.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - 12/08/2006 18:46:48 

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Apontamentos sobre o Planejamento turístico na escala municipal
Clézio Santos

 

  

Resumo

 

Este trabalho destaca a pesquisa como base do planejamento do turismo e sua importância para as pequenas localidades, procurando demonstrar a necessidade de se obter conhecimentos sistematizados para o planejamento integrado do turismo. Baseia-se na análise dos resultados mais significativos de um estudo descritivo realizado no município de São Simão (SP). Verifica-se a predominância do mercado regional e um perfil de turista formador de opinião sobre as condições e estrutura de cidades pequenas. No Turismo efeitos do processo de globalização são cada vez mais sentidos em diferentes setores, principalmente no meio ambiente, população e espaço rural.

 

Palavras-chave: Turismo, planejamento, globalização, meio ambiente, espaço turístico.

 

Abstract

 

This work emphasizes the importance of the research about tourism planning in a developmente process of smaill locality concernin the touristic activity. It was based on the most significativas results of descritive research realized in the city São Simão (SP). The research proved that the tourist is the one who gives opinion about the place conditions, structure and aspects of the tourism. In tourism business, the consequences of those processes are being increasingly felt in different sectors, mainly in enviroment, population and rural space.

 

Key words: Tourism, planejamento, globalization, enviroment, tourism space.

 

Introdução

 

O trabalho que desenvolvemos faz parte de reflexões realizadas durante um projeto mais amplo denominado Planejamento Turístico de São Simão (SP), desenvolvido no interior do estado de São Paulo, no município de São Simão na região administrativa de Ribeirão Preto. Este projeto foi desenvolvido de 2001 a 2004, fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o Centro Universitário Moura Lacerda. Participamos como pesquisador mais diretamente nos primeiros anos deste projeto, todavia a experiência gerou a junção de inúmeros questionamentos e apontamentos sobre as possibilidades do planejamento na escala municipal, razão pela qual, escrevemos esse trabalho calcado na idéia da “turistificação dos lugares”.

Procuramos enfatizar as idéias contidas em SANTOS (2002) baseados nos três eixos decisivos para a “turistificação” do lugar chamado São Simão, são eles: o meio ambiente, a população e o espaço rural. Podemos identificar que esses eixos também são importantes para as demais cidades com as mesmas características no interior do Estado de São Paulo. As idéias que vamos tecer referem-se mais diretamente a nossa ação junto ao projeto como professor de três disciplinas - Meio Ambiente e Turismo, Geografia do Brasil e Turismo Rural e Agroturismo - que estão diretamente envolvidas com a pesquisa, interagindo de maneira interdisciplinar.

O Trabalho tem como objetivos: fazer o levantamento turístico do município de São Simão (SP) no que tange as questões relacionadas ao meio ambiente, população e turismo rural; produzir informações simplificadas sobre o turismo em São Simão; destacar a questão ambiental e o turismo rural; bem como elencar possibilidades de ações e interações entre a população local e as atividades de Turismo.

A pesquisa divide-se em quatro etapas: levantamento das informações; trabalhos de campo para a aplicação de questionário (três tipos de questionários distintos: um relacionado ao potencial, outro a demanda e um terceiro investigativo sobre o lugar); tabulação e análise das informações; e propostas de ações. Percorremos as três primeiras etapas e estamos caminhando para o término da quarta etapa.

Frente a amplitude de nossa pesquisa, escolhemos centrar o presente texto no eixo relacionado ao meio ambiente, que foi o eixo inicial de nossos questionamentos e motivador de questões complexas relacionadas a “turistificação” de São Simão. O texto esta dividido em duas partes, uma centrada na discussão de conceitos importantes para a efetivação da “turistificação” desse lugar e uma segunda parte presa ao planejamento e as estratégias necessárias para a “turistificação”.

Procuramos ao longo do texto construir os conceitos de lugar e de turistificação, e não apresentá-los pronto. Esse caminho metodológico é apoiado em teóricos e nos questionários que aplicamos em São Simão (SP). 

