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1 Introdução
O propósito deste artigo reside na exposição de observações
realizadas no decorrer da pesquisa desenvolvida no trabalho de conclusão de
curso Os Destinos e Seus Imaginários (Turismo, 2005/01). A problemática
voltava-se para o seguinte questionamento: os imaginários agregados às
localidades turísticas representam a sua complexidade, ou estão apenas
subjugados a uma lógica de mercado?
Neste estudo foi possível constatar que a produção dos
imaginários agregados aos destinos turísticos geralmente segue uma lógica
mercantil. Esta lógica privilegiaria a satisfação da demanda segmentada em
detrimento da representação da complexidade dos centros urbanos (Buenos Aires –
estudo de caso). Desta forma, desconsiderar-se-ia a complexidade do sujeito
pós-moderno e na elaboração dos produtos turísticos seriam desenvolvidas
interpretações simplistas e fragmentadas sobre os espaços complexos.
Apesar de o estudo estar direcionado ao campo da produção,
através da interpretação dos dados foram identificados diferentes sentidos
construídos sobre Buenos Aires por parte dos turistas de acordo com o tipo de
experiência proporcionada. Diante das evidências, no recorte a ser apresentado
brevemente, a problemática neste artigo paira sobre a análise dos diferentes
graus de imersão dos turistas no movimento cotidiano da cidade de Buenos Aires e
a forma como esta imersão influencia na construção de sentido sobre o local
vivenciado. A Metodologia está orientada por uma análise qualitativa, inserida
em uma proposta etnográfica desenvolvida na totalidade da pesquisa. Dentre as
técnicas utilizadas, os 12 questionários aplicados fornecem o substrato para
análise do presente estudo.
2 Ordenação e Interpretação dos dados coletados:
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.:A:.
Pacote
Turístico
(4 entrevistas) |
- Grupo:
experiência somente através de pacotes
turísticos.
- Descrição da cidade:
superficial.
Apresentada através das seguintes palavras-chave:
charme Europeu, vida cultural intensa, câmbio acessível e
receptividade dos portenhos.
- Atrativos: os lugares
turísticos são apenas pautados, sem densidade descritiva.
- Observações relevantes:
em todos os casos os indivíduos apresentaram desejo de retornar.
Ainda, fica evidente a necessidade de um tempo maior para
“aproveitar a cidade ao máximo”, sendo que os city tours e pacotes
permitem ter uma noção da cidade para depois circular por ela e
neste “bater-de-pernas” descobrir outras realidades, outras Buenos
Aires.
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.:B:.
Múltiplas Experiências
(6 entrevistas) |
- Grupo:
mais de uma visita a Buenos Aires, sendo a
primeira realizada através da programação cultural dos pacotes
turísticos e as demais compreendendo uma experiência desvinculada
destes.
- Descrição
da cidade: os sujeitos apresentaram uma
experiência de maior contato com o cotidiano através das pessoas
locais, intensificando as descrições sobre a cidade.
- Atrativos:
mescla entre os atrativos turísticos
tradicionais e outros espaços da cidade.
-
Observações relevantes: na diferenciação
entre a primeira e segunda experiência, consideraram que a segunda
fora a que proporcionara um maior conhecimento da cidade através da
liberdade de não estar inserido em programas pré-estabelecidos e com
horários marcados. Através do movimento cotidiano sentem-se mais
imersos no local. |
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.:C:.
Imersão no Cotidiano
(2 entrevistas) |
Grupo:
experiência a partir de familiares e
intercâmbio.
Descrição da
cidade: são aprofundadas e expressam-se em
sentimentos quando os sujeitos parecem ter a possibilidade de
vivenciar a cidade a partir de um contato mais íntimo com o
cotidiano. Por meio da experiência proporcionada por familiares,
houvera a construção de um sentido sobre Buenos diferente das demais
por incluir a vivência de outras dinâmicas cotidianas de num mesmo
centro urbano.
Atrativos:
fugiram aos atrativos ditos turísticos, enquadrando outros lugares,
mas cuja atração e significado estavam no movimento que àquele lugar
atribuía um uso, uma função, uma apropriação local.
