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Resumo:
Este artigo pretende realizar um estudo sobre a importância da
participação da comunidade local no desenvolvimento de suas cidades.
Principalmente na elaboração dos Planos Diretores, na aprovação do
Orçamento Participativo, dentre outras ações que contribuem para atender
os anseios dessa população, especialmente as que possuem o setor de
turismo como principal atividade. A partir das discussões sobre poder
local, cidadania e associativismo será realizada uma análise da atuação
dos Conselhos Municipais de Turismo de Diamantina/MG e Bonito/MS,
destacando suas diferenças e similaridades.
Palavras-chave:
Desenvolvimento local, Participação Popular, turismo e cidadania
Introdução
O Brasil tem passado por um processo intenso de urbanização, o que
resultou em cidades com imensas periferias, contendo ainda um
crescimento populacional desordenado. Esse caráter explosivo
manifesta-se com mais ou menos intensidade em algumas cidades do país.
Uma das causas dessa transformação foi a expulsão da população que vivia
no campo para as grandes cidades. Este êxodo urbano obedeceu à tripla
dinâmica da tecnificação, da expansão da monocultura e do uso da terra
como reserva de valor.
A partir disso, a pequena capacidade de absorção do setor formal, que na
realidade hoje está desempregando, é conseqüência da revolução
informática. Todos esses acontecimentos levaram à constituição de um
amplo setor informal da economia, e crescentemente de um setor criminal.
Um outro aspecto que vem ocorrendo é a interioração do crescimento
populacional, ou seja, as pessoas estão se deslocando das cidades
grandes para as médias. Este fenômeno é explicado a partir da crise
econômica e da terceirização da economia das metrópoles. Além disso,
esta mudança está sendo impulsionada também pela existência da pobreza,
desemprego, lixo, falta de água, poluição do ar, dentre outros.
Com isso, alguns urbanistas passaram a destacar que é preciso cuidar do
zoneamento, que divide as cidades em diversas áreas de uso. Um outro
ponto é que a comunidade deve estar atenta para os Planos Diretores,
aqueles que definem o que será feito com as cidades, e que dizem
respeito aos espaços públicos das mesmas. O planejamento é mais uma
forma de resolver esta situação, mas para isso ocorrer é necessário que
ocorra parcerias com a iniciativa privada e a sociedade civil. Com a
atuação do governo em conjunto com a iniciativa privada e a participação
popular será possível solucionar os atuais dilemas das cidades.
A busca por um desenvolvimento sustentável das cidades é um outro
aspecto relevante, pois mesmo que a cidade se torne urbanizada, limpa,
sem poluição, e que contenha belos parques, se não houver empregos
disponíveis, estas cidades não continuarão o processo de
desenvolvimento. A partir disso, é preciso criar políticas públicas
solidárias voltadas para estimular este desenvolvimento, destacando
principalmente o social.
Para que ocorra a diminuição da violência nas grandes cidades e uma
melhoria na qualidade de vida é necessário que a sociedade amplie seu
capital social. Mas isso só será viável se o indivíduo, além de outras
ações, discutir, participar e tomar atitudes nesse sentido. O
associativismo é uma forma para que esta participação aconteça, no
entanto, a própria sociedade civil deve ser a responsável por esta
iniciativa.
Toda esta articulação passa por uma definição de cidadania, e em
particular por uma redefinição das instituições para que os espaços
participativos sejam similares ao das decisões. Esta participação está
relacionada ao envolvimento de todos, como os usuários e beneficiários
de políticas públicas, trabalhadores, movimentos sociais e outros, em
fóruns participativos.
A atuação dos fóruns participativos é analisada por vários estudiosos
que são divididos nos céticos e otimistas. Os céticos destacam o
problema da legitimação dos participantes nesses fóruns, visto que estes
não representam a maioria ou os mais pobres. Enquanto que os otimistas
tratam da importância dos fóruns na criação de democracias
participativas.
Neste contexto, o objetivo deste artigo é oferecer um ponto de partida
para que o poder público municipal, mediante um processo de discussão
com as comunidades e demais agentes locais, possa estabelecer ou
aprimorar os instrumentos legais que darão sustentação e estímulo à
atividade turística socialmente responsável.
