Revista Virtual Partes - Vovó Velhinha
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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 02 de dezembro de 2011 22:05:14                                               
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Terceira Idade
Vovó Velhinha    

Aparecida Luzia de Mello*

publicado em 02/12/2011

 

 

         A avó materna saia da cama todos os dias às 6 horas da manhã para caminhar e fazer ginástica visando manter a silhueta, embora adorasse dormir até tarde.  

         Tomava banho frio inclusive no inverno para não ressecar a pele, embora adorasse banho quente.

         Gastava um dinheirão em cremes de prevenção às rugas. A noite dormia besuntada e durante o dia estava sempre maquiada. 

         Não comia muito, e comia menos ainda o que gostava, para manter o peso controlado e as curvas no lugar. Passava longe dos doces, chocolates, sorvetes, frituras, salgadinhos, bebidas alcóolicas. Quem via seu prato ficava espantado, era composto por legumes cozidos com pouco sal para evitar a retenção de líquidos, verduras e grãos diversos. Só tomava água, chazinhos com adoçante e raramente uma taça de vinho branco.

         Todo este sacrifício era em prol da aparência que ela lutava para manter sempre jovem.

Até que um dia a netinha de dois anos e meio perguntou a mãe:

-: mamãe, o que é “velhinha”?

          A mãe respondeu:

-: velhinha é uma pessoa igual a sua vovó, mamãe do papai, pequeninha, corcundinha, cabelinho branco, banguelinha, etc.

         A netinha ouviu quieta. O assunto se encerrou e a mãe achou que a filha ficou satisfeita com a explicação.

Alguns dias depois a netinha foi visitar a avó materna, aquela que vivia se cuidando para não envelhecer.

         Quando a netinha desceu do carro saiu correndo e se jogou no colo da avó que já a esperava de braços abertos. Beijos, abraços, carinhos trocados, cosquinhas aqui e ali... A netinha gargalhou, abraçou de novo a avó e de repente olhou séria para ela, tomou seu o rosto nas suas mãozinhas fez carinho no rosto da avó e com olhar consolador, disse:

-: vovó, você ainda não é velhinha, mas vai ficar logo, logo tá bom!?!

         Acariciou o rosto da avó de novo, beijou-a, sorriu e pediu para descer do colo.

         No outro dia todo mundo estranhou, a avó acordou às 10 horas da manhã, tomou banho quente, jogou todos os cremes fora, não se maquiou e se afundou num manjar de coco que ela adorava, mas não comia há anos.

        Sorrindo, por ser questionada da mudança brusca, lembrou-se da netinha e disse para si mesma:

-: já que logo, logo vou ficar velhinha, vou começar a aproveitar desde já... Daqui para frente vou deitar e rolar!

* Advogada, Mestre em Políticas Sociais, Pós-Graduada em Gestão e Organização do 3º Setor, Psicogerontologia e Memórias. Palestrante, professora, dirige o PEEM Ponto de Encontro e Estudo da Maturidade, voluntária da 3ª Idade Nosso Lar.

Email: cidamell@uol.com.br 

 

 
 

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Aparecida Luzia de Mello é  Advogada, Mestre em Políticas Sociais, Pós-Graduada em Gestão e Organização do 3º Setor, Psicogerontologia e Memórias. Palestrante, professora, dirige o PEEM Ponto de Encontro e Estudo da Maturidade, voluntária da 3ª Idade e Recanto do Idoso Nosso Lar.  cidamell@uol.com.br
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