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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 18 de julho de 2009 16:54:12                                               

 
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TURISMO
A contribuição da Educação Ambiental para o desenvolvimento do Turismo Sustentável no Parque Municipal de Nova Iguaçu-RJ    

Liviane da Conceição Pires

 

publicado em 18/07/2008


 

RESUMO
 

Este artigo tem como proposta apresentar a Educação Ambiental para o desenvolvimento do Turismo Sustentável no Parque Municipal de Nova Iguaçu (PMNI). O objetivo visado foi o de responder o seguinte problema: de que maneira a Educação Ambiental pode ajudar na sustentabilidade no PMNI quando trabalhada em conjunto com o Turismo Sustentável? A metodologia utilizada baseou-se em pesquisa bibliográfica, análise documental, sistematização das informações e redação final. O Parque Municipal de Nova Iguaçu está localizado na cidade de Nova Iguaçu, na região da Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro, este é uma Unidade de Conservação que foi criada em 1998, com o objetivo não só de proteger a fauna e a flora existentes na região, como oferecer à população uma opção de lazer, preservando o patrimônio natural e histórico que pertence a todos nós.
 

Palavras- chave: Educação Ambiental, Turismo Sustentável, Parque Municipal de Nova Iguaçu.



 

ABSTRACT
 

This article aims to present the environmental education as a proposal for the development of sustainable tourism in Nova Iguaçu Municipal Park. The objective was to answer the following issue: how environmental education, combined with sustainable tourism can provide sustainability to PMNI? The methodology was based on technical literature research, document analysis, systematization of information and final writing. Nova Iguaçu Municipal Park is located in Nova Iguaçu, Baixada Fluminense region, Rio de Janeiro. This is a conservation unit, which was established in 1998, seeking not only to protect the existing flora and fauna, but also to offer people a leisure option, preserving the natural and historical patrimony, which belongs to us all.
 

Keywords: Environmental Education, Sustainable Tourism, Nova Iguaçu Municipal Park.


 

INTRODUÇÃO


O presente estudo proporcionará uma análise da contribuição da Educação Ambiental como forma de se implantar e desenvolver o Turismo Sustentável no Parque Municipal de Nova Iguaçu.

A educação ambiental possui fundamental importância para o desenvolvimento de atividades sustentáveis, pois conscientiza não só os turistas como também a população local, mostrando formas de uso racional dos recursos sem depredar os patrimônios culturais, históricos e naturais, promovendo assim, a prática do turismo sustentável na região.

O turismo sustentável refere-se ao desenvolvimento sem degradação e/ou esgotamento dos recursos, ou seja, a utilização com consciência e respeito dos mesmos para que possam ser desfrutados por todos. A sustentabilidade está voltada para a satisfação das necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de satisfação das gerações futuras.

A prática da educação ambiental, juntamente com o planejamento turístico faz-se extremamente necessário nos locais onde ocorre uma grande concentração de visitantes, principalmente em áreas de Unidade de Conservação, como é o caso do Parque Municipal de Nova Iguaçu, onde as atenções devem estar voltadas para a preservação do meio ambiente, afim de evitar os possíveis danos causados pelos mesmos, mantendo, assim, a atual atratividade dos recursos, possibilitando que a atividade turística tenha uma posição de destaque na preservação dos atrativos, sendo praticada com responsabilidade, ética e sustentabilidade.


 


 

Breve histórico da Educação Ambiental global
 

De acordo com Silva (1978), a consciência ecológica pode ser encontrada desde os tempos mais remotos. Filósofos (principalmente os orientais), alguns cristãos e muitos cientistas e pensadores do século XIX já em suas épocas alertavam sobre a importância do respeito à natureza.

Ao longo do século XX, a relação do homem com o planeta, de uma forma geral, passou por uma necessária e profunda transformação, a percepção de enxergar os problemas ambientais tornou-se condição básica de sobrevivência para todas as nações.

Os primeiros registros da utilização do termo “Educação Ambiental” datam de 1948, a partir do encontro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em Paris.

A partir da década de 1960, surgiram muitos grupos e Organizações Não-Governamentais (ONG’s) em todo o mundo, neste período, os valores e princípios começam a ser severamente questionados, com a ajuda do Clube de Roma, o mundo começa a abrir os olhos para a discriminação, a injustiça social, a corrupção, a deterioração ambiental, entre outros, começam os questionamentos sobre a crise e o futuro da humanidade.

