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Introdução
O presente trabalho é um
esforço inicial que pretende trazer à tona informações a
respeito da relação entre grupos de pesquisa e mestrados em
Turismo com a produção científica. Trabalhos consecutivos a
esse são necessários e servirão para aprofundar a busca por
um entendimento mais rigoroso e consistente.
A primeira grande
indagação é: os grupos de pesquisa hoje podem ser apontados
como indicadores do Estado da Arte em Turismo? Com o
presente trabalho, cada um poderá chegar à sua conclusão.
O turismo, como nova área que
é na Academia, vem desenvolvendo o seu corpo de pesquisa há
pouco tempo se comparado a áreas como o Direito ou a
Filosofia.
Ainda não existe uma
caracterização própria e delineada da abrangência e da
profundidade do turismo, o que impulsiona estudos (como o
presente trabalho). Nas palavras de
Lucrecia Stringhetta Mello, “nenhuma investigação se faz
a partir de um vazio doutrinal ou sem pré-concepções sobre a
realidade em que trabalha.” Parte-se do princípio que o
turismo é “uma área de estudo sério e de interesse de
investigadores formados tanto no turismo quanto em outras
áreas do conhecimento”. Se o turismo é ou não ciência não
nos cabe, aqui, discutir.
A pesquisa científica no
Brasil tem sua paternidade nas instituições universitárias e
centros de estudos públicos, financiados pelo Estado.
As Universidades públicas
foram as principais colaboradoras na construção de programas
de pós-graduação do país, através de linhas de financiamento
com recursos públicos, destinados à formação de
pesquisadores. Na década de 60 começa um movimento tardio
das Universidades privadas, nem por isso sem mérito, de
alçar o caminho árduo de formar quadros capazes de produzir
pesquisa científica do Brasil.
Mesmo que ainda de forma
isolada e pontual, coube a estas instituições a decisão de
investir, com recursos próprios, no desenvolvimento de novos
ambientes para o fazer científico, através de programas de
pós-graduação.
As experiências consolidadas
destes programas de mestrado e doutorado nas Universidades
particulares provam que elas foram capazes, muitas vezes de
maneira audaz e criativa, de inserir políticas de incentivo
na formação de doutores em centros do conhecimento nacionais
e internacionais, bem como na fixação destes pesquisadores
na própria instituição.
Cientes de que o processo do
fazer ciência é caracterizado pela presença indispensável de
massa crítica, exigindo tempo e espaço para o exercício
contínuo, lento, cotidiano e às vezes incerto da pesquisa
científica, as instituições não estatais foram capazes de
empregar esforços na contratação de pesquisadores seniores,
investir na formação de mestres e doutores, através de seus
programas de mestrado e doutorado, e ainda estabelecer
medidas capazes de permitir aos alunos da graduação a
vivência da investigação nas atividades cotidianas de seus
cursos, através de práticas investigativas e dos programas
de iniciação científica.
Mesmo que ainda de caráter
embrionário, a pesquisa científica nas Universidades
particulares distingue as instituições de ensino privadas
preocupadas em fazer a formação de quadros para o mercado de
trabalho e as que ultrapassaram a linha da graduação
bem-sucedida e ousaram praticar, na plenitude, o conceito de
Universidade.
Sabendo que o CNPq é o
principal órgão gestor e de fomento da Pesquisa no país,
pergunta-se: Quais são as principais características dos
grupos de pesquisa em Turismo registrados no CNPq? Tal
indagação tem como objetivo identificar e analisar a
formatação dos grupos de pesquisa. A importância disso,
exatamente, é contribuir para com a formatação e a
consistência do turismo como reconhecida área do saber, não
dando margens a questionamentos quanto a sua necessidade
como parte da Academia, bem como quanto a seriedade.
Indo de encontro com o exposto
e visando colaborar, evitou-se uma pesquisa muito abrangente
para não resultar em um trabalho raso e (quase) sem
utilidade. Preferiu-se restringir a uma pesquisa
exploratória via internet, essencialmente, com os grupos
cadastrados no CNPq e com origem nos mestrados brasileiros
em Turismo.
Caracterização dos
Grupos de Pesquisa dos Mestrados em Turismo no Brasil
A base deste trabalho é o site
oficial do CNPq (incluindo a plataforma Lattes), órgão
público federal de fomento à pesquisa.
Os grupos de pesquisa dos
mestrados em Turismo, no entanto, mostram que, hoje, as
universidades particulares investem muito mais em produção
científica turística. A partir de tais grupos, a produção
aparece evidenciada em revistas próprias.
