RESUMO
Este artigo tem como
proposta apresentar a Educação Ambiental para o desenvolvimento
do Turismo Sustentável no Parque Municipal de Nova Iguaçu (PMNI).
O objetivo visado foi o de responder o seguinte problema: de que
maneira a Educação Ambiental pode ajudar na sustentabilidade no
PMNI quando trabalhada em conjunto com o Turismo Sustentável? A
metodologia utilizada baseou-se em pesquisa bibliográfica,
análise documental, sistematização das informações e redação
final. O Parque Municipal de Nova Iguaçu está localizado na
cidade de Nova Iguaçu, na região da Baixada Fluminense no Estado
do Rio de Janeiro, este é uma Unidade de Conservação que foi
criada em 1998, com o objetivo não só de proteger a fauna e a
flora existentes na região, como oferecer à população uma opção
de lazer, preservando o patrimônio natural e histórico que
pertence a todos nós.
Palavras- chave:
Educação Ambiental, Turismo Sustentável, Parque Municipal de
Nova Iguaçu.
ABSTRACT
This article aims to present the environmental education as a
proposal for the development of sustainable tourism in Nova
Iguaçu Municipal Park. The objective was to answer the following
issue: how environmental education, combined with sustainable
tourism can provide sustainability to PMNI? The methodology was
based on technical literature research, document analysis,
systematization of information and final writing. Nova
Iguaçu Municipal Park is located in Nova Iguaçu, Baixada
Fluminense region, Rio de Janeiro. This is a
conservation unit, which was established in 1998, seeking not
only to protect the existing flora and fauna, but also to offer
people a leisure option, preserving the natural and historical
patrimony, which belongs to us all.
Keywords: Environmental Education, Sustainable Tourism, Nova
Iguaçu Municipal Park.
INTRODUÇÃO

O presente estudo
proporcionará uma análise da contribuição da Educação Ambiental
como forma de se implantar e desenvolver o Turismo Sustentável
no Parque Municipal de Nova Iguaçu.
A educação ambiental
possui fundamental importância para o desenvolvimento de
atividades sustentáveis, pois conscientiza não só os turistas
como também a população local, mostrando formas de uso racional
dos recursos sem depredar os patrimônios culturais, históricos e
naturais, promovendo assim, a prática do turismo sustentável na
região.
O turismo sustentável
refere-se ao desenvolvimento sem degradação e/ou esgotamento dos
recursos, ou seja, a utilização com consciência e respeito dos
mesmos para que possam ser desfrutados por todos. A
sustentabilidade está voltada para a satisfação das necessidades
presentes sem comprometer a possibilidade de satisfação das
gerações futuras.
A prática da educação
ambiental, juntamente com o planejamento turístico faz-se
extremamente necessário nos locais onde ocorre uma grande
concentração de visitantes, principalmente em áreas de Unidade
de Conservação, como é o caso do Parque Municipal de Nova
Iguaçu, onde as atenções devem estar voltadas para a preservação
do meio ambiente, afim de evitar os possíveis danos causados
pelos mesmos, mantendo, assim, a atual atratividade dos
recursos, possibilitando que a atividade turística tenha uma
posição de destaque na preservação dos atrativos, sendo
praticada com responsabilidade, ética e sustentabilidade.
Breve histórico da Educação
Ambiental global
De acordo com Silva
(1978), a consciência ecológica pode ser encontrada desde os
tempos mais remotos. Filósofos (principalmente os orientais),
alguns cristãos e muitos cientistas e pensadores do século XIX
já em suas épocas alertavam sobre a importância do respeito à
natureza.
Ao longo do século XX,
a relação do homem com o planeta, de uma forma geral, passou por
uma necessária e profunda transformação, a percepção de enxergar
os problemas ambientais tornou-se condição básica de
sobrevivência para todas as nações.
Os primeiros registros
da utilização do termo “Educação Ambiental” datam de 1948, a
partir do encontro da União Internacional para a Conservação da
Natureza (UICN) em Paris.
A partir da década de
1960, surgiram muitos grupos e Organizações Não-Governamentais
(ONG’s) em todo o mundo, neste período, os valores e princípios
começam a ser severamente questionados, com a ajuda do Clube de
Roma, o mundo começa a abrir os olhos para a discriminação, a
injustiça social, a corrupção, a deterioração ambiental, entre
outros, começam os questionamentos sobre a crise e o futuro da
humanidade.
