spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 04 de novembro de 2010 19:43:29                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TURISMO

Análise introdutória: o artesanato teresinense como instrumento de valorização da identidade sociocultural e turística local

Filipe Ribeiro Cardoso Porto;  Rosimery Martins de Lima; Francysco Renato Antunes Lopes; Paloma da Silva Marques e Ermínia Medeiros Macedo

publicado em 02/11/2010

 Francysco Renato Antunes Lopes[1]

Ermínia Medeiros Macedo[2]

Filipe Ribeiro Cardoso Porto[3]                                                                                                          Rosimery Martins de Lima[4]

Paloma da Silva Marques[5]

 

RESUMO 

O presente artigo tem por objetivo fazer um levantamento introdutório sobre o artesanato teresinense como meio de valorizar o turismo e colaborar com a identidade cultural da cidade de Teresina. O trabalho é a divulgação inicial da pesquisa de mesmo título que foi contemplada com bolsa de iniciação científica PIBIC UESPI e que atualmente está em fase de finalização.

 

Palavras-Chave: Turismo; Artesanato; Identidade

 

ABSTRACT

This article aims to make an introductory survey on Craft Teresina as a means of enhancing tourism and supporting the cultural identity of the city of Teresina. Work is the initial disclosure of the research of the same title that was awarded scholarship for scientific initiation PIBIC UESPI and which is currently being finalized.

Keywords: Tourism; Handicraft; Identity

 

 

INTRODUÇÃO 

                   O projeto tem o intuito de falar do artesanato, uma arte que faz parte do folclore de um povo e que é capaz de retratar as características culturais de determinada população. Ele é um dos vários elementos que compõem a nossa cultura, ainda considerada em formação, justamente pela necessidade de mais elementos que nos representem melhor. A escolha por este tema foi pelo enorme leque de oportunidades de exploração dos processos de produção do artesanato, que na maioria das vezes envolve a comunidade local, fator interessante para o turismo.

                   O turismo voltado para a cultura é um importante segmento da atividade em que esse trabalho se encaixa. É um turismo de conhecimento, de vivenciar com mais exigência, ou seja, o turista exige conhecer mesmo, com mais qualidade.    

                   Focando nos elementos significativos para o artesanato, a produção em Teresina é mais significante no Pólo Cerâmico, no bairro Poty Velho, inaugurado em 2006, através de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Teresina e o Governo do Estado do Piauí. Também devemos citar a Central de Artesanato Mestre Dezinho, um importante meio de distribuição regional.

                   Com a pesquisa direcionada para o artesanato como elemento significativo da nossa cultura e contribuindo diretamente para a nossa valorização turística e com a nossa identidade sociocultural, o trabalho busca observar se estão faltando incentivos culturais por parte dos setores públicos e privados que contribuam com a nossa identidade local e com o fortalecimento do turismo na cidade. Estes incentivos podem ser expostos aos artesãos, que são as pessoas que produzem, em cursos oferecidos pelos órgãos responsáveis pela gestão do setor.

                   Estes incentivos também estão mais ligados a um trabalho continuo que levante aspectos históricos de Teresina, econômicos, sociais, entre outros. Um bom exemplo disso são as lendas que possuímos e que são carregadas de elementos histórico-sociais de outras épocas e que perduram até os dias atuais. Este estudo tem significativa relevância para a sociedade, pois busca abrir uma discussão sobre as nossas características como sociedade e levantar elementos que possam ajudar neste processo

 

 

AS RELAÇÕES ENTRE CULTURA, TURISMO E ARTESANATO     

 

                   A cultura apresenta os traços de um determinado povo, seus feitos e suas características peculiares. Muitas vezes fala-se com o objetivo de provar se um determinado grupo existe e de identificar as suas características particulares, além de ser usada quando se expõe as idéias, o conhecimento, as crenças, e tudo o que caracteriza a vida social do sujeito na sociedade. A cultura é marcada, também, pelos diversos conflitos e contatos que o homem estabeleceu ao longo do tempo.

                   De acordo com Angeli (1991), o termo cultura é a combinação dos produtos materiais e espirituais que uma determinada sociedade foi criando ao longo de sua existência, o que abrange modo de vida, sistema alimentar e opções de Lazer. 

                   Alambert (2006) diz que a noção “antropológica” tem sua fundamentação na idéia de que “cultura” é a representação material e espiritual da realidade de um “povo”, de uma nação, de uma comunidade. Bastante ligada à cultura, a prática turística apresenta uma importante linha no desenvolvimento cultural, já que trabalha diretamente com as características da população visitada e os seus contatos com os visitantes.