Para as análises aqui realizadas, adotou-se, neste trabalho, a
perspectiva de Moesch (2000), no campo do turismo, segundo a qual essa
atividade é a combinação complexa de inter-relacionamentos entre a
produção e serviços, em cuja composição integram-se uma prática social
com base cultural, com base histórica, a um meio ambiente diverso,
cartografia natural, relações sociais de hospitalidade, troca de
informações interculturais.
A partir disso, os Conselhos Municipais de Turismo devem estar
integrados à atividade turística da localidade, além de contar com a
participação de interessados direta e indiretamente no desenvolvimento
da atividade, tais como políticos, empresários, e representantes da
sociedade civil. Os seus objetivos são a formulação e implementação de
políticas que criem condições para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento
em bases sustentáveis da atividade turística, de forma a garantir o bem
estar dos seus habitantes e também dos turistas, através da preservação
e resguardo dos patrimônios naturais e culturais da região.
Este órgão poderá, de acordo com a realidade onde for implementado,
atuar através de inúmeras ações, com vistas a auxiliar o desenvolvimento
do turismo local: estabelecer leis e normas de atuação do turismo,
convocar audiências públicas, gerir o Fundo Municipal de Turismo,
aprovar o Zoneamento Turístico municipal, enfim, poderá, desde que
atuante, contribuir em diversos contextos sobre a atividade turística
local.
Castelli (1996) afirma que os organismos municipais de turismo
constituem uma das bases indispensáveis do processo e do desenvolvimento
turístico. É ali, junto ao município, que o consumidor entra em contato
com o produto turístico e realiza o ato de consumo. Se a comunidade for
bem preparada e conscientizada para o turismo, poderá tirar grandes
proveitos, tanto econômicos como culturais, e não será tão dependente do
setor público, achando que tudo é dever do Estado, redimindo-se de
qualquer responsabilidade.
Neste contexto, serão apresentados dois estudos de caso que apresentam
quais são os limites e as potencialidades da implementação eficaz destes
Conselhos em diferentes localidades, Diamantina - MG e Bonito - MS
oferecem dois tipos distintos de gestão destes Conselhos. A metodologia
utilizada foi a pesquisa bibliográfica, que buscou identificar elementos
dos municípios que demonstrem a atuação deste órgão, e suas implicações
nas realidades estudadas.
Poder local e cidadania
O turismo pode gerar em uma determinada cidade, uma série de impactos
tanto positivos quanto negativos. Mas a maioria dos custos que esta
atividade proporciona não é percebida pela comunidade, principalmente
por não haver um planejamento adequado voltado para o desenvolvimento
sustentável da mesma.
As conseqüências dessa falta de planejamento são verificadas quando há
um considerável aumento nas instalações turísticas, além do que o setor
imobiliário passa a adquirir terrenos a preços muito mais baixos, sendo
que para gerenciar estas novas instalações são contratadas pessoas de
outras cidades ou países. Tudo isso é realizado sem consultar a
população local. A visão simplista da comunidade em relação ao turismo
faz com que a aceitação de todo esse processo ocorra. As pessoas não
percebem que agindo dessa forma, estão contribuindo para que a região
entre em decadência.
Segundo Ruschmann (2000), o desenvolvimento do turismo em uma
determinada localidade passa por sete fases: exploração, investimento,
desenvolvimento, consolidação, estagnação, declínio e rejuvenescimento.
Normalmente, é na segunda fase que a participação popular tende a cair
em função da atuação dos empresários externos.
Assim, a relação turismo e desenvolvimento é verificada a partir dos
impactos ambientais, fluxos de turistas, efeitos no tecido social e
produtivo, distorções na cultura local e funcionalização de regiões e
lugares, enfim. O local é mais especificamente tratado como uma área
geográfica específica, onde os agentes públicos atuantes são as
prefeituras. A relação entre o local e a municipalidade por vezes é
tensa, e isso destaca a emergência para a elaboração de dispositivos
institucionais voltados para criar condições de governança.