A década de 1970 é considerada uma das mais importantes da história, pois a mesma é marcada pela criação de várias organizações internacionais que visavam discutir os problemas ambientais em nível mundial, além dos primeiros movimentos ambientalistas organizados.

Em 1971, nasceu o Greenpeace;em 1972 o Clube de Roma publicou o seu primeiro relatório, chamado: The limits of growth (os limites do crescimento). No mesmo ano, aconteceu na Suécia, a Conferência de Estolcomo, neste encontro começaram a ser definidos os rumos da Educação Ambiental mundial, com a inserção do tema na agenda internacional.

Em 1975, a ONU lançou o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), em Belgrado, foram formulados alguns princípios e orientações para um programa internacional de EA, propondo que esta deve ser contínua, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e direcionada aos interesses nacionais, do encontro, foi gerada ainda, a Carta de Belgrado. Em outubro de 1977, aconteceu a Conferência de Tbilisi, na Geórgia (ex-União Soviética). A partir deste encontro, foram definidas, as finalidades, os objetivos, e os princípios básicos da Educação Ambiental, sendo considerado como uma referência para o desenvolvimento de atividades de EA, pois suas diretrizes são aplicadas até os dias de hoje em todo o mundo.

A década de 1980 foi marcada pelo surgimento, em muitos países, de leis regulamentando a atividade industrial referente à poluição, além de cobranças mais firmes quanto à realização de Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Em 1983, o Pnuma criou Comissão Brundtland, a criação do grupo teve como objetivo, segundo Dias (2004), reexaminar os principais problemas críticos do meio ambiente e do desenvolvimento do planeta, formulando, a partir daí, propostas reais para solucioná-los e de assegurar que o progresso humano seja sustentável através do desenvolvimento, sem comprometer os recursos ambientais para as futuras gerações. Em 1987, foi divulgado o relatório da Comissão, o chamado Our common future (Nosso futuro comum), tratando de preocupações, desafios e esforços comuns que buscavam o desenvolvimento sustentável planetário.

A década de 1990 ficou marcada pelo grande impulso relacionado à consciência ambiental na maioria dos países, discussões sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global do planeta e pela gestão ambiental.

A Rio-92 teve um impacto relevante na mobilização da sociedade civil organizada, e a partir de então, inúmeras ONG’s agregaram a EA como principal tema de atuação. O encontro chamou a atenção do mundo para a dimensão global dos perigos que ameaçavam a vida na Terra e, focando, para a necessidade de uma aliança entre todos os povos em prol de uma sociedade sustentável. Cerca de dois anos antes da Rio-92, um documento começou a ser preparado por governos, ONG’s e especialistas, para que pudesse ser assinado pelos países que estariam presentes à Conferência. Denominado de AGENDA 21 - um programa para o desenvolvimento e o meio ambiente da Terra, um pacto entre os três setores da sociedade: o governamental, o produtivo e o civil organizado.

Foi admitido durante a Rio-92 que o modelo de “desenvolvimento” então vigente era totalmente insustentável. O modelo de desenvolvimento sustentável é colocado como o novo modelo a ser implantado, assim sendo, a Educação Ambiental foi reconhecida como o processo de promoção estratégico desse novo modelo. Parece que a Eco-92 fez o governo brasileiro despertar para a importância de realizar políticas sérias e responsáveis relacionadas ao meio ambiente.

O novo século se inicia com inúmeros tratados estabelecidos, documentos elaborados, acordos, cartas e recomendações firmadas em âmbito global nas últimas décadas, no entanto, é hora de colocar todos estes parâmetros de referência em prática; não há mais tempo, segundo especialistas da área; pela primeira vez em 15 bilhões de anos, a manutenção da vida na Terra está seriamente ameaçada. Em dezembro de 2002, a ONU implantou a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), potencializando as políticas, os programas e as ações educacionais já existentes, multiplicando as oportunidades e reconhecendo a importância da EA no confronto com a problemática sócio-ambiental.


