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É incontestável, que atualmente os
eventos se tornaram uma alternativa de lazer e de renda para muitas
pessoas, sendo que vários governos apoiam a realização dos mesmos como
estratégia para o desenvolvimento local. Tais acontecimentos têm a
capacidade de atrair para cidade sede um número significativo de pessoas
motivadas a participar de algum tipo de evento, este movimento de
pessoas a uma determinada comunidade, acaba afetando praticamente toda a
sociedade destas cidades sedes, proporcionando mudanças em âmbito
sociais, culturais, econômicos e ambientais em toda a localidade.
No sentido mais amplo, evento é o
sinônimo de um acontecimento não rotineiro, fato que desperta atenção.
Devido ao dinamismo da atividade, estes acontecimentos possuem uma
grande gama de definições, entre elas a de que os eventos
são atividades de
entretenimento, com grande valor social, cultural e, sobretudo,
histórico. Suas atividades constituem um verdadeiro mix de
marketing, entretenimento, lazer, arte e negócios. Tal a sua importância
com contexto social, cultural, econômico e político da cidade e região e
em alguns casos até mesmo do país, podemos denominá-los agente do
patrimônio histórico-cultural. (MELO
NETO, 2000)
Segundo Goidanich e Moletta (2003)
são acontecimentos
criados ou planejados para ocorrer em um lugar determinado e com espaço
de tempo predefinido, tem finalidade específica, visando a apresentação,
a conquista ou a recuperação do público-alvo. Podem ser artificiais,
ocorrer espontaneamente ou ainda provocado.
Já para Zanella (2004) evento
é
uma concentração ou reunião formal e solene de pessoas e/ou entidades
realizada em data e local especial, com o objetivo de celebrar
acontecimentos importantes e significativos e estabelecer contatos de
natureza comercial, cultural, esportivo, social, familiar, religioso,
científico, etc.
Ainda segundo Tenan (2004)
evento pode ser definido como "acontecimento especial,
antecipadamente planejado e organizado, que reúne pessoas ligadas a
interesses comuns."
Com base nestas definições pode-se
compreender que os eventos em sua maioria consistem em acontecimentos
eventuais, planejados e organizados antecipadamente, com local e data
pré-definidos, possui em geral objetivo de atingir um determinado
público-alvo que possuem um interesse em comum.
No ano de 1997 segundo dados da ICCA
(International
Congress & Convention Association) apud Matias (2004),
o Brasil recebeu 27.279 participantes de eventos, podem ser rotulados de
turistas, todos estes visitantes que se deslocam à alguma localidade,
com objetivo de participar de determinado evento. E a tendência é que o
número de visitantes cresça ainda mais a cada ano. Promovendo desta
forma um crescimento econômico e o desenvolvimento para as cidades sedes
dos eventos.
Os impactos financeiros dos eventos
tendem a ser amplamente enfatizados, em razão de serem muito mais fáceis
de serem mensurados e o que mais chama a atenção de governos e
investidores, portanto é muito comum que haja a confusão quando se
discute o eventos como uma proposta de desenvolvimento.
Ao se tratar de desenvolvimento não
se está referindo simplesmente à quantidade de renda, impostos, ou
demanda que participou do evento, pois ao tratar de desenvolvimento
refere-se muito além do que suas simples relações econômicas, trata de
um processo de melhorias na qualidade de vida da comunidade anfitriã em
um processo de superação de problemas e conquistas de condições
(culturais, técnico-tecnológicas, política-institucionais,
espaço-territoriais) propiciadoras de maiores felicidades individual e
coletiva. Onde o crescimento econômico é somente mais um dos fatores.
Portanto ao falar do desenvolvimento
que os eventos podem proporcionar em uma localidade avaliam-se os
impactos deste acontecimento em todas as esferas de uma sociedade,
cultural, econômica, ambiental e social, além de incrementar e favorecer
ao desenvolvimento contínuo da atividade turística.
O crescimento econômico é um fato
inevitável, pois os eventos são reconhecidos como catalisadores para a
atração de visitantes a determinadas localidades, proporcionando um
aumento no número de pessoas que visitam a localidade, o turista de
eventos ainda possui algumas vantagens perante o turista tradicional, é
o fato do primeiro permanecer e gastar até 3 vezes mais que o turista
que se encontra na localidade por motivos de lazer. Assim incrementam a
arrecadação de impostos e tributos em virtude do desenvolvimento das
vendas e da atividade econômica em geral, proporcionam a geração de
novos empregos e o aproveitamento da mão-de-obra local. Mas é importante
reconhecer que os eventos têm valores que ultrapassam os meros
benefícios econômicos tangíveis. O homem é um animal social, e as
celebrações exercem um papel chave no bem-estar da estrutura social. Os
eventos podem engendrar coesão, confiança e auto-estima social.
Isto porque os eventos representam a
memória vida de uma cidade, são agentes de preservação, valorização e
revitalizadores do patrimônio cultural de um povo. Para muitos os
eventos são instrumentos importantes para a revitalização e manutenção
de um patrimônio, em se tratando de prédios e espaços antigos, os
eventos vem a dar uma utilização para determinados espaços, pois de que
vale preservar tais espaços se eles não promovem benefícios ou não
possuem um uso para a comunidade, em se tratando do patrimônio
intangível, os eventos vem a manter e valorizar antigas crenças,
costumes e tradições muitas vezes esquecidas ou abandonadas por seu
povo, tornando assim os eventos agentes culturais não só de divulgação,
mas sim em um binômio entre patrimônio cultural e evento, que se
caracteriza pelo:
- Uso da promoção de eventos como
estratégia de revitalização do patrimônio histórico e cultural;
- Uso dos eventos como estratégia de
geração de benefícios sociais, econômicos, políticos e culturais por
meio do patrimônio histórico;
- Uso da promoção de eventos como
estratégia de revitalização de conjuntos culturais.
