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O turismo aparece como uma boa opção de lazer para
quem já deixou o batente e agora curte a merecida aposentadoria. Acontece que
nem sempre fica fácil disponibilizar um dinheirinho no final do mês para fazer
um passeio. No Brasil, não é preciso ir longe para encontrar lugares aprazíveis
e até paradisíacos. Praias, cerrado, circuitos religiosos, turismo de aventura,
enfim, há sugestões para todos os gostos e bolsos. É por essa razão que o
governo federal quer lançar linhas de crédito para os aposentados viajarem. Mas,
é nesse ponto que está a armadilha. Não se deixe seduzir pela propaganda que vem
por aí. A iniciativa do governo se
apresenta como interessante pelo lazer que pode proporcionar. O problema é que
esse dinheiro emprestado vai ser descontado na conta corrente do "turista", como
já ocorre com o malfadado crédito consignado. Isso é péssimo para a economia de
quem já é obrigado a viver com os parcos recursos oriundos da Previdência
Social. Para quem ainda não conhece, o crédito consignado é uma modalidade de
empréstimo bancário, a juros mais baixos dos praticados pelo mercado, que depois
é ressarcido aos bancos através de descontos mensais no holerite dos
aposentados. Corra dele.
Até o momento, não entendi qual é o interesse
do governo federal em financiar viagens para aposentados. Ao invés de estimular
o crédito consignado, o Ministério do Turismo deveria, isso sim, criar
mecanismos para baratear roteiros, estimulando o envolvimento de agências e dos
próprios municípios interessados em receber mais turistas, que sempre
impulsionam o comércio local.. O circuito religioso do Vale do Paraíba,
idealizado pelo Sebrae-SP, é uma boa opção para quem vive em São Paulo e até no
Rio de Janeiro. Entre a saída da Capital e a chegada à Basílica de Nossa Senhora
Aparecida, não se gasta mais do que três horas de viagem em rodovia. Ao lado, em
Guaratinguetá, o turista também tem acesso à igreja de Frei Galvão, o primeiro
santo brasileiro. E logo adiante, em Cachoeira Paulista, estão as acolhedoras
instalações da comunidade Canção Nova. Nos arredores de São Paulo, temos ainda o
circuito das águas, o circuito das frutas e dezenas de locais históricos.
Mas, prefere-se incentivar a ida do cidadão
para outro Estado, com pacotes turísticos parcelados entre 6 e 24 vezes, a juros
que variam de 1,4% a 2,5% ao mês. Será que o aposentado realmente precisa disso?
Uma coisa é oferecer crédito fácil a quem pretende comprar uma geladeira, pagar
dívidas ou ajudar filhos em dificuldades. A outra é dar dinheiro para fazer
Turismo e ainda descontar isso do salário no final do mês. É lógico que o
aposentado deve aproveitar ao máximo seus dias de folga, mas sem que apertos no
orçamento. Por isso, para viagens mais longas, o ideal é poupar primeiro e
gastar depois, fugindo dos juros bancários.
O estímulo ao turismo local, além disso, é
menos cansativo, traz o envolvimento da comunidade e retorno financeiro à
própria região. Os mineiros, por exemplo, têm ao seu dispor o belíssimo circuito
histórico do interior do Estado, enquanto o Rio de Janeiro pode incentivar
passeios em seu litoral ou na região serrana. O Rio Grande do Sul, idem. E assim
por diante.
O aposentado hoje luta para fazer valer o
direito de receber um desconto na passagem de ônibus interestadual, mas a
exigência prevista pelo Estatuto do Idoso vem sendo descumprida por várias
empresas. Não há razão para acreditar que, agora, o mesmo cidadão será
respeitado com pacotes turísticos vantajosos. |