 

Desenvolvimento e Turismo Sustentável


 

A crise ambiental contemporânea tem levado a sociedade a refletir sobre as maneiras de minimizar o abismo entre a necessidade de produção e consumo e a necessidade de manter a integridade da base biofísica do planeta. (MATHEUS, 2005). O conceito de desenvolvimento sustentável surge no âmago dessa questão, podendo ser definido como uma tentativa de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de satisfação das futuras gerações.

O debate sobre o Turismo Sustentável (TS), é um fenômeno dos anos 90. Segundo Ruschmann (1997), os conceitos de turismo sustentável e desenvolvimento sustentável estão intimamente ligados à sustentabilidade do meio ambiente, principalmente nos países menos desenvolvidos. Seguindo esta linha, Swarbrooke (2000), coloca que o TS não é apenas proteção ao meio ambiente, ele também está ligado à viabilidade econômica a longo prazo e à justiça social, não podendo ser separado do debate mais amplo sobre desenvolvimento sustentável em geral.

O TS é uma poderosa ferramenta de auxílio para o desenvolvimento sustentável, no entanto, o desenvolvimento sustentável pode ser considerado como um pré-requisito para o turismo sustentável, uma vez que o desenvolvimento não-sustentável altera irreversivelmente a qualidade de um produto turístico. Para que haja o desenvolvimento sustentável do turismo, torna-se necessário uma estratégia de desenvolvimento baseada nos princípios de sustentabilidade, considerando a gestão de todos os ambientes, os recursos oferecidos e as comunidades receptoras, de forma a atender às necessidades econômicas, sociais e culturais, preservando a identidade de todos os atores envolvidos.

À medida que o turismo se desenvolve, surge a necessidade de se considerar a questão do volume máximo de turistas permitidos em um local. Uma comunidade que é ‘massacrada’ por turistas, provavelmente irá desenvolver uma antipatia em relação aos visitantes, o que pode ameaçar a sustentabilidade do turismo nesse local a longo prazo. Para alguns, o desenvolvimento do turismo representa a principal causa da degradação ambiental, no entanto, é preciso ressaltar que, por exemplo, a expansão pouco planejada da indústria e da agricultura também pode causar desastres ambientais.

Para Vasconcelos (1998), a educação é base para qualificar ou requalificar os destinos turísticos, pois as comunidades que possuem informações e conhecimentos valorizam seus recursos, defendem sua identidade e desenvolvem uma consciência crítica da sua realidade, neste sentido, a educação ambiental torna-se extremamente necessária. A conservação dos recursos naturais é afetada porque as comunidades locais não possuem conhecimento sobre o valor dos mesmos, e sua situação, geralmente de carência e necessidades, faz com que utilizem os recursos naturais sem que as precauções necessárias sejam tomadas. Tais recursos, são os atrativos turísticos, dessa forma, as comunidades locais vêem os turistas como uma ameaça às suas necessidades básicas. Nesse processo, é extremamente necessário educar a comunidade local para que esta participe ativamente do seu desenvolvimento, o que exige um trabalho conjunto com todos os agentes sociais do turismo (governos, empresários, ONG’s, comunidade, turistas, etc.), assim, as oportunidades de emprego, receitas para a conservação e preservação dos recursos e distribuição de renda serão uma realidade viável, tornando-se a base para o desenvolvimento do turismo sustentável e para a conservação e manutenção do patrimônio natural e cultural local.


 


 

O Parque Municipal de Nova Iguaçu – RJ
 

O Parque Municipal de Nova Iguaçu (PMNI) é uma Unidade de Conservação que foi criada pelo Decreto nº. 6.001, de 5 de junho de 1998, está localizado na serra do Gericinó-Mendanha, em uma área conhecida como Gleba Modesto Leal, no município de Nova Iguaçu, um dos mais importantes da Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro, sua área total corresponde a aproximadamente 1.100 hectares. De acordo com seu Plano de Manejo (2000), sua criação foi realizada visando não somente à proteção da fauna e flora existentes, como assegurar a realização das atividades de fiscalização e pesquisa, oferecer ao usuário segurança, conforto e educação ambiental, além de formalizar uma opção de lazer para a população da região, possibilitando o lazer programado em contato direto com a natureza. No entanto, anos após a data de sua criação, muitos dos objetivos e metas propostos inicialmente no Plano de Manejo ainda não foram alcançados.