A década de 1970 é
considerada uma das mais importantes da história, pois a mesma é
marcada pela criação de várias organizações internacionais que
visavam discutir os problemas ambientais em nível mundial, além
dos primeiros movimentos ambientalistas organizados.
Em 1971, nasceu o
Greenpeace;em 1972 o Clube de Roma publicou o seu primeiro
relatório, chamado: The limits of growth (os limites do
crescimento). No mesmo ano, aconteceu na Suécia, a Conferência
de Estolcomo, neste encontro começaram a ser definidos os rumos
da Educação Ambiental mundial, com a inserção do tema na agenda
internacional.
Em 1975, a ONU lançou
o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), em
Belgrado, foram formulados alguns princípios e orientações para
um programa internacional de EA, propondo que esta deve ser
contínua, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e
direcionada aos interesses nacionais, do encontro, foi gerada
ainda, a Carta de Belgrado. Em outubro de 1977, aconteceu
a Conferência de Tbilisi, na Geórgia (ex-União Soviética). A
partir deste encontro, foram definidas, as finalidades, os
objetivos, e os princípios básicos da Educação Ambiental, sendo
considerado como uma referência para o desenvolvimento de
atividades de EA, pois suas diretrizes são aplicadas até os dias
de hoje em todo o mundo.
A década de 1980 foi
marcada pelo surgimento, em muitos países, de leis
regulamentando a atividade industrial referente à poluição, além
de cobranças mais firmes quanto à realização de Estudos de
Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
Em 1983, o Pnuma criou
Comissão Brundtland, a criação do grupo teve como objetivo,
segundo Dias (2004), reexaminar os principais problemas críticos
do meio ambiente e do desenvolvimento do planeta, formulando, a
partir daí, propostas reais para solucioná-los e de assegurar
que o progresso humano seja sustentável através do
desenvolvimento, sem comprometer os recursos ambientais para as
futuras gerações. Em 1987, foi divulgado o relatório da
Comissão, o chamado Our common future (Nosso futuro
comum), tratando de preocupações, desafios e esforços comuns que
buscavam o desenvolvimento sustentável planetário.
A década de 1990 ficou
marcada pelo grande impulso relacionado à consciência ambiental
na maioria dos países, discussões sobre as mudanças climáticas e
o aquecimento global do planeta e pela gestão ambiental.
A Rio-92 teve um
impacto relevante na mobilização da sociedade civil organizada,
e a partir de então, inúmeras ONG’s agregaram a EA como
principal tema de atuação. O encontro chamou a atenção do mundo
para a dimensão global dos perigos que ameaçavam a vida na Terra
e, focando, para a necessidade de uma aliança entre todos os
povos em prol de uma sociedade sustentável. Cerca de dois anos
antes da Rio-92, um documento começou a ser preparado por
governos, ONG’s e especialistas, para que pudesse ser assinado
pelos países que estariam presentes à Conferência. Denominado de
AGENDA 21 - um programa para o desenvolvimento e o meio ambiente
da Terra, um pacto entre os três setores da sociedade: o
governamental, o produtivo e o civil organizado.
Foi admitido durante
a Rio-92 que o modelo de “desenvolvimento” então vigente
era totalmente insustentável. O modelo de desenvolvimento
sustentável é colocado como o novo modelo a ser implantado,
assim sendo, a Educação Ambiental foi reconhecida como o
processo de promoção estratégico desse novo modelo. Parece que a
Eco-92 fez o governo brasileiro despertar para a importância de
realizar políticas sérias e responsáveis relacionadas ao meio
ambiente.
O novo século se
inicia com inúmeros tratados estabelecidos, documentos
elaborados, acordos, cartas e recomendações firmadas em âmbito
global nas últimas décadas, no entanto, é hora de colocar todos
estes parâmetros de referência em prática; não há mais tempo,
segundo especialistas da área; pela primeira vez em 15 bilhões
de anos, a manutenção da vida na Terra está seriamente ameaçada.
Em dezembro de 2002, a ONU implantou a Década da Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014),
potencializando as políticas, os programas e as ações
educacionais já existentes, multiplicando as oportunidades e
reconhecendo a importância da EA no confronto com a problemática
sócio-ambiental.
