|
Francysco Renato Antunes Lopes
Ermínia Medeiros Macedo
Filipe Ribeiro Cardoso Porto
Rosimery Martins de Lima
Paloma da Silva Marques
RESUMO
O
presente artigo tem por objetivo fazer um levantamento introdutório
sobre o artesanato teresinense como meio de valorizar o turismo e
colaborar com a identidade cultural da cidade de Teresina. O trabalho é
a divulgação inicial da pesquisa de mesmo título que foi contemplada com
bolsa de iniciação científica PIBIC UESPI e que atualmente está em fase
de finalização.
Palavras-Chave: Turismo; Artesanato; Identidade
ABSTRACT
This article aims to make
an introductory survey on Craft Teresina as a means of enhancing tourism
and supporting the cultural identity of the city of Teresina. Work is
the initial disclosure of the research of the same title that was
awarded scholarship for scientific initiation PIBIC UESPI and which is
currently being finalized.
Keywords: Tourism;
Handicraft; Identity
INTRODUÇÃO
O projeto tem o intuito de falar do artesanato,
uma arte que faz parte do folclore de um povo e que é capaz de retratar
as características culturais de determinada população. Ele é um dos
vários elementos que compõem a nossa cultura, ainda considerada em
formação, justamente pela necessidade de mais elementos que nos
representem melhor. A escolha por este tema foi pelo enorme leque de
oportunidades de exploração dos processos de produção do artesanato, que
na maioria das vezes envolve a comunidade local, fator interessante para
o turismo.
O turismo voltado para a cultura é um
importante segmento da atividade em que esse trabalho se encaixa. É um
turismo de conhecimento, de vivenciar com mais exigência, ou seja, o
turista exige conhecer mesmo, com mais qualidade.
Focando nos elementos significativos para o artesanato, a
produção em Teresina é mais significante no Pólo Cerâmico, no bairro
Poty Velho, inaugurado em 2006, através de uma parceria entre a
Prefeitura Municipal de Teresina e o Governo do Estado do Piauí. Também
devemos citar a Central de Artesanato Mestre Dezinho, um importante meio
de distribuição regional.
Com a
pesquisa direcionada para o artesanato como elemento significativo da
nossa cultura e contribuindo diretamente para a nossa valorização
turística e com a nossa identidade sociocultural, o trabalho busca
observar se estão faltando incentivos culturais por parte dos setores
públicos e privados que contribuam com a nossa identidade local e com o
fortalecimento do turismo na cidade. Estes incentivos podem ser expostos
aos artesãos, que são as pessoas que produzem, em cursos oferecidos
pelos órgãos responsáveis pela gestão do setor.
Estes
incentivos também estão mais ligados a um trabalho continuo que levante
aspectos históricos de Teresina, econômicos, sociais, entre outros. Um
bom exemplo disso são as lendas que possuímos e que são carregadas de
elementos histórico-sociais de outras épocas e que perduram até os dias
atuais. Este estudo tem significativa relevância para a sociedade, pois
busca abrir uma discussão sobre as nossas características como sociedade
e levantar elementos que possam ajudar neste processo
AS RELAÇÕES ENTRE CULTURA,
TURISMO E ARTESANATO
A cultura
apresenta os traços de um determinado povo, seus feitos e suas
características peculiares. Muitas vezes fala-se com o objetivo de
provar se um determinado grupo existe e de identificar as suas
características particulares, além de ser usada quando se expõe as
idéias, o conhecimento, as crenças, e tudo o que caracteriza a vida
social do sujeito na sociedade. A cultura é marcada, também, pelos
diversos conflitos e contatos que o homem estabeleceu ao longo do tempo.
De acordo
com Angeli (1991), o termo cultura é a combinação dos produtos materiais
e espirituais que uma determinada sociedade foi criando ao longo de sua
existência, o que abrange modo de vida, sistema alimentar e opções de
Lazer.