A partir dos anos 90, surgiu o termo governança associado à noção de bom
governo. Este conceito trata das capacidades gerenciais dos governos,
além da eficácia em desenvolver políticas públicas na promoção do
desenvolvimento sustentável, principalmente em contextos democráticos.
Na mesma época, a partir dos processos associados à globalização e
ajustes econômicos, houve um destaque na importância do subnacional e
local ante o nacional e transnacional. A promoção do desenvolvimento
passou a ser via planejamento localizado em fatias de territórios ou por
meio de esforços localizados. Assim, os poderes são exercidos em
diferentes escalas, visando o desenvolvimento local (FISCHER, 2002).
Segundo a autora, o poder é revelado no cotidiano das cidades nas formas
tradicionais de planejamento como, os planos diretores. Numa mesma
cidade, projetos que possuem rótulos e financiamentos, a exemplo, do
orçamento participativo, Agenda 21, e múltiplos conselhos, são
iniciativas que podem ocorrer simultaneamente. Portanto, quando se fala
em local, não se está circunscrevendo o conceito à rua, ao bairro, ou
mesmo à cidade. O universo de análise é mais amplo e abstrato,
relacionado a várias escalas de poder, consideradas isoladamente ou em
conjunto, em um ou mais territórios (FISCHER, 2002, p 13).
A autora destaca que no Brasil, mais especificamente na década de 90,
chegam práticas de intervenção voltadas para impulsionar o
desenvolvimento local, integrado e sustentável. Todo o processo teve
início com o trabalho com comunidades, nos anos 60 e 70, os movimentos
populares nos anos 70 e 80, e ainda o surgimento de Organizações Não
Governamentais na década de 80, que apontaram novas formas de interação,
ou seja, de gestão de programas de caráter associativo que se propõem a
melhorar as condições de vida da comunidade local.
Uma outra forma de desenvolvimento tratado pela autora é o solidário.
Segundo Santos e Silveira (2001), esta forma de desenvolvimento
inspira-se nos valores e qualidades da cidadania, ou seja, na inclusão
de setores marginalizados, além do que privilegia a escala local, tanto
no objeto como na escala social. Dos diferentes modelos e iniciativas
desse desenvolvimento se destacam formas associativas de produção, ONGs,
movimentos sociais, dinâmicas sociais, e outros.
Diamantina – MG
Joaquim Felício dos Santos, em seu livro “Memórias do Distrito
Diamantino”, apresenta a história do surgimento do que é hoje a cidade
de Diamantina. Tudo aconteceu, quando, em busca de ouro e pedras
preciosas, os bandeirantes criaram, no final do século XVII, o Arraial
do Tijuco. Mas foi com a descoberta dos diamantes no início do século
XVIII que o Arraial prosperou, criando as bases para uma história
diferenciada da colonização ibérica em outras partes do mundo.
No dia 1º de Dezembro de
1999 a
cidade de Diamantina ganhou o título de Patrimônio Cultural da
Humanidade, e, para fazer jus ao título de Patrimônio Cultural da
Humanidade, a cidade cumpriu etapas para esta transformação. O Plano
Diretor, o Conselho de Cultura e o Conselho de Turismo, investindo em
infra-estrutura e posicionando a sociedade civil perante as
transformações. Diamantina é hoje ponto de chegada e de partida da
Estrada Real, caminho que está sendo divulgado por toda a mídia nacional
e internacional, como grande atrativo turístico.
O COMTUR de Diamantina foi criado em 28 de novembro de 2000, através da
lei n° 2656, pelo Prefeito Municipal vigente no período. No decreto n°
0069 de 19 de dezembro de 2000, consta nas disposições preliminares que
o COMTUR é um órgão de caráter consultivo e deliberativo, subordinado
diretamente ao Gabinete do Prefeito. Percebemos aí a dependência perante
o poder maior do município.
Foram observadas alterações na Lei n° 2656 ao longo desses seis anos, em
2003, por exemplo, através da Lei n° 2865 de 19 de novembro, o COMTUR,
passa a ser subordinado a Secretária Municipal de Cultura e Turismo, (SECTUR)
com a finalidade de orientar, promover e emitir sugestões para
assessoramento ao município, referente ao desenvolvimento do Turismo.
