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Instituto Gabi lança projeto de geração de renda para as famílias
dos atendidos
Entidade reforça intenção de colaborar, por meio de capacitação, com
o sustento das famílias das crianças e adolescentes atendidos
São
Paulo, 28 de fevereiro de 2012 –
O Instituto Gabi – entidade assistencial localizada na zona sul de
São Paulo, que atende 70 crianças e adolescentes com deficiência –
entrou em seu décimo primeiro ano de atuação. Durante mais de uma
década, atendeu centenas de pessoas com terapias e atendimentos
diversos nas áreas da saúde, educação, cultura e família. Agora,
dedica-se também a um projeto bastante especial, que tem por
objetivo ajudar as famílias dos atendidos a gerar renda.
Segundo
o jornalista e professor universitário Francisco Sogari - presidente
e fundador do Instituto Gabi - o Projeto de Geração de Renda é de
extrema importância para o processo de inclusão, objetivo maior do
Instituto. “Queremos em primeiro lugar, oferecer uma alternativa de
complemento de renda – que pode até tornar-se a principal fonte,
quem sabe. Vamos produzir mercadorias de qualidade para serem
comercializadas em feiras na cidade, em eventos no Instituto e fora
dele ”.
Outro
aspecto importante do Projeto é a convivência entre as famílias, que
acabam compartilhando experiências numa espécie de terapia em grupo.
“O foco é a busca de renda, o estímulo à autonomia e ao
empreendedorismo, mas nossa experiência mostra que os encontros
acabam fortalecendo as relações sociais”, reforça o presidente.
Há
alguns anos, o Instituto desenvolveu um projeto semelhante. Oferecia
aulas de artesanato ministradas por voluntários. Desta vez, uma
profissional foi contratada pelo Instituto. A professora, Cinthia
Moreira de Souza, tem licenciatura em Artes Plásticas e experiência
na área de vendas, além do ensino.
As aulas
ocorrerão sempre às terças-feiras à tarde e às quartas-feiras
durante todo o dia. Nas quintas-feiras, é a vez dos atendidos pelo
Instituto. A técnica utilizada na criação dos produtos é a upcycle –
processo de transformar resíduos ou produtos considerados inúteis e
descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou
qualidade. “Este processo é diferente da reciclagem, que usa energia
para destruir a forma e então transformar em algo novo”, explica o
Sogari.
Mariana
Roquette, gestora do Instituto, lembra que as famílias aprenderão
também a precificar os produtos e desenvolverão técnicas para
vendê-los. “Já os atendidos, por meio das aulas, poderão exercitar
sua criatividade, desenvolver a motricidade fina e planejar a
criação de peças tendo como os objetos que terão em mãos. Estamos
bastante animados”, finaliza.
Sobre o Instituto Gabi
Transformar a dor em caridade não é fácil. Após perder, em fevereiro
de 2001, sua pequena filha Gabriele, de apenas seis anos, em um
atropelamento, o jornalista Francisco Sogari, que estava com Gabi no
momento do acidente, viu-se na situação de dor de tantos pais que
perdem seus amados filhos, vítimas da violência. Porém, juntamente
com a esposa, a pedagoga Iracema Sogari, ele decidiu transformar sua
dor em um gesto de amor: o casal fundou o Instituto Gabriele Barreto
Sogari, conhecido como Instituto Gabi.
Instalado no bairro de Vila Santa Catarina, na zona Sul de São
Paulo, o Instituto Gabi em poucos anos tornou-se referência no
atendimento dos portadores de deficiência. Com o trabalho social, o
casal Sogari encontrou um novo sentido para sua vida. "Hoje minha
vida mudou completamente. A dor continua, mas vejo que a Gabriele
está presente no semblante dos deficientes que são atendidos na casa
a ela dedicada", revela Sogari.
O
jornalista divide seu tempo como professor universitário em duas
universidades e na gestão deste projeto social. "Ainda encontro
tempo para me dedicar à família, sobretudo ao João Filipe, filho de
13 anos, com quem jogo futebol e torço fanaticamente para o
Internacional" declara. A esposa Iracema, que é pedagoga
pós-graduada, com experiência de 20 anos em educação especial,
conhece bem a realidade destas pessoas. "O atendimento do serviço
público é deficitário. Uma escola especial é muito cara, passa de R$
1 mil. As instituições que deveriam acolhê-las acabam encaminhando
para nós", declara Iracema Sogari.
O casal
busca a auto-sustentabilidade do projeto. "Conseguimos atender
gratuitamente 70 crianças e adolescentes com deficiência. A receita
restante provém de trabalho e generosidade, muito empenho na
captação de recursos e a resposta de pessoas e empresas que são
sensíveis e apostam em nosso trabalho. Queremos que o projeto seja
viável, auto-sustentável e gere mais divisas para atender as
famílias que batem às portas do Instituto em busca de uma vaga",
conclui Iracema.
Francisco Sogari aponta os dez principais motivos que o levaram a
ser um voluntário por mundo melhor. Acompanhe:
1-
Porque acredito que o amor é a única força capaz de transformar o
homem e o mundo;
2- Se eu
uso energia para tantas coisas, por que não posso usar uma parte
para o bem?
3-
Porque Deus me dá 168 horas semanais. Por que não doar algumas horas
da semana ou do mês como forma de gratidão a Deus?
4-
Porque estou fazendo a minha parte e não espero que a mudança caia
do céu;
5-
Porque tenho a convicção de que no trabalho voluntário mais do que
dar eu estou recebendo;
6-
Porque acredito na vida futura e na outra dimensão, onde o mais
importante não são os diplomas, a fama, o dinheiro, os bens
materiais, mas sim o bem que tiver feito ao meu próximo;
7- Porque ser voluntário não requer especialização nem ter muitas
posses, basta abrir o coração e doar-se para o próximo;
8-
Porque ingresso num triplo movimento: dar o peixe na hora da fome,
ensinar a pescar para que a fome não volte e criar condições para
que haja pesca, dignidade, justiça social, etc.
9-
Porque acredito numa frase que minha filha pronunciou com apenas
seis anos: “Quem ajuda os outros é feliz”.
10-
Porque hoje temos bons recursos técnicos que permitem ‘voluntariar’
sem sair de casa, ajudando projetos sociais em várias áreas:
eventos, divulgação, campanhas e outras iniciativas.
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