O que é produzido a partir de
tais grupos são conhecimentos aceitos e referendados pela
comunidade científica (?). Isso porque a maioria dos
pesquisadores vem de outras áreas do saber e a grande
interdisciplinaridade dificulta e ainda não criou um corpo
científico próprio do Turismo com força suficiente para
referendar ou não esta ou aquela pesquisa entre os pares
(que, assim, são muitos). Em geral, os estudos ficam com
opiniões abertas, desde que apresentando idéias e
informações coerentes.
Outra característica
encontrada quanto aos grupos de pesquisa em questão é estes
terem seus líderes doutores, em sua ampla maioria, com raros
mestres na liderança (ou co-liderança).
De acordo com o site oficial
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico, CNPq, um grupo de pesquisa
“é definido como um conjunto
de indivíduos organizados hierarquicamente em torno de uma
ou, eventualmente, duas lideranças”.
Ainda segundo a instituição
federal, para existir um grupo de pesquisa é necessário que
seus componentes compartilhem, em algum grau, de instalações
e equipamentos. O objetivo deve ser desenvolver pesquisas em
comum de interesse dos componentes daquele grupo.
Já as “linhas de pesquisa
representam temas aglutinadores de estudos científicos que
se fundamentam em tradição investigativa, de onde se
originam projetos cujos resultados guardam afinidades entre
si”. E linhas de pesquisa não são o mesmo que projetos.
De acordo com o CNPq, projeto
de pesquisa “é a investigação com início e final definidos,
fundamentada em objetivos específicos, visando a obtenção de
resultados, de causa e efeito, ou a colocação de fatos novos
em evidência”.
O organograma que
também os grupos de pesquisa dos mestrados em Turismo têm
sua gênese comum nas regras do CNPq e são estruturados com
um líder e, abaixo deste, num mesmo patamar, pesquisadores e
estudantes e/ou técnicos.
De acordo com o que afirma o
CNPq em seu site oficial,
“O CNPq não interfere
diretamente nesse nível de definição. Cabe aos líderes de
grupo a definição de quais são os pesquisadores, estudantes
e técnicos de seus grupos. Por outro lado, cabe aos
dirigentes institucionais de pesquisa a definição quanto aos
grupos e seus líderes”.
1- Líder:
“o pesquisador líder do grupo
é que detém a liderança acadêmica e intelectual naquele
ambiente de pesquisa. Normalmente, tem a responsabilidade de
coordenação e planejamento dos trabalhos de pesquisa do
grupo. Sua função aglutina os esforços dos demais
pesquisadores e aponta horizontes e novas áreas de atuação
dos trabalhos”.
“No diretório, é o líder -
cadastrado previamente no sistema pelo dirigente de pesquisa
de sua instituição de origem - o responsável pelo
preenchimento do formulário Web Grupo”.
Para ser líder é necessário
que se tenha experiência, destaque e liderança, isso no
campo científico ou no tecnológico; além de ser profissional
permanentemente envolvido com as atividades de pesquisa,
“cujo trabalho se organiza em torno de linhas comuns de
pesquisa”.
“A identificação de líderes de
grupos é de total responsabilidade da instituição (de
origem), através do dirigente institucional de pesquisa”.
2- Pesquisadores:
“Pesquisador é aquele que
busca com investigação, procurando os caminhos que conduzem
à evidência da verdade”, segundo Lucrécia Stringhetta Mello,
supra citada doutora em Educação.
3- Estudantes: participam
ativos das linhas de pesquisa desenvolvidas pelo grupo como
parte de suas atividades discentes, sob a orientação de
pesquisadores do grupo. (de acordo com o CNPq)
4- Técnicos: São
profissionais “cuja função é prestar assistência para
profissionais de nível superior, incumbindo-se de cálculos,
desenhos, especificações, orçamentos, reparação e utilização
adequada de equipamentos, instalações e materiais”, de
acordo com informações contidas no site do CEFET, Centro
Federal de Educação Tecnológica, do Maranhão.
Para que um grupo de pesquisa
esteja cadastrado no CNPq (e tenha, portanto, visibilidade,
credibilidade e reconhecimento) é necessário que a
instituição de origem do grupo esteja participando do DPG:
Diretório de Grupos de Pesquisa. Algum componente
organizacional - como pró-reitoria de pesquisa, diretoria ou
coordenação de pesquisa - da instituição de origem deve
estar articulado com o DPG. Tanto universidades públicas
como privadas podem ser cadastradas no DPG, bem como
“instituições não universitárias de ensino superior que
possuam pelo menos um curso de pós-graduação reconhecido
pela CAPES, institutos públicos de pesquisa científica e
tecnológica, e laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de
empresas estatais ou ex-estatais”.
