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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 02 de maio de 2011 22:17:47                                               

 
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TURISMO

Método fenomenológico: reflexões sobre suas possibilidades de aplicação em pesquisas em turismo

 

Maycon Luiz Tchmolo; Nicolas Floriani**

publicado em 02/05/2011

 

Resumo
 

Este trabalho objetiva apresentar o turismo como uma atividade que possui uma visão holística, a fim de discerni-lo das afirmações impostas de que se trata de uma área preocupada somente em benefícios econômicos para os seus envolvidos. Os procedimentos para a realização desta abordagem abrangeram, predominantemente, pesquisas em referenciais teóricos acerca de bibliografias que discorrem sobre os temas turismo, método fenomenológico e fenomenologia.
 

Palavras-chaves: fenomenologia, método fenomenológico, turismo e ser humano.
 


 

Abstract
 

This work presents tourism as an activity that has a holistic view in order to discern it from claims that it is imposed in an area concerned only for their economic benefits involved. The procedures to implement this approach covered predominantly theoretical research about bibliographies that discuss tourism issues, and the phenomenological method phenomenology.


 

Keywords: phenomenology, the phenomenological method, tourism and human being.
 


 

INTRODUÇÃO

Apesar de se apresentar como uma área de estudo relativamente nova (iniciado na década de 1970), o turismo buscou estabelecer padrões em suas pesquisas, questionando pensamentos de outras áreas de conhecimento que afirmavam e entendiam o turismo somente como uma atividade econômica, que visava apenas obter lucros. Com base em dados históricos, Barretto (2004) cita que a economia foi a primeira ciência a estudar o turismo, seguida das ciências sociais e da geografia. Notou-se, então, uma crescente preocupação com o desenvolvimento do turismo, principalmente pelos benefícios capitais que a atividade podia gerar (e gera). Logo, parte-se do pressuposto que nos estudos sobre o turismo é imprescindível uma visão holística, pois as pesquisas não se limitam ao cunho econômico da atividade, mas também voltam-se para os impactos no ambiente causados pela atividade turística, bem como nas relações que ocorrem entre o turista e a comunidade local e, ainda, entre outros fatores.

Em virtude de diferentes ciências estudarem o turismo (quanto atividade ou quanto fenômeno) as pesquisas em turismo, buscam nas outras ciências bases epistemológicas para formar sua própria teoria, bem como métodos científicos para formular e desenvolver suas próprias pesquisas. Portanto, o objetivo do presente trabalho é discutir teoricamente como o método fenomenológico pode contribuir nas pesquisas científicas acerca do turismo.

Os procedimentos para essa discussão teórico-metodológica partem da análise de referenciais teóricos sobre, primeiramente, a fenomenologia: no intuito de compreender seu conceito e suas peculiaridades; e, posteriormente, no discurso sobre o método fenomenológico: suas aplicações e contribuições para o pesquisador da atividade turística, ora refletida sobre as possíveis maneiras e medidas da utilização do método, no desenvolvimento de pesquisas acadêmicas acerca do fenômeno turístico.

 

O MÉTODO FENOMENOLÓGICO E O TURISMO

Nas pesquisas sobre o turismo, a utilização de um método científico contribui veemente para as investigações que necessitam ser abrangidas. Logo, num deslocamento turístico o contato entre seres humanos e transformações ocorridas durante todo este processo resulta em fenômenos passíveis de serem estudados. Para tanto, a fenomenologia surge como um aporte para as pretensões da pesquisa. Triviños (1992, p. 43) afirma que a fenomenologia “é o estudo das essências, buscando-se no mundo aquilo que está sempre aí, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço repousa em encontrar este contato ingênuo com o mundo.”

Através da terminologia, Edmund Husserl idealizou o método fenomenológico, o qual se preocupa com a descrição direta dos fatos analisados, sendo que não existe uma realidade única, mas diversas formas de interpretações e comunicações (TRIVIÑOS, 1992). Logo, Martins (1992) salienta que o método não se preocupa com explicações e generalizações, mas é conduzido a partir do questionamento de um fenômeno que está sendo vivenciado pelo sujeito.

Masini (1989) diz que o método fenomenológico pretende ser descritivo, ou seja, detalhar o fenômeno como ele realmente se apresenta, e ressalta ainda que



 

o método fenomenológico trata de desentranhar o fenômeno, pô-lo a descoberto. Desvendar o fenômeno além da aparência. Exatamente porque os fenômenos não estão evidentes de imediato e com regularidade faz-se necessário a Fenomenologia. (MASINI, 1989, p. 63)



 

A partir das considerações sobre o método fenomenológico, pode-se afirmar que o turismo é um fenômeno, com base em pesquisadores da área do turismo como, por exemplo, Margarita Barretto, que afirma



 

O turismo é um fenômeno que cresce e se espalha no tempo e no espaço de forma bastante incontrolável e imprevisível. A cada momento e em cada lugar em que o fenômeno turístico se reproduz, ocorre uma série de relações que sempre são, em algum grau, diferentes e nunca totalmente previsíveis (BARRETTO, 2000, p. 20)

 

Nota-se que, em conformidade ao tipo de pesquisa a ser realizada, é possível e pertinente utilizar o método fenomenológico nos estudos sobre o turismo, pois este método “[...] procura tornar explícita a estrutura e o significado implícito da experiência humana” (SANDERS, 1982, p. 353). Entende-se, que se não há desejo do ser humano em viajar, ou em receber o turismo (no caso de uma população do pólo turístico), não se releva de maneira significativa a atividade. Assim, a principal fonte de estudos do fenômeno turístico é o homem. Nitsche e Kozel (2006, p. 56) citando Panosso Netto (2005, pp. 137-138) dizem que o autor



 

apresenta a fenomenologia como uma abordagem para o estudo do turismo, visto que é uma análise capaz de conduzir o ser humano como principal sujeito do fenômeno turístico, e não o turismo apenas “como um fato gerador de renda, mas também como um fenômeno que envolve inúmeras facetas do existir humano”.



