A Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade da Paraíba -
ABCMI-PB, é um programa implantado pela Empresa Brasileira de
Turismo – EMBRATUR, na década de oitenta a nível nacional,
direcionado para maiores de 50 anos, dentro do conceito
sociológico de existência de “tempo livre”, essencial para o
desenvolvimento do turismo. Considerando-se a teoria do
comportamento do consumidor, existem fatores que influenciam o
processo de compra (inclusive de uma viagem), destacando-se os
fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos, que
interagem com os estágios do processo de decisão.
Tendo em vista as considerações abordadas, denotou-se a
necessidade de buscar respostas para o seguinte problema: Quais
são os fatores influenciadores do comportamento de compra que
inibem a melhor idade de viajar com maior freqüência?
Segundo a OMT (2001) o turismo no Brasil vem obtendo crescimento
constante nos últimos 8 anos, tendo aumentado sua receita em 95%
tornando-se hoje uma das atividades que mais cresce no pais.
Nas palavras de Ruschmann (1995, p.26)
o produto turístico é: “A amálgama de elementos tangíveis e
intangíveis, centralizados numa atividade específica e numa
determinada destinação, as facilidades e as formas de acesso,
das quais o turista compra a combinação de atividades e
arranjos.”.
O perfil demográfico do país vem mudando radicalmente. O Brasil
antes retratado como país de jovens vem envelhecendo rapidamente
e o turismo como atividade econômica ou sociocultural, também é
influenciado por essas mudanças, sendo assim, imprescindível
criar políticas que se adequem ao novo mercado que está
surgindo.
Na concepção de Fromer e Vieira (2003, p.20), não obstante o
idoso ser freqüentemente identificado como indivíduo experiente,
sábio e sensato, prevalece com maior intensidade a imagem que
associa a decadência, incapacidade e a decrepitude.
Na concepção de SOARES (2006) terceira idade não tem restrições
de calendário e costuma adquirir pacotes turísticos completos
que incluam hospedagem, alimentação e passeios.
Uma das grandes funções da ABCMI é proporciona oportunidades
reais de lazer, turismo e cultura, contribuindo para a
valorização e melhoria da qualidade de vida dos idosos, e dentre
as preocupações da Associação, inclui-se as viagens oferecidas
pelas agências de viagens, e seu atendimento às necessidades
específicas desse grupo.
Considerando que este estudo tem como objetivo conhecer quais
são os fatores inibidores da demanda às viagens pelos associados
nos Clubes da Melhor Idade da ABCMI-PB, foi realizada uma
pesquisa exploratória utilizando técnicas de pesquisa tanto
quantitativa, quanto qualitativa, através da aplicação de
entrevistas, e de observação simples.
Os Clubes da ABCMI-PB pesquisados são formado na sua maioria por
integrantes do sexo feminino, com idade entre 61 e 80 anos,
viúvos, católicos, aposentados e pensionistas com o ensino médio
completo e renda media de 3 salários mínimos.
Analisando os dados da Tabela XVIII,
observamos que dentre as mulheres um total de 30,77%
realizam mais de três viagens ao ano, enquanto que entre os
homens 71,43% realizam apenas uma viagem ao ano, mostrando que
além de ter um numero mais expressivo de mulheres entre seus
membros, essas costumam viajar muito mais que os homens.
Ficou constatado que 50,5% dos entrevistados recebem incentivo
das pessoas com quem eles moram para a realização de viagens,
sendo que a maioria deste são de idosos com faixa etária entre
61 a 80 anos com um total de 76,6%, e apenas 1,1% afirmou que
a(s) pessoa(s) com quem ele mora não permitem que ele viaje, o
mesmo justificou que o motivo para tal proibição se da devido a
sua saúde debilitada, enfatiza-se que este encontra-se
enquadrado na faixa etária entre 71 e 80 anos.
Dentre os viúvos 64% preferem a companhia dos membros da
ABCMI-PB, isto se justifica principalmente pelo fato dessas
pessoas terem círculos restritos de amizade, principalmente pelo
pouco tempo passado fora de casa, já os que viajam com
familiares a maioria é casada, e leva seu cônjuge ou filhos como
companhia, embora estes representem apenas um total de 24% dos
entrevistados, já os solteiros estão divididos entre ABCMI-PB e
família, visto que a incompatibilidade de tempo disponível entre
a família com o vasto tempo livre do entrevistado.
De acordo com os resultados apresentados na Tabela XXI, para os
entrevistados com nível de escolaridade ensino médio completo, o
maior atrativo de realizar um viagem está nos novos lugares para
conhecer (28,2%), visitar parente e amigos (15,2%) e viver mais
intensamente(13%). Destaca-se nessa parcela de entrevistados o
baixo interesse em realizar viagens para tratamento médico(4,3%)
e pela busca por novos conhecimentos(8,6%).