-
Observações relevantes: em todos os grupos
a maioria apresentou um forte desejo em retornar à cidade de Buenos
Aires. |
3 Fundamentação teórica: aporte para aprofundar a análise das
relações estabelecidas
Pensar para além da simples relação entre as expressões
contidas em respostas de questionários requer uma fundamentação teórica que
permita a problematização da realidade interpretada. Assim, compreender o olhar
destes turistas sobre de Buenos Aires, construído na vivenciada da cidade
através de diferentes experiências - distintas formas de se inserir na cidade -
conduz à necessidade da compreensão do produto vivenciado, apropriado seja no
por meio do consumo ou do encontro com o outro no seu cotidiano. Os produtores
do Turismo, mais especificamente o realizado nos centros urbano, elaboram
produtos turísticos enquanto um recorte possível de um produto maior: o espaço
socialmente produzido.
3.1 O Produto Social: espaço complexo
Sob o ponto de vista da
geografia, o espaço pode ser abordado a partir de diferentes categorias
analíticas: a paisagem, o território, o lugar e o ambiente. No entanto, estas
seriam instâncias interligadas de uma realidade mais abrangente - o espaço
complexo. O espaço em questão seria composto pela paisagem enquanto a
materialidade sócio-cultural acumulada de tempos históricos passados que ali se
expressaram. Mas, sobretudo, a compreensão da espacialidade remeteria à análise
de um momento presente, a um movimento social que resignifica constantemente os
elementos da paisagem através de diferentes apropriações, usos e funções
atribuídas – questão que remete ao conceito de Fluxos e Fixos desenvolvidos por
Milton Santos. Assim, estas materialidades espaciais ganhariam um significado
contemporâneo quando inseridas na dinâmica social presente, renovando a
objetividade da paisagem através da subjetividade do movimento.
Vale ressaltar que é
através desta coletividade que a memória comum pode ser ativada dando sentido ao
patrimônio histórico-cultural de uma comunidade, aflorando nos cidadãos o
sentimento de preservação de uma determinada expressão material – histórica,
cultural, ideológica, etc. – que na mesma medida em que é resguardada pela
memória, a mantém viva. Por outro lado, considerando que a memória é seletiva, a
destruição de certos monumentos pode representar a tentativa de apagar as marcar
de fatos que se deseja esquecer. Neste sentido, o espaço é mantido e renovado de
acordo com o movimento incessante. Em meio a estas destruições, preservações e
sobreposições cria-se um mosaico espacial de cristalizações
histórico-socio-culturais. Uma materialidade passível de ler lida e rememorada
na vivência cotidiana.
Desta forma, o espaço
constitui-se enquanto um produto histórico-sócio-cultural em constante
transformação. Dentre os elementos produtores do espaço, o tempo pode ser
adotado como uma expressão cultural materializado no espaço a partir do ser
humano. Considerando que a cultura é dinâmica e plural, decorreria desta
condição a co-existência de diferentes camadas temporais devido a diversidade de
temporalidades manifestadas no espaço por distintos grupos sociais em diferentes
tempos e igualmente em diferentes ritmos dentro de um mesmo período. O Humano,
por ser histórico, implicaria uma historicidade na cultura, tornando-a dinâmica
na medida em que esta representa um produto mutável no processo de transformação
social, ou seja, na história. Dentro desta recursividade (produto-produtor), o
espaço é composto por diferentes camadas histórico-sociais. Nesta superfície
híbrida haveria, de acordo com o grau de complexidade
(rural-urbano-metropolitano), a co-existência de temporalidades (diversidade de
tempos sociais) e diferentes apropriações contemporâneas desta materialidade.
Ainda, da mesma forma que
a sociedade produz o espaço expressando nele e através dele suas práticas e seu
tempo, por ele é produzida – “o espaço influencia também a evolução de outras
estruturas e, por isso, torna-se um componente fundamental da totalidade social
e de seus movimentos” (SANTOS, 1979, p. 18). Daí já é possível perceber a
recursividade dos elementos que se relacionam na produção do espaço geográfico.
