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Revista Partes - 03/12/2006 22:04:49 

 
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Gestão da Cultura Organizacional
Por Paula Nora

Resumo 
A cultura organizacional influencia diretamente o gerenciamento das instituições. No ritmo contemporâneo as empresas necessitam estar atentas às rápidas transformações; adequando-se e antecipando-se às mudanças ambientais e incorporando-as nas produções internas. A consciência da relevância da gestão de elementos culturais será um dos fatores determinantes para o sucesso ou fracasso de uma organização.  

Palavras-chave
Cultura organizacional; gestão; modelos mentais; flexibilidade; ambiente.


1. Introdução
                   
De acordo com a atual dinâmica global, torna-se requisito fundamental a gerência da cultura organizacional para que as instituições estejam aptas a serem competitivas o suficiente para sobreviver e prosperar.

               O mundo contemporâneo se transforma rapidamente, através de um processo natural de evolução, e por essa razão, as organizações necessitam ser flexíveis e capazes de se antecipar, prevendo suas mudanças. Desta forma, elementos culturais são de suma importância para a percepção e sua conseqüente gestão, na medida em que sua compreensão auxilia a adequá-la neste contexto. O estudo da cultura permite a sincronia entre ambiente interno e externo.

Ter consciência da sua importância na gestão facilita a construção de um mecanismo capaz de controlar e manipular seu funcionamento, ajustando-se as alterações ambientais. O desempenho excelente de uma empresa depende diretamente do nível de conhecimento da cultura existente. Observar atentamente a relevância do ambiente cultural permite às instituições alertarem-se a respeito das transformações mundiais.               

2. Cultura Organizacional

A Cultura Organizacional é um conjunto de valores, regras e normas que controlam as interações dos membros da organização entre si e com o meio externo. Determina a maneira como as pessoas se comportam e agem, de que forma tomam decisões e gerenciam o ambiente. Ela reflete a situação da entidade em um determinado momento e o sentimento daqueles que a compõem. Sua conceituação é fundamental para a compreensão estrutural das organizações. Schein (1992) define a cultura organizacional como,

um padrão de pressuposições básicas partilhadas aprendidas por um grupo à medida que foram capazes de solucionar seus problemas de adaptação externa e de integração interna, que têm funcionado bem o bastante para serem consideradas como válidas e, por essa razão, ensinadas aos novos membros como sendo o modo correto de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas (p. 12).

Pelo fato das instituições estarem inseridas em um determinado meio, acabam por influenciá-lo e serem influenciadas por ele. Da mesma forma acontece com os indivíduos dentro de uma organização. Eles são agentes modificados e modificadores do ambiente a que pertencem e seus valores e crenças criam uma determinada cultura. Cada parte contribui, e neste sentido, o desenvolvimento pleno da organização depende da colaboração direta de cada integrante e seu modelo mental. 

Segundo Crook e Gunter (2005. p. 37), usa-se a expressão modelos mentais “para descrever os processos cerebrais que usamos para dar sentido ao nosso mundo”.  São as lentes através das quais cada pessoa enxerga o mundo. Trata-se da forma como cada indivíduo percebe a “realidade” a sua volta. Eles provêm de experiências, mitos, crenças, processos educativos, enfim agentes culturas que fazem cada ser humano único na sua capacidade diferenciada de perceber e interagir com o ambiente. São modelos invisíveis e poderosos, naturalmente em evolução.

No entanto, os modelos mentais de cada pessoa são poderosos e imperceptíveis, mas fortes o suficiente para que se continue usando-os, mesmo quando já estão ultrapassados, e não dão mais conta de esclarecer a situação atual. Ainda assim permanece-se a embuti-los em experiências cotidianas. De acordo com Crook e Gunter (2005) as práticas atuais com freqüencia tornam-se teologias futuras.

O meio exerce um papel fundamental em moldar essas capacidades, fortalecendo algumas e enfraquecendo outras. Logo, certa quantidade de forças cria e recria estes modelos, entre eles: a educação, o treinamento, a influência dos outros, as recompensas e incentivos e a experiência pessoal.

As instituições são um sistema onde os atores colaboram ativamente, conscientes ou não, através de seus olhares, gestos, palavras, participação e ausência. Cada indivíduo apresenta potenciais e limitações próprios. Estas diferenças tornam cada um possuidor de seu papel com distintas funções, para uma coletividade posterior. Todos os significados que circulam na empresa transformam e alteram a mesma. Estes significados variam conforme biografias e geografias, isto é, influências culturais de cada um dos sujeitos envolvidos.

A cultura organizacional pode ser reforçada ou alterada, de acordo com as transformações sofridas pelos seus membros ou ainda por influências externas. Na verdade, mudanças são indispensáveis, pois através de um processo natural de evolução, o mundo é mutável e requer adaptações contínuas de procedimentos. Portanto, para a sobrevivência e o sucesso de uma empresa fica evidente a necessidade de ajustes e conversões constantes, caso contrário o caminho para o fracasso estará sendo trilhado.

O estudo da cultura organizacional auxilia a situar a organização no que diz respeito as grandes modificações que acontecem no mundo, dando propósito às coisas que parecem sem sentido; por meio da identificação do que está enraizado no cerne delas próprias. 

3. Mudança e Gestão

É fundamental que as empresas despertem para a necessidade de uma organização flexível, adequando seus produtos ao mercado, acompanhando o ritmo frenético da humanidade e prevendo o futuro. Definitivamente trata-se de um processo infinito.

Comportamentos tanto individuais, quanto coletivos são profundamente enraizados em valores e, portanto, mesmo que exista a percepção da necessidade de adequação, isto não significa aceitação imediata de novos procedimentos, métodos e modelos.

Falar em mudança é falar num processo árduo, diante do quase inevitável medo que o ser humano possui do desconhecido. Tende-se a resolver as situações da mesma forma que foram solucionadas anteriormente, ainda que não se trate da melhor decisão. Interferir na cultura de um sistema é trabalhar numa substituição que nem sempre é desejada ou aceita.

A idéia de transformação freqüentemente aparece quando as empresas se deparam com uma crise. Entretanto, se houver a capacidade de verificação da existência de outras opções, explorando formas diversificadas de realização das tarefas, mais rapidamente acontecerá à reação e conseqüentemente mais eficaz ela será.

Desta forma, quando uma estratégia de mudança começa a ser pensada, a cultura organizacional deve ser levada em conta. Ela é fundamental para que se verifique sua viabilidade, pois os indivíduos não são iguais na forma como sentem e agem em relação a situações diversas. Estas singularidades resultantes de experiências múltiplas acabam por propiciar a formação de grupos e até mesmo da própria cultura organizacional. Assim, dá-se a necessidade de análise de sua complexidade e caso haja necessidade de adaptações, as intervenções devem ser realizadas com sensibilidade suficiente para perceber este complicado ambiente. As mudanças exigem não apenas técnicas, mas também discernimento intuitivo. O monitoramento do processo é importante na medida em que mantêm a organização informada acerca dos desejos, anseios e expectativas de seus colaboradores.

Para mudar, é necessário reestruturar as imagens que guiam as ações adotando novos conceitos, novos comportamentos, convicções e valores que acompanhem a evolução dos tempos (Morgan, 1996). Geralmente trata-se de um trabalho complexo, de acordo com a análise de Kofman (2004),

Os modelos mentais coletivos também são uma faca de dois gumes, como os individuais: por um lado ajudam o grupo a estruturar uma compreensão efetiva e eficiente da sua realidade, com base nas experiências passadas; mas, por outro lado, determinam o âmbito de experiências futuras. (p.113)

O intuito de se gerir uma mudança está em analisar e/ou reformular sua cultura. Para isto, a estratégia de gestão deverá estar em sintonia com o envolvimento dos participantes da organização. “Nossos modelos mentais determinam o que somos capazes de ver e fazer”, afirmam Crook e Gunter (2005, p. 64). Não raramente, a gestão da cultura será sinônimo de transformação cultural. 

4. Cultura organizacional e Gestão

Segundo Schein (1985), a cultura organizacional tem como intuito fazer com que uma organização tenha a capacidade de ajustar-se às mudanças ambientais, coordenando e integrando suas operações internas. As crenças e valores de um grupo interferem no sistema operacional de uma organização.

Existem algumas características que tornam a cultura organizacional, embora com alto grau de dificuldade, apta a ser gerida. Os indivíduos são seres racionais logo, capazes de entender e modificar o ambiente onde atuam.    

Dá-se então a necessidade de gerir de forma compartilhada, pois é impensada a administração de uma organização sem propósitos coletivos. Kofman (2004, p.77), afirma ainda que “a visão compartilhada não é algo que surge por inspiração divina; é preciso construí-la por meio de imaginação e diálogo”.

