|
Resumo
Este
trabalho
destaca a
pesquisa
como
base
do
planejamento
do
turismo
e
sua
importância
para
as
pequenas
localidades,
procurando
demonstrar
a
necessidade
de se
obter
conhecimentos
sistematizados
para
o
planejamento
integrado do
turismo.
Baseia-se na
análise
dos
resultados
mais
significativos
de
um
estudo
descritivo realizado no
município
de
São
Simão (SP). Verifica-se a
predominância
do
mercado
regional
e
um
perfil
de turista
formador
de
opinião
sobre
as
condições
e
estrutura
de
cidades
pequenas.
No
Turismo
efeitos
do
processo
de
globalização
são
cada
vez
mais
sentidos
em
diferentes
setores,
principalmente
no
meio
ambiente,
população
e
espaço
rural.
Palavras-chave:
Turismo,
planejamento,
globalização,
meio
ambiente,
espaço
turístico.
Abstract
This work emphasizes the importance of the
research about tourism planning in a developmente process of
smaill locality concernin the touristic activity. It was
based on the most significativas results of descritive
research realized in the city
São
Simão (SP). The research proved that the tourist is the one
who gives opinion about the place conditions, structure and
aspects of the tourism. In tourism business, the
consequences of those processes
are
being increasingly felt in different sectors, mainly in
enviroment, population and
rural
space.
Key words: Tourism,
planejamento,
globalization, enviroment, tourism space.
Introdução
O
trabalho
que
desenvolvemos faz
parte
de
reflexões
realizadas
durante
um
projeto
mais
amplo
denominado
Planejamento
Turístico de
São
Simão (SP),
desenvolvido
no
interior
do
estado
de São
Paulo, no
município
de São
Simão na
região
administrativa
de
Ribeirão
Preto.
Este
projeto
foi
desenvolvido
de 2001 a 2004,
fruto
de uma
parceria
entre
a
Prefeitura
Municipal e o
Centro
Universitário
Moura
Lacerda. Participamos
como
pesquisador
mais
diretamente
nos
primeiros
anos
deste
projeto,
todavia
a
experiência
gerou a
junção
de inúmeros questionamentos e
apontamentos
sobre
as possibilidades do
planejamento
na
escala
municipal,
razão
pela
qual,
escrevemos
esse
trabalho
calcado na
idéia
da “turistificação dos
lugares”.
Procuramos
enfatizar
as idéias contidas em SANTOS (2002) baseados nos três
eixos
decisivos
para
a “turistificação” do
lugar
chamado
São
Simão,
são
eles:
o
meio
ambiente,
a
população
e o
espaço
rural.
Podemos
identificar
que
esses
eixos
também
são
importantes
para
as
demais
cidades
com
as mesmas
características
no
interior
do
Estado
de São
Paulo. As
idéias
que
vamos tecer referem-se
mais
diretamente
a
nossa
ação
junto
ao
projeto
como
professor
de
três
disciplinas
-
Meio
Ambiente
e
Turismo,
Geografia
do Brasil e
Turismo
Rural
e Agroturismo -
que
estão
diretamente
envolvidas
com
a
pesquisa,
interagindo de
maneira
interdisciplinar.
O
Trabalho
tem
como
objetivos:
fazer
o
levantamento
turístico do
município
de São
Simão (SP) no
que
tange as
questões
relacionadas ao
meio
ambiente,
população
e
turismo
rural;
produzir
informações
simplificadas
sobre
o
turismo
em
São
Simão;
destacar a
questão
ambiental e o
turismo
rural;
bem
como
elencar
possibilidades de
ações
e
interações
entre
a
população
local
e as
atividades
de
Turismo.
A
pesquisa
divide-se
em
quatro
etapas:
levantamento
das
informações;
trabalhos
de
campo
para
a aplicação
de
questionário
(três
tipos
de
questionários
distintos:
um
relacionado ao
potencial,
outro
a
demanda
e um
terceiro
investigativo
sobre
o
lugar);
tabulação e
análise
das
informações;
e
propostas
de
ações.
Percorremos as
três
primeiras
etapas
e estamos caminhando
para
o
término
da
quarta
etapa.
Frente
a
amplitude
de
nossa
pesquisa,
escolhemos
centrar o
presente
texto
no
eixo
relacionado ao
meio
ambiente,
já
que
foi o
eixo
inicial
de
nossos
questionamentos e motivador de
questões
complexas relacionadas a “turistificação” de
São
Simão. O
texto
esta dividido
em
duas
partes,
uma centrada na
discussão
de
conceitos
importantes
para
a efetivação da “turistificação” desse
lugar
e uma
segunda
parte
presa
ao
planejamento
e as
estratégias
necessárias
para
a “turistificação”.
Procuramos
ao
longo
do
texto
construir
os
conceitos
de
lugar
e de turistificação, e
não
apresentá-los
pronto.
Esse
caminho
metodológico é apoiado
em
teóricos
e
nos
questionários
que
aplicamos
em
São
Simão (SP).
Ambiente,
turismo e o
lugar
“O
processo
de urbanização
crescente,
o
sistema
industrial
e pós-industrial da
sociedade
contemporânea
implicou no
aparecimento
e no
desenvolvimento
do
lazer
como
necessidade
a
ser
satisfeita.
No
momento
atual
com
a
globalização,
essa
busca
desenfreada
pelo
preenchimento do
tempo
livre
com
o
lazer
é
mais
visível”.
O
lazer,
como
necessidade
numa
sociedade
que
precisa
estar
em
equilíbrio
e
gerar
novas
fontes
econômicas ganham
um
ritmo
acelerado. O
turismo
é uma das
formas
de
lazer,
procurando
organizar
e
planejar
o
tempo
livre
da
sociedade
atual.
O
turismo
passa
a
exigir
novos
modelos
de
espaços
que
correspondem aos
novos
tipos
de
relações
no
nível
humano,
além
de
contribuir
para
a
circulação
de
capital,
melhoria
econômica
de uma
região
e o
consumo
dos
lugares
e do
meio
ambiente.
O
turismo
na
definição
de Maria Ângela Bissoli “é
entendido
como
o
conjunto
de
recursos
capazes
de
satisfazer
as
aspirações
mais
diversas,
que
incitam o
indivíduo
a deslocar-se do
seu
universo
cotidiano,
e
assim
caracteriza-se
por
ser
uma
atividade
essencialmente
ligada
à
utilização
do
tempo
livre”.
A
atividade
turística surge
como
resposta
a uma
necessidade
de descompressão,
resultante
da
própria
dinâmica
do
sistema
da
sociedade
industrial.
O
processo
de urbanização ao
mesmo
tempo
que
cria
a
necessidade
do
lazer,
não
consegue
atender
à
população.
A
necessidade
da
atividade
turística
aumenta
com
as
sociedades
pós-industriais
ou
pós-modernas.
Para
o turismólogo Luís Gonzaga Godoi
Trigo“nas
sociedade
pós-industriais o
turismo
insere-se
em
um
contexto
maior
do
lazer
e
entretenimento,
que
igualmente
tem consumido
bilhões
de dólares
em
investimentos
e
outros
bilhões
de dólares de
lucro”.
A
ampliação
do
tempo
livre
de que
passaram a
dispor as
pessoas
é uma das
causas
do
crescente
desenvolvimento
do
turismo.
O
tempo
livre
tende a
aumentar
com
o passar
dos
anos,
isso
significa
que
as
atividades
ligadas
à utilização
desse
tempo
livre
aumentam
substancialmente.
Dentre
tais
atividades
destaca-se o
turismo.
O
presente
trabalho,
tenta
retomar
a
discussão
da “produção”
e do “consumo”
do
turismo,
porém
em
tempos
contemporâneaos.
Procura
também
ressaltar
a
importância
do
estudo
dos
processos
mentais
relativos
à
percepção
ambiental,
como
sendo
fundamental
para
compreendermos
melhor
as
inter-relações
entre
homem
e
meio
ambiente,
seja
ele
natural
ou
construído.
Essas
inter-relações
são
visíveis
no
ambiente,
gerando
conseqüências
que
afetarão a
atividade
do
Turismo.
Segundo
Del
Rio
&
Oliveira,
notamos
que
as
manifestações
mais
constantes
de
insatisfação
da
população
revelam-se,
por
meio
de
condutas
agressivas
em
relação
a
elementos
físicos
e/ou
arquitetônicos,
principalmente
os reconhecidos
como
públicos
ou
localizados
junto
a
lugares
públicos.
Outra
conduta
é o
desconforto
psicológico
de
cada
indivíduo
.
Essas
condutas,
são
resultados
expressos
das
percepções,
dos
processos
cognitivos,
julgamentos
e
expectativas
de
cada
indivíduo
frente
ao
lugar
e ao
meio
ambiente.
Devemos
lidar
com
o
conceito
de
percepção
no
sentido
mais
amplo
possível,
a
exemplo
do
que
vem sendo adotado
pela
maioria
dos
pesquisadores
ambientais. A
psicologia
situaria nossas
preocupações
dentro
do
escopo
da
cognição.
Mas
o
que
vem a
ser
a
cognição?
Para
Del
Rio
&
Oliveira
a
cognição
é o
processo
mental
mediante
o
qual,
a
partir
do
interesse
e da
necessidade,
estruturamos e organizamos
nossa
interface
com
a
realidade
e o
mundo,
selecionando as
informações
percebidas, armazenado-as e conferindo-lhes
significado.
Seguindo
este
enfoque
é
que
pretendemos
trabalhar
com
a
cognição
no
turismo,
tendo
como
meta
não
apenas
a
percepção
do
meio
ambiente
para
e
pelo
turismo,
e
sim
a
cognição
do
turismo
frente
ao
ambiente,
sendo
este
processo
muito
importante
para
as
atividades
do
turismo.
A
relação
do
meio
ambiente
frente
às modernas
cidades
e as
cidades
turísticas demonstram uma
relação
de
conflitos
espaciais.
Essa
relação
extravasa a
simples
percepção
e adendra no
sistema
cognitivo do
turismo
frente
ao
ambiente.
As
idéias
de “produção”
e “consumo”
desencadeiam
conflitos
no
espaço
utilizado e
apropriado
pela
atividade
turística.
Milton
Santos
nos
fala
de
um
ambiente
construído,
repleto
de
técnica,
ciência
e
informação.
E na
medida
que
aumenta
o
aparecimento
desses
elementos
no
espaço
urbano,
a
cidade
torna-se
cada
vez
mais
um
meio
técnico-científico-informacional. Nas
palavras
do
autor:
“o
meio
ambiente
produzido se diferencia
pela
carga
maior
ou
menor
de
ciência,
tecnologia
e
informação,
segundo
regiões
e
lugares:
o
artifício
tende a se
sobrepor
e
substituir
a
natureza.”
A
velocidade
do
processo
de urbanização transforma o
espaço
continuamente, numa
relação
dialética
pouco
entendida
ainda
hoje.
Nessa
discussão
a
palavra
chave
é a
velocidade:
velocidade
da
circulação,
da
informação,
das
pessoas,
dos
objetos...enfim
de
tudo
que
compõe o
ambiente
e
em
especial
o
ambiente
urbano.
Quando
a
atividade
turística
adentra
o
urbano,
ela
reafirma a
velocidade
e o
ambiente
deixa
de
ser
amigo
e
passa
a
ser
hostil.
Dessa
hostilidade
frente
ao
ambiente
é
que
temos
grande
parte
da
nossa
atividade
turística sendo implantada e
desenvolvida.
Mas
como
podemos
melhorar
essa
relação
interna
do
ambiente
construído
pela
atividade
turística? O
planejamento
ainda
é
um
bom
caminho?
Acreditando nessa
alternativa
é
que
tecemos a
seguir
algumas
questões
pertinentes
ao
planejamento
do
ambiente
turístico.
Lugar
turístico e
uso
das
escalas
no
planejamento
Uma
questão
importante
e
quem
sabe a
mais
preponderante
para
o
planejamento
do
ambiente
turístico é relacionada ao
entendimento
da
noção
de
escala,
sendo
necessária
a
análise
segundo
aquilo
que
compete a
cada
instância.
O
entendimento
das
diferentes
escalas
nos
possibilitará
um
melhor
(re)
dimensionamento
de nossas
atividade
de
planejamento
voltado
para
intervenções
no
campo
do
turismo.
Este
entendimento
das
diferentes
escalas
também
foi utilizado
em
SANTOS
(2001).
A
análise
escalar
geral
deve
se
ocupar
daquilo
que
homogeneíza os
países,
a
economia,
estabelecendo uma
relação
de
dependência
entre
os
mesmos.
Essa
escala
muitas
vezes
é
regulada
e influenciada pelas
resoluções
da
Organização
Mundial do
Turismo
(O.M.T).
A
escala
nacional
preocupar-se-á das
novas
conjunturas
apresentadas
pela
economia
interna
do
país
e
sua
repercussão
para
a
sociedade
e
para
o
espaço.
Nessa
escala
de
planejamento,
vemos o
papel
crucial
da Embratur (Empresa
brasileira
de
desenvolvimento
do
turismo),
responsável
por
grande
parte
de
nossa
política
nacional
de
turismo.
Os
profissionais
na
área
de
turismo
devem
acompanhar
e
também
propor
idéias
dessa
escala
de
planejamento.
As
escalas
regional
e
local,
estão
mais
voltadas a
encontrar
contradições
internas a
um
território
ou
lugar,
provenientes do
nível
de
desenvolvimento
econômico
de
cada
região
e
interesses
direcionados. É
justamente
nessas
escalas
onde
o
papel
do planejador turístico é
fundamental.
Nesse
momento
o
planejamento
é
um
instrumento
inigualável
para
efetivar
políticas
e
economias
direcionadas ao
turismo
para
o
desenvolvimento
regional
e
local.
Para
melhor
compreensão
utilizaremos o
Estado
do Ceará
como
exemplo
de “polo de
desenvolvimento
turístico do
nordeste”,
característico
dessa
fase
histórica.
No
Estado
com
as
políticas
direcionadas ao
turismo
do Prodetur-NE (Programa
de
ação
para
o
desenvolvimento
do
turismo
no
Nordeste),
construiu-se uma
organização
que
visasse a maximização dos
lucros
para
a
atividade
turística:
novo
aeroporto
internacional,
rodovias,
rede
hoteleira,
incremento
do
comércio,
entre
outros.
Essa
organização,
montada,
que
tem possibilitado a especialização de
suas
atividades
relacionadas ao
turismo
atendendo os
interesses
dos
capitais
mundiais e
mais
ainda
o
sonho
de
consumo
da “população
mundializada”,
carente
de
preencher
seus
tempos
livres.
O Prodetur-NE é
ricamente
analisado
nos
trabalhos
de Luzia Neide M. T. Coriolano
e Ireleno
Porto
Benevides.
Essa
nova
lógica
do
desenvolvimento
e
planejamento
do
ambiente
turístico
também
impõe uma
nova
forma
de
entendimento
das
diferenciações
regionais,
em
que
a
partir
disso a
região
torna-se
novamente
objeto
de
estudo
das desigualdades
sociais,
provocadas
por
essa
diferenciação
de
desenvolvimento
tecnológico.
No
estudo
que
efetivamos no
município
de
São
Simão (SP), lidamos
com
as
escalas
regional
e
local,
procuramos
encontrar
algumas
contradições
desse
lugar,
provenientes do
nível
de
desenvolvimento
econômico
da
região
e
interesses
direcionados.
São
Simão localiza-se
em
uma das
regiões
mais
ricas do
Estado
de
São
Paulo, na
região
de
Ribeirão
Preto
– uma
região
com
alta
renda
percapta.
Entretanto
seu
desenvolvimento
em
termos
de
serviços
é
extremamente
precário,
altamente
dependente
da
cidade
sede
da
região
que
é
Ribeirão
Preto.
Sua
renda
per capta isolada é
baixa.
É
justamente
nessas
escalas
onde
o
papel
do planejador turístico é
fundamental.
Nesse
momento
o
planejamento
é
um
instrumento
inigualável
para
efetivar
políticas
e
economias
direcionadas ao
turismo
para
o
desenvolvimento
regional
e
local.
Conhecendo
um
pouco o
lugar
chamado
São
Simão (SP)
A
história
de
São
Simão é de
maneira
semelhante
ao ocorrido
com
diversas
localidades
existentes no
setor
leste-nordeste do
Estado
de
São
Paulo. O
histórico
de
São
Simão está vinculado as
movimentações
causadas
pelo
ciclo
do
ouro
nas
Minas
Gerais,
ocorridos da
metade
para
o
final
do
século
XVII.
Apesar
de
detalhes
divergentes
quanto
a
perfeita
exatidão
de
registros
históricos
disponíveis,
é
sabido
que
com
o
processo
de
exploração
contínua
das
lavras
existentes nas
regiões
mineiras foram
gradativamente
se exaurindo, forçando a
locomoção
de
garimpeiros
a
busca
de
novas
jazidas
em
outros
setores,
atraindo
também
aventureiros
,
que
buscavam a
confirmação
a
confirmação
de
notícias
de desbravadores
que
indicavam
que
a
região
onde
encontravam-se o
Rio
/Pardo,
nos
caminhos
que
levavam
em
direção
aos
sertões
dos “Guaiases” (hoje
Estado
de Goiás), seriam
um
novo
foco
de
exploração
de
elementos
minerais
preciosos.
Nestas
investidas,
muitos
perdendo-se
nos
caminhos,
instalaram-se
em
locais
oportunos
pelas
qualidades
naturais
presentes,
sendo formados
núcleos
que
originaram as
cidades
atuais.
Esta
versão
é a
mais
aceita
para
explicar
as
origens
de
são
Simão.
Alguns
registros
comentam
que
Simão da Silva Teixeira,
originário
de
são
João Del’ Rey, tendo perdido o
rumo
de
seu
trajeto
e passando
por
grandes
apuros
de
sobrevivência
naqueles
inóspitos
sertões,
fez
promessa
a
seu
santo
de
devoção,
São
Simão, de
que
se encontrasse de
volta
o
caminho
de
casa,
ali
ergueria uma
capela
em
sua
homenagem.
Tendo o
milagre
ou
a
coincidência
se realizado, a
promessa
se fez
cumprir
e, no entrono da
capela
erguida constituiu-se
um
núcleo,
que
o
trabalho
de
seus
povoadores e o
tempo
permitiu
que
se tornasse o
município
consolidado
que
hoje
conhecemos
como
São
Simão.
A
cronologia
dos
registros
encontrados indicam
que
tal
fato
ocorreu no
início
dos
anos
de 1800, sendo
que
em
1824 a
Cúria
Metropolitana de
São
Paulo autorizava
formalmente
o
erguimento
da
construção
do
templo.
Em
1835 é dignificada
como
capela;
o
crescimento
do
número
de
pessoas,
trouxe a prosperidade
que
elevou a
vila
à
situação
de
Município,
conforme
Lei
n. 75 de 22 de
abril
de 1865, alcançando as
condições
de
comarca
em
1877 e de
cidade
em
1895.
Durante
este
último
período
citado, a
efervescência
cultural e
política
ali
existente entusiasmou os
membros
de
sua
Câmara
Municipal
que,
num
gesto
de
ousada
autonomia,
inicia
articulações
que
culminaram na instauração do
regime
republicano
em
nosso
país,
passando o
município
então
a
ser
considerado
como
“berço
da
República”.
Em
1882
chega
a
Estrada
de
Ferro
Mogiana (atual
Ferroban,
hoje
em
vias
desativação desse
trecho),
integrou-se ao
ciclo
cafeeiro,
o
que
proporcionou-lhe
desenvoltura.
A
absorção
da
imigração
como
mão
de
obra
nos
processo
produtivos,
acabaram
por
lhe
conferir
uma
base
cultural
ampla,
o
que
reflete
em
seu
desenvolvimento.
Estratégias
para
o
planejamento
turístico municipal de
São
Simão (SP)
Analisando a
realidade
e as
necessidades
e
prioridades
da
pesquisa
turística no Brasil, REJOWSKI (1998) considera
que
só
a
partir
de
estudos
científicos
deixar-se-á a
fase
de
improvisação
e de repetitividade, e passar-se-á à
fase
de
aplicação
e
utilização
de
estudos
com
base
científica.
A autora ressalta
ainda
a
necessidade
de
divulgar
a aplicabilidade e a
pertinência
dos
resultados
de
pesquisa,
mostrando os
benefícios
desta e da
parceria
pesquisador/empresário
para
o
desenvolvimento
e
planejamento
estratégico
do
turismo
no Brasil.
Seguindo o
raciocínio
de REJOWSKI (op.cit),
com
base
em
nossos
estudos
enumeramos a
seguir
algumas
ações
estratégicas
para
a “turistificação” de
São
Simão (SP).
-
Obrigatoriedade
de
um
plano
de
desenvolvimento
turístico
regional;
-
Desenvolvimento
de
estudos
visando o
aprimoramento
turístico
regional;
-
Plano
diretor
municipal –
preso
na
discussão
do
Estatuto
da
cidade;
-
Preservar
a
identidade
histórica,
artística
e cultural do
município;
-
Formação
de
mão
de
obra
local
no
nível
e
técnico
para
a
área
de
turismo;
-
Promover
programas
de conscientização turística ambiental;
-
Incentivar
o
desenvolvimento
de uma
política
ambiental e de
turismo;
-
Elaboração
de
um
plano
de
desenvolvimento
turístico
que
leve
em
consideração
o
espaço
rural.
Estas
são
algumas das
estratégias
que
podemos
elencar
em
face
das
análises
feitas
com
base
nos
questionários
aplicados ao
longo
desse
semestre
por
alunos
do
curso
de
turismo
do
Centro
Universitário
Moura
Lacerda (CUML). Estas
estratégias
são
fomentadoras do
processo
mais
amplo
que
denominamos de “turistificação”,
um
processo
centrado no
conceito
de
lugar
no
turismo.
Considerações
finais
Vemos a
queda
das
fronteiras
nacionais
causando a
homogeneização
dos
lugares,
a
vitória
da
velocidade
do
tempo
abarcando o
espaço,
o
papel
crescente
do
Estado
no (re)equilíbrio
nacional
visto
as desigualdades geradas no
seio
nacional,
o
papel
dos turismólogos e
demais
profissionais
que
estão lidando
com
a
atividade
turística, deveria
centrar
suas
preocupações
no
planejamento
tanto
no
nível
local,
como
regional
e
nacional.
O
homem
em
pleno
processo
de
globalização
não
mais
se reconhece
em
seu
lugar,
Será
que
essa
globalização
ou
melhor
mundialização,
que
também
é dos
costumes,
das
culturas,
da
língua,
do
lugar,
da
natureza,
não
nos
tira
a
noção
do
local,
imprimindo uma
global?
Caso
isso
ocorra
como
fica o
turismo
que
necessita do
local
para
efetivar
sua
atividade?
As novas técnicas utilizadas para transpor
barreiras físicas e sociais aniquilam essa
identidade
com
o
lugar,
“agora
que
todas as
condições
de
vida,
profundamente
enraizadas, estão sendo destruídas,
aumenta
exponencialmente a
tensão
entre
cultura
objetiva
e
subjetiva
e, do
mesmo
modo,
se multiplicam os
equívocos
de
nossa
percepção,
de
nossa
definição
e de
nossa
relação
com
o
Meio”
Necessitamos
investir
na
divulgação
e conscientização do
Turismo
enquanto
atividade
auxiliadora na
economia
e
qualidade
de
vida
da
população
de São
Simão, desta
maneira,
após
sensibilizar
o
lugar
pode incluí-lo nas
atividades
turísticas. Essa sensibilização
permeia
políticas
públicas
que
levem
em
consideração
as
questões
ambientais no e
para
o
lugar,
caminhando
para
sua
“turistificação”.