Sendo o COMTUR, neste momento subordinado à SECTUR, percebe-se um maior
acesso da população em relação aos projetos e programas de
desenvolvimento do turismo da cidade, desburocratizando o processo.
O mandato dos membros do COMTUR, que antes era de quatro anos, passa a
ser de dois anos, permitindo uma recondução. Esse conselho era composto
de membros representantes de instituições jurídicas, públicas, privadas
e pessoas físicas, da comunidade, com vínculo ambiental, social,
cultural, político, econômico, religioso com interesse no
desenvolvimento turístico do município.
Em 2004, através do decreto n° 021 de 09 de fevereiro de 2004, acontece
outra reestruturação, agora referente aos membros do conselho, sendo
designados pelo Prefeito. O Secretário de Cultura e Turismo é o
presidente do conselho, e instituições locais indicariam um membro
titular e um membro suplente, para comporem o conselho. Deve-se tomar
cuidados para compor a representatividade dos integrantes do COMTUR.
Conselhos muitos grandes possuem dificuldades para conseguir quoruns. Em
Diamantina, o Prefeito decide a presidência do Conselho, sendo que pela
orientação do WWF (2004), a eleição para presidente e vice-presidente
ocorrerá em reunião extraordinária convocada prioritariamente para esta
finalidade, pelo Secretário de Turismo, logo após a posse oficial dos
demais membros da plenária.
As reuniões que ocorriam uma vez ao mês, passariam a ser realizadas duas
vezes ao mês. O Manual de Políticas Locais do WWF (2004) sugere que
compete ao COMTUR, convocar audiências públicas, para informar e ouvir a
opinião da população local a respeito de planos, programas e obras
públicas ou privadas potencialmente causadores de impactos na atividade
turística e ao meio ambiente no município. A pauta das reuniões
plenárias ordinárias ou extraordinárias do COMTUR, assim como as
convocatórias para as reuniões, deve ser afixada em local de amplo e
fácil acesso à população local, além de ser divulgada
em jornal. Nesse
sentido, o turismo deve respeitar os direitos e desejos dos povos locais
e prover a oportunidade para que amplos setores da comunidade contribuam
nas decisões e nas consultas sobre o planejamento e a administração da
atividade.
Porém, apesar de contar com a participação destas instituições citadas
acima, o Comtur não realiza um trabalho efetivo no que diz respeito aos
objetivos e finalidades propostos. Muitos não comparecem às reuniões e
sempre a decisão final, que deveria ser compartilhado por todos, se
concentra na mão do Presidente do conselho. O FUNDETUR, que hoje se
tornou o FUMTUR (Fundo Municipal de Turismo) não funciona, entretanto,
como deveria.
O FUMTUR deveria ser gerido pelo COMTUR, mas até o ano de 2004 não se
tem conhecimento das ações do Fundo. O poder público municipal, por
intermédio da Secretaria de Turismo e do COMTUR, devem estimular a
elaboração de Planos de Gestão dos Atrativos Turísticos. Muitos
atrativos em Diamantina poderiam criar taxa de fiscalização e
manutenção, como é o caso, por exemplo, da Gruta do Salitre e Caminho
dos Escravos. Essa taxa poderia ser revestida para o FUMTUR, atendendo
aos objetivos e gestão do mesmo.
Destarte é de fundamental importância que o funcionamento desses
conselhos se dê de forma transparente e aberta à participação de
qualquer interessado e que sua composição seja a mais equilibrada,
possibilitando a participação de todos os setores da sociedade.
