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Sem escolha, turistas (de
férias ou a lazer, em trânsito ou a negócios) que são obrigados a passar
por Congonhas, não relaxam e nem gozam. É o que a imprensa expõe. E, pergunto: a
senhora Martha Suplicy está relaxando e gozando? Não vi nenhuma providência por
parte desta ministra do Turismo (cargo que obteve não sei com base em quê;
desconheço sua competência nesta área) a partir e referente ao acidente aéreo em
Congonhas do último 17 de julho.
Também me
preocupa a credibilidade que as informações vindas da Infraero têm na prática.
Pela mídia, é notável que as informações iniciais fornecidas pela Infraero não
combinam com as que aparecem nos processos, em geral, bem como as conclusões
quanto aos fatos.
Outra
influenciadora no Turismo, mesmo que indiretamente, é a Agência Nacional de
Aviação Civil, a ANAC. Criada para fiscalizar a atividade, tem sido omissa a
todos os apêlos feitos pelo Ministério Público (MP) quanto à necessidade
de fechamento do aeroporto de Congonhas. Relatórios completos – além de
especialistas em saúde do trabalho – alertam sobre o porquê disto. A ANAC
ignorou o alerta do MP e, então, a Justiça teve total espaço para negar o
pedido.
As companias
aéreas “BRA” e “Ocean Air”, por sua vez, mostraram responsabilidade pelas vidas
que transportam e, sem esperar qualquer ordem governamental, transferiram seus
vôos para Cumbica, aeroporto que não têm e nem gera o número de problemas que
Congonhas.
Moro em Curitiba,
capital paranaense. Aqui, o aeroporto é numa cidade vizinha: São José dos
Pinhais. O aeroporto dentro da nossa cidade é o do Bacacheri. Este teve
impedimento quanto a manter muitos vôos e, atualmente, opera com número ínfimo
de vôos e com aviões pequenos; o que favorece a população de entorno. Os
paulistanos, por sua vez, têm uma segunda opção alternativa a Congonhas que não
Cumbica: Viracopos, em Campinas, cidade a menos de uma hora da capital. O tempo
- quando da comum existência - em engarrafamentos até Congonhas supera, em
geral, sessenta minutos. E, para chegar até Viracopos, aeroporto renovado e
ampliado há pouco tempo, não é nem necessário entrar em Campinas: tive, eu, a
oportunidade de usá-lo horas antes da tragédia em Congonhas, escolhendo vir a
partir de Campinas para Curitiba e não da estressante cidade de São Paulo.
Afirmo: Viracopos está em ordem e pode receber mais passageiros do que tem
recebido. Dados oficiais – para quem preferir - podem confirmar. Turistas:
sempre que puderem, boicotem Congonhas. Quando esse aeroporto der mais
prejuízo do que lucro financeiro, providências serão tomadas e vidas serão
poupadas de serem usadas como alerta. Também o turismo, enquanto
atividade, é coisa séria. Quem puder, por gentileza, informe a senhora ministra
Marta Suplicy.
Tento imaginar a
tensão de tripulantes que, com freqüência, são obrigados a freqüentar o
aeroporto de Congonhas e a respectiva pista. Uma turismóloga, pelo menos,
morreu- tentando a vida - nesse verdadeiro ataque terrorista à sociedade. Este
não ocasionado por terroristas como os do fatídico 11 de setembro, nos Estados
Unidos; mas pela terrorista omissão de governantes e pela terrorista ganância de
empresas aéreas. Fazer questão de usar um aeroporto que, tecnicamente, dizem ser
ótimo e que, no entanto, mesmo aviões pequenos, como o jatinho da Air Pantanal,
vêm sofrendo ali, é pura irresponsabilidade, maldade e crime.
A desapropriação
do que está em volta ao aeroporto de Congonhas deve ser pensada: salvaria
duplamente a sociedade. Os ouvidos dos moradores de entorno sofrem
cotidianamente. Agora o medo é outro problema, além do barulho. O governo, se
conivente com quem insiste em usar aquele aeroporto, que venha, no mínimo, a
aplicar as leis (como as que prevêem desapropriações) a favor da sociedade.
(Nestas horas queremos saber: onde está aquela Justiça que barrou a denúncia do
MP quanto aos perigos de Congonhas? Omissão, neste caso, também é crime).
Tantas desapropriações são feitas para a construção de estradas, pontes e
similares, por exemplo; por que não desapropriar para gerar um contorno de
segurança a Congonhas?
O glamour
que existia quanto às viagens aéreas começou a desaparecer com o perder de
forças da (saudosa e responsável) VARIG. Muitos passageiros obrigados a pegar o
avião vão para as filas de check in com a sensação de estarem indo para o
corredor da morte. E os atrasos só golpeiam ainda mais a coragem para enfrentar
o desafio. Hoje, “viagem aérea” está sendo um sinônimo do medo que paira nos
ares brasileiros. |