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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:20                                               

 
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TURISMO

Adentrando Buenos Aires: da Cristalização ao Movimento[1]

   

Priscila Gayer

publicado em 01/08/07

 
Resumo: Através deste artigo buscou-se problematizar em que medida os diferentes graus de imersão no movimento da cidade propiciaram abordagens distintas sobre a cidade de Buenos Aires.  Por fim, através do referencial desenvolvido acredita-se que a cidade turística é umas das múltiplas possibilidades de interpretação da cidade dentro da totalidade complexa de Buenos Aires.

Palavras-chave: experiência turística; cidades turísticas; atrativo turístico; construção de sentido.

   
   

 

1 Introdução

O propósito deste artigo reside na exposição de observações realizadas no decorrer da pesquisa desenvolvida no trabalho de conclusão de curso Os Destinos e Seus Imaginários (Turismo, 2005/01). A problemática voltava-se para o seguinte questionamento: os imaginários agregados às localidades turísticas representam a sua complexidade, ou estão apenas subjugados a uma lógica de mercado?

Neste estudo foi possível constatar que a produção dos imaginários agregados aos destinos turísticos geralmente segue uma lógica mercantil. Esta lógica privilegiaria a satisfação da demanda segmentada em detrimento da representação da complexidade dos centros urbanos (Buenos Aires – estudo de caso). Desta forma, desconsiderar-se-ia a complexidade do sujeito pós-moderno e na elaboração dos produtos turísticos seriam desenvolvidas interpretações simplistas e fragmentadas sobre os espaços complexos.

Apesar de o estudo estar direcionado ao campo da produção, através da interpretação dos dados foram identificados diferentes sentidos construídos sobre Buenos Aires por parte dos turistas de acordo com o tipo de experiência proporcionada. Diante das evidências, no recorte a ser apresentado brevemente, a problemática neste artigo paira sobre a análise dos diferentes graus de imersão dos turistas no movimento cotidiano da cidade de Buenos Aires e a forma como esta imersão influencia na construção de sentido sobre o local vivenciado. A Metodologia está orientada por uma análise qualitativa, inserida em uma proposta etnográfica desenvolvida na totalidade da pesquisa. Dentre as técnicas utilizadas, os 12 questionários aplicados fornecem o substrato para análise do presente estudo. 

 

2 Ordenação e Interpretação dos dados coletados:

.:A:.

Pacote

Turístico

(4 entrevistas)

- Grupo: experiência somente através de pacotes turísticos.

- Descrição da cidade: superficial.

Apresentada através das seguintes palavras-chave: charme Europeu, vida cultural intensa, câmbio acessível e receptividade dos portenhos.

- Atrativos: os lugares turísticos são apenas pautados, sem densidade descritiva.

- Observações relevantes: em todos os casos os indivíduos apresentaram desejo de retornar. Ainda, fica evidente a necessidade de um tempo maior para “aproveitar a cidade ao máximo”, sendo que os city tours e pacotes permitem ter uma noção da cidade para depois circular por ela e neste “bater-de-pernas” descobrir outras realidades, outras Buenos Aires.

 

.:B:.

Múltiplas Experiências

(6 entrevistas)

- Grupo: mais de uma visita a Buenos Aires, sendo a primeira realizada através da programação cultural dos pacotes turísticos e as demais compreendendo uma experiência desvinculada destes.

- Descrição da cidade: os sujeitos apresentaram uma experiência de maior contato com o cotidiano através das pessoas locais, intensificando as descrições sobre a cidade.

- Atrativos: mescla entre os atrativos turísticos tradicionais e outros espaços da cidade.

- Observações relevantes: na diferenciação entre a primeira e segunda experiência, consideraram que a segunda fora a que proporcionara um maior conhecimento da cidade através da liberdade de não estar inserido em programas pré-estabelecidos e com horários marcados. Através do movimento cotidiano sentem-se mais imersos no local.

.:C:.

Imersão no Cotidiano

(2 entrevistas)

Grupo: experiência a partir de familiares e intercâmbio.