Desenvolvimento e Turismo
Sustentável
A crise ambiental
contemporânea tem levado a sociedade a refletir sobre as
maneiras de minimizar o abismo entre a necessidade de produção e
consumo e a necessidade de manter a integridade da base
biofísica do planeta. (MATHEUS, 2005). O conceito de
desenvolvimento sustentável surge no âmago dessa questão,
podendo ser definido como uma tentativa de satisfazer as
necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de
satisfação das futuras gerações.
O debate sobre o
Turismo Sustentável (TS), é um fenômeno dos anos 90. Segundo
Ruschmann (1997), os conceitos de turismo sustentável e
desenvolvimento sustentável estão intimamente ligados à
sustentabilidade do meio ambiente, principalmente nos países
menos desenvolvidos. Seguindo esta linha, Swarbrooke (2000),
coloca que o TS não é apenas proteção ao meio ambiente, ele
também está ligado à viabilidade econômica a longo prazo e à
justiça social, não podendo ser separado do debate mais amplo
sobre desenvolvimento sustentável em geral.
O TS é uma poderosa
ferramenta de auxílio para o desenvolvimento sustentável, no
entanto, o desenvolvimento sustentável pode ser considerado como
um pré-requisito para o turismo sustentável, uma vez que o
desenvolvimento não-sustentável altera irreversivelmente a
qualidade de um produto turístico. Para que haja o
desenvolvimento sustentável do turismo, torna-se necessário uma
estratégia de desenvolvimento baseada nos princípios de
sustentabilidade, considerando a gestão de todos os ambientes,
os recursos oferecidos e as comunidades receptoras, de forma a
atender às necessidades econômicas, sociais e culturais,
preservando a identidade de todos os atores envolvidos.
À medida que o turismo
se desenvolve, surge a necessidade de se considerar a questão do
volume máximo de turistas permitidos em um local. Uma comunidade
que é ‘massacrada’ por turistas, provavelmente irá desenvolver
uma antipatia em relação aos visitantes, o que pode ameaçar a
sustentabilidade do turismo nesse local a longo prazo. Para
alguns, o desenvolvimento do turismo representa a principal
causa da degradação ambiental, no entanto, é preciso ressaltar
que, por exemplo, a expansão pouco planejada da indústria e da
agricultura também pode causar desastres ambientais.
Para Vasconcelos
(1998), a educação é base para qualificar ou requalificar os
destinos turísticos, pois as comunidades que possuem informações
e conhecimentos valorizam seus recursos, defendem sua identidade
e desenvolvem uma consciência crítica da sua realidade, neste
sentido, a educação ambiental torna-se extremamente necessária.
A conservação dos recursos naturais é afetada porque as
comunidades locais não possuem conhecimento sobre o valor dos
mesmos, e sua situação, geralmente de carência e necessidades,
faz com que utilizem os recursos naturais sem que as precauções
necessárias sejam tomadas. Tais recursos, são os atrativos
turísticos, dessa forma, as comunidades locais vêem os turistas
como uma ameaça às suas necessidades básicas. Nesse processo, é
extremamente necessário educar a comunidade local para que esta
participe ativamente do seu desenvolvimento, o que exige um
trabalho conjunto com todos os agentes sociais do turismo
(governos, empresários, ONG’s, comunidade, turistas, etc.),
assim, as oportunidades de emprego, receitas para a conservação
e preservação dos recursos e distribuição de renda serão uma
realidade viável, tornando-se a base para o desenvolvimento do
turismo sustentável e para a conservação e manutenção do
patrimônio natural e cultural local.
O Parque Municipal de Nova
Iguaçu – RJ
O Parque Municipal de
Nova Iguaçu (PMNI) é uma Unidade de Conservação que foi criada
pelo Decreto nº. 6.001, de 5 de junho de 1998, está localizado
na serra do Gericinó-Mendanha, em uma área conhecida como Gleba
Modesto Leal, no município de Nova Iguaçu, um dos mais
importantes da Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro,
sua área total corresponde a aproximadamente 1.100 hectares. De
acordo com seu Plano de Manejo (2000), sua criação foi realizada
visando não somente à proteção da fauna e flora existentes, como
assegurar a realização das atividades de fiscalização e
pesquisa, oferecer ao usuário segurança, conforto e educação
ambiental, além de formalizar uma opção de lazer para a
população da região, possibilitando o lazer programado em
contato direto com a natureza. No entanto, anos após a data de
sua criação, muitos dos objetivos e metas propostos inicialmente
no Plano de Manejo ainda não foram alcançados.