Bonito – MS
O núcleo habitacional que se transformaria na sede do Município de
Bonito, iniciou-se em terras da Fazenda Rincão Bonito, que possuía uma
área de 10 léguas e meia e foi adquirida do Sr. Euzébio pelo Capitão
Luiz da Costa Leite Falcão, que aí se aportara em 1869, e é considerado
o desbravador de Bonito, tendo sido também seu primeiro escrivão e
tabelião.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, no final da década de 1980,
iniciou-se o desenvolvimento do turismo em Bonito. Na época, haviam
poucos atrativos turísticos e poucas agências locais que se ocupavam do
turismo receptivo. Em 1992, o turismo recebeu um impulso por meio de
reportagens a nível nacional, com intensificação de construção de hotéis
e um primeiro curso de guia turístico. Em 1993, novos atrativos foram
abertos, como por exemplo, o Rio do Peixe, e outros foram sendo
ampliados ou tiveram suas instalações melhoradas, como no caso do
Aquário Natural.
Assim, devido a seu enorme potencial natural, o município tornou-se
bastante conhecido no Brasil e no mundo graças através do
desenvolvimento das práticas do ecoturismo, turismo de natureza e de
aventura. Para a prática de turismo de aventura, possuem destaques os
Balneários do Gordo, do Sol, Municipal Rio Formoso e a Ilha do Frade. Na
prática do ecoturismo são visitadas as Cachoeiras do Aquidaban, do Rio
do Peixe, Boca da Onça Ecotur, Barra do Sucuri, dentre outras maravilhas
como Gruta do Lago Azul e de São Miguel. No local os turistas ainda
praticam rapel, mergulhos, passeios de bicicletas, bóia cross,
enfim.
Porém, devido à sua natureza calcária, os atrativos turísticos de Bonito
são muito frágeis, correndo risco de degradação frente a uma exploração
turística desordenada. Para manter a sustentabilidade desta atividade
econômica, diversas medidas foram tomadas a fim de coordenar a
exploração turística sem comprometer o meio ambiente.
Assim, em
1995, a
Lei Municipal 689/95 tornou obrigatório o acompanhamento de guias de
turismo nos passeios turísticos locais. O credenciamento pela Embratur
garante segurança ao visitante, aliada a uma variedade de informações
sobre o local visitado, ao mesmo tempo em que se torna um fiscal da
preservação ambiental. Atualmente, o
acompanhamento de guia de turismo é obrigatório para todos os sítios
turísticos, combinado com um número máximo de turistas que ele pode
levar no grupo. Quando o turista chega a Bonito, deve obrigatoriamente
ir a uma agência local para agendar seus passeios, pegar os respectivos
vouchers e seguir para o atrativo acompanhado de um guia de
turismo. No local há mais de 30 atrativos turísticos e 27 agências de
turismo que praticam o mesmo preço, sendo a qualidade no atendimento o
diferencial entre elas.
Entretanto, esta não foi a única ação de uma série de intervenções que
viriam a ser feitas pelo Conselho Municipal de Turismo – COMTUR, que
possui o objetivo de “fomentar e normatizar a atividade turística no
município de Bonito, de forma integrada e sustentável, visando o
desenvolvimento econômico e social de toda a comunidade, através da
excelência na qualidade dos serviços”.
Destarte, o órgão foi criado no município em 1995, através do já citado
Programa Nacional de Municipalização do Turismo – PNMT. Seguindo as
diretrizes do Programa, a Prefeitura local, juntamente com o SEBRAE-MS,
procurou agregar todos os segmentos envolvidos diretamente com a
atividade turística na comunidade. A Lei Municipal 695/95 instituiu
então o Conselho, que passou a atuar em conjunto com a Secretaria
Municipal de Turismo e Desenvolvimento, atual Secretaria Municipal de
Turismo, Indústria e Comércio – SECTUR. Para sua composição foi
convidado um representante de cada entidade diretamente envolvida com o
setor de turismo no Município. Sua função é definir políticas e normas
básicas de funcionamento e diretrizes que permitirão a elaboração de um
Plano Municipal de Desenvolvimento do Turismo, terceira fase da
implantação do Programa, mas ainda se encontra em elaboração (LUNAS,
2000).