Descrição da cidade: são aprofundadas e expressam-se em sentimentos quando os sujeitos parecem ter a possibilidade de vivenciar a cidade a partir de um contato mais íntimo com o cotidiano. Por meio da experiência proporcionada por familiares, houvera a construção de um sentido sobre Buenos diferente das demais por incluir a vivência de outras dinâmicas cotidianas de num mesmo centro urbano.

Atrativos: fugiram aos atrativos ditos turísticos, enquadrando outros lugares, mas cuja atração e significado estavam no movimento que àquele lugar atribuía um uso, uma função, uma apropriação local.

- Observações relevantes: em todos os grupos a maioria apresentou um forte desejo em retornar à cidade de Buenos Aires.

  

3 Fundamentação teórica: aporte para aprofundar a análise das relações estabelecidas

Pensar para além da simples relação entre as expressões contidas em respostas de questionários requer uma fundamentação teórica que permita a problematização da realidade interpretada. Assim, compreender o olhar destes turistas sobre de Buenos Aires, construído na vivenciada da cidade através de diferentes experiências - distintas formas de se inserir na cidade - conduz à necessidade da compreensão do produto vivenciado, apropriado seja no por meio do consumo ou do encontro com o outro no seu cotidiano. Os produtores do Turismo, mais especificamente o realizado nos centros urbano, elaboram produtos turísticos enquanto um recorte possível de um produto maior: o espaço socialmente produzido.

 

3.1 O Produto Social: espaço complexo

Sob o ponto de vista da geografia, o espaço pode ser abordado a partir de diferentes categorias analíticas: a paisagem, o território, o lugar e o ambiente.  No entanto, estas seriam instâncias interligadas de uma realidade mais abrangente - o espaço complexo. O espaço em questão seria composto pela paisagem enquanto a materialidade sócio-cultural acumulada de tempos históricos passados que ali se expressaram. Mas, sobretudo, a compreensão da espacialidade remeteria à análise de um momento presente, a um movimento social que resignifica constantemente os elementos da paisagem através de diferentes apropriações, usos e funções atribuídas – questão que remete ao conceito de Fluxos e Fixos desenvolvidos por Milton Santos. Assim, estas materialidades espaciais ganhariam um significado contemporâneo quando inseridas na dinâmica social presente, renovando a objetividade da paisagem através da subjetividade do movimento.

Vale ressaltar que é através desta coletividade que a memória comum pode ser ativada dando sentido ao patrimônio histórico-cultural de uma comunidade, aflorando nos cidadãos o sentimento de preservação de uma determinada expressão material – histórica, cultural, ideológica, etc. – que na mesma medida em que é resguardada pela memória, a mantém viva. Por outro lado, considerando que a memória é seletiva, a destruição de certos monumentos pode representar a tentativa de apagar as marcar de fatos que se deseja esquecer. Neste sentido, o espaço é mantido e renovado de acordo com o movimento incessante. Em meio a estas destruições, preservações e sobreposições cria-se um mosaico espacial de cristalizações histórico-socio-culturais. Uma materialidade passível de ler lida e rememorada na vivência cotidiana.

Desta forma, o espaço constitui-se enquanto um produto histórico-sócio-cultural em constante transformação. Dentre os elementos produtores do espaço, o tempo pode ser adotado como uma expressão cultural materializado no espaço a partir do ser humano. Considerando que a cultura é dinâmica e plural, decorreria desta condição a co-existência de diferentes camadas temporais devido a diversidade de temporalidades manifestadas no espaço por distintos grupos sociais em diferentes tempos e igualmente em diferentes ritmos dentro de um mesmo período. O Humano, por ser histórico, implicaria uma historicidade na cultura, tornando-a dinâmica na medida em que esta representa um produto mutável no processo de transformação social, ou seja, na história. Dentro desta recursividade (produto-produtor), o espaço é composto por diferentes camadas histórico-sociais. Nesta superfície híbrida haveria, de acordo com o grau de complexidade (rural-urbano-metropolitano), a co-existência de temporalidades (diversidade de tempos sociais) e diferentes apropriações contemporâneas desta materialidade.

