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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 11 de dezembro de 2007 23:18:58                                               

 
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TURISMO

Etapas e componentes do planejamento turístico

   

Poliana Fabíula Cardozo

publicado em 11/12/2007

 

         Em comparada com as ciências exatas, onde os conceitos são definidos claramente e estanques, as ciências sociais são diferentes neste aspecto conceitual: os conceitos são dinâmicos, porque as sociedades assim o são. Dentro deste entendimento, não pode diferir o conceito de planejamento.

         São muitas as definições de planejamento, assim como são muitas as ênfases do mesmo. Mas de maneira geral, Ruschmann e Widmer (2000, p. 66) o explicam: “consiste em um conjunto de atividades que envolvem a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos”. Outras definições de planejamento fazem alusão à idéia de: sistema; processo de determinação de objetivos; mecanismo orientado para o futuro; e processo contínuo (BARRETTO, 1991).

         Desta forma, e lançando um olhar sobre o turismo, o planejamento aponta como uma ferramenta indispensável para o manejo sustentável da atividade. Pois é com medidas racionais e previstas que se trabalha em harmonia – relativa – com o meio, de modo a preservar o turismo do próprio turismo e para o turismo. Pois sem o planejamento, corre-se o risco de o crescimento desordenado da atividade turística atentar contra a atratividade dos recursos e das localidades.

         Isso posto, o planejamento turístico é compreendido, por Ruschmann e Widmer (2000, p. 67) como sendo

o processo que tem como finalidade ordenar as ações humanas sobre uma localidade turística, bem como direcionar a construção de equipamentos e facilidades, de forma adequada, evitando efeitos negativos nos recursos que possam destruir ou afetar sua atratividade.

         É dizer que para as autoras, o planejamento turístico pretende dispor positivamente as ações dos sujeitos sobre uma localidade ou mesmo um recurso turístico com objetivos calculados, a fim de proteger o recurso propriamente dito, ou mesmo de aperfeiçoar (tanto no sentido de ampliar, como de refrear, ou ainda em sentido estrito) seu uso turístico.

         Dito isso, faz-se necessário explanar que o planejamento tem em si objetivos que visam alterar a realidade atual frente ao futuro, alcançando uma situação desejada. Ruschmann e Widmer (2000) ensinam que o planejamento, de modo genérico, aponta para o crescimento econômico acelerado, todavia, para o planejamento turístico, os objetivos podem estar ligados ao desenvolvimento localidades e/ou regiões turísticas, no que concerne tanto à iniciativa pública como a privada, no que tangem à atividade turística. Dentro deste entendimento, as autoras elencam os principais objetivos do planejamento turístico (RUSCHMANN E WIDMER, p. 69): definir políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades e seus respectivos prazos; prover incentivos necessários para estimular a implantação de equipamentos e serviços turísticos [...]; maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar os custos [...] visando o bem-estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do setor; [...] capacitar os vários serviços públicos para a atividade turística [...]; garantir a introdução e o cumprimento dos padrões reguladores exigidos da iniciativa privada; e garantir que a imagem da destinação se relacione com a proteção ambiental e a qualidade dos serviços prestados.

         A partir dessas explanações, pode-se aprender que o planejamento em si não pode ser baseado em empirismos. Particularmente no que toca ao planejamento turístico, que sendo parte das ciências sociais aplicadas estuda e trata de sociedades/pessoas. É dizer que em se lidando com comunidades não se pode experimentar, pois não existem laboratórios para tal objeto de pesquisa. Dentro deste entendimento, cabe aqui falar que o planejamento tem seus princípios, dimensões e classificações próprias.

         Os principais princípios que orientam o planejamento, segundo Barretto (1991, p. 15) são: o da inerência – o planejamento é indispensável; da universalidade – o planejamento tenta prever todas as variáveis e todas as conseqüências, [...] levando em conta todas as opiniões [...]; da unidade – o planejamento abrange múltiplas facetas que devem ser integradas num conjunto coerente; da previsão – [...]; e da participação – o planejamento requer participação de todos os níveis e setores da administração [...].

         No que tange às dimensões do planejamento, Barretto (1991 p. 16) ensina que são quatro, a saber: racional; política (ou institucional) que se refere ao poder decisório; técnico-administrativa se evidencia no estabelecimento de um sistema de trabalho, com definição de função e delegação de autoridade; e valorativa sendo a dimensão que pesa os benefícios e os prejuízos que o planejamento pode ter.

         Com relação à classificação do planejamento, sabe-se que pode ser classificado em vários tipos, dependendo da abordagem. Para tal, Barretto (1991, pp. 17-21) lista:

- aspecto temporal, obedece às classificações a seguir: curto, médio e longo prazo;

- aspecto geográfico, corresponde às seguintes classificações: mundial; continental; nacional; estadual; regional; multi-regional; micro-regional; municipal (ou local), e ainda duas subclassificações: rural e urbano;

- aspecto econômico, refere-se às seguintes classificações: macro-econômico e micro-econômico;

- aspecto administrativo, induz às classificações: público e privado e as subclassificações central e descentralizado;

- aspecto intencional ou teleológico, leva às seguintes classificações:estratégico (referente aos objetivos finais) e tático (condizente aos meios utilizados para alcançar aos objetivos); e

- aspecto agregativo indica às classificações a seguir: global; setorial; e local, que por sua vez estão ligados à esfera geográfica, e são inversamente proporcionais ao detalhamento.

         Barretto (1991, p. 21) ainda ensina que o planejamento turístico está elencado em três níveis: 1º. nível: Federal – que diz respeito à orientação de planos e políticas aos Estados; 2º. nível: Estadual – concerne a elaboração de planos e a diretrizes de planos e políticas aos municípios; e 3º. nível: Municipal – que tem o objetivo de executar as diretrizes dos Estados bem como as suas próprias diretrizes de acordo com seus objetivos específicos.

         Ao se estudar os conceitos e definições de planejamento, como já dito, eles levam à idéia de sistema e de ordenação, e assim sendo, o planejamento tem como predicado fundamental decisões sucessivas, ou seja: etapas a serem cumpridas, a fim de alcançar os objetivos a que se propõe. Petrocchi (2002, p. 51) lista as etapas a serem observadas:

Etapas do Planejamento

Item

Etapa

Ações

1

Análise macro ambiental

conhecer o entorno à organização, o mercado e a situação interna

2

Elaboração do diagnóstico

sumário que reflete os levantamentos da análise macroambiental

3

Definir objetivos

O que se quer atingir

4

Determinar prioridades

- o que é mais importante;

- em que ordem

5

Identificar os obstáculos, as dificuldades

- listar quais são;

- sua intensidade;

- influência sobre o resultado.

6

Criar os meios, os mecanismos

- visam minimizar obstáculos;

- analisar e escolher alternativas

7

Dimensionar recursos necessários

- quantificar os recursos;

- em que ordem de necessidade

8

Estabelecer responsabilidade

especificar volumes padrões, fluxos, áreas críticas etc.

9

Projetar cronograma

definir prazos de execução, volumes de produção, custos, parâmetros etc.

10

Estabelecer pontos de controle

- escolher áreas-chave;

- estabelecer critérios

         A partir da tabela de Petrocchi, pode-se analisar cada item listado:

- análise macro ambiental: é dizer da necessidade de conhecer a realidade na sua totalidade, todos os aspectos e todos os sujeitos envolvidos. Neste item informações são a chave do sucesso, mas atentando sempre para informações de referência. Particularmente no turismo, uma das ferramentas utilizadas com sucesso para conhecer a realidade são pesquisas estatísticas: com o turista, receptores e trade. Mas visitas orientadas também são necessárias. Dentro da análise macro ambiental, encontra-se o inventário turístico: o levantamento de todos os equipamentos e recursos turísticos que uma localidade dispõe.

- A partir da tomada de conhecimento da realidade e com base na mesma, parte-se para a diagnosticação, ou seja, levantar os pontos fortes, e os frágeis.

- já com o diagnóstico levantado e finalizado, inicia-se a definição dos objetivos. Essa etapa requer do planejador muita cautela, no sentido de definir objetivos condizentes com a localidade, e que de forma real possam ser concretizados;

- nesta ordem, deve-se colocar sobre uma planilha o ranqueamento dos objetivos: qual deles é mais importante? Essa pergunta deve ser feita, e respondida com base no diagnóstico e suas análises;

- ainda com base no diagnóstico e nas apreciações das informações coletadas sobre o entorno, devem-se racionalizar os obstáculos a serem vencidos: quais são; e que intensidade e influência têm sobre os objetivos;

- a partir desta racionalização sobre os obstáculos, devem-se criar as estratégias de ação;

- na seqüência desta etapa vem a quantificação e qualificação dos recursos necessários para a execução das estratégias;

- para tal, delegar funções é importante, ou seja, determinar a equipe e quem faz o que;

- isso posto, colocar as estratégias e seus custos em um cronograma, apontando os prazos de execução faz-se necessário;

- mas o planejamento deve ser constantemente avaliado, não apenas para verificar o auferimento dos objetivos, mas, sobretudo para no processo detectar possíveis falhas. As respostas advindas da avaliação devem alimentar o sistema do planejamento, e se necessário, as etapas revistas a partir destas respostas.

         Às etapas listadas por Petrocchi, Barretto (1991) complementa que o planejamento tenha duas divisões: diagnóstico e prognóstico. Sendo o diagnóstico por ela definido como “escolha delimitação do tema, na qual o planejador deve decidir exatamente o que planejar, qual será seu objeto de trabalho” (BARRETTO, 1991, p. 31) segundo a autora, o diagnóstico deve ser dividido em duas fases: a preparação e a análise. E o prognóstico deve “começar com a formulação de alternativas de intervenção na qual o planejador deve criar caminhos para atingir seus objetivos [...] é a etapa de decidir como fazer” (BARRETTO, 1991, p. 31).

         Para ambos os autores, para as etapas do planejamento, é necessário perceber que as informações são muito importantes, e que estão presentes em muitas fases do mesmo. Mas cabe salientar que as informações são relevantes justamente por induzirem as mudanças no processo, que por sua vez leva à decisão, que deve ser implantada e considerada. Com isso, é dizer que o planejamento deve ser escrito a lápis, para permitir as alterações necessárias que garantam o andamento de sucesso da atividade.

Referências:

BARRETTO, M. Planejamento e organização do turismo. Campinas: Papirus, 1991.

PETROCCHI, M. Planejamento e gestão do turismo. São Paulo: Futura, 2002.

RUSCHMANN, D.; WIDMER, G. Planejamento turístico. In: ANSARAH, M. Turismo: como aprender como ensinar. Vol 2. São Paulo: Senac, 2000.

 
  

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::sobre o autor::

Poliana Fabiula Cardozo é mestre bacharel em Turismo (UNIOESTE/UCS), professora assistente e pesquisadora da UNICENTRO.  

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publicado em 15/11/2007

 

 

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