Falar em gerenciamento de relações remete diretamente ao fato de influenciar sua evolução.  Greenhalgh (2002) afirma que os relacionamentos,

mudam ao longo do tempo à medida que as pessoas enfrentam desafios juntas, trabalham para resolver conflitos e outros problemas de relacionamento e amadurecem como indivíduos. (p. 152)

Pode-se acrescentar ainda que não há uma forma correta de administrar. Cada corporação possui uma cultura própria que as diferencia das demais, desta forma Handy (1994, p.10) esclarece que, “precisamos de uma lei de variedade de requisitos em administração, bem como uma teoria de adequação cultural”. Ainda segundo o autor,

é importante perceber que cada uma das culturas ou maneiras de gerir as coisas, é boa – para alguma coisa. Nenhuma cultura, ou combinação de culturas, é ruim ou errada em si, apenas inadequada para suas circunstâncias. (p. 18)

A conscientização da importância dos elementos culturais nas práticas de gestão poderá ser um fator determinante na diferenciação entre organizações de sucesso e as demais. O método de compartilhamento da realidade por parte dos membros do grupo, e o ensaio para se formar uma identidade e gerir as relações entre indivíduos se dá em torno de um objetivo comum, o pleno desempenho da organização em todos os seus aspectos.

Outro fator importante a ser colocado refere-se à necessidade de participação de uma gama de indivíduos, possuidores de experiências múltiplas. A tendência natural ao se formar um grupo é exclusão daqueles que são diferentes. Greenhalgh (2002, p.114) explica que “... a diversidade permite que os grupos se adaptem a novos desafios” caso contrário, “não vão conseguir ser grupos de alto desempenho”.

Estar ciente da cultura existente gera a possibilidade de se criar uma engrenagem capaz de controlar o seu funcionamento, simplificando o entendimento entre empresa e colaboradores no sentido de haver uma compreensão entre o que uma deseja e espera da outra.

Na medida em que a cultura pode ser um empecilho ao planejamento estratégico de uma organização, não restará outra opção se não a de torná-la objeto de análise. O gestor precisa ser conhecedor do ambiente ao seu redor, compreendendo seus processos e sistemas para que haja a possibilidade de controlá-lo e manipulá-lo.

5. Conclusão

               A gestão da cultura demanda habilidade tanto para se manter a estabilidade quanto para a transformação dos elementos existentes. Para que seja possível gerenciá-la é necessário o conhecimento profundo dos mapas mentais e os potenciais de mudança e suas interinfluências.

               A manipulação de componentes cultural é empregada para garantir a transitabilidade do sistema de acordo com o desejado, através de adaptabilidade e flexibilidade.      A viabilidade de um processo está indissociavelmente vinculada a mudanças contínuas e a constantes detecções de erros, ajustando os ambientes internos e externos.

Ter discernimento para diagnosticar e gerenciar a cultura operante, alinhada as estratégias, através de uma identidade positiva, sabendo potencializar e analisar as forças pertencentes a ela, assegurando a manutenção de sua viabilidade é o objetivo de ser conhecedor da cultura organizacional existente numa instituição.  

6. Referências Bibliográficas 

GREENHALGH, Leonard. Relacionamentos estratégicos: a chave para o sucesso nos negócios. São Paulo. Negócio, 2002. 

HANDY, Charles. Deuses da Administração: como enfrentar as constantes mudanças da cultura organizacional. São Paulo. Saraiva, 1994.  

KOFMAN, Fredy. Metamanagement o sucesso além do sucesso: a nova consciência dos negócios. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004. 

MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo. Atlas, 1996.  

SCHEIN, Edgard H. Organizacional Culture and leadership. San Francisco. Josseu-Bass, 1992.  

TROMPENAARS, Fons. REINE, Fons P. Managing Change Across Corporate Culture. Oxford. Capstone, 2004. 

WIND, Yoram. CROOK, Colin. GUNTHER, Robert. A Força dos Modelos Mentais. Porto Alegre. Bookman, 2005.  

WRIGTH, Peter. Administração Estratégica. São Paulo. Atlas, 2000.

 

 

Paula Nora, reside em Caxias do Sul, é Bacharel em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul Núcleo Canela e atua há 08 anos no turismo



 

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