Ainda, da mesma forma que a sociedade produz o espaço expressando nele e através dele suas práticas e seu tempo, por ele é produzida – “o espaço influencia também a evolução de outras estruturas e, por isso, torna-se um componente fundamental da totalidade social e de seus movimentos” (SANTOS, 1979, p. 18). Daí já é possível perceber a recursividade dos elementos que se relacionam na produção do espaço geográfico.

Diante das questões acerca da relação estabelecida entre espaço, tempo, cultura e sociedade, deve-se considerar o movimento complexo destas instâncias contidas e produtoras do espaço complexo. A discussão sobre este conceito que aqui se desenvolve aproxima-se, em parte, com a abordagem realizada por Barata Salgueiro (2003) sobre o conceito de espacialidade posto em contrate com a concepção de espaço-palco. Segundo a autora, o espaço-palco seria a área geográfica na qual se inscrevem as práticas sociais, ou seja, remeteria ao que aqui se designa enquanto a materialidade do espaço composto por camadas histórico-culturais de expressão social. A partir de variadas apropriações e reproduções deste espaço-palco pelo movimento cotidiano seriam produzidas espacilidades diversas, tornando o espaço em lugar praticado. Ainda, a teórica menciona a diversidade de temporalidades presentes nos espaços-palco, mas considerando que a apropriação social implica uma instância cultural e que cultura dá ritmo ao tempo, o qual na mesma medida a transforma, considerar-se-á que estas instâncias estão contidas na produção das espacilidades e igualmente representadas nas cristalizações dos espaços-palco.

Diante do breve contexto, o conceito a ser adotado neste estudo não busca separa a objetividade da subjetividade, mas procura tratá-las de maneira dialética e dialógica, buscando considerar a propriedade recursiva das instâncias produtoras dos espaços complexos.  

 

3.2 O Produto Turístico: um recorte do espaço complexo

Antes de iniciar suas colocações sobre a urbanização turística, Luchiari (2000) expõe o ponto nevrálgico de seu posicionamento: a globalização seria uma realidade da sociedade contemporânea expressa nos espaços. Assim, estes são conceituados como “o resultado de um feixe de relações que soma as particularidades (política, econômicas, sociais, culturais, ambientais...) às demandas do global que o atravessa” (2000, p.107). A partir desta colocação, a teórica afirma que as renovações do espaço seriam aceleradas pela urbanização turística. Diante desta condição “global x local” os espaços turísticos seriam marcados pela hibridez resultante das relações entre global e local que se expressam através do fenômeno turísticos. Portanto, o Turismo representaria um dos fenômenos que acelerariam a transformação dos espaços da cidade.

Conforme argumentado anteriormente, a produção está voltada para a demanda global, ou seja, para uma cultura turística construída ao longo da história. No cerne da atratividade, dos desejos dos turistas estariam a busca pelo lazer, aventura e, no Turismo Cultural, a busca pelo exótico e sua autenticidade. Sobre esta última instância, Santana (2003) e Luchiari (2000) chegam a um ponto  comum quando afirmam, por diferentes caminhos, que a autenticidade está no olhar do sujeito. 

O Turismo pode reproduzir a natureza, a cultura e a autenticidade de práticas sociais. Mas o que dá sentido ao consumo desses simulacros é a subjetividade do indivíduo e dos grupos sociais que passam a valorizar a própria reprodução” (2000, p.109).

 

O autêntico não estaria na relação do produto com a realidade, mas sim na autenticidade daquilo que é atraivo, do artefato pelo qual o sujeito em busca se deslocam. Relacionando este apontamento teórico com o quadro dos dados apresentados no início da discussão, o fato de os turistas do caso A (Produtos Turísticos) consideraram sua experiência intensa pode ser explicado pela hipótese destes terem apenas a noção parcial da cidade através de uma leitura limitada do produto turístico. Porém, mesmo dentro desta limitação o turista conseguiria perceber que há algo além do que fora vivenciado através do pacote turístico. Já no caso B, momento em que o indivíduo retorna à cidade, por se propor a viver o movimento, este acaba construindo um novo olhar sobre a cidade a passa a considerar como atrativo não somente os turísticos, mas outros espaços da cidade. No caso C a imersão é significativa a ponto do sujeito desvincula a instância turística do centro do conceito de atrativo, reconstruindo em seu lugar o movimento enquanto atratividade (questão expressa nos questionário na descrição das práticas sociais realizadas nos espaços). Diante destas hipóteses haveria dois conceitos que em parte são integrantes, mas que se distanciam de acordo com o grau de imersão no cotidiano local: atrativo e turístico. Conceitos-chave para compreender o olhar sobre a autenticidade da experiência.