 

Ambiente, turismo e o lugar

 

 “O processo de urbanização crescente, o sistema industrial e pós-industrial da sociedade contemporânea implicou no aparecimento e no desenvolvimento do lazer como necessidade a ser satisfeita. No momento atual com a globalização, essa busca desenfreada pelo preenchimento do tempo livre com o lazer é mais visível[1].

O lazer, como necessidade numa sociedade que precisa estar em equilíbrio e gerar novas fontes econômicas ganham um ritmo acelerado. O turismo é uma das formas de lazer, procurando organizar e planejar o tempo livre da sociedade atual. O turismo passa a exigir novos modelos de espaços que correspondem aos novos tipos de relações no nível humano, além de contribuir para a circulação de capital, melhoria econômica de uma região e o consumo dos lugares e do meio ambiente.

O turismo na definição de Maria Ângela Bissoli “é entendido como o conjunto de recursos capazes de satisfazer as aspirações mais diversas, que incitam o indivíduo a deslocar-se do seu universo cotidiano, e assim caracteriza-se por ser uma atividade essencialmente ligada à utilização do tempo livre[2].

A atividade turística surge como resposta a uma necessidade de descompressão, resultante da própria dinâmica do sistema da sociedade industrial. O processo de urbanização ao mesmo tempo que cria a necessidade do lazer, não consegue atender à população. A necessidade da atividade turística aumenta com as sociedades pós-industriais ou pós-modernas.

Para o turismólogo Luís Gonzaga Godoi Trigo[3]“nas sociedade pós-industriais o turismo insere-se em um contexto maior do lazer e entretenimento, que igualmente tem consumido bilhões de dólares em investimentos e outros bilhões de dólares de lucro.

A ampliação do tempo livre de que passaram a dispor as pessoas é uma das causas do crescente desenvolvimento do turismo. O tempo livre tende a aumentar com o passar dos anos, isso significa que as atividades ligadas à utilização desse tempo livre aumentam substancialmente. Dentre tais atividades destaca-se o turismo.

O presente trabalho, tenta retomar a discussão da “produção” e do “consumo” do turismo, porém em tempos contemporâneaos. Procura também ressaltar a importância do estudo dos processos mentais relativos à percepção ambiental, como sendo fundamental para compreendermos melhor as inter-relações entre homem e meio ambiente, seja ele natural ou construído. Essas inter-relações são visíveis no ambiente, gerando conseqüências que afetarão a atividade do Turismo.

Segundo Del Rio & Oliveira, notamos que as manifestações mais constantes de insatisfação da população revelam-se, por meio de condutas agressivas em relação a elementos físicos e/ou arquitetônicos, principalmente os reconhecidos como públicos ou localizados junto a lugares públicos. Outra conduta é o desconforto psicológico de cada indivíduo .

Essas condutas, são resultados expressos das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo frente ao lugar e ao meio ambiente.

Devemos lidar com o conceito de percepção no sentido mais amplo possível, a exemplo do que vem sendo adotado pela maioria dos pesquisadores ambientais. A psicologia situaria nossas preocupações dentro do escopo da cognição. Mas o que vem a ser a cognição? Para Del Rio & Oliveira a cognição é o processo mental mediante o qual, a partir do interesse e da necessidade, estruturamos e organizamos nossa interface com a realidade e o mundo, selecionando as informações percebidas, armazenado-as e conferindo-lhes significado.

Seguindo este enfoque é que pretendemos trabalhar com a cognição no turismo, tendo como meta não apenas a percepção do meio ambiente para e pelo turismo, e sim a cognição do turismo frente ao ambiente, sendo este processo muito importante para as atividades do turismo[4].

A relação do meio ambiente frente às modernas cidades e as cidades turísticas demonstram uma relação de conflitos espaciais. Essa relação extravasa a simples percepção e adendra no sistema cognitivo do turismo frente ao ambiente. As idéias de produção e consumo desencadeiam conflitos no espaço utilizado e apropriado pela atividade turística.

Milton Santos nos fala de um ambiente construído, repleto de técnica, ciência e informação. E na medida que aumenta o aparecimento desses elementos no espaço urbano, a cidade torna-se cada vez mais um meio técnico-científico-informacional. Nas palavras do autor: “o meio ambiente produzido se diferencia pela carga maior ou menor de ciência, tecnologia e informação,