Partindo deste ponto,
verificou-se a necessidade de relacionar a Educação Ambiental
com as vertentes do Turismo Sustentável, possibilitando que
sejam implantados projetos de educação e conscientização
ambiental no município, para que a partir de então, todos possam
ter mais responsabilidade em suas ações e solidariedade às
gerações futuras.
A ocupação da região
começou no Período Colonial, já nos primeiros anos do século
XVII, a ocupação das terras da Serra do Gericinó e adjacências,
já estavam consumadas. A área do Parque vem sendo utilizada
pelos moradores como opção de lazer já há algum tempo, até
meados da década de 1960, funcionou na região o Clube D. Felipe.
A maior parte das matas do maciço Gericinó-Madureira-Mendanha
são de preservação permanente, uma vez que são áreas florestais
localizadas no topo dos morros, montanhas e serras e nas
encostas com declive superior a 45º ou equivalentes a 100% na
linha de maior declividade.
A providência de criar o Parque
foi de suma importância, uma vez que em julho de 1985, o Governo
do Estado do Rio de Janeiro, através da CEHAB, comprou as terras
da Gleba Modesto Leal com o objetivo de assentar ali cerca de 44
mil pessoas, num programa chamado Cada Família Um Lote,
tal medida, provocou a reação imediata da Prefeitura de Nova
Iguaçu, uma vez que já havia declarado a região como Utilidade
Pública para fins de desapropriação. O Plano
de Manejo do PMNI considera que a implantação do Parque
garantiria a integridade da região, servindo de exemplo para
outros municípios, o objetivo deste era estabelecer o
planejamento e os programas de trabalho que norteariam o
funcionamento do Parque, conciliando interesses econômicos, de
pesquisa, de ecoturismo e de lazer.
O PMNI apresenta sua
topografia delimitada pela serra de Madureira, na vertente
iguaçuana, e pela serra do Mendanha, na vertente do município do
Rio de Janeiro, integra a Zona de Interesse Ambiental e
Geológico. Sua área de influência direta localiza-se em Nova
Iguaçu, nos bairros do Kaonze e Presidente Juscelino e no
município de Mesquita, pelos bairros de Santa Terezinha, Edson
Passos e Coréia. O acesso à área do Parque pode ser realizado
pelo Kaonze (bairro de Nova Iguaçu), pela estrada do encanamento
ou pelo centro de Mesquita (Praça Manoel Duarte, em frente à
estação de trem da cidade), percorrendo algo em torno de 4,5 km
da Av. Brasil e Estrada da Cachoeira. No interior do Parque, a
via de circulação principal é a Estrada da Cachoeira, com um
total de aproximadamente 5,5 km de extensão, a utilização de
veículos motorizados é bem difícil. Sua altitude oscila entre
150 metros na entrada do Parque e 956 metros no marco Sudoeste,
no ponto mais alto, próximo ao pico Gericinó. O maciço
Gericinó-Madureira-Mendanha é constituído por rochas de idade
que varia desde o Arqueano ao Cretáceo-Inferior/Terciário
Inferior.
O conjunto orográfico
formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira, se
destaca na paisagem da planície litorânea e da Baixada
Fluminense por seu posicionamento topográfico privilegiado, pois
se trata de uma região com relevo bastante acidentado, é formada
por muitas escarpas e elevações, cujo seu ponto máximo atinge
cerca de 974 metros.
Além do
patrimônio histórico-cultural, o rico e belo acervo natural da
área também deve ser exaltado, uma vez que ao adentrar nos
limites do Parque, perde-se completamente a noção de espaço,
suas belas paisagens são incomuns nas cidades. A criação do PMNI
possibilita a preservação desses sítios, uma vez que a
legislação ambiental vigente visa aperfeiçoar e democratizar seu
uso. Dentre os principais atrativos naturais do Parque, podemos
destacar a cachoeira Véu da Noiva, a antiga Represa Epaminondas
Ramos, o Poço das Cobras, o Poço do Casarão, além de inúmeros
lagos naturais e cachoeiras formadas pelo Rio Dn. Eugênia e seus
afluentes.
A região do
PMNI faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do
Gericinó-Mendanha, uma área de 10.500 hectares, considerada pela
UNESCO em 1992, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA).