A pesquisa científica
advinda dos grupos de pesquisa dos mestrados em Turismo
brasileiros
"Façam ou se recusem a fazer arte,
ciência, ofícios. Mas não fiquem apenas nisso,
espiões da vida, camuflados em técnicos
da vida, espiando a multidão passar.
Marchem com as multidões."
Mário de Andrade, escritor, em
1942.
A teoria é uma
forma de subsídio para leitura do real. É esse entendimento
de demanda que a sociedade, em geral, requer das pesquisas.
Aplicar e fazer parte da sociedade, não ficando num mundo
paralelo ou transformando a Universidade numa redoma de
vidro, mas sim servindo ao todo, é o “marchar com as
multidões” que sugere o escritor modernista Mário de Andrade
nas palavras que abrem este subitem. A Universidade não
pode estar alheia a servir o bem comum.
Como parte da
Academia o crescimento do turismo é evidente. É por isso que
as pesquisas já vêm sem amadorismo, ou seja, com formato – e
teor – científico, mesmo não havendo conclusão sobre o
Turismo ser ou não ciência.
Os grupos de
pesquisa, em geral, nascem em ambiente universitário. Os
cursos de pós-graduação strictu sensu exigem (devem
exigir, pelo menos) cientificidade em suas pesquisas. Daí a
maior probabilidade de existirem pesquisas científicas
surgirem e se desenvolverem em mestrados e/ou em
doutorados.
Existem, no Brasil,
quatro mestrados em Turismo reconhecidos e mais um em
formação:
- Mestrado em Turismo –
Universidade de Caxias do Sul, RS;
- Mestrado em Turismo e
Hotelaria – Universidade do Vale do Itajaí, SC;
- Mestrado em Hospitalidade –
Anhembi-Morumbi, SP;
- Mestrado em Turismo e Meio
Ambiente – Centro Universitário UNA, MG;
- Mestrado em Turismo
(profissionalizante e o mais novo dos cinco/ está em
formação) – UnB, Brasília,DF.
Todos têm conceito três, o
mínimo para a CAPES - órgão do CNPq que controla o que tange
a pós-graduação no país.
Todos os mestrados acima foram
contactados (em dezembro de 2006) por e-mail, mas não
ofereceram respostas. Estas poderiam trazer alguma
informação a mais além das existentes nos sites
oficiais das instituições de ensino.
Os grupos de pesquisa
expostos nos sites oficiais das respectivas
instituições de ensino são:
Grupos de pesquisa da UCS:
• Informação,
aprendizagem e educação em turismo
Líder:
Mirian Rejowski
• Cultus - Turismo,
cultura e sociedade
Líder:
Margarita Nilda Barreto Angeli
• Gestão ambiental no
turismo
Líder:
Suzana Maria de Conto Mandelli
Grupos de pesquisa da
UNIVALI:
• Grupo I
• Planejamento e
Gestão: Interface Turismo, Espaço e Sociedade
• Líderes: Profª Drª
Yolanda Flores e Silva
• Prof.
MSc. Marcio Soldateli
• Grupo II
• Núcleo de
Coordenação de Pesquisas e Projetos em Turismo e Hotelaria
• Líderes: Profª Drª
Doris van de Meene Ruschmann
• Prof.
Dr. Francisco Antonio dos Anjos
• Grupo III
• Grupo de Estudos de
Organizações em Turismo e Hotelaria- GEOTH
• Líderes: Profª Drª
Maria José Barbosa de Souza
•
Profª Doris van de Meene Ruschmann
• Gr: Planejamento,
Marketing e Comercialização de Produtos em Destinações
Turísticas - UNIVALI
Li: Silvia Regina Cabral
AP: Turismo
Grupo de pesquisa da UnB:
• Turismo e Cultura
• Líder: Ellen
Fensterseifer Woortmann
Grupos de pesquisa da
Anhembi-Morumbi:
• Indicadores de
Sustentabilidade Ambiental para Turismo e Hospitalidadade
Líder: Davis Gruber Sansolo
• Inovação no ensino e
pesquisa em Hospitalidade e Turismo
• Líder: Ada de
Freitas Maneti Dencker
Grupos de pesquisa da UNA:
Logística e Métodos
Quantitativos Aplicados ao Turismo e Meio Ambiente - UNA
Líder: Mauri Fortes
Meio Ambiente, Educação e Turismo. - UNA
Líder: José Euclides Alhadas Cavalcanti
Planejamento e Gestão em Turismo - UNA
Líder: Nelson Antonio Quadros Vieira Filho
Os grupos de
pesquisa de tais mestrados podem ser divididos em três
principais categorias relativas aos seus temas:
- Gestão = 7 grupos;
- Educação = 4 grupos;
- Cultura = 2 grupos.