Alambert
(2006) diz que a noção “antropológica” tem sua fundamentação na idéia de
que “cultura” é a representação material e espiritual da realidade de um
“povo”, de uma nação, de uma comunidade. Bastante ligada à cultura, a
prática turística apresenta uma importante linha no desenvolvimento
cultural, já que trabalha diretamente com as características da
população visitada e os seus contatos com os visitantes.
A atividade turística,
além de promover geração de renda, possibilita o contato entre diversos
povos e culturas. Se realizada de maneira adequada, gera possibilidades
de crescimento para aqueles que residem nas áreas locais, mas se ocorrer
de forma desordenada, além de causar um choque de conflitos entre as
partes envolvidas, descaracteriza a cultura e a identidade local da
população.
O turismo
cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do
conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural
e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e
imateriais da cultura (Mtur, 2008, 16). Na prática, engloba as seguintes
características: uso da cultura local como produto, trabalho da
população nativa nessa divulgação e a vontade do turista de vivenciar
tudo isto que lhe é apresentado, ou seja, conhecer e vivenciar
experiências nessa situação.
No Piauí, embora o turismo venha se
desenvolvendo de forma tímida, uma nova visão da atividade começou a
surgir. Além das possibilidades de desenvolvimento econômico, o lado
social passou a ganhar importância, pois a participação da sociedade é
uma forma de inclusão que só beneficia a relação com o turista, que
sente um pouco como é a vida dessas pessoas. No nosso estado, a cultura
local possui muitos valores e tradições antigas que ajudaram na formação
racial, nos costumes, na gastronomia, na religiosidade e também no nosso
artesanato, que nada mais é do que uma expressão na arte, das
características do povo da região em que é produzido.
O artesanato se configura como um
trabalho manual, que tem importância econômica e social e que mostra as
características do povo de uma determinada região materializadas em
peças confeccionadas. No Piauí, se expressa principalmente por meio dos
bordados, da tecelagem, da cerâmica, da cestaria e do trançado, da arte
regional e santeira e das jóias em opala. Os trabalhos artesanais
piauienses destacam-se em nível nacional e até internacional. Em
Teresina, o artesanato tem como seus dois principais pontos de
representação a Central de Artesanato Mestre Dezinho e o Pólo Cerâmico
do Poty Velho. A riqueza cultural do Brasil, a diversidade étnica, o
grande número de matérias-primas e a criatividade dos artesãos, nada
mais é que a chave do sucesso dessa arte.
A arte é a
expressão do belo. Esta definição, comum até a algumas décadas, conduz a
outra questão: O que é belo? Aí, a resposta se torna bem mais
complicada. O que é motivo de escárnio para uns, transforma-se em emoção
para outros, Arte é contradição. O artista interpreta o mundo em que
vive e não podem estar alheio as mudanças da própria sociedade. Caminha
com elas e até adiante delas, provocando escândalo e reações iradas dos
mais conservadores. O Artista não busca a unanimidade; não é um copista,
é um desbravador: busca o diferente onde todo mundo só vê o igual.
(VICTORINO, 2000)
O artesanato
piauiense
é valoroso e de grande importância para o turismo, com artesãos
conhecidos nacional e internacionalmente com uma grande diversidade de
peças que possuem estilo próprio. Segundo a Carta CEPRO (agosto/dezembro
2007), no Piauí o setor destaca-se como responsável pela geração de
renda de mais de 27 mil famílias. Somente em Teresina, mais de 3 mil
pessoas desenvolvem a atividade, números que crescem cada vez mais
.Cerca de 80% dos artesãos piauienses moram na zona urbana. As mulheres
são as que se dedicam mais à atividade, com percentual de 75 %, num
cômodo improvisado em suas próprias residências, angariando renda, que
serve como complemento para o sustento da família.
As políticas públicas e
privadas demonstram uma preocupação com o viés econômico na produção do
artesanato e diante de tudo exposto até o presente momento, podemos
levantar o seguinte questionamento: que incentivos culturais estão
faltando da parte dos setores públicos e privados para colaborarem com a
valorização da identidade local e com o fortalecimento do turismo em
Teresina?