Partindo deste ponto, verificou-se a necessidade de relacionar a Educação Ambiental com as vertentes do Turismo Sustentável, possibilitando que sejam implantados projetos de educação e conscientização ambiental no município, para que a partir de então, todos possam ter mais responsabilidade em suas ações e solidariedade às gerações futuras.

A ocupação da região começou no Período Colonial, já nos primeiros anos do século XVII, a ocupação das terras da Serra do Gericinó e adjacências, já estavam consumadas. A área do Parque vem sendo utilizada pelos moradores como opção de lazer já há algum tempo, até meados da década de 1960, funcionou na região o Clube D. Felipe.

A maior parte das matas do maciço Gericinó-Madureira-Mendanha são de preservação permanente, uma vez que são áreas florestais localizadas no topo dos morros, montanhas e serras e nas encostas com declive superior a 45º ou equivalentes a 100% na linha de maior declividade.

A providência de criar o Parque foi de suma importância, uma vez que em julho de 1985, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da CEHAB, comprou as terras da Gleba Modesto Leal com o objetivo de assentar ali cerca de 44 mil pessoas, num programa chamado Cada Família Um Lote, tal medida, provocou a reação imediata da Prefeitura de Nova Iguaçu, uma vez que já havia declarado a região como Utilidade Pública para fins de desapropriação. O Plano de Manejo do PMNI considera que a implantação do Parque garantiria a integridade da região, servindo de exemplo para outros municípios, o objetivo deste era estabelecer o planejamento e os programas de trabalho que norteariam o funcionamento do Parque, conciliando interesses econômicos, de pesquisa, de ecoturismo e de lazer.

O PMNI apresenta sua topografia delimitada pela serra de Madureira, na vertente iguaçuana, e pela serra do Mendanha, na vertente do município do Rio de Janeiro, integra a Zona de Interesse Ambiental e Geológico. Sua área de influência direta localiza-se em Nova Iguaçu, nos bairros do Kaonze e Presidente Juscelino e no município de Mesquita, pelos bairros de Santa Terezinha, Edson Passos e Coréia. O acesso à área do Parque pode ser realizado pelo Kaonze (bairro de Nova Iguaçu), pela estrada do encanamento ou pelo centro de Mesquita (Praça Manoel Duarte, em frente à estação de trem da cidade), percorrendo algo em torno de 4,5 km da Av. Brasil e Estrada da Cachoeira. No interior do Parque, a via de circulação principal é a Estrada da Cachoeira, com um total de aproximadamente 5,5 km de extensão, a utilização de veículos motorizados é bem difícil. Sua altitude oscila entre 150 metros na entrada do Parque e 956 metros no marco Sudoeste, no ponto mais alto, próximo ao pico Gericinó. O maciço Gericinó-Madureira-Mendanha é constituído por rochas de idade que varia desde o Arqueano ao Cretáceo-Inferior/Terciário Inferior.

O conjunto orográfico formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira, se destaca na paisagem da planície litorânea e da Baixada Fluminense por seu posicionamento topográfico privilegiado, pois se trata de uma região com relevo bastante acidentado, é formada por muitas escarpas e elevações, cujo seu ponto máximo atinge cerca de 974 metros.

Além do patrimônio histórico-cultural, o rico e belo acervo natural da área também deve ser exaltado, uma vez que ao adentrar nos limites do Parque, perde-se completamente a noção de espaço, suas belas paisagens são incomuns nas cidades. A criação do PMNI possibilita a preservação desses sítios, uma vez que a legislação ambiental vigente visa aperfeiçoar e democratizar seu uso. Dentre os principais atrativos naturais do Parque, podemos destacar a cachoeira Véu da Noiva, a antiga Represa Epaminondas Ramos, o Poço das Cobras, o Poço do Casarão, além de inúmeros lagos naturais e cachoeiras formadas pelo Rio Dn. Eugênia e seus afluentes.

