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Nos
últimos
quatro
anos estive envolvida
com uma
pesquisa
que teve
como
objetivo
conhecer
como é o
cotidiano dos
idosos
que trabalham e acho
importante
compartilhar
com os
leitores da
Revista
Partes
alguns
resultados.
Para esta
investigação
foram entrevistados
homens
e
mulheres
de
baixa
renda
que
trabalham nas
ruas
de
Belo
Horizonte
como
catadores de
material
reciclável,
engraxates,
camelôs,
entre
outros.
Todos
os informantes tinham 60
anos
ou
mais
e revelaram
que
o
seu
papel
dentro
de
casa
é
fundamental
para
o
sustento
de
sua
família
constituída, na
grande
maioria
dos
casos,
por
filhas e
filhos
solteiros,
casados,
separados,
viúvos
e
com
filhos.
Estes avós
trabalhadores
correspondiam,
em 2003, a 14% dos
trabalhadores
informais cadastrados na
prefeitura de
Belo
Horizonte.
Este
percentual é
significativo, se observamos o
desgaste
que
este
tipo de
trabalho
causa
nos
idosos
que apresentaram
principalmente
doenças cardíacas,
hipertensão,
problemas circulatórios e
nas
articulações e
diabetes.
Sua
jornada de
trabalho é
longa, variando
entre 8 e 14
horas
diárias, e
muitos chegam
ainda de
madrugada no
local de
trabalho. No
caso dos catadores de
material reciclável a
atividade vai
até às 23:00
horas,
pois é à
noite
que o
trabalho apresenta
maior
rendimento.
Certamente
todo
este
esforço tem
suas
compensações e a
sociabilidade é uma das
mais significativas
juntamente
com o
aumento do
poder
doméstico. Os
idosos
trabalhadores gostam do
que fazem e
não trocam
suas
atividades
por nenhuma
outra,
pois, é na
rua
que constróem
suas
amizades, ao
lado de
outros
trabalhadores na
mesma
situação
que
eles. No
ambiente de
trabalho,
em
meio à
poluição,
cenas de
violência,
chuva e
sol,
estes
idosos se relacionam
com
seus fregueses,
seus
vizinhos de
banca, os
policiais e
até os
bandidos
que passam
por
ali a
todo
momento. É neste
ambiente
que
eles contam
piadas, riem e choram de
seus
dramas
pessoais e de
outros
mais
jovens,
que recebem
com o
trabalho
informal
assim
como os
mais
velhos, de
um a
dois
salários
mínimos
em
média. A sociabilidade é construída na
rua,
um
ambiente
improvável, no
qual impera o
individualismo, a
pressa, o
medo e a
impessoalidade e
longe dos
redutos
atuais dos
idosos
contemporâneos
que
são os
bailes de
terceira
idade, os
grupos de
melhor
idade e a
casa.
A
família,
embora tenha deixado de
ser o
centro das
atenções destas
pessoas,
ainda requer
cuidados e, os
netos,
são considerados os
mais frágeis
dentro do
domicílio. É
para
eles
que se dirigem as
atenções e os
presentes,
que podem
vir
em
forma de
dinheiro, do
pagamento de
um
curso
complementar, de uma
carteira de
motorista,
ou de
um
doce
predileto. Os
pais destas
crianças e
jovens, desempregados
ou
com
baixos
salários e
com
dificuldades
para
obter
sua
própria
moradia, dividem o
espaço da
casa
ou do
lote dos
idosos.
Por
isso,
em
quase a
totalidade dos
casos, foram encontrados
casos de coabitação de
duas,
três e
até
quatro
gerações
cujos
chefes do
domicílio
são os
idosos.
Isto significa
que, na
medida
que o
idoso se considera e é
considerado o
chefe do
domicílio,
seu
poder
doméstico
aumenta, conferindo-lhe
autoridade
sobre as
decisões e,
portanto,
maior
segurança e
auto
estima. Sentem-se
importantes, e
mais, sentem-se
necessários
para
que a
família continue
não
somente unida,
mas vivendo
com
melhores
condições do
que se o
idoso
não estivesse
presente.
Concluí
com esta
pesquisa,
entre outras
coisas,
que o
idoso
trabalhador
pobre mantém e constrói
novos
laços de sociabilidade e
melhores
condições de
vida,
não
apenas
para
si
mesmo,
mas
também
para as
gerações
mais
jovens alijadas do
mercado de
trabalho,
independentemente das
formas de socialização
presentes na
mídia e divulgadas
pelos
especialistas
como os
bailes e
centros de
terceira
idade.
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