Referências
BISSOLI,
Maria. A. A
problemática
econômica
e
social
do
espaço
turístico.
Revista
COMUNICARTE,
16-17.
Campinas:
IAC/PUCCAMP, 1992 (p.116-149).
CORIOLANO,
Luzia. N. Do
local
ao
global:
o
turismo
litorâneo
cearense.
Campinas:
Papirus, 1996
CRUZ,
Rita
A.
Introdução
à
Geografia
do
Turismo.
São
Paulo:
Roca,
2001.
DEL
RIO
, Vicente. &
OLIVEIRA,
Lívia. (org.)
Percepção
ambiental: a
experiência
brasileira.
Editora
Nobel e Ed,
Universidade
Federal
de São
Carlos.
São
Paulo e
São
Carlos, 1996 (256).
GEORGE,
Pierre. O
meio
ambiente.
Rio
de
Janeiro:
Difel, 1984.
REJOWSKI,
Míriam.
Realidade
versus
necessidade
da
pesquisa
turística no Brasil.
Turismo
em
Análise.
São
Paulo:
ECA/USP,
v.9, n.1, 1998.
RODRIGUES,
Adyr. B. (org.)
Turismo
e
Ambiente:
Reflexões
e
Propostas.
São
Paulo: Hucitec, 1997. (210p.).
RODRIGUES,
Adyr. M.
Desenvolvimento
sustentável
e
atividade
turística. In RODRIGUES, A. B. (org.) .Turismo
Desenvolvimento
Local.
São
Paulo: Hucitec, 1997 (p.42-54).
SANTOS,
Clézio. Planejamento turístico em cidades pequenas. Anais
(CD-ROM). XII Econtro Nacional de Geógrafos. João Pessoa:
UFPB, 2002.
SANTOS,
Clézio.
Paisagem
e
turismo:
questões
que
ficam.
Boletim
de
Turismo
e
Administração
Hoteleira,
São
Paulo, v.8, n.1,
maio
de 1999 (p.31-38).
SANTOS,
Clézio.
Espaço
turístico e
globalização:
refletindo
seus
efeitos
no
meio
ambiente.
Montagem,
Ribeirão
Preto:
CUML,
Ano
5, n. 5, Nov. 2001 (p.49-55).
SANTOS,
M.; et.ali.
(org.).
Território,
globalização
e
fragmentação.
São
Paulo: Hucitec/Anpur, 1996.
SANTOS,
Milton.
Metamorfoses
do
espaço
habitado.
São
Paulo: Hucitec, 3a
edição,
1994 (124p.).
SANTOS,
Milton.
Técnica,
espaço,
tempo
–
globalização
e
meio
técnico
cientifico informacional.
São
Paulo: Hucitec, 1997.
SANTOS,
Milton; et.ali.
(org.). O
novo
mapa
do
mundo:
fim
de
século
e
globalização.
São
Paulo: Hucitec/Anpur, 1994.
SERVIÇO
DE
APOIO
ÀS
MICRO
E
PEQUENAS
EMPRESAS
DE
SÃO
PAULO.
São
Simão –
Diagnóstico
de
potenciais
econômicos.
São
Paulo: SEBRAE/SP, 1995
TRIGO,
Luis Gonzaga Godoi.
Turismo
e
qualidade.
Tendências
contemporâneas.
Campinas:
Papirus, 1993.
TULIK, Olga.
Efeitos
da
globalização
do
turismo.
Turismo
em
análise,
São
Paulo, v.5, n.2, nov. 1994 (p.7-15).
YAZIGI, E.;
et.ali.
(org.).
Turismo,
Espaço,
Paisagens
e
Cultura.
São
Paulo: Hucitec, 1996.
|