É
necessário haver um avanço nas políticas direcionadas, que possibilite
contemplar o artesanato não apenas como um setor economicamente
produtivo, mas como algo maior, capaz de traduzir a identidade
teresinense. Nesse contexto, a presente
pesquisa justifica a sua relevância, uma vez que a importância de
investir na nossa cultura que é fortemente representada pelo artesanato,
é um importante meio de contribuir para o processo de construção da
identidade cultural e de um maior desenvolvimento do turismo local.
PESQUISA DE CAMPO
A metodologia utilizada foi à
realização de uma pesquisa de campo no Pólo Cerâmico com a aplicação de
questionários entre os artesãos locais. Dos 10 trabalhadores
consultados, todos responderam que os setores públicos e privados não
tem apoiado financeiramente o Pólo Cerâmico. Contudo, os artesãos
relataram que recebem apoio técnico em formas de cursos ofertados por
órgãos parceiros como o SEBRAE, o Banco do Brasil, a Fundação Wall
Ferraz e o Prodart.
Metade das pessoas ouvidas disse que o
artesanato produzido por eles tem características próprias da nossa
cultura e a outra metade disse que não. Essas características se referem
às lendas locais e os folclores.
Podemos citar também algumas
dificuldades que eles comentaram:
- Muitos artesãos não freqüentam os cursos oferecidos
(alguns cometam que a maioria não vai) e estão sendo “passados para
trás” por aqueles que aprendem novas técnicas de arte;
- Os trabalhadores são representados por uma associação e
uma cooperativa, sendo que a associação representa a todos e a
cooperativa as mulheres, já que é formada pelas mesmas;
- A associação está sem um representante desde que o
último presidente saiu do cargo;
- Quando algumas artesãs respondiam a sua profissão,
falavam que “no momento” trabalhavam com aquilo. Quando questionado o
porquê desta resposta, elas argumentaram a dificuldade que enfrentavam e
que se arrumassem algo melhor, mudariam de ramo;
- Para alguns, a maioria dos artesãos de lá estão
dispersos, não inovam e de alguma forma criam rixas por isso.
É importante lembrar que os passos
dados nesta pesquisa até o momento são de extrema importância para o
alcance de resultados concretos, especialmente com as futuras
contribuições para a sociedade piauiense.
REFLEXÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pôde-se observar que até o momento a
pesquisa constatou a existência de deficiências na produção do
artesanato local. Este artesanato não possui uma linha de produção
padronizada e que trabalhe exclusivamente as nossas características como
povo, ele tem elementos miscigenados, da arte santeira a produção de
jardinagem, do barro a utilização da madeira.
Posteriormente será publicado o
segundo artigo deste trabalho, com as análises finais da proposta
inicial que é discorrer se esta arte em Teresina utiliza elementos da
nossa cultura e que elevem a nossa identidade como povo. Até o presente
momento, observamos que os cursos oferecidos são os principais meios de
expor aos artesãos locais o que é esta cultura e a identidade que
almejamos fortalecer. No próximo trabalho abordaremos não só as pessoas
que produzem artesanato, mas também os órgãos responsáveis por apoiar
esta bela arte dentro da cidade de Teresina.
REFERENCIAS:
ALAMBET, Francisco. Uma
definição (e uma proposta) de cultura / agosto de 2006. HTTP:
//www.cultura.gov.br/culturaepensamento/painel. Acesso em 07 de maio de
2009.
ANGELI, Margarita N. Barretto.
Planejamento e organização em turismo / Margarita N. Barreto
Angeli. – Campinas, SP: Papirus, 1991.
BRASIL. MINISTÉRIO DO TURISMO.
Turismo Cultural: Orientações básicas. 2° ed. Brasília:
Ministério do Turismo, 2008.
Carta CEPRO,
Teresina, Fundação CEPRO – v.24 – agosto/dezembro 2007.
VICTORINO,
Paulo. Arte – A materialização do universo pelas mãos do artista.
HTTP: //www.pitoresco.com.br/espelho/valeapena/arte/arte.htm. Acesso em
06 de abril de 2009.
|