 

Observa-se, ainda, que há empecilhos para se discutir a fenomenologia no turismo, porém crê-se que é um pensamento filosófico pertinente para ser utilizado nos estudos nesta área. De acordo com Moesch (2004, p. 9) o turismo passou a ser uma atividade importante no século XX, pois é um



 

[...] fenômeno que se impõe á sociedade, o turismo passa a gerar análises, estudos e pesquisas não apenas no âmbito dos órgãos oficiais e setores produtivos, mas também na academia, deixando de ser uma preocupação secundária em termos teóricos.



 

Portanto, ao considerar que existem duas faces para o estudo do turismo, econômica e social, o método fenomenológico preocupa-se com âmbito social, que abrange a cultura, os modos de vida, as suas necessidades e desejos, etc. Moreira (2002, p. 60) afirma que “sempre que se queira dar destaque á experiência de vida das pessoas, o método de pesquisa fenomenológico pode ser adequado.” A partir disso, Nitsche e Kozel (2006, p. 60) realizaram um trabalho sobre a abordagem fenomenológica na atividade turística e ressaltam que o propósito do seu estudo não são os benefícios com renda, infra-estrutura, venda de produtos, estratégias de marketing, entre outros fatores econômicos do turismo, mas o sentido do turismo na localidade, isto é, “[...] o valor dele para as pessoas que moram no lugar e tem suas vidas envolvidas neste processo”. Assim, a utilização do método fenomenológico parte para outra visão de mundo, para um princípio de que há necessidade de se implantar e se pensar em pesquisas sobre turismo.



 

CONCLUSÕES

No entendimento que o turismo é uma atividade multifacetada, ou seja, em seus processos envolvem-se questões como religião, cultura, natureza, economia, sociedade, entre outros, é fundamental destacar que esta área, em crescente desenvolvimento, necessita de ser pensada, de ser planejada, para que se possa ter uma visão holística e não somente acerca de aspectos econômicos.

Logo, este estudo teórico não tem por objetivo afirmar ou criticar que o turismo pensa somente em benefícios capitais ou na geração de renda, mas deixar outra visão, ou seja, o de preocupação com o ser humano, pois ele que é o principal envolvido em todo o processo da atividade turística. Cabe, portanto, a pesquisadores dentro da academia, em fazer estas altercações quanto os procedimentos de conduzir o turismo, buscando se refletir o lado inverso daquele que é imposto ao fenômeno turístico. Assim, o que se busca também é abrir um espaço para outros diálogos sobre fenomenologia e turismo, pois são escassos os estudos que se tem sobre o tema.


 


 

REFERÊNCIAS


 

BARRETTO, M. Ciências Sociais aplicadas ao turismo. In: BRUHNS, H. T. et al. Olhares contemporâneos sobre o turismo. Ed. Papirus. Campinas, 2000.


 

BARRETTO, M. Produção científica na área de turismo. In: MOESCH, M.; GASTAL, S. (orgs). Um outro turismo é possível. Ed. Contexto. São Paulo, 2004.


 

MARTINS, J. Um enfoque fenomenológico do currículo: educação como poíesis. São Paulo: Cortez, 1992.


 

MASINI, E. F. S. O enfoque fenomenológico de pesquisa em educação. In: FAZENDA, I. Metodologia da pesquisa educacional. Ed. Cortez. São Paulo, 1989.


 

MOESCH, M. Introdução. In: GASTAL, S.; MOESCH, M. M. (orgs.) Um outro turismo é possível. Ed. Contexto. São Paulo, 2004.


 

MOREIRA, D. A. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002.


 

NITSCHE, L. B.; KOZEL, S. Reflexões sobre uma abordagem fenomenológica do espaço vivido de famílias rurais relacionadas à atividade turística. Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Geografia (UFPR), jul. 2006, v. 1, n. 1, pp. 52-61.


 

SANDERS, P. Phenomenology: a new way of viewing organizational research. Academy of Management Review. 1982, vol. 7, n. 3.


 

TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1992.

 

 

* Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (campus de Irati). Mestrando em “Gestão de Território” pela Universidade de Ponta Grossa. E-mail: mayconlt@hotmail.com

** Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Mestre em Ciências do Solo e Engenheiro Agrônomo (UFPR). Professor Adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Docente no Programa de Mestrado em Gestão do Território (UEPG). E-mail: florianico@gmail.com

 

 

 

 
  

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Maycon Luiz Tchmolo. Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (campus de Irati). Mestrando em “Gestão de Território” pela Universidade de Ponta Grossa. E-mail: mayconlt@hotmail.com

Nicolas Floriani. Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Mestre em Ciências do Solo e Engenheiro Agrônomo (UFPR). Professor Adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Docente no Programa de Mestrado em Gestão do Território (UEPG). E-mail: florianico@gmail.com

 
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