, com média de 32,9 meses de tratamento hemodialítico.

Após o convite do médico responsável pela Clinica Renal do Hospital Santa Lúcia para participar do projeto transdisciplinar de reabilitação dos pacientes com IRC da referida clínica, entrou-se em contato com os mesmos para explicar-lhes os procedimentos para realização dos testes. Todos os voluntários em participar do estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.

Esta pesquisa foi conduzida segundo a resolução específica do Conselho Nacional de Saúde (196/96), sendo aprovado no Comitê de Ética da UNICRUZ com o registro CEP/UNICRUZ 001/07.

Os testes foram realizados na clinica citada anteriormente, com a utilização dos seguintes instrumentos e procedimentos:

         Para determinação da resistência muscular de membros inferiores utilizou-se, o teste de sentar e levantar em 1 minuto e em 30 segundos, que foi realizado com auxilio de uma cadeira, onde os sujeitos com os braços esticados à frente, realizaram o movimento de senta e levanta, interrompendo quando houve fadiga.

         Utilizou-se o teste de força abdominal do Eurofit para adultos (1995) para a determinação da resistência muscular de abdômen, neste teste a pessoa avaliada deitou-se de costas com as pernas flexionadas a 90º e os pés apoiados pelo examinador, no primeiro nível, os braços da pessoa encontram-se estendidos e as palmas das mãos estão sobre os músculos das coxas, então se executa cinco repetições, no segundo nível os braços são cruzados junto ao peito de forma que as mãos toquem os ombros contrários, e também se realiza 5 repetições, no ultimo nível coloca-se as pontas dos dedos das mãos atrás das orelhas, e realiza-se 5 repetições.

O teste de sentar e alcançar proposto Wells e Dillon (1952) apud Carnaval (2002), com a utilização do Banco de Wells e Dillon da marca cardiomed com precisão de 1 cm foi utilizado para determinação da flexibilidade.

O teste de caminhada de seis minutos (T6), utilizado para determinação da resistência aeróbica (SULLIVAN; HAWTHORNE, 1995; OPASICH; PINNA; MAZZA, 2001), foi realizado no corredor do Hospital Santa Lucia, que foi demarcado metro a metro. À distância percorrida foi calculada a partir do número de voltas realizadas no tempo estipulado, no corredor demarcado para tal (ida e volta no corredor que media 64 metros). O paciente percorreu está distância, impondo o seu próprio ritmo de passada.

Os dados quantitativos foram analisados com a utilização da estatística descritiva através do uso do programa Microsoft Excel, sendo descritas em função de sua média, desvio padrão, valor máximo e mínimo.

 

Resultados e discussões

 

         Na Tab1 encontram-se os resultados nas variáveis flexibilidade, resistência muscular localizada de abdômen e de membros inferiores, e resistência aeróbia dos pacientes idosos com IRC da Clinica Renal do Hospital Santa Lúcia de Cruz Alta/RS.

 

TABELA 1- Média(x), Desvio Padrão(s), valor máximo e valor mínimo.

Variáveis

X ± s

Valor mínimo

Valor máximo

Flexibilidade

10,05 ± 8,76

0

30

RML Abdominal

3,50 ± 3,95

0

10

RML MM II

13,70 ± 7,70

4

31

Resistência Aeróbia

326,90 ± 181,89

48

581

 

         Analisando os valores apresentados na tabela 1 e comparando com valores de referência, para idosos, notaram-se, em todas as variáveis, valores bem abaixo do indicado para zona de boa saúde.

A flexibilidade é a característica física que determina a amplitude dos movimentos das articulações do corpo. Segundo Nahas (2003), pessoas com boa flexibilidade movem-se com maior facilidade e tendem a sofrer menos problemas de dores e lesões musculares e articulares, particularmente na região lombar, inversamente do que ocorre aos indivíduos com pouca flexibilidade. Desta forma torna-se de fundamental importância que os pacientes idosos com IRC realizem exercícios de flexibilidade, pois os menos apresentaram uma classificação muito pequena, de acordo com a tabela proposta por Pollock, Wilmore e Fox (1978), fato este explicado por Achour Jr. (2004) que afirma que isto se deve a alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento, como a diminuição de elasticidade das estruturas do tecido conjuntivo, ou seja, pessoas com mais idade tem sua flexibilidade diminuida

         Segundo Nahas, (2003), uma boa condição muscular proporciona a realização das atividades de vida diária com mais eficiência, menos fadiga e diminuí o risco de lesões, ajuda na manutenção da postura, proteção das articulações, evitando as dores nas costas (lombalgias) e ajuda a prevenir quedas a partir da meia idade. Considerando que os pacientes idosos com IRC apresentaram uma classificação baixa na RML de abdomem (EUROFIT, 1995) e regular na RML de membros inferiores (POLLOCK; WILMORE; FOX 1978) sugere-se a realização de atividades que favoreçam o desenvolvimento destas variáveis.