De um total de 13
grupos, a maioria esmagadora, mais de 50%, é voltada para a
gestão. Várias conjecturas podem ser feitas a partir desse
dado, entre elas a aplicabilidade direta mais fácil que em
relação a outros temas. Isso, em geral, facilita o angariar
de verbas, inclusive por parte da iniciativa privada, que
pode lucrar com as pesquisas nas quais investir. Mas é
apenas uma hipótese não confirmada neste trabalho. Para
tanto, toma-se como base o cenário macroeconômico brasileiro
dos últimos anos e para quais áreas as verbas para
pesquisas, em geral, vão em maior número: para as de
aplicabilidade quase imediata. Outras hipóteses a respeito
podem e devem ser levantadas. Bem como estudos que confirmem
ou não. O pensar na questão é importante.
As produções
científicas mais consistentes (de acordo com critérios
apontados pela autora dessa pesquisa para considerar
consistentes: servir como subsídio de pesquisa; funcionar
como “vitrines”para destacar pesquisadores e anunciar novos;
contribuir como modo de a comunidade interessada saber quais
pesquisas estão sendo feitas na área)
são as revistas dos mestrados da UNIVALI, Revista Turismo –
Visão e Ação, e a revista da Universidade Anhembi-Morumbi:
Revista Hospitalidade.
Tomando por base a
UCS e a UNIVALI somadas, nota-se que os grupos de pesquisa
em Turismo tiveram formação a partir da segunda metade da
década de 1990, mas o interesse aumentou em 50% a partir do
ano 2000. Antes de 2000 existiam dois grupos, após 2000
surgiram outros quatro:
• Cultus - Turismo,
Cultura e Sociedade = ano de 1999
• Gestão Ambiental no
Turismo – ano de 2001
• Informação,
aprendizagem e educação em Turismo – ano de 2004
• Planejamento e
Gestão: Interface Turismo, Espaço e Sociedade –ano de 2002
• PLAGET -
Planejamento e Gestão do Espaço Turístico – ano de 1997
• Grupo de Estudos de
Organizações em Turismo e Hotelaria - GEOTH – ano de 2000
Considerações Finais
Os grupos de pesquisa de
mestrados em Turismo estão colaborando para o progresso da
pesquisa turística, conforme as informações apresentadas. No
entanto, publicações, centros de documentação (incluindo a
história do turismo na mídia, contendo jornais, folhetos,
cartazes, inclusive) e bibliotecas (incluindo as virtuais),
por exemplo, ainda são poucos. Isso porque muito têm ainda
tais grupos que trabalhar para ganharem estrutura e se
firmar como referenciais. Grupos de áreas como a Educação e
a Medicina já se sustentam como pilares importantes em
termos acadêmicos e sociais.
Os grupos têm servido como
suporte para a busca de maturidade nas pesquisas turísticas.
Para conseguirem êxito, organizar eventos que propiciem as
trocas de idéias e informações, alimentando a comunicação
direcionada, é fundamental. Outras áreas do saber assim
procederam para alcançar firmeza e serem reconhecidas na
Academia.
Neste sentido, buscar fomentos
duradouros para manter também a periodicidade das
publicações, é essencial. Também o fomento poderá sedimentar
os grupos existentes e abrir caminho para novos grupos.
A partir deste trabalho que
sejam feitos diversos outros. Só então serão possíveis
revisões e pesquisas integrativas. Estas, sim, poderão
contribuir substancialmente para o Turismo.
Referências
Bibliográficas:
• FAZENDA, Ivani C.A.
(org). Dicionário em Construção: interdisciplinaridade. São
Paulo: editora Cortez, 2001.
Sites:
•
www.adimapas.com.br
•
www.anhembi.br
•
www.cnpq.br
•
www.una.br
•
www.unb.br
•
www.ucs.br
•
www.univali.br
Acessos em 8 de dezembro de
2006
http://www.lincult.ufpr.br/
(Página em construção)
Acesso e 3 de janeiro de 2007.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14866.shtml
acesso em 8 de janeiro de
2007.
http://www.abeq.org.br/view.php?id=2
acesso em 9 de janeiro de
2007. |