A região do PMNI faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Gericinó-Mendanha, uma área de 10.500 hectares, considerada pela UNESCO em 1992, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). Sendo elevado à categoria de Geoparque em 05 de junho de 2004, devido aos inúmeros atrativos geológicos existentes na área, sendo considerado o primeiro do Estado do Rio de Janeiro. A riqueza histórica da região de implantação do Parque é objeto de estudiosos de diversas áreas. Segundo alguns destes estudiosos, a serra de Madureira, durante boa parte do período colonial foi refúgio de escravos que fugiam das fazendas próximas. Segundo o Plano de Manejo, pesquisas realizadas na região dão conta da existência de inúmeros sítios históricos, tanto no interior da UC, como nas áreas próximas. São antigas obras hidráulicas, ruínas de fazendas, cemitérios de escravos e até um cemitério indígena, situado em terreno do campo de instrução do Exército. De todas as relíquias pertencentes à história desse trecho da cidade de Nova Iguaçu, o casarão da Fazenda Dona Eugênia é considerado o mais relevante, sede da antiga Fazenda D. Eugênia, denominada no século XIX como Fazenda Espírito Santo. A construção é datada do século XIX, o prédio mantém características originais. Trata-se, segundo o Plano de Manejo, do prédio mais antigo da cidade que ainda permanece de pé. Existe ainda a Represa Epaminondas Ramos, construída em 1948. Além do Engenho da Cachoeira, situado ao pé da serra da Cachoeira (maciço Gericinó) e às margens do rio de mesmo nome, mais tarde denominado rio Dn. Eugênia, instalado no século XVII, foi o principal responsável pelo povoamento desta região de Nova Iguaçu.

Segundo o Plano de Manejo do PMNI, ainda no maciço Gericinó-Mendanha, é possível considerar a presença de dois aparelhos vulcânicos relativamente bem preservados:

 

“a estrutura vulcânica da extremidade setentrional, conhecida como chaminé do Lamego (com 300 m de diâmetro), é formada, segundo Klein & Vieira (1980), por brechas vulcânicas e tufíticas, tufos, aglomerados, etc. o outro aparelho vulcânico situa-se a sudoeste do primeiro, mais para o interior do maciço, sendo constituído por produtos vulcânicos gélsicos alcalinos, semelhantes aos acima referidos (Klein, V. C., comunicação verbal). Este vulcão extinto localiza-se nas proximidades da Pedra da Contenda”.



 

Os geólogos Alberto R. Lamego e Vitor C. Klein foram os primeiros pesquisadores brasileiros, em 1938 e 1979, respectivamente, a divulgarem a existência de vestígios de vulcões extintos no município de Nova Iguaçu. Logo, uma das áreas mais estudadas do maciço localiza-se nas proximidades da Pedra da Contenda, onde, segundo estudiosos no assunto, encontra-se um dos pontos de erupção ou derramamento num local é conhecido como Varginha.

Os resquícios da atividade vulcânica localizam-se, em sua maior parte, do lado ocidental do Maciço do Gericinó-Madureira-Mendanha. O vulcão de Nova Iguaçu descoberto por Klein & Vieira, fica na porção setentrional da serra de Madureira:

“Trata-se de uma estrutura semicircular em forma de cone de tufo, que começa em Cabuçu e termina na Chaminé do Lamego, além de uma série de diques de brechas que lhes estão associados”.



 

Para Klein (1993 apud PLANO DE MANEJO DO PMNI, 2000), o aparecimento deste vulcão e das rochas alcalinas do Marapicu e complexo Mendanha-Madureira, foi possível pelos movimentos sucessivos de um sistema de falhas dextrais, os quais além de permitir a colocação destas rochas, funcionaram como caminho para que o magma alcalino tivesse acesso.

Segundo especialistas, o vulcanismo no Rio de Janeiro está relacionado à movimentação da placa onde o Brasil está localizado, sobre pontos quentes, sendo focos concentrados de calor, existentes a grandes profundidades no interior da Terra, numa camada chamada de manto.



 



 

Considerações
 

A reversão da atual crise ambiental em que se encontra o planeta só será possível mediante uma real e transformadora mudança de valores individuais e sociais, coloca-se a educação ambiental da população como a grande facilitadora nas ações que ajudarão à sociedade neste processo, pois a mesma é baseada no respeito a todas as formas de vida, agregando valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica.