Considerando que neste momento busca-se retratar a lógica da produção turística dos espaços, serão descritos os elementos constitutivos desta para posteriormente relacionar a produção com a recepção. A apresentação breve das hipóteses sobre o olhar do turista se mostrou pertinente considerando que a produção tem como parâmetro o olhar da demanda. No entanto, o importante da  discussão anterior é a hipótese de que este olhar é maleável, não passivo e se transforma a partir da experiência.

Retomando, sobre a lógica que permeia a elaboração dos produtos turísticos, o viés economicista predominante orienta a produção dos espaços turísticos de modo a satisfazer uma demanda, não necessariamente para representar a complexidade do local. Até mesmo porque a lógica cartesiana mercadológica não parte da complexidade do sujeito pós-moderno, mas sim da segmentação da demanda. Daí provem os diversos tipos de Turismo: cultural, histórico, de aventura, de lazer, etc.

Dentro destas categorias, além da paisagem natural, a paisagem construída historicamente (as camadas históricas urbanas; os fixos), singularizada pela cultura de cada sociedade se constituiriam como objeto de atração turística. Considerando esta questão, pretende-se chamar a atenção para o modo como o espaço urbano vem sendo abordado: hipoteticamente através de uma leitura limitada à materialidade (desconsiderando o movimento) desta paisagem construída. Nestes casos, Tempo e Cultura são apreendidos de maneira fragmentada - passado e presente são interpretados separadamente, como se estes não estivessem ligados por um movimento contínuo, através do qual ocorrem as transformações socioculturais. A dicotomia entre passado e presente se dá devido a uma leitura do espaço limitada apenas à paisagem, na qual estão expressas as marcas das gerações passadas. Por conseguinte, não abarca o momento atual que só pode ser apreendido numa abordagem complexa do espaço.

Esta interpretação dos atrativos turísticos não fora questionada em decorrência da supervalorização do passado que o conceito social de atrativo turístico carrega desde a época romântica – ruínas, monumentos, o passado, ou seja, a cristalização nos fixos da paisagem. Neste contexto, tempo e cultura são expostos, essencialmente através dos city tours, por meio da interpretação do patrimônio material e imaterial. O problema constitui-se na maneira como são interpretados. O Doutor em História José Newton Coelho Meneses aprofunda com proficiência esta questão em História & Turismo Cultural (2004).

Segundo o autor, o patrimônio material representaria a construção física e a imaterial as construções mentais, culturais, valorativas e simbólicas. No entanto, observa o teórico, essa dicotomia do conceito de patrimônio apresenta-se como um problema a sua interpretação. Isto porque o universo material medeia os sentidos, valores e significados; logo o patrimônio apresentaria uma dialógica entre as instâncias materiais e imateriais. Desta forma, a separação desses elementos inter-relacionados impediria uma leitura capaz de apreender a construção da cultura. Para dificultar ainda mais a interpretação histórico-cultural da sociedade exótica que se quer conhecer, a abordagem utilizada no Turismo prioriza um contexto dado, um recorte histórico de um tempo passado. Conta através dos fixos e das marcas deixadas na paisagem períodos históricos, não integrando o presente nestas interpretações. Ou seja, não admite a história sob um processo de construção no qual o presente problematizado representaria o local fundamental para interpretar o passado e, num movimento retrógrado, compreender o próprio presente.

Ainda, desconsiderando o movimento de transformação, a interpretação turística oferece a cultura através dos simulacros, uma vez que tem autenticidade no cerne da concepção de atrativo turístico. O autêntico é, então, tomado de forma engessada, cristalizada, simulada – o outro autêntico, vendido através do Turismo, talvez nem seja mais o outro na sua condição presente, uma vez que o processo de transformação da cultura é contínuo.