Segundo o artigo 8° da Lei 695/95, ao COMTUR do município de Bonito
destacam-se as principais ações as de formular as diretrizes básicas a
serem obedecidas na política municipal de turismo; propor resoluções,
atos ou instruções regulamentares necessários ao pleno exercício de suas
funções, bem como modificações ou supressões de exigências
administrativas ou regulamentares que dificultem as atividades de
turismo; opinar na esfera do Poder Executivo quando solicitado, do Poder
Legislativo, sobre Projetos de Lei que se relacionem com o turismo ou
adotem medidas que neste possam ter implicações; entre outras ações.
Em relação ao faturamento do COMTUR, os seus recursos financeiros advêm
do Fundo Municipal de Turismo – FUMTUR, que foi criado na mesma lei do
Conselho, e são gerados através das visitações pagas pelos turistas ao
Monumento Natural da Gruta do Lago Azul. Esta iniciativa é uma
ferramenta útil ao sistema turístico local, já que são executadas ações
que buscam a profissionalização e melhoria de qualidade dos serviços
prestados aos visitantes.
O Conselho é formado por representantes de associações ligadas ao
turismo e aos poderes executivo e legislativo, e também por voluntários
da própria comunidade. Observa-se que o objetivo deste Conselho é o
fomento ao planejamento turístico participativo em todas as associações
participantes, de forma a contribuir para o desenvolvimento integrado do
turismo.
Considerações finais
Somente por meio da formulação e implementação de políticas adequadas é
que os governos locais poderão reverter os benefícios do turismo em
favor das comunidades locais evitando, ao mesmo tempo, danos ambientais
e na cultura destas comunidades. Os governos municipais têm um papel
fundamental no processo de desenvolvimento do turismo sustentável no
Brasil. Além de contribuir com a formulação de políticas para o setor,
através destes se pode pensar em catalisar os ganhos com o turismo em
favor da população e evitar problemas derivados da exploração
desenfreada neste mercado.
Para implementar efetivamente os Conselhos, é necessário que se garanta
a implementação dos princípios de participação e que se fortaleçam as
instâncias populares de decisão. Para tal, é de fundamental importância
que o funcionamento desses conselhos se dê de forma transparente, e que
suas reuniões ocorram em local e horário de fácil acesso, com a sua
publicação divulgada e aberta à participação dos interessados, uma vez
que a sua composição deva ser a mais equilibrada e aberta possível à
participação de todos os setores da sociedade.
A implantação eficaz e o fortalecimento deste órgão nos municípios que
trabalham com a atividade turística se torna de fundamental importância
por ser um elemento a mais que possibilite que o turismo busque e
promova mecanismos e ações de responsabilidade social, ambiental e de
equidade econômica, inclusive o respeito e a defesa dos direitos humanos
e de uso da terra e dos bens culturais.
Com conselhos fortes e representativos as chances da discussão evoluir
para um caminho adequado são maiores e, além disso, os instrumentos
oferecidos pelo órgão devem ser mais bem discutidos e adaptados aos
interesses e à realidade ambiental, socioeconômica e política local.
Para o fortalecimento dos conselhos é determinante que todos os setores
interessados e envolvidos tenham acesso às reuniões e às informações que
circularem nos conselhos.
Referências
CASTELLI, Geraldo. Turismo: atividade marcante no século XX.
3ª ed. Caxias do Sul: Educs, 1996.
FISCHER, Tânia. Gestão do desenvolvimento e poderes locais: marcos
teóricos e avaliação. Salvador – BA: Casa da Qualidade, 2002.
LUNAS, Jose Roberto da Silva. Turismo Sustentável: Descrição e
Avaliação da Gestão do Turismo de Bonito – Ms. Universidade
de Brasilia, Centro de Desenvolvimento Sustentável, 2000.
MOESCH, Marutschka. A Produção do Saber Turístico. São Paulo:
Contexto, 2000.
SANTOS, Joaquim Felício dos. Memórias do Distrito Diamantino.
5ª ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
SANTOS, M; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início
do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.
RUSCHMANN, D. Turismo e planejamento sustentável. Campinas:
Papirus, 2000.
WWF. Turismo responsável – Manual para Políticas Públicas. (Org.
Sérgio Salazar Salvati) – Brasília, DF: WWF Brasil, 2004.
http://www.bonito-ms.com.br > acesso em 28/11/06.
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