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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 09 de maio de 2011 18:35:26                                               

 
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TURISMO

O caso do Arranjo Produtivo Local (APL) de tricot de Imbituva-PR e sua possível vinculação com o Turismo

   

Zaqueu Luiz Bobato1; Joélcio Gonçalves Soares2

publicado em 02/05/2011

 

Resumo

O trabalho, objetiva discutir as políticas públicas direcionadas no APL de tricot de Imbituva-PR, tidas como mecanismo de desenvolvimento para o setor, assim como, refletir sobre as possibilidades turísticas de Imbituva, abordando a atividade enquanto um meio de auxílio ao desenvolvimento do APL, ao ser vinculado nas políticas publicas de fomento ao Arranjo Produtivo em questão.

Palavras-chave: Arranjo Produtivo Local, turismo, Imbituva-PR.

Resumen

El trabajo tiene como intuito, discutir las políticas públicas direccionadas para el APL (Arreglo productivo local) de mallas en tricot de Imbituva (Paraná, Brasil), tenidas como un mecanismo para el desarrollo del sector, así como presentar una reflexión sobre las posibilidades turísticas de Imbituva, tratando la actividad, de forma que esta sea un medio de auxilio al desarrollo del APL, se vinculada a las políticas públicas de promoción del arreglo productivo en cuestión.

Palavras clave: Arreglo Productivo Local, turismo, Imbituva-PR.


 

Introdução

Situada a uma distância de 180 km da capital do Estado (Curitiba) e a 60 km da cidade de Ponta Grossa-PR (pólo regional) a cidade de Imbituva-PR localiza-se na região Sudeste do Estado, mais especificadamente na Microrregião geográfica de Prudentópolis-PR (IPARDES, 2000). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) o município de Imbituva possui 27.052 habitantes.

Ressalta-se que esta pequena cidade paranaense desde a década de 1970 vem se especializando na produção de roupas de tricot. Com a expansão do setor no delinear dos anos, foi criada em 1987 a Associação das malharias de tricot de Imbituva (Imbitumalhas). O surgimento desta associação deu-se dada a necessidade de organizar a Feira de malhas de tricot de Imbituva (Femai) um importante evento realizado anualmente na cidade que atrai uma grande demanda de visitantes e interessados em negócios do setor, este que se caracteriza por ser um dos principais meios de divulgação do arranjo, assim como, o principal canal de comercialização para as empresas de tricot. A associação também é importante, para mediar relações institucionais de cooperação entre os membros do APL. Destaca-se que em 2010 tendo por base pesquisas de campo realizadas no setor, a Imbitumalhas conta com a adesão de 38 empresas associadas. Torna-se importante destacar, que no ano de 2006 o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) passa a caracterizar Imbituva sendo sede de um APL.

Portanto, interessa mergulhar no universo de análise deste APL em questão, e assim, identificar os processos que possam possibilitar maior fomento e dinamismo para o mesmo, em especial neste trabalho, pretende-se aproximar o turismo e sua possibilidade de agregação e vinculação ao setor em questão.

Para a realização deste trabalho alguns procedimentos foram fundamentais, tais como: a) pesquisa bibliográfica acerca dos temas trabalhados; b) consultas em sites da internet; e c) levantamento de dados qualitativos primários por meio de entrevistas e observação em campo.

Arranjo Produtivo Local e o município de Imbituva

O atual momento histórico marcado pela constante influência dos processos disseminados pela então chamada “globalização” tem gerado novas formas de organização, reconfigurando a ordem espacial de atividades econômicas dentro do espaço geográfico. Portanto as transformações em curso impulsionaram modelos que passam a ser adotados pelos mais diversos lugares. Neste sentido, pode-se destacar os formatos de organização tidos como Arranjo Produtivo Local (APL), que derivam de um modelo Europeu de produção identificados por Marshall já no século XIX na Inglaterra (BOBATO; SILVA JUNIOR, 2009).

Ressalta-se que no Brasil a partir da década de 1980 as políticas acerca dos APLs se intensificam já que tal forma de organização passa a ser considerada como um forte mecanismo de desenvolvimento para as regiões e locais onde se inserem. Nos escritos contidos no documento da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) do Brasil elaborado no ano de 2007 percebe-se a adoção de um modelo europeu de produção, já que o documento explicita a seguinte afirmação:

Desde a década de 80, no entanto, uma visão diferente de desenvolvimento vem se traduzindo em iniciativas de planejamento voltadas à valorização do potencial endógeno das regiões. Inspiradas no sucesso de regiões como o Vale do Silício, na Califórnia, a Emília Romana, na Itália, ou regiões dinâmicas da Ásia, tais políticas apresentam duas características essenciais: são ancoradas em territórios específicos; e baseadas em pequenas e médias empresas, interdependentes e interativas e das condições de vida da população. (PNDR, p. 9).

Portanto, os APLs passam a ser estabelecidos no país, como alternativa de desenvolver as potencialidades existentes nas diversas regiões e locais. No estado do Paraná os APLs se intensificaram com os estudos desenvolvidos pelo Ipardes.

Com critérios teóricos e metodológicos o Ipardes no ano de 2006 caracteriza a cidade de Imbituva sendo sede de APL dada a concentração geográfica espacial das empresas de tricot ali existentes. Para o Ipardes (2006, p. 8) um APL “pode ser definido como um aglomerado de agentes econômicos, políticos e sociais que operam em atividades correlatas, estão localizados em um mesmo território e apresentam vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem”.

O APL de tricot de Imbituva e o turismo: uma breve reflexão

Apesar de Imbituva ser considerada como uma cidade detentora de um importante APL, percebe-se tendo por base pesquisas de campo realizadas junto ao empresariado local, que os processos econômicos que ocorrem no bojo do arranjo não vêm permitindo considerável desenvolvimento.

Assim pensado acerca do desenvolvimento do setor, torna-se importante enfatizar o que presenciou-se em pesquisa de campo durante a abertura da XVII Feira de Malhas de tricot de Imbituva ocorrida no dia 28-04-2010, onde proprietários das empresas de tricot de Imbituva ao serem indagados sobre as possibilidades do setor, e quais eram suas propostas, estes apontaram em diversas ocasiões aspectos referentes a atividade turística, no caso em questão, da necessidade de fomentar o turismo de Imbituva com o intuito de com isso, alavancar o crescimento do comércio de tricot. Na mesma ocasião, o então secretário de Estado do Turismo do Paraná, “Herculano Lisboa”, deixa claro em seu discurso que, “é preciso integrar o turismo a fim de gerar desenvolvimento para o APL de tricot imbituvense.”

De toda forma, será que Imbituva apresenta recursos, atrativos e equipamentos, e facilidades que possibilitem que a atividade turística seja trabalhada?

Nota-se certo anseio da comunidade, isso já se apresenta enquanto um fator positivo, contudo, a afirmação do membro do órgão estadual de turismo, coloca um discurso inflamado sobre a questão, no entanto, ações para tornar seu discurso realidade não são vistas no município. Mais uma vez nota-se um discurso que propõe uma ação integradora, colocando o turismo como a solução dos problemas de ordem econômica, de toda forma muitas vezes ao invés de solucionar, a atividade acaba trazendo novas preocupações aos gestores locais (SOARES, 2010).

Pode-se propor, primeiramente, que haveria a necessidade de por meio de um trabalho coerente e organizado, das iniciativas pública e privada, ordenar diretrizes com base no planejamento turístico, com o fim de conhecer o município em suas especificidades, no que concerne ao turismo, para posteriormente, efetuar um estudo com o intuito de compreender se o mesmo dispõe de potencialidade turística, e se é possível a integração desta com o APL imbituvense. Nesta situação, o planejamento aparece enquanto um meio de organização da atividade, tendo em vista maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar os custos, tanto os de desenvolvimento como os de operação, visando ao bem-estar da comunidade autóctone e à rentabilidade dos empreendimentos dos setores envolvidos (RUSCHMANN, 2004 p. 85).

Tendo com base os trabalhos de conhecimento da localidade no que diz respeito ao turismo, mais as especificidades do APL em questão, aí sim poderá se propor ações de integração das atividades, com base em dados advindos de pesquisas empíricas, fundamentadas em fatos reais, não baseados em promessas e indagações políticas vistas em “discursos de palanque”.

Considerações finais

Este trabalho teve por objetivo trazer para a discussão um município representativo na região em que se insere, e que apresenta particularidades, como o APL de tricot ora tratado. Contudo, por meio do levantamento de dados com os membros do arranjo e da comunidade, notou-se seus anseios quanto a atividade turística.

De toda forma, há necessidade de os órgãos públicos tanto a nível municipal, com o departamento de turismo, assim como a nível estadual, olhar para Imbituva tendo em vista sua realidade, que deverá ser levantada por meio de trabalhos confiáveis, com base em métodos de pesquisas que tragam suporte para tal fim.

É nesta temática, que espera-se em trabalho posterior, trazer para a baila, dados sobre o município e suas possibilidades turísticas, assim como, sua possível integração com o setor de tricot que ora se caracteriza como um vetor de desenvolvimento para o município, uma vez que aqui, apresentou-se uma reflexão inicial acerca do tema.

 

 

Referências

BOBATO, Z. L; SILVA JUNIOR, R. F. O Arranjo Produtivo Local de Imbituva, o espaço e o processo de globalização: elementos para uma problematização geográfica. In: Anais do Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC). Foz do Iguaçu, 2008.

PNDR . Política Nacional de Desenvolvimento Regional 2007. Disponível em: <http://www.mi.gov.br/desenvolvimentoregional/pndr/discurso.asp#
discurso
>. Acesso em 20 de Agosto de 2010.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br >. Acesso em 25 de agosto de 2010.

IMBITUVA, Prefeitura Municipal. Disponível em: <http://www.imbituva.pr.gov.br>. Acesso em 25 agosto de 2010.

IPARDES. Identificação, caracterização, construção de tipologia e apoio na formulação de políticas para arranjos produtivos locais (APLS) do Estado do Paraná: Diretrizes para políticas de apoio aos arranjos produtivos locais. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. - Curitiba: IPARDES, 2006.

RUSCHMANN, D. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 11 Ed. Campinas: Papirus, 2004.

SOARES. J. G. Avaliação de potencial turístico do município de Rio Azul-PR. 2009. 75p. Monografia (Bacharelado em Turismo) – Universidade Estadual do Centro Oeste, Paraná.


 


 

1 Mestrando em Gestão do Território no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR, Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, UNICENTRO/Irati – PR. E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

2 Mestrando em Gestão do Território no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR, Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, UNICENTRO/Irati – PR. E-mail: joelciosoares@yahoo.com.br

 

 

  

 

 
  

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::sobre o autor::

Zaqueu Luiz Bobato é Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste-PR, e mestrando em Gestão do Território no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR, E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br


Joélcio Gonçalves Soares é Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Centro-Oeste-PR, e mestrando em Gestão do Território no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR. E-mail: joelciosoares@yahoo.com.br

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