Já nos que concluirão o curso superior foi constatada grande
semelhança quanto ao que concluíram apenas o nível médio, sendo
conhecer novos lugares (29,7%) o maior atrativo para essa faixa
de entrevistados, seguida por viver a vida mais intensamente
(27%). É importante salientar o aumento do interesse por
adquirir novos conhecimentos que nesse grupo ficou em 10,8%,
tendo destaque as pessoas que trabalham com artesanato e
decoração, que buscam através das viagens, novas técnicas,
tendências e principalmente inspiração.
O cruzamento entre a ocupação atual e os tipos de viagem que
gostariam de realizar, os aposentados ou pensionistas preferem
realizar viagens a nível nacional (43,4%) devido na maioria dos
casos a vontade de conhecer melhor as belezas naturais do nosso
pais e a sua tão diversificada cultura, enquanto os que preferem
viagens internacionais (36,8%), tem como motivo a curiosidade em
conhecer outros países, e diversos pontos turísticos como a
Torre Eiffel e as famosas vitrines de New York. Os que preferem
viajar dentro do estado são 14,4%. Conhecer o litoral sul e as
inconfundíveis praias paraibanas, como Tambaba e Praia do Sol,
as quais são pouco habitadas e preservadas em sua maior parte,
ressalta-se as pessoas impossibilitadas de fazerem viagens
longas devido as doenças ou responsabilidades com outras
pessoas, preferindo viagens curtas.
Dentre os que possuem renda superior a quatro salários mínimos o
que mais impede de viajar são os motivos ligados a saúde (40%),
e a falta de recursos (26,6%) e outros motivos que não constam
no questionário (23,3%). Embora a renda possa ser considerava
elevada e suficiente para a realização das viagens desejadas,
despesas principalmente com saúde e com família impedem que
possa ser retirada constantemente de sua renda uma quantia
especifica para a realização de viagens.
Em todas as outras faixas de renda, o fator financeiro foi
sempre apontado como principal ponto para a não realização de
viagens, seguido quase sempre por problemas de saúde, mostrando
que estes atualmente são os grandes fatores inibidores da
realização de viagens pelos nossos entrevistados.
O cruzamento entre a religião que professa e quem são os
incentivadores das viagens revelou que: Dentre os cristãos os
sócios da ABMCI-PB foram indicados como principais
incentivadores a realização de viagens (55%). Os que pertencem a
outra religião também apontaram a ABCMI-PB como principal agente
incentivador.
Nos fatores pessoais, encontra-se o maior inibidor de toda a
pesquisa, o fator financeiro, este foi o mais lembrado pelos
entrevistados, principalmente devido a proporção entre renda e
despesas, visto que embora a faixa de renda seja de três
salários, a grande quantidade de despesas com familiares faz com
que não seja viável a realização de viagens. Saúde é outro
grande inibidor detectado pela pesquisa, principalmente pelo
medo de pioras significativas longe dos membros de sua família.
Doenças como labirintite e tratamentos como hemodiálise, também
foram citadas como empecilho. O cansaço adquirido com o tempo, e
que encontra-se em nível relevante na terceira idade também foi
apontado como fator inibidor em nossa pesquisa.
Quanto ao fator cultural, o preconceito apresentado pela
independência da terceira idade foi o fator inibidor mais
apontado nesta parte, visto que existe um grande “tabu” a ser
quebrado quanto à funcionalidade e utilidade dos membros da
terceira idade, hoje a terceira idade não hesita em trocar sua
cadeira de balanço por um passaporte, mas precisa ainda de um
maior apoio e compreensão das pessoas que o cercam.
REFERÊNCIAS
FROMER, Betty e VIEIRA, Débora Duarte; Turismo e Terceira Idade;
coleção ABC do Turismo; 2 ed. São Paulo; Alph, 2004.
MOTTA, Vera Lucia Barreto. Estratégias de marketing das
agências de viagens da Paraíba direcionadas ao segmento da
Melhor Idade. 2004. 278 p. Tese (Doutorado em Administração)
Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2004.
Organização Mundial do Turismo. Introdução ao Turismo, São
Paulo, Roca, 2001.
RUSCHAMANN, Doris Van de Meene; Marketing Turístico: um enfoque
promocional; coleção Turismo; 2 ed.; Campinas-SP; Papirus, 1995.
SOARES, José Alexsandro Galdino . Importância da Mulher
da Terceira Idade Para O Desenvolvimento do Turismo Em Campina
Grande – Paraíba.2006.57p Relatório Final apresentado ao
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC/CNPq/UEPB,2006.