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Esse
texto apresenta dado e informações para que se olhem atentamente os papéis dos
avós na vida de seus netos na coletividade e as alterações de que têm sido
alvos, suas causas e conseqüências positivas e negativas no Brasil.
Na
sociedade brasileira os avós vivenciam dois modelos familiares. No primeiro, os
lares compostos por três gerações que teve considerável aumentam a partir da
década de 80, em que ambos os pais ou ao menos um deles reside com avós e netos.
Já no
segundo, mais comum a partir da década de 90, os pais estão ausentes do lar e
cabe aos avós todo o cuidado dos netos.
Em
relação às causas que conduzem avós a assumirem essa responsabilidade, a
literatura gerontológica aponta os principais fatores:
·
Inserção das mulheres no mercado de trabalho dificultando-lhes o cuidar
integral dos filhos;
·
Dificuldades econômicas como desemprego dos pais e necessidade de ajuda
financeira por parte dos avós;
·
Necessidade dos pais trabalharem para proverem o sustento doméstico;
·
Divórcio do casal com retorno para casa dos pais juntamente com os netos;
·
Novo
casamento de pais separados e, não aceitação das crianças por parte do cônjuge;
·
Gravidez precoce e despreparo para cuidar dos filhos;
·
Morte
precoce dos pais devido à violência ou doenças como a AIDS;
·
Incapacidade dos pais decorrente de desordens emocionais ou neurológicas;
·
Uso de
drogas ou envolvimento em programas de recuperação para usuários de drogas;
·
Envolvimento em situações ilícitas e problemas judiciais
Apesar
de não se dispor do número de crianças sob a responsabilidade das avós no
Brasil, sabe-se que por meio do censo demográfico de 2000 que 20% dos domicílios
brasileiros tinham idosos como chefes de família, o que expressa um número de
mais de 8 milhões de lares.
Deste
total 36% são compostos por casal com filhos e/ou outros parentes (IBGE, 2002).
Esse fato pode indicar uma probabilidade maior de haver também no Brasil muito
netos residindo com os avós e sob sua responsabilidade.
Ter
avós como mentores ou tutores podem ser benéficos para as crianças,
principalmente porque poderão usufruir uma sensação de pertencimento à sua
família de origem, especialmente na ausência dos pais.
Especificamente sobre lares multigeracionais, envolvendo avós, pais e netos,
Goldman (2003) encontrou que o bem-estar dos avós é afetado pela qualidade das
relações com pais e netos, sendo os vínculos emocionais entre avós e pais mais
relevantes e poderosos que a proximidade física e a oportunidade de interação.
Argumenta ainda que um bem-estar diminuído da avó possa comprometer o cuidado
dispensado ao neto.
Num
estudo brasileiro, no qual relata e analisa depoimentos de avós e netos de
classes populares, que vivenciam a situação de cuidado em uma cidade do interior
paulista, Oliveira (1999) defende a existência de um processo co-educativo, no
qual ambas as gerações influenciam-se e educam-se mutuamente.
Percebe-se por parte do autor um olhar otimista sobre essa relação, ocupando-se
principalmente da tarefa de mostrar as influências e modificações recíprocas
ocorridas na convivência diária dessas duas classes de idade.
Afirma
que houve entre os avós, o reascender de um sentimento de esperança promovido
pelos desafios de tomar conta dos netos e o encontro de um sentido para a
própria existência.
Para
Kropf & Burnette (2003) os avós que cuidam dos netos estão mais sujeitos a
apresentar problemas funcionais e de saúde, possuem mais chances de apresentar
sintomas depressivos e têm dificuldades para manter contato com a rede social de
amigos.
Em
contrapartida, esses avós relatam os benefícios trazidos pela experiência de
cuidar, como a alegria e o significado para suas vidas, proporcionando companhia
e maior propósito social.
Idosos
com melhor nível sócio-econômico apresentam-se como o alvo principal da mídia,
pois têm maior possibilidade de acessar as oportunidades que o mercado lhes
oferece para viver uma velhice classificada como ativa recheada por viagens,
atividades variadas e a busca pelo rejuvenescimento.
As
decisões dos idosos refletem posições que não devem ser julgadas, mas
compreendidas como exemplos da heterogeneidade que caracteriza a experiência de
envelhecer e de posicionar-se nas relações familiares.
Assim,
essa situação – ser mãe/pai de crianças e/ou adolescentes novamente – muitas
vezes inesperada nesse momento de suas vidas, impacta sobre a saúde física e
emocional desses avós, afetando sua qualidade de vida. Contudo, as relações com
os netos envolvem também sentimentos, senso de obrigação familiar e satisfações
que em muitos casos sobrepõem-se sobre o ônus que o cuidar dos netos pode
acarretar.
Compreender essa nova configuração familiar, em que muitos idosos estão
inseridos, é tarefa para os profissionais preocupados com o bem-estar dos
envolvidos nessa relação.
Os
Conselhos Municipais, Estaduais e Federal começaram a refletir sobre esta nova
realidade social no decorrer da I Conferência Nacional em defesa dos direitos da
pessoa idosa em abril de 2006 em Brasília.
Isto
despertou a autora deste estudo a realizar novos projetos com esta temática.
Criou-se o primeiro curso de como ser avó no terceiro milênio com carga horária
de 40 horas e certificado de curso de extensão pela Universidade Federal do
Tocantins e um trabalho com crianças do ensino médio e seus avós.
Na
instituição de ensino estadual percebeu-se que 80% dos adolescentes vivem com
seus avós, conseqüências do alto índice de adolescentes grávidas no Estado do
Tocantins.
Estes
dados confirmam a urgência da sociedade e governos descobrirem a importância da
realização das políticas públicas embasadas em investigação científica para que
todas as faixas etárias vivam com dignamente sem queimaram etapas de suas vidas.
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