Em qualquer trabalho físico ou em qualquer tipo de atividade, é extremamente importante o desenvolvimento da RML, já que os músculos têm papel fundamental na sustentação do nosso corpo e manutenção deste em atividades diárias, como colocado por Matos e Neira (2000).

Pickles et al. (2002) ressalta que é fundamental que se desenvolva a RML, especialmente em pessoas de idade mais avançada, que é o caso dos participantes deste estudo que apresentaram uma classificação muito ruim da RML, o que vem a concordar com a literatura, pois estas pessoas tendem a diminuir substancialmente a massa muscular e, conseqüentemente, a RML em decorrência da idade.

A resistência aeróbia dos sujeitos estudados foi determinada através do teste de caminhada de 6 minutos. Este teste vem sendo utilizado como uma alternativa para avaliar a capacidade física em pacientes com IRC. O mesmo mede a distância máxima que um indivíduo pode andar por conta própria durante 6min. É o avaliado que escolhe a velocidade em que anda.

Analisando a média dos valores obtidos, no presente estudo, e comparando com os níveis proposto por Oliveira Jr; Guimarães e Barretto (1996) notou-se que os mesmo encontram-se no nível 2. Este resultado foi considerado ruim, vindo de encontro com a literatura pois além deles serem idosos segundo Medeiros e Meyer, (2001) estes pacientes apresentam um baixo desempenho em exercícios físicos de resistência devido à capacidade reduzida de transporte do oxigênio, a anemia e a capacidade prejudicada de consumir oxigênio devido a fraqueza e as mudanças estruturais e funcionais, características desta doença.

 

Conclusão

 

         Após a analise dos dados foi possível concluir que os pacientes idosos com IRC, que faziam HD na Clinica Renal do Hospital Santa Lúcia tem uma baixa aptidão física.

Desta forma este estudo, de diagnostico da aptidão física desta população, é um ponto de partida para a construção de novas ações. Estes resultados podem direcionar a prescrição e orientação de exercícios para a melhora destas variáveis, que com certeza contribuirão para a reabilitação destes sujeitos.

 

Referências

 

ACHOUR JR., Abdallah. Flexibilidade e Alongamento: saúde e bem estar. Barueri: Manole, 2004.

CARNAVAL, P. E. Medidas e Avaliação: em Ciências do Esporte. Rio de Janeiro. Sprint. 2002.

CASABURI, R. Treinamento de Exercício Reabilitativo em Pacientes submetidos a diálise. In: KOPPLE; MASSRY. Cuidados Nutricionais Das Doenças Renais. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. Capítulo 34, p. 547-562

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2002.

LIANZA, S. Medicina de reabilitação. 2. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995.

MEDEIROS, R. H. et al. Aptidão física de indivíduo com doença renal crônica. Jornal Brasileiro de Nefrologia. v. 24, n. 2, p. 81-7, 2002.

MINISTÉRIO DE EDUCACIÓN Y CULTURA. Eurofit para adultos- evaluación de la aptitud física en relación con la salud. Tampere, Finlandia. 1995.

MOREIRA, P. R.; et al.Avaliação da Capacidade Aeróbica de Pacientes em Hemodiálise. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v. 3, p. 1-5, 1997.

NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida. Londrina: Midiograf. 2003.

OLIVEIRA JR, M. T.; GUIMARÃES, G. V. BARRETTO, A.C.M. Teste de 6 Minutos em Insuficiência Cardíaca. São Paulo: Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1996.

PAINTER, P.L.; HANSON, P.A. Model for clinical exercise prescription: application to hemodialysis patients.  Journal of Cardiopulmonary Rehabilitation, [S.I.], n.7, p.177-182, dez. 1987.

PAINTER, P. L. The importance of Exercise Training in Rahabilitation of Patientes witc End-Stage Rena Disease. Journal Kidney Dis. v. 24, n. 1, p. 2-9, 1994.

POLLOCK, M.L; WILMORE, J.M.; FOX, S.M. Health and fitness through physical activity. John Wiley e Sons. New York: 1978.

WELLS, K. F.; DILLON, E. K. The sit and reach a test os back leg flexibility. Research quarterly. V 23 n. 1, 1952.


 

[1] Licenciado em Educação Física, aluno do curso de Especialização em Ciências do Movimento Humano (UNICRUZ) e aluno do curso de Especialização em Educação Física Escolar (UFSM). rodkrug@bol.com.br

2 Licenciada em Educação Física, Fisioterapeuta, Especialista em Saúde Coletiva (UNICRUZ) e aluna do Curso de Mestrado em Educação Física (UFPEL). moedfisio@yahoo.com.br

3 Mestre em Ciências do Movimento Humano (UFSM) e professora da UNICRUZ. mrkrug@bol.com.br

 
 
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2 Licenciada em Educação Física, Fisioterapeuta, Especialista em Saúde Coletiva (UNICRUZ) e aluna do Curso de Mestrado em Educação Física (UFPEL). moedfisio@yahoo.com.br

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