Sendo elevado à categoria de Geoparque em 05 de
junho de 2004, devido aos inúmeros atrativos geológicos
existentes na área, sendo considerado o primeiro do Estado do
Rio de Janeiro. A riqueza histórica da região de implantação do
Parque é objeto de estudiosos de diversas áreas. Segundo alguns
destes estudiosos, a serra de Madureira, durante boa parte do
período colonial foi refúgio de escravos que fugiam das fazendas
próximas. Segundo o Plano de Manejo, pesquisas realizadas na
região dão conta da existência de inúmeros sítios históricos,
tanto no interior da UC, como nas áreas próximas. São antigas
obras hidráulicas, ruínas de fazendas, cemitérios de escravos e
até um cemitério indígena, situado em terreno do campo de
instrução do Exército. De todas as relíquias pertencentes à
história desse trecho da cidade de Nova Iguaçu, o casarão da
Fazenda Dona Eugênia é considerado o mais relevante, sede da
antiga Fazenda D. Eugênia, denominada no século XIX como Fazenda
Espírito Santo. A construção é datada do século XIX, o prédio
mantém características originais. Trata-se, segundo o Plano de
Manejo, do prédio mais antigo da cidade que ainda permanece de
pé. Existe ainda a Represa Epaminondas Ramos, construída
em 1948. Além do Engenho da Cachoeira, situado ao pé da serra da
Cachoeira (maciço Gericinó) e às margens do rio de mesmo nome,
mais tarde denominado rio Dn. Eugênia, instalado no século XVII,
foi o principal responsável pelo povoamento desta região de Nova
Iguaçu.
Segundo o Plano de Manejo do PMNI, ainda no maciço
Gericinó-Mendanha, é possível considerar a presença de dois
aparelhos vulcânicos relativamente bem preservados:
“a estrutura vulcânica da
extremidade setentrional, conhecida como chaminé do Lamego (com
300 m de diâmetro), é formada, segundo Klein & Vieira (1980),
por brechas vulcânicas e tufíticas, tufos, aglomerados, etc. o
outro aparelho vulcânico situa-se a sudoeste do primeiro, mais
para o interior do maciço, sendo constituído por produtos
vulcânicos gélsicos alcalinos, semelhantes aos acima referidos
(Klein, V. C., comunicação verbal). Este vulcão extinto
localiza-se nas proximidades da Pedra da Contenda”.
Os geólogos Alberto R. Lamego e Vitor C. Klein foram os
primeiros pesquisadores brasileiros, em 1938 e 1979,
respectivamente, a divulgarem a existência de vestígios de
vulcões extintos no município de Nova Iguaçu. Logo, uma das
áreas mais estudadas do maciço localiza-se nas proximidades da
Pedra da Contenda, onde, segundo estudiosos no assunto,
encontra-se um dos pontos de erupção ou derramamento num local é
conhecido como Varginha.
Os resquícios
da atividade vulcânica localizam-se, em sua maior parte, do lado
ocidental do Maciço do Gericinó-Madureira-Mendanha. O vulcão de
Nova Iguaçu descoberto por Klein & Vieira, fica na porção
setentrional da serra de Madureira:
“Trata-se de uma estrutura
semicircular em forma de cone de tufo, que começa em Cabuçu e
termina na Chaminé do Lamego, além de uma série de diques de
brechas que lhes estão associados”.
Para Klein
(1993 apud PLANO DE MANEJO DO PMNI, 2000), o aparecimento
deste vulcão e das rochas alcalinas do Marapicu e complexo
Mendanha-Madureira, foi possível pelos movimentos sucessivos de
um sistema de falhas dextrais, os quais além de permitir a
colocação destas rochas, funcionaram como caminho para que o
magma alcalino tivesse acesso.
Segundo especialistas,
o vulcanismo no Rio de Janeiro está relacionado à movimentação
da placa onde o Brasil está localizado, sobre pontos quentes,
sendo focos concentrados de calor, existentes a grandes
profundidades no interior da Terra, numa camada chamada de
manto.

Considerações
A reversão da atual
crise ambiental em que se encontra o planeta só será possível
mediante uma real e transformadora mudança de valores
individuais e sociais, coloca-se a educação ambiental da
população como a grande facilitadora nas ações que ajudarão à
sociedade neste processo, pois a mesma é baseada no respeito a
todas as formas de vida, agregando valores e ações que
contribuem para a transformação humana e social e para a
preservação ecológica.
A EA possui valores
que são voltados para a transformação da sociedade, neste
sentido, são estimuladas a cooperação, a solidariedade, a
justiça social e a idéia de que todos são responsáveis e capazes
de preservar o Meio Ambiente para as próximas gerações; realiza
a tomada de decisões incluindo todos os segmentos da sociedade e
contando com a população local, para que tanto a atividade
turística como os demais usuários dos recursos possam coexistir.
Assim, incorpora o planejamento e a regionalização, que
asseguram a boa relação entre o desenvolvimento do turismo e a
capacidade do ecossistema.
Portanto, podemos
concluir que a educação ambiental leva ao turismo sustentável, o
qual tem como base o uso racional dos recursos naturais, que
impulsiona a economia, gera emprego e dignidade ao cidadão e
garante que as próximas gerações possam gozar dos atrativos com
a mesma beleza que possuem atualmente.
Devemos considerar
também, que o Parque Municipal de Nova Iguaçu é uma Unidade de
Conservação de inestimável valor ambiental, seus belíssimos
exemplares de fauna e flora, alguns inclusive em extinção, seu
acervo histórico e sua geologia despertam a curiosidade do mais
variados públicos. Considerando todos os benefícios que o Parque
pode oferecer à população local e seus visitantes, a Prefeitura
da cidade de Nova Iguaçu, deveria procurar parcerias, buscando
soluções viáveis para pôr em prática o Plano de Manejo do
Parque, um documento riquíssimo em detalhes e muito abrangente
em formas de buscar a sustentabilidade da região supracitada.
Ações em prol da comunidade e da natureza devem ser colocadas em
primeiro plano, não permitindo que desentendimentos
político-partidários possam influenciar a correta gestão dos
atrativos de uma região que pertence à humanidade.
Atualmente,
encontra-se em vigor no município um projeto de Educação
Ambiental desenvolvido pela PUC - Rio em parceria com a
PETROBRAS e a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu. Seu
desenvolvimento prevê, primeiramente, a realização de um
diagnóstico ambiental do município. Este servirá como base para,
num segundo momento, aulas de capacitação de professores da rede
municipal de ensino e lideranças comunitárias como agentes
multiplicadores da educação ambiental. Tal metodologia permite
que os temas levantados durante a análise ambiental sejam
abordados a partir da realidade local, estimulando o
desenvolvimento de valores ético-ambientais e conscientizando a
população a cuidar do espaço de entorno a partir do exercício da
cidadania.
Ao finalizarmos este
artigo, podemos concluir que apesar de problemas ambientais como
o desmatamento crescente de nossas florestas, e a pouca vontade
política em punir com regras mais severas os causadores destes,
muita coisa já melhorou, possuímos uma Política Nacional de
Educação Ambiental, projetos e programas que exaltam a magnitude
de nossas matas e buscam formas de preservá-las para as próximas
gerações. Não podemos desanimar, é hora de olhar para o futuro e
seguir em frente, buscando formas de contribuir ativamente para
a mudança que desejamos que ocorra no planeta, considerando que
pra isto, devemos procurar modificar primeiramente o próprio
Meio, ainda que em ‘pequenas doses diárias’ de amor ao planeta e
ao próximo. Assim, as coisas começam a acontecer, os primeiros
passos são os mais difíceis de serem dados, porém, os mais
importantes de toda a longa caminhada em busca de um Brasil e
conseqüentemente, de um planeta sustentável.
Referências
-
DIAS, Genebaldo
Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 6ª ed.
(revista e ampliada). São Paulo: Gaia, 2000.
-
MATHEUS, Carlos
Eduardo; MORAES, América Jacinta de; CAFFAGNI, Carla Wanessa
do Amaral. Educação Ambiental para o turismo sustentável. São
Carlos: Rima, 2005.
-
PREFEITURA MUNICIPAL
DE NOVA IGUAÇU. Plano de Manejo do Parque Municipal de Nova
Iguaçu. 2000. Versão resumida, 112p.
-
RUSCHMANN, Doris van
de Meene. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do
meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997. (ColeçãoTurismo)
-
SILVA, Carlos
Eduardo L. (1978). Ecologia e sociedade: Uma introdução às
implicações sociais da crise ambiental. São Paulo: Loyola, pp.
210-230. Conscientização ecológica do público.
-
SWARBROOKE, John.
Turismo sustentável: meio ambiente e economia, vol.2. São
Paulo: Aleph, 2000.
-
VASCONCELOS, Fábio
Perdigão, Turismo e meio ambiente. – Fortaleza: UECE, 1998.