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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 22 de outubro de 2008 21:27:38                                               

 
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TERCEIRA IDADE
O valor dos avós na sociedade brasileira    
Profª. Drª. Neila Barbosa Osório; Prof. Luiz Sinésio Silva Neto

publicado em 22/10/2008

 

Esse texto apresenta dado e informações para que se olhem atentamente os papéis dos avós na vida de seus netos na coletividade e as alterações de que têm sido alvos, suas causas e conseqüências positivas e negativas no Brasil.

 Na sociedade brasileira os avós vivenciam dois modelos familiares. No primeiro, os lares compostos por três gerações que teve considerável aumentam a partir da década de 80, em que ambos os pais ou ao menos um deles reside com avós e netos.

Já no segundo, mais comum a partir da década de 90, os pais estão ausentes do lar e cabe aos avós todo o cuidado dos netos.

Em relação às causas que conduzem avós a assumirem essa responsabilidade, a literatura gerontológica aponta os principais fatores:

·          Inserção das mulheres no mercado de trabalho dificultando-lhes o cuidar integral dos filhos;

·         Dificuldades econômicas como desemprego dos pais e necessidade de ajuda financeira por parte dos avós;

·         Necessidade dos pais trabalharem para proverem o sustento doméstico;

·         Divórcio do casal com retorno para casa dos pais juntamente com os netos;

·         Novo casamento de pais separados e, não aceitação das crianças por parte do cônjuge;

·         Gravidez precoce e despreparo para cuidar dos filhos;

·         Morte precoce dos pais devido à violência ou doenças como a AIDS;  

·         Incapacidade dos pais decorrente de desordens emocionais ou neurológicas;

·         Uso de drogas ou envolvimento em programas de recuperação para usuários de drogas;

·         Envolvimento em situações ilícitas e problemas judiciais

 Apesar de não se dispor do número de crianças sob a responsabilidade das avós no Brasil, sabe-se que por meio do censo demográfico de 2000 que 20% dos domicílios brasileiros tinham idosos como chefes de família, o que expressa um número de mais de 8 milhões de lares.

Deste total 36% são compostos por casal com filhos e/ou outros parentes (IBGE, 2002). Esse fato pode indicar uma probabilidade maior de haver também no Brasil muito netos residindo com os avós e sob sua responsabilidade.

Ter avós como mentores ou tutores podem ser benéficos para as crianças, principalmente porque poderão usufruir uma sensação de pertencimento à sua família de origem, especialmente na ausência dos pais.

Especificamente sobre lares multigeracionais, envolvendo avós, pais e netos, Goldman (2003) encontrou que o bem-estar dos avós é afetado pela qualidade das relações com pais e netos, sendo os vínculos emocionais entre avós e pais mais relevantes e poderosos que a proximidade física e a oportunidade de interação. Argumenta ainda que um bem-estar diminuído da avó possa comprometer o cuidado dispensado ao neto.

Num estudo brasileiro, no qual relata e analisa depoimentos de avós e netos de classes populares, que vivenciam a situação de cuidado em uma cidade do interior paulista, Oliveira (1999) defende a existência de um processo co-educativo, no qual ambas as gerações influenciam-se e educam-se mutuamente.

Percebe-se por parte do autor um olhar otimista sobre essa relação, ocupando-se principalmente da tarefa de mostrar as influências e modificações recíprocas ocorridas na convivência diária dessas duas classes de idade.

Afirma que houve entre os avós, o reascender de um sentimento de esperança promovido pelos desafios de tomar conta dos netos e o encontro de um sentido para a própria existência.

Para Kropf & Burnette (2003) os avós que cuidam dos netos estão mais sujeitos a apresentar problemas funcionais e de saúde, possuem mais chances de apresentar sintomas depressivos e têm dificuldades para manter contato com a rede social de amigos.

Em contrapartida, esses avós relatam os benefícios trazidos pela experiência de cuidar, como a alegria e o significado para suas vidas, proporcionando companhia e maior propósito social.

Idosos com melhor nível sócio-econômico apresentam-se como o alvo principal da mídia, pois têm maior possibilidade de acessar as oportunidades que o mercado lhes oferece para viver uma velhice classificada como ativa recheada por viagens, atividades variadas e a busca pelo rejuvenescimento.

As decisões dos idosos refletem posições que não devem ser julgadas, mas compreendidas como exemplos da heterogeneidade que caracteriza a experiência de envelhecer e de posicionar-se nas relações familiares.

Assim, essa situação – ser mãe/pai de crianças e/ou adolescentes novamente – muitas vezes inesperada nesse momento de suas vidas, impacta sobre a saúde física e emocional desses avós, afetando sua qualidade de vida. Contudo, as relações com os netos envolvem também sentimentos, senso de obrigação familiar e satisfações que em muitos casos sobrepõem-se sobre o ônus que o cuidar dos netos pode acarretar.

Compreender essa nova configuração familiar, em que muitos idosos estão inseridos, é tarefa para os profissionais preocupados com o bem-estar dos envolvidos nessa relação.

Os Conselhos Municipais, Estaduais e Federal começaram a refletir sobre esta nova realidade social no decorrer da I Conferência Nacional em defesa dos direitos da pessoa idosa em abril de 2006 em Brasília.

Isto despertou a autora deste estudo a realizar novos projetos com esta temática. Criou-se o primeiro curso de como ser avó no terceiro milênio com carga horária de 40 horas e certificado de curso de extensão pela Universidade Federal do Tocantins e um trabalho com crianças do ensino médio e seus avós.

Na instituição de ensino estadual percebeu-se que 80% dos adolescentes vivem com seus avós, conseqüências do alto índice de adolescentes grávidas no Estado do Tocantins.

Estes dados confirmam a urgência da sociedade e governos  descobrirem a importância da realização das políticas públicas embasadas em investigação científica para que todas as faixas etárias vivam com dignamente sem queimaram etapas de suas vidas.

 

 

 

 

 

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::sobre o autor::

Prof. Luiz Sinésio Silva Neto  é graduado em Educação Física, com ênfase em Educação Física Gerontológica, Pós-Graduado em Gerontologia pela Universidade Federal do Tocantins atuando principalmente no seguinte tema: Qualidade de vida, Envelhecimento, Políticas de Saúde, cerimonial universitário.
luizneto@uft.edu.br

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