De acordo com Meneses (2004), esta interpretação é precária e a partir dela há uma monumentalização dos eventos (o recorte de um passado dado) e a musealização da experiência. Para o autor o patrimônio é vivo, contém em si a condição histórica de uma sociedade e conseqüentemente o presente no qual o monumento é apropriado, resignificado, ou tem o papel de manter vivo um sentido identitário que se mantém ao longo do tempo. Portanto, a cultura e a história devem ser interpretadas a partir da vivência cotidiana da população que se quer compreender. Logo, a dinâmica da cultura imposta pela sua historicidade deve ser considerada – “pensar o patrimônio social de uma sociedade é pensar a própria sociedade e problematizar sua existência e sua forma de participação na vida” (MENESES, 2004, p.49).

Tendo em vista que o espaço geográfico é o local onde a vida acontece e nele estão expressas não somente a cristalização da vida, mas também o seu movimento presente, a interpretação deste espaço deve considerar as questões expostas acima sobre o tempo e a cultura – o movimento. Ao estar restrita a uma leitura do espaço sob o enfoque da paisagem (cristalização), a experiência turística proposta pelos produtos de massa, não estaria inserida dentro do movimento cotidiano que se desenrola e se expressa no espaço urbano, reconstruindo-o continuamente. Voltada para a paisagem e às cristalizações presentes nos seus fixos, as interpretações que desconsideram tal movimento presente proporcionariam uma experiência visual. Mais especificamente, a visualidade estaria imbricada à interpretação focada apenas nas cristalizações histórico-culturais impressas na paisagem, da qual são concebidos os produtos turísticos.  

 

4 Aprofundando a interpretação dos dados a partir da teoria

Pôde-se observar através da análise dos dados apresentados que os meios pelos quais o sujeito vive o local influenciam na imersão cultural e na formação de sua concepção sobre a cidade.

O indivíduo conseguiria perceber a existência de uma polifônica da cidade, de uma complexidade urbana, mesmo inserido nas limitações dos pacotes turísticos. Além do tempo controlado, os city tours abordam a cidade através de recorte específico, simplista, uma leitura turística que privilegia as cristalizações da paisagem (fixos) e não o movimento complexo (fluxos) que pluraliza a cidade e que a atribui um sentido urbano específico. Neste contexto, o grupo A acredita que os pacotes permitem um  reconhecimento da cidade (localização e a história). Contudo, acreditam que no “bater-pernas” pode-se descobrir outras realidade de uma mesma cidade.

A densidade de apreensão da cidade ocorre na medida em que o sujeito se insere no movimento cotidiano. É este movimento que dá sentido à materialidade da cidade. Isto porque são as práticas cotidianas, que compõe este movimento, que dão diferentes apropriações e formas aos espaços da cidade, criando múltiplas espacialidades (usos, funções, apropriações) e expressando nestes lugares praticados temporalidades sociais distintas. Fatores que influencia nos sentidos construído em torno da cidade tanto dos moradores, que fazem este movimento e deste se constituem, quanto dos visitantes.

Mesmo que o produto turístico seja um recorte simplista, a realidade complexa do espaço urbano que o engloba é imponente. O produto turístico, por mais programado e controlado que seja, deixa escapar o fluxo social que tende a apresentar-se ao turista como indícios de que a cidade, Buenos Aires no caso, é algo além da Cidade Turística. A cidade turística é apenas uma das muitas Buenos Aires e é justamente por isso que os indivíduos voltam – para vivenciar o movimento que no consumo dos pacotes pôde ser superficialmente percebido.

Por fim, vale ressaltar que as conclusões a que se chega nesta breve problematização dos dados coletados são apenas categorias de chegada a serem aprofundadas. Ainda, outras técnicas devem ser utilizadas para melhor compreender a construção de sentido sobre a cidade, tais como análise de fotografias tiradas pelos turistas e entrevistas semi-estruturadas. 

 

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[1] Artigo apresentado no Encontro Nacional de Turismo – Sobre o urbano, promovido pelo curso de Turismo, PUCRS, 2006.

 

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Priscila Gayer  é mestranda em Turismo - UCS

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