       A atividade turística, além de promover geração de renda, possibilita o contato entre diversos povos e culturas. Se realizada de maneira adequada, gera possibilidades de crescimento para aqueles que residem nas áreas locais, mas se ocorrer de forma desordenada, além de causar um choque de conflitos entre as partes envolvidas, descaracteriza a cultura e a identidade local da população.

                     O turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura (Mtur, 2008, 16). Na prática, engloba as seguintes características: uso da cultura local como produto, trabalho da população nativa nessa divulgação e a vontade do turista de vivenciar tudo isto que lhe é apresentado, ou seja, conhecer e vivenciar experiências nessa situação.

                   No Piauí, embora o turismo venha se desenvolvendo de forma tímida, uma nova visão da atividade começou a surgir. Além das possibilidades de desenvolvimento econômico, o lado social passou a ganhar importância, pois a participação da sociedade é uma forma de inclusão que só beneficia a relação com o turista, que sente um pouco como é a vida dessas pessoas. No nosso estado, a cultura local possui muitos valores e tradições antigas que ajudaram na formação racial, nos costumes, na gastronomia, na religiosidade e também no nosso artesanato, que nada mais é do que uma expressão na arte, das características do povo da região em que é produzido.

                 O artesanato se configura como um trabalho manual, que tem importância econômica e social e que mostra as características do povo de uma determinada região materializadas em peças confeccionadas. No Piauí, se expressa principalmente por meio dos bordados, da tecelagem, da cerâmica, da cestaria e do trançado, da arte regional e santeira e das jóias em opala. Os trabalhos artesanais piauienses destacam-se em nível nacional e até internacional. Em Teresina, o artesanato tem como seus dois principais pontos de representação a Central de Artesanato Mestre Dezinho e o Pólo Cerâmico do Poty Velho. A riqueza cultural do Brasil, a diversidade étnica, o grande número de matérias-primas e a criatividade dos artesãos, nada mais é que a chave do sucesso dessa arte.

 

            A arte é a expressão do belo. Esta definição, comum até a algumas décadas, conduz a outra questão: O que é belo? Aí, a resposta se torna bem mais complicada. O que é motivo de escárnio para uns, transforma-se em emoção para outros, Arte é contradição. O artista interpreta o mundo em que vive e não podem estar alheio as mudanças da própria sociedade. Caminha com elas e até adiante delas, provocando escândalo e reações iradas dos mais conservadores. O Artista não busca a unanimidade; não é um copista, é um desbravador: busca o diferente onde todo mundo só vê o igual. (VICTORINO, 2000)

                       

       O artesanato piauiense é valoroso e de grande importância para o turismo, com artesãos conhecidos nacional e internacionalmente com uma grande diversidade de peças que possuem estilo próprio. Segundo a Carta CEPRO (agosto/dezembro 2007), no Piauí o setor destaca-se como responsável pela geração de renda de mais de 27 mil famílias. Somente em Teresina, mais de 3 mil pessoas desenvolvem a atividade, números que crescem cada vez mais .Cerca de 80% dos artesãos piauienses moram na zona urbana. As mulheres são as que se dedicam mais à atividade, com percentual de 75 %, num cômodo improvisado em suas próprias residências, angariando renda, que serve como complemento para o sustento da família.

       As políticas públicas e privadas demonstram uma preocupação com o viés econômico na produção do artesanato e diante de tudo exposto até o presente momento, podemos levantar o seguinte questionamento: que incentivos culturais estão faltando da parte dos setores públicos e privados para colaborarem com a valorização da identidade local e com o fortalecimento do turismo em Teresina?

                   É necessário haver um avanço nas políticas direcionadas, que possibilite contemplar o artesanato não apenas como um setor economicamente produtivo, mas como algo maior, capaz de traduzir a identidade teresinense. Nesse contexto, a presente pesquisa justifica a sua relevância, uma vez que a importância de investir na nossa cultura que é fortemente representada pelo artesanato, é um importante meio de contribuir para o processo de construção da identidade cultural e de um maior desenvolvimento do turismo local.

 

 

PESQUISA DE CAMPO

 

                   A metodologia utilizada foi à realização de uma pesquisa de campo no Pólo Cerâmico com a aplicação de questionários entre os artesãos locais. Dos 10 trabalhadores consultados, todos responderam que os setores públicos e privados não tem apoiado financeiramente o Pólo Cerâmico. Contudo, os artesãos relataram que recebem apoio técnico em formas de cursos ofertados por órgãos parceiros como o SEBRAE, o Banco do Brasil, a Fundação Wall Ferraz e o Prodart.