Os eventos são agentes promotores da
cultura local, regional, e nacional. Contribuem para a revitalizar
espaços, dinamizar mercados, formar novos consumidores culturais e
atrair novos investimentos, além de ser uma alavanca a produção
cultural.
Os impactos sociais e culturais podem
envolver uma vivência compartilhada e contribuir para o fortalecimento
do orgulho local, da legitimação ou da ampliação dos horizontes
culturais. Os eventos ainda contribuem para melhoria dos serviços de
infra-estrutura da localidade-sede, beneficiando a comunidade, pois são
realizadas diversas melhorias para a cidade ao sediar um evento, pois
tais acontecimentos são encarados como um instrumento de marketing da
localidade, divulgam e consolidam a imagem favorável da localidade-sede
e das entidades e empresas que participam do evento. E após a realização
do evento tal infra estrutura construída para a suas realização fica
para a comunidade sede sem precisar pagar por estas melhorias. Estas
melhorias estruturais aliadas aos eventos culturais propiciam o
bem-estar da comunidade e o enriquecimento cultural, tornando os eventos
uma opção de lazer para a comunidade local.
Estas melhorias são implantadas no
ambiente onde estes acontecimentos serão realizados, proporcionando
assim espaços nos para serem utilizados pela comunidade, exemplos são
espaços de lazer, novos centro de convenções, novas áreas de esporte,
embelezamento de algumas vias das cidades, melhorias nos transportes e
comunicações, além de promover uma valorização dos ambientes onde estes
eventos foram realizados.
Para o turismo os eventos vêm a ser
um mecanismo utilizado para quebrar a sazonalidade, além de incrementar
a atratividade da localidade, os benefícios dos eventos para o turismo
são demostrados abaixo:
Ø
Os eventos ajudam a
equilibrar e/ou diminuir a sazonalidade;
Ø
Privilegia o turismo
brando, em oposição ao turismo de massa;
Ø
Devido a sua
organização com antecedência pode os prestadores de serviços turísticos
preparar-se melhor para recebe-los;
Ø
Os investimentos são
menores que no turismo não baseado em eventos;
Ø
Enriquece a vida
cultural da localidade-sede;
Ø
O turista de eventos
permanece e gasta mais que o turista tradicional;
Ø
Dos vários segmentos
turísticos, o de eventos é o que gera maior retorno financeiro, geração
de empregos e impostos, pelo efeito multiplicador; e
Ø
O turismo de eventos
esta em franco crescimento.
Assim pode-se aferir que os eventos
possuem sim uma potencialidade para serem encarados como mecanismo
promotores de desenvolvimento. Mas para que possam alcançar tais
características estes acontecimentos devem ser bem organizados no
intuito de não se transformarem em uma simples mercadoria, com uma visão
eventista, onde a cultura que deve se propagar no evento seja somente
mais uma mercadoria de consumo, como é possível observar em muitos
desses acontecimentos onde o objetivo é a simples diversão, sem que
exista uma reflexão, uma contemplação e um aprendizado cultural,
infelizmente esta é uma realidade e para que os eventos venham ser um
instrumento de desenvolvimento esta realidade deve mudar.
Os eventos portanto, devem ser
geridos dentro de uma nova visão, socioeducativa-cultural, em que
predominam ações de educação, socialização, e de formação e
aperfeiçoamento para o exercício da cidadania. Pois ao serem
corretamente estendidos ganham vitalidade, economia própria e novos
significados, e assim, tornam-se parte do patrimônio cultural da cidade,
região e país, abrindo novas perspectivas para o enriquecimento
cultural. Onde o objetivo não é consumir a cultura como entretenimento,
mas promover maior acesso do cidadão aos bens e serviços culturais.
A democratização da cultura e das
artes em geral e da promoção da cidadania individual e coletiva, são as
principais formas de proporcionar a um povo o seu desenvolvimento, assim
o planejamento das fases de pré-evento, evento, e pós evento e sua
gestão devem ser realizados e direcionados em termos educacionais,
sociais e comunitários dando oportunidade a população um meio de
afirmação de sua identidade cultural, além de um aumento no crescimento
econômico, melhorias estruturais, oportunizando o contato com novas
formas de lazer e aquisição de cultura, acarretando em um aumento da
qualidade de vida das comunidades, atingindo assim o desenvolvimento.
Referências
GOIDANICH, Karin
Leyser; MOLETTA, Vania Florentino. Turismo de eventos.
4. ed. Porto Alegre: SEBRAE, 2003.
MATIAS,
Marlene. Organização de eventos: procedimentos e técnicas. 3.ed.,
atual. São Paulo: Manole, 2004
MELO
NETO,
Francisco Paulo de. Criatividade em eventos. São
Paulo: Contexto, 2000.
TENAN,
Ilka Paulete Svissero. Eventos. 2. ed. São Paulo:
Aleph, 2004.
ZANELLA,
Luiz Carlos. Manual de organização de eventos:
planejamento e operacionalização. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
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