A EA possui valores que são voltados para a transformação da sociedade, neste sentido, são estimuladas a cooperação, a solidariedade, a justiça social e a idéia de que todos são responsáveis e capazes de preservar o Meio Ambiente para as próximas gerações; realiza a tomada de decisões incluindo todos os segmentos da sociedade e contando com a população local, para que tanto a atividade turística como os demais usuários dos recursos possam coexistir. Assim, incorpora o planejamento e a regionalização, que asseguram a boa relação entre o desenvolvimento do turismo e a capacidade do ecossistema.

Portanto, podemos concluir que a educação ambiental leva ao turismo sustentável, o qual tem como base o uso racional dos recursos naturais, que impulsiona a economia, gera emprego e dignidade ao cidadão e garante que as próximas gerações possam gozar dos atrativos com a mesma beleza que possuem atualmente.

Devemos considerar também, que o Parque Municipal de Nova Iguaçu é uma Unidade de Conservação de inestimável valor ambiental, seus belíssimos exemplares de fauna e flora, alguns inclusive em extinção, seu acervo histórico e sua geologia despertam a curiosidade do mais variados públicos. Considerando todos os benefícios que o Parque pode oferecer à população local e seus visitantes, a Prefeitura da cidade de Nova Iguaçu, deveria procurar parcerias, buscando soluções viáveis para pôr em prática o Plano de Manejo do Parque, um documento riquíssimo em detalhes e muito abrangente em formas de buscar a sustentabilidade da região supracitada. Ações em prol da comunidade e da natureza devem ser colocadas em primeiro plano, não permitindo que desentendimentos político-partidários possam influenciar a correta gestão dos atrativos de uma região que pertence à humanidade.

Atualmente, encontra-se em vigor no município um projeto de Educação Ambiental desenvolvido pela PUC - Rio em parceria com a PETROBRAS e a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu. Seu desenvolvimento prevê, primeiramente, a realização de um diagnóstico ambiental do município. Este servirá como base para, num segundo momento, aulas de capacitação de professores da rede municipal de ensino e lideranças comunitárias como agentes multiplicadores da educação ambiental. Tal metodologia permite que os temas levantados durante a análise ambiental sejam abordados a partir da realidade local, estimulando o desenvolvimento de valores ético-ambientais e conscientizando a população a cuidar do espaço de entorno a partir do exercício da cidadania.

Ao finalizarmos este artigo, podemos concluir que apesar de problemas ambientais como o desmatamento crescente de nossas florestas, e a pouca vontade política em punir com regras mais severas os causadores destes, muita coisa já melhorou, possuímos uma Política Nacional de Educação Ambiental, projetos e programas que exaltam a magnitude de nossas matas e buscam formas de preservá-las para as próximas gerações. Não podemos desanimar, é hora de olhar para o futuro e seguir em frente, buscando formas de contribuir ativamente para a mudança que desejamos que ocorra no planeta, considerando que pra isto, devemos procurar modificar primeiramente o próprio Meio, ainda que em ‘pequenas doses diárias’ de amor ao planeta e ao próximo. Assim, as coisas começam a acontecer, os primeiros passos são os mais difíceis de serem dados, porém, os mais importantes de toda a longa caminhada em busca de um Brasil e conseqüentemente, de um planeta sustentável.


 


 

Referências
 

  • DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 6ª ed. (revista e ampliada). São Paulo: Gaia, 2000.

  • MATHEUS, Carlos Eduardo; MORAES, América Jacinta de; CAFFAGNI, Carla Wanessa do Amaral. Educação Ambiental para o turismo sustentável. São Carlos: Rima, 2005.

  • PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA IGUAÇU. Plano de Manejo do Parque Municipal de Nova Iguaçu. 2000. Versão resumida, 112p.

  • RUSCHMANN, Doris van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997. (ColeçãoTurismo)

  • SILVA, Carlos Eduardo L. (1978). Ecologia e sociedade: Uma introdução às implicações sociais da crise ambiental. São Paulo: Loyola, pp. 210-230. Conscientização ecológica do público.

  • SWARBROOKE, John. Turismo sustentável: meio ambiente e economia, vol.2. São Paulo: Aleph, 2000.

  • VASCONCELOS, Fábio Perdigão, Turismo e meio ambiente. – Fortaleza: UECE, 1998.


 

 

 
  

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