                   Metade das pessoas ouvidas disse que o artesanato produzido por eles tem características próprias da nossa cultura e a outra metade disse que não. Essas características se referem às lendas locais e os folclores.

                 Podemos citar também algumas dificuldades que eles comentaram:

- Muitos artesãos não freqüentam os cursos oferecidos (alguns cometam que a maioria não vai) e estão sendo “passados para trás” por aqueles que aprendem novas técnicas de arte;

- Os trabalhadores são representados por uma associação e uma cooperativa, sendo que a associação representa a todos e a cooperativa as mulheres, já que é formada pelas mesmas;

- A associação está sem um representante desde que o último presidente saiu do cargo;

- Quando algumas artesãs respondiam a sua profissão, falavam que “no momento” trabalhavam com aquilo. Quando questionado o porquê desta resposta, elas argumentaram a dificuldade que enfrentavam e que se arrumassem algo melhor, mudariam de ramo;

- Para alguns, a maioria dos artesãos de lá estão dispersos, não inovam e de alguma forma criam rixas por isso.

                   É importante lembrar que os passos dados nesta pesquisa até o momento são de extrema importância para o alcance de resultados concretos, especialmente com as futuras contribuições para a sociedade piauiense.

 

REFLEXÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

                   Pôde-se observar que até o momento a pesquisa constatou a existência de deficiências na produção do artesanato local. Este artesanato não possui uma linha de produção padronizada e que trabalhe exclusivamente as nossas características como povo, ele tem elementos miscigenados, da arte santeira a produção de jardinagem, do barro a utilização da madeira.

                   Posteriormente será publicado o segundo artigo deste trabalho, com as análises finais da proposta inicial que é discorrer se esta arte em Teresina utiliza elementos da nossa cultura e que elevem a nossa identidade como povo. Até o presente momento, observamos que os cursos oferecidos são os principais meios de expor aos artesãos locais o que é esta cultura e a identidade que almejamos fortalecer. No próximo trabalho abordaremos não só as pessoas que produzem artesanato, mas também os órgãos responsáveis por apoiar esta bela arte dentro da cidade de Teresina. 

 

 

REFERENCIAS:

ALAMBET, Francisco. Uma definição (e uma proposta) de cultura / agosto de 2006. HTTP: //www.cultura.gov.br/culturaepensamento/painel. Acesso em 07 de maio de 2009.

ANGELI, Margarita N. Barretto. Planejamento e organização em turismo / Margarita N. Barreto Angeli. – Campinas, SP: Papirus, 1991.

BRASIL. MINISTÉRIO DO TURISMO. Turismo Cultural: Orientações básicas. 2° ed. Brasília: Ministério do Turismo, 2008.

Carta CEPRO, Teresina, Fundação CEPRO – v.24 – agosto/dezembro 2007.

VICTORINO, Paulo. Arte – A materialização do universo pelas mãos do artista. HTTP: //www.pitoresco.com.br/espelho/valeapena/arte/arte.htm. Acesso em 06 de abril de 2009.

 


 

[1] Estudante do 8º período do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, e 3º período do Curso de Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.

[2] Graduada em Turismo, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Especialista em Planejamento e Gestão Organizacional, pela Universidade de Pernambuco - UPE; Planejamento e Gestão de Eventos Turismo e Hotelaria, pela Faculdade das Atividades Empresariais de Teresina - FAETE, e Mestranda em Turismo, pela Universidade de Brasília – UNB.

[3] Estudante do 8º período do Curso de Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, e 6º período do Curso de Bacharelado em Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.

[4] Estudante do 8º período do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI e Graduada em Licenciatura Plena em Letras/Espanhol pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

[5] Estudante do 8º período do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

 
  

spacer
::sobre o autor::


Filipe Ribeiro Cardoso Porto
é
estudante do 8º período do Curso de Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, e 6º período do Curso de Bacharelado em Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.


Rosimery Martins de Lima
é g
raduada no Curso de Licenciatura Plena em Letras/Espanhol, pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, e estudante do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI


Francysco Renato Antunes Lopes é estudante do 8º período do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, e 3º período do Curso de Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí – UFPI



Paloma da Silva Marques é estudante do 8º período do Curso de Bacharelado em Turismo pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

Ermínia Medeiros Macedo é Graduada em Turismo, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Especialista em Planejamento e Gestão Organizacional, pela Universidade de Pernambuco - UPE; Planejamento e Gestão de Eventos Turismo e Hotelaria, pela Faculdade das Atividades Empresariais de Teresina - FAETE, e Mestranda em Turismo, pela Universidade de Brasília – UNB.

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::
 

 

 

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2010
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer