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Caminhamos neste artigo rumo ao
entendimento e a inserção dos Museus como espaços de cultura, propícios
a atividade turística e recreacional. Para tal devemos entender algumas
relações como espaço e museu, bem como a existência e da necessidade de
se trabalhar com a noção de patrimônio de um forma mais abrangente.
Embora em meados de 70 começasse a
nascer um interesse pelos efeitos do Turismo sobre o meio ambiente,
descobrimos hoje, os efeitos sobre o ambiente e a necessidade do Lazer
na sociedade atual, com toda a sua dimensão humana e suas problemáticas
socioculturais. Os museus e a procura da edificação do patrimônio
integral estão inclusos na dimensão humana e nas problemáticas
socioculturais.
O Espaço e o
Museu
Quando DUMAZIDIER (1980:55) comenta a
questão da cidade com espaços de lazer, o autor esta se referindo a um
espaço diferente dos outros – os da família, da escola, do trabalho, da
igreja, etc. É um espaço vivêncial, onde o objeto precípuo é o viver, é
o Ter oportunidade de ocupar o tempo livre para exprimir as necessidades
individuais, físicas, sociais, artísticas, etc.
Esses espaços só existem em núcleos urbanos centrados no lazer. Essa
cidade de que DUMAZIDIER (op.cit.) fala, é a cidade do bom-senso, está
muito longe de ser uma realidade. Parece que a norma são as cidades
sufocantes, abafadas pelos mesmos agravos que caracterizam as cidades
cujo apelo é ainda o econômico e produtivista.
“Na teoria de nossos urbanistas,
os espaços de lazer se desenvolvem no todo e nas partes do tecido
urbano, é em cada escala da tessitura da cidade – centro, bairros,
periferia, cinturão exterior -, que a relação do espaço de lazer se
realiza com outros espaços. É a tendência do urbanismo atual: dividir as
grandes cidades em pequenas” (DUMAZIDIER,op.cit:55-56).
Essa divisão idealizada pelos
urbanistas que Joffre Dumazidier comenta, nos faz pensar em espaços de
lazer também divididos, não basta apenas um grande espaço de lazer para
uma grande cidade. A grande cidade necessita de inúmeros pequenos e
médios espaços de lazer. Haveria a edificação, não de espaços para fins
utilitários, mas de espaços de vida, adequados para viver fora do
horário de trabalho, para passeios, para o esporte, ou noitadas no fim
de semana, ou no período de férias. Os museus seriam um desses espaços
alternativos para viver.
Segundo o Conselho Internacional de
Museus (ICOM:1987:3) “o museu é uma instituição permanente, sem
finalidade lucrativa, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento,
aberta ao público, voltada à pesquisa dos testemunhos materiais do homem
e de seu entorno, que os adquire, conserva, comunica e, notoriamente,
expõe, visando estudos, educação e lazer”.
Os museus nasceram, em geral, de uma
profunda paixão, que alguém materializa ao reunir formas e superfícies
ligadas ao mundo natural ou à cultura material criada pelo homem.
Constitui-se, assim, a base indispensável, o acervo, para então ser
implementado um processo permanente de trabalho museológico, que abarca
distintos campos, como o patrimonial, o investigatório, o educacional, o
comunicacional, o preservacional e o dos estudos específicos da
tipologia do museu (LOURENÇO, 1997:7).
Ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX,
os museus desenvolveram e vem aperfeiçoando toda uma metodologia de
trabalho, definindo os diferentes momentos do trato curatorial dos
objetos, coleta, conservação, documentação, exposição e ação educativa.
Numa visão interdisciplinar, organizacional e processual. Esse
aprimoramento nos leva a uma relação maior com a atividade do Turismo e
do Lazer que podem contar cada vez mais com os Museus como atrativos
turísticos e locais de recreação.
Espaço e museus: por um patrimônio
integral
Devemos ressaltar sobretudo que, em
uma sociedade de consumo como aquela em que vivemos, os museus
constituem-se em um segmento de mercado importante, seja enquanto
consumidores de uma imensa série de produtos, equipamentos e serviços,
sejam enquanto criadores de estímulos para o turismo cultura. Os museus
fixam-se como espaços da cultura e como tal um espaço consumível.
Apesar de todos os problemas e
descaminhos, os processos museais brasileiros não podem ser desprezados
por aqueles que falam em preservação, desenvolvimento sustentável,
globalização cultural e exclusão social. Para cada uma destas esferas,
comuns aos dilemas contemporâneos, os museus têm implicações e
responsabilidades muito definidas. Equilibrando-se, muitas vezes, entre
os compromissos com a salvaguarda e comunicação das referências
patrimoniais, as instituições musicológicas podem colaborar com a
difícil tarefa de explicar o Brasil e, ao explicar como somos, nos ajuda
a entender e respeitar os que são diferentes de nós.
“Essa historicidade do homem, de
que ele se faz cada vez mais consciente ao mesmo tempo em que conhece
sua finitude, leva-o a aspirar a sua transcendência. Essa transcendência
que ele só irá encontrar no sonho que arquitetou, na Ciência que
produziu, no artefato que logrou construir, na compreensão que deu aos
objetos do mundo ao seu redor, naturais ou modificados pelo seu
trabalho; este registro e este trabalho que irão se agasalhar nos
museus, sob a forma de objetos e artefatos, marcando a perenidade da
ação e da inteligência compreensiva e modificadora do homem, aquilo que
marca a sua transcendência e redime a sua finitude” (RÚSSIO,
1979).
Analisando as palavras de RÚSSIO,
poderíamos dizer que é uma boa definição de patrimônio integral,
situando os museus como espaço de cultura dos homens onde seus
pertences, sua cultura materializada pode ser revistada constantemente.
Os museus assumem o papel de poderosos meios educativos ao alcance da
atividade turística e recreacional.
Considerando alguns pontos
Concordamos com BRUNO (1996:12)
“Os museus brasileiros tem contribuído para melhor compreensão deste
universo caleidoscópio que envolve o ‘meio’ e a ‘raça’ deste território
e desta nação, serviram em alguns momentos como expressão de um projeto
nacional, e tem demonstrado a multiplicidade de formas e cores que na
base dos distintos processos criativos que aproximam e misturam as
influências nativas, africanas e européias. Cabe destacar, ainda, que os
Museus desse país nos têm ajudado a compreender o que somos, a conhecer
a Ciência que produzimos e a arte que elaboramos da mesma forma, estas
instituições registram nossas fronteiras geográficas, sinalizam em
direção à contribuição dos imigrantes e nos permitam conhecer a
longevidade dos nosso povos”.
Entretanto temos uma formação em
Museologia deficitária, poucos cursos nos níveis de extensão, graduação
e pós-graduação. A disciplina Museologia também não é muito comum nas
grades de outros cursos. Os cursos de Turismo, dada a relação e a
necessidade de trabalhar com os Museus e o Patrimônio - atrelado ao
crescimento desse setor universitário - poderiam colocar em sua grade
esta disciplina. Inicialmente teríamos a falta de profissionais, isso
poderia forçar o desenvolvimento da Museologia no Brasil.
Portanto atuar em relação à formação
teórica, nos dias de hoje da Museologia, significa preparar os
indivíduos para o trabalho ‘sobre o outro’, ‘com o outro’ e ‘para o
outro’, a partir do conceito de patrimônio integral, sem esquecer o peso
e a importância das coleções e das instituições museológicas
tradicionais.
Referências
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algumas idéias para a sua organização disciplinar. In Cadernos de
Sóciomuseologia, n. 09, Universidade Lusófona de Humanidade e
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Lusófona de Humanidade e Tecnologia, Lisