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RESUMO
Apesar da evidente atuação do terceiro setor na
busca de solução dos problemas sociais,
ambientais e econômicos, é imperioso discutir a
união do Governo, Iniciativa Privada e Sociedade
nessa verdadeira transformação social, sem
privilegiar nenhuma intervenção, mas realçar a
dignidade de cada cidadão desse país.
Discute-se, então, a formação dessas Alianças
Intersetoriais. Para tanto, parte-se de uma
análise conceitual do Terceiro Setor, situando-o
às reais demandas sociais existentes em uma
comunidade. Seguindo essa perspectiva
conceitual, a discussão é acrescida de uma
abordagem acerca da ampliação deste setor que é
cada vez mais um ato voluntário e, considerando
a grandeza da parceria entre os três setores em
prol do desenvolvimento sustentável da
comunidade, destacamos uma atitude de
mobilização em prol de um novo modelo de gestão
das políticas públicas locais para a eficácia do
desenvolvimento social.
Palavras-chaves: Terceiro Setor, Desenvolvimento
Social, Políticas Públicas, interesse coletivo,
voluntariado, Cidadania.
ABSTRACT
Despite
the clear role of third sector in the search for
solution of social problems, environmental and
economic, it is imperative to discuss the union
of the government, private initiative and
society that real social change, without
privileging any intervention, but stressed the
dignity of every citizen of this country . It is
discussed, then the formation of alliances
intersectorial. Thus, it is a conceptual
analysis of the Third Sector, placing it to the
actual social demands existing in a community.
Following this conceptual perspective, the
discussion is more of an extension of this
approach on the sector that is increasingly a
voluntary and, considering the magnitude of the
partnership between the three sectors for
sustainable development of the community, an
attitude we call in towards a new model of
management of local public policies on the
effectiveness of social development.
Keywords: Third Sector, Social Development,
Public Policy, collective interest,
volunteering, citizenship.
INTRODUÇÃO
Da mesma forma que em outros países, no Brasil é
notória a crescente atuação do Terceiro Setor,
atrelado a outros dois setores, quais sejam: o
Primeiro Setor, representado pelo Governo, tanto
no âmbito Municipal, Estadual ou Federal e o
Segundo Setor, representado pelo Mercado,
ocupado pelas Empresas Privadas com fins
lucrativos.
Conceituar o Terceiro Setor não é tarefa fácil,
uma vez que ainda se encontra em processo de
construção, é um setor que ainda precisa ser
fortalecido. No entanto, vários autores
pesquisam o assunto e, nesse sentido encontramos
diversas definições. Segundo FERNANDES ( 1994,
p.21), um dos pesquisadores do tema, o conceitua
da seguinte forma:
...um
conjunto de organizações e iniciativas privadas
que visam à produção de bens e serviços
públicos. Este é o sentido positivo da
expressão. “Bens e serviços públicos”, nesse
caso implicam uma dupla qualificação: não geram
lucros e respondem a necessidades coletivas.
Para outro autor, ROTHGIESSER (2002, p.2) também
estudioso do tema, este é o conceito: Terceiro
Setor seriam iniciativas
“... privadas
que não visão lucros, iniciativas na esfera
pública que não são feitas pelo Estado. São
cidadãos participando de modo espontâneo e
voluntário, em ações que visão ao interesse
comum.”
No entanto, o conceito mais aceito atualmente,
segundo GONÇALVES (1999, p.2), é o de que se
trata de uma esfera de atuação pública, não
estatal, formada a partir de iniciativas
voluntárias, sem fins lucrativos, no sentido
comum.
A partir destes conceitos podemos extrair que
entre o Terceiro Setor e o Estado há algo em
comum: ambos devem atender ao interesse
coletivo.
Nesse sentido, discorreremos sobre a Ampliação
do Terceiro Setor e sua relação com o interesse
coletivo.
AMPLIAÇÃO DO TERCEIRO SETOR
Atualmente, a discussão que se faz cada dia mais
presente na sociedade é a relação entre o
Terceiro Setor e o interesse coletivo. Autores
que escrevem sobre o tema, cada um, em suas
concepções e predominâncias, reforçam o
fortalecimento dessa rede que reúne parceiros
visando o bem coletivo, tendo como fim último o
aumento das ações sociais em número e qualidade
para atender os anseios de uma sociedade.
Considerando que a Gestão está vinculada à
administração, necessário se faz que haja um
instrumento de mobilização que concentre as
demandas sociais. No entanto, antes de qualquer
coisa, passamos a compreender as alianças
intersetoriais. No primeiro setor encontra-se o
Governo, que cuida dos interesses públicos, com
intervenções que vem se minimizando
concomitantemente com o aumento de autonomia da
iniciativa privada e da sociedade. Por sua vez,
a Iniciativa Privada compreende o Segundo Setor,
através do Mercado que cuida de questões de
interesse privado e lucrativo. Por último, o
Terceiro Setor, composto pela Sociedade, que
cuida de interesses coletivos, porém, não
lucrativo, ou seja, é a organização da Sociedade
Civil sem fim lucrativo e, fiscaliza os demais
setores, os quais o direito age, regulando estas
relações de acordo com os interesses morais e o
próprio bem estar social.
Logo, com a proposta da Constituição Federal/88
(Previdência Social) nota-se o aumento da
necessidade do Estado de parcerias para conduzir
as políticas sociais. O Estado se sente forte e
fraco ao mesmo tempo, potencializando um
processo de “desresponsabilização” do Estado na
Assistência Social, abrindo espaço para o
Terceiro Setor atuar.
Desta forma a Constituição de 1988 representa o
marco inicial de um amplo processo de
mobilização social, em busca de melhorias e
garantias de direitos de cidadania política,
além da descentralização na promoção de
políticas sociais. È inegável que a Nova
Constituição representou um avanço no que diz
respeito à política social no Brasil. (TEIXEIRA,
2000; p.31)
Ocorre que os problemas sociais, ambientais e
econômicos vem se destacando em movimentos e
organizações que se aglutinam no fenômeno
social, nos levando a mitigar quanto à
possibilidade de uma rede de relação entre os
trabalhos na Assistência Social com a
legitimidade da participação, de fato, popular
nos Projetos Sociais. Percebe-se que as grandes
perdas acontecem no âmbito dos direitos sociais,
sendo assim, em havendo a descentralização da
Política Administrativa, ou seja, a
horizontalização da relação: União x Estado x
Município, necessário se faz elaborar propostas
a partir de uma realidade, de particularidades.
Nessa linha, nota-se uma atuação ineficiente do
Estado, em especial na área social. O cenário
propicia a expansão e o crescimento do Terceiro
Setor em diversas áreas, com o objetivo de
atender a demanda por serviços sociais, que a
população menos favorecida clama, uma vez que
representa uma camada, a qual o Estado e os
agentes econômicos não tem interesse ou não são
capazes de provê-la. Atrelada a isso, as
práticas efetivas de políticas neoliberal do
capitalismo global produzem instabilidade
econômica, política e social, também instigam o
crescimento do Terceiro Setor. (GONÇALVES, 2002)
Assim, constata-se nas últimas décadas um
crescimento quantitativo e qualitativo do
Terceiro Setor como um todo, em especial das
ONGs (Organizações-Não-Governamentais). Com a
consolidação democrática, através das
pluralidades partidárias, formação de sindicatos
e fortalecimentos de movimentos sociais urbanos
e rurais, abre-se espaço para uma atuação mais
efetiva das ONGs.
Adicionalmente, esse setor tem como premissa
básica, a eqüidade e a justiça social com as
instituições democráticas. A Campanha “Ação
Contra a Fome, a Miséria e pela Vida”, foi um
marco pela sua abrangência e poder de
mobilização, dirigida pelo sociólogo Herbert de
Sousa, o Betinho, citado por BAVA (2000, p.55)
E assim, também, necessário se faz politizar.
Reconhecer que o ideal é funcionar em função do
seguimento o qual se está trabalhando (família,
crianças, idosos, negros, saúde, educação,
assistencialismo etc ) enfim, trabalhar com e
não no lugar de.
Desta forma, obter um conhecimento criterioso
dos movimentos e organizações é potencializar um
programa de comunidade solidária, é buscar a
idéia de democracia e desenvolvimento social.
Há a necessidade de avaliar e racionalizar a
qualificação no Terceiro Setor em suas atuações,
uma vez que passa a ser uma alternativa de
Gestão Social. Deve-se reconhecer que a
constituição do Terceiro Setor por voluntários
está exposta às questões inerentes a valores
como amor e solidariedade, estimulada pelas
novas contribuições e apreendendo a dinâmica de
um novo modelo de Gestão das Políticas Públicas,
adaptando a essa nova situação social. Isto
requer dizer que as ações sociais devem
considerar toda a estrutura local da comunidade
(cultura, políticas públicas, meio-ambiente e
rotina da população).
Nessa linha, deve-se focar a qualidade do
voluntariado, para garantir crédito aos
programas, garantir o interesse coletivo e, não
apenas uma questão de identidade, esta é a
relação do Terceiro Setor com o interesse
coletivo – a cidadania – é muito mais que um ato
de nobreza.
Observa-se, no entanto, que o Terceiro Setor
pretende ser autônomo, que nada tem haver com o
contraponto moderno de caridade. Também gera
empregos e, deixa cair por terra a idéia de que
a produção de bens e serviços é exclusividade do
Estado.
Frente a estes novos paradigmas, o
reconhecimento à Ampliação do Terceiro Setor
recai sobre a atual concepção de Ações Sociais,
nos fatos sociais e na cidadania, contemplando o
valor das Alianças Intersetoriais, com a
qualificação dos atores envolvidos nesta
Aliança.
Muito se discute sobre o tema, pois não são
poucos os desafios desta integração e
articulação entre governos, empresas e
organizações sociais, pois ainda não conta com
parâmetros jurídicos, sociais e metodológicos de
qualidade. Contudo, preocupa-se em estabelecer o
princípio da eficiência na gestão das políticas
públicas e, justificar o poder pelo poder de
servir.
Cada segmento conta com a participação efetiva
da comunidade. Isto se faz através do exercício
do diálogo em responsabilidade social; tornar-se
disponível, ou seja, receber o que é novo para
facilitar o trabalho nas Ações Sociais e, assim,
além de deixar apenas conteúdos nas Ações
Sociais, deixar, também, conhecimento.
Por fim, entende-se que a ampliação do Terceiro
Setor potencializa Programas de Crédito que
contribuem para combater as desigualdades e não
apenas atuam como mero assistencialismo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em função do crescimento do Terceiro Setor e
cientes de sua importância e expansão na
sociedade, ainda não conseguimos compreende-lo
pela soma de suas partes, tão pouco afirmar que
seu espaço de autonomia seja tão nítido quanto o
do Estado ou o do Mercado.
Ainda é comum associar o Terceiro Setor ao setor
de caridade, às organizações não governamentais,
setor voluntário, enfim, não há uma definição
completa e, por isso o atrelamos a estas
terminologias.
No entanto, o Terceiro Setor surge como uma
força proporcionalmente inversa à incapacidade
do governo e do mercado na provisão dos bens
públicos, minimizando a ação do Estado, nos
dando a idéia de democracia e desenvolvimento
social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAVA, Silvio C. O Terceiro Setor e os
Desafios do Estado de São Paulo para o Século
XXI. In: Cadernos Abong. ONGs Identidades e
Desafios Atuais. São Paulo: Autores Associados,
2000. 41-86.
COELHO, Simone de Castro Tavares.
Terceiro Setor: um estudo comparado entre o
Brasil e Estados Unidos. 2ª ed. São Paulo:
Editora SENAC São Paulo, 2002.
GONÇALVES, H. S. O Estado o Terceiro
Setor e o Mercado: Uma Tríade Completa.
Disponível em:
http://www.rits.org.br/ Acesso em: 23
de Fev. de 2009.
ROTHGIESSER, Tanya L. Sociedade Civil
Brasileira e o Terceiro Setor. Disponível em:
http://www.terceirosetor.org.br/
Acesso em: 20 de Fev. de 2009.
TEIXEIRA, Ana Claudia C. Identidades em
Construção: As Organizações Não-Governamentais
no Processo Brasileiro de Democratização.
Campinas, 2000. 166 f. Dissertação (Mestrado em
Filosofia e Ciências Humanas) – Departamento de
Ciência Política do Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Universidade de Campinas.
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