Diante das questões acerca
da relação estabelecida entre espaço, tempo, cultura e sociedade, deve-se
considerar o movimento complexo destas instâncias contidas e produtoras do
espaço complexo. A discussão sobre este conceito que aqui se desenvolve
aproxima-se, em parte, com a abordagem realizada por Barata Salgueiro (2003)
sobre o conceito de espacialidade posto em contrate com a concepção de
espaço-palco. Segundo a autora, o espaço-palco seria a área geográfica na qual
se inscrevem as práticas sociais, ou seja, remeteria ao que aqui se designa
enquanto a materialidade do espaço composto por camadas histórico-culturais de
expressão social. A partir de variadas apropriações e reproduções deste
espaço-palco pelo movimento cotidiano seriam produzidas espacilidades diversas,
tornando o espaço em lugar praticado. Ainda, a
teórica menciona a diversidade de temporalidades presentes nos espaços-palco,
mas considerando que a apropriação social implica uma instância cultural e que
cultura dá ritmo ao tempo, o qual na mesma medida a transforma, considerar-se-á
que estas instâncias estão contidas na produção das espacilidades e igualmente
representadas nas cristalizações dos espaços-palco.
Diante do breve contexto,
o conceito a ser adotado neste estudo não busca separa a objetividade da
subjetividade, mas procura tratá-las de maneira dialética e dialógica, buscando
considerar a propriedade recursiva das instâncias produtoras dos espaços
complexos.
3.2 O Produto Turístico: um recorte do espaço complexo
Antes de iniciar suas colocações sobre a urbanização
turística, Luchiari (2000) expõe o ponto nevrálgico de seu posicionamento: a
globalização seria uma realidade da sociedade contemporânea expressa nos
espaços. Assim, estes são conceituados como “o resultado de um feixe de relações
que soma as particularidades (política, econômicas, sociais, culturais,
ambientais...) às demandas do global que o atravessa” (2000, p.107). A partir
desta colocação, a teórica afirma que as renovações do espaço seriam aceleradas
pela urbanização turística. Diante desta condição “global x local” os espaços
turísticos seriam marcados pela hibridez resultante das relações entre global e
local que se expressam através do fenômeno turísticos. Portanto, o Turismo
representaria um dos fenômenos que acelerariam a transformação dos espaços da
cidade.
Conforme argumentado anteriormente, a produção está voltada
para a demanda global, ou seja, para uma cultura turística construída ao longo
da história. No cerne da atratividade, dos desejos dos turistas estariam a busca
pelo lazer, aventura e, no Turismo Cultural, a busca pelo exótico e sua
autenticidade. Sobre esta última instância, Santana (2003) e Luchiari (2000)
chegam a um ponto comum quando afirmam, por diferentes caminhos, que a
autenticidade está no olhar do sujeito.
O Turismo pode
reproduzir a natureza, a cultura e a autenticidade de práticas sociais. Mas o
que dá sentido ao consumo desses simulacros é a subjetividade do indivíduo e dos
grupos sociais que passam a valorizar a própria reprodução” (2000, p.109).
O autêntico não estaria na relação do produto com a
realidade, mas sim na autenticidade daquilo que é atraivo, do artefato pelo qual
o sujeito em busca se deslocam. Relacionando este apontamento teórico com o
quadro dos dados apresentados no início da discussão, o fato de os turistas do
caso A (Produtos Turísticos) consideraram sua experiência intensa pode ser
explicado pela hipótese destes terem apenas a noção parcial da cidade através de
uma leitura limitada do produto turístico. Porém, mesmo dentro desta limitação o
turista conseguiria perceber que há algo além do que fora vivenciado através do
pacote turístico. Já no caso B, momento em que o indivíduo retorna à cidade, por
se propor a viver o movimento, este acaba construindo um novo olhar sobre a
cidade a passa a considerar como atrativo não somente os turísticos, mas outros
espaços da cidade. No caso C a imersão é significativa a ponto do sujeito
desvincula a instância turística do centro do conceito de atrativo,
reconstruindo em seu lugar o movimento enquanto atratividade (questão expressa
nos questionário na descrição das práticas sociais realizadas nos espaços).
Diante destas hipóteses haveria dois conceitos que em parte são integrantes, mas
que se distanciam de acordo com o grau de imersão no cotidiano local: atrativo e
turístico. Conceitos-chave para compreender o olhar sobre a autenticidade da
experiência.
Considerando que neste momento busca-se retratar a lógica
da produção turística dos espaços, serão descritos os elementos constitutivos
desta para posteriormente relacionar a produção com a recepção. A apresentação
breve das hipóteses sobre o olhar do turista se mostrou pertinente considerando
que a produção tem como parâmetro o olhar da demanda. No entanto, o importante
da discussão anterior é a hipótese de que este olhar é maleável, não passivo e
se transforma a partir da experiência.
Retomando, sobre a lógica que permeia a elaboração dos
produtos turísticos, o viés economicista predominante orienta a produção dos
espaços turísticos de modo a satisfazer uma demanda, não necessariamente para
representar a complexidade do local. Até mesmo porque a lógica cartesiana
mercadológica não parte da complexidade do sujeito pós-moderno, mas sim da
segmentação da demanda. Daí provem os diversos tipos de Turismo: cultural,
histórico, de aventura, de lazer, etc.
Dentro destas categorias, além da paisagem natural, a
paisagem construída historicamente (as camadas históricas urbanas; os fixos),
singularizada pela cultura de cada sociedade se constituiriam como objeto de
atração turística. Considerando esta questão, pretende-se chamar a atenção para
o modo como o espaço urbano vem sendo abordado: hipoteticamente através de uma
leitura limitada à materialidade (desconsiderando o movimento) desta paisagem
construída. Nestes casos, Tempo e Cultura são apreendidos de maneira fragmentada
- passado e presente são interpretados separadamente, como se estes não
estivessem ligados por um movimento contínuo, através do qual ocorrem as
transformações socioculturais. A dicotomia entre passado e presente se dá devido
a uma leitura do espaço limitada apenas à paisagem, na qual estão expressas as
marcas das gerações passadas. Por conseguinte, não abarca o momento atual que só
pode ser apreendido numa abordagem complexa do espaço.
Esta interpretação dos atrativos turísticos não fora
questionada em decorrência da supervalorização do passado que o conceito social
de atrativo turístico carrega desde a época romântica – ruínas, monumentos, o
passado, ou seja, a cristalização nos fixos da paisagem. Neste contexto, tempo e
cultura são expostos, essencialmente através dos city tours, por meio da
interpretação do patrimônio material e imaterial. O problema constitui-se na
maneira como são interpretados. O Doutor em História José Newton Coelho Meneses
aprofunda com proficiência esta questão em História & Turismo Cultural
(2004).
Segundo o autor, o patrimônio material representaria a
construção física e a imaterial as construções mentais, culturais, valorativas e
simbólicas. No entanto, observa o teórico, essa dicotomia do conceito de
patrimônio apresenta-se como um problema a sua interpretação. Isto porque o
universo material medeia os sentidos, valores e significados; logo o patrimônio
apresentaria uma dialógica entre as instâncias materiais e imateriais. Desta
forma, a separação desses elementos inter-relacionados impediria uma leitura
capaz de apreender a construção da cultura. Para dificultar ainda mais a
interpretação histórico-cultural da sociedade exótica que se quer conhecer, a
abordagem utilizada no Turismo prioriza um contexto dado, um recorte histórico
de um tempo passado. Conta através dos fixos e das marcas deixadas na paisagem
períodos históricos, não integrando o presente nestas interpretações. Ou seja,
não admite a história sob um processo de construção no qual o presente
problematizado representaria o local fundamental para interpretar o passado e,
num movimento retrógrado, compreender o próprio presente.
Ainda, desconsiderando o movimento de transformação, a
interpretação turística oferece a cultura através dos simulacros, uma vez que
tem autenticidade no cerne da concepção de atrativo turístico. O autêntico é,
então, tomado de forma engessada, cristalizada, simulada – o outro autêntico,
vendido através do Turismo, talvez nem seja mais o outro na sua condição
presente, uma vez que o processo de transformação da cultura é contínuo.
De acordo com Meneses (2004), esta interpretação é precária
e a partir dela há uma monumentalização dos eventos (o recorte de um passado
dado) e a musealização da experiência. Para o autor o patrimônio é vivo, contém
em si a condição histórica de uma sociedade e conseqüentemente o presente no
qual o monumento é apropriado, resignificado, ou tem o papel de manter vivo um
sentido identitário que se mantém ao longo do tempo. Portanto, a cultura e a
história devem ser interpretadas a partir da vivência cotidiana da população que
se quer compreender. Logo, a dinâmica da cultura imposta pela sua historicidade
deve ser considerada – “pensar o patrimônio social de uma sociedade é pensar a
própria sociedade e problematizar sua existência e sua forma de participação na
vida” (MENESES, 2004, p.49).
Tendo em vista que o espaço geográfico é o local onde a
vida acontece e nele estão expressas não somente a cristalização da vida, mas
também o seu movimento presente, a interpretação deste espaço deve considerar as
questões expostas acima sobre o tempo e a cultura – o movimento. Ao estar
restrita a uma leitura do espaço sob o enfoque da paisagem (cristalização), a
experiência turística proposta pelos produtos de massa, não estaria inserida
dentro do movimento cotidiano que se desenrola e se expressa no espaço urbano,
reconstruindo-o continuamente. Voltada para a paisagem e às cristalizações
presentes nos seus fixos, as interpretações que desconsideram tal movimento
presente proporcionariam uma experiência visual. Mais especificamente, a
visualidade estaria imbricada à interpretação focada apenas nas cristalizações
histórico-culturais impressas na paisagem, da qual são concebidos os produtos
turísticos.
4 Aprofundando a interpretação dos dados a partir da teoria
Pôde-se observar através da análise dos dados apresentados
que os meios pelos quais o sujeito vive o local influenciam na imersão cultural
e na formação de sua concepção sobre a cidade.
O indivíduo conseguiria perceber a existência de uma
polifônica da cidade, de uma complexidade urbana, mesmo inserido nas limitações
dos pacotes turísticos. Além do tempo controlado, os city tours abordam a cidade
através de recorte específico, simplista, uma leitura turística que privilegia
as cristalizações da paisagem (fixos) e não o movimento complexo (fluxos) que
pluraliza a cidade e que a atribui um sentido urbano específico. Neste contexto,
o grupo A acredita que os pacotes permitem um reconhecimento da cidade
(localização e a história). Contudo, acreditam que no “bater-pernas” pode-se
descobrir outras realidade de uma mesma cidade.
A densidade de apreensão da cidade ocorre na medida em que
o sujeito se insere no movimento cotidiano. É este movimento que dá sentido à
materialidade da cidade. Isto porque são as práticas cotidianas, que compõe este
movimento, que dão diferentes apropriações e formas aos espaços da cidade,
criando múltiplas espacialidades (usos, funções, apropriações) e expressando
nestes lugares praticados temporalidades sociais distintas. Fatores que
influencia nos sentidos construído em torno da cidade tanto dos moradores, que
fazem este movimento e deste se constituem, quanto dos visitantes.
Mesmo que o produto turístico seja um recorte simplista, a
realidade complexa do espaço urbano que o engloba é imponente. O produto
turístico, por mais programado e controlado que seja, deixa escapar o fluxo
social que tende a apresentar-se ao turista como indícios de que a cidade,
Buenos Aires no caso, é algo além da Cidade Turística. A cidade turística é
apenas uma das muitas Buenos Aires e é justamente por isso que os indivíduos
voltam – para vivenciar o movimento que no consumo dos pacotes pôde ser
superficialmente percebido.
Por fim, vale ressaltar que as conclusões a que se chega
nesta breve problematização dos dados coletados são apenas categorias de chegada
a serem aprofundadas. Ainda, outras técnicas devem ser utilizadas para melhor
compreender a construção de sentido sobre a cidade, tais como análise de
fotografias tiradas pelos turistas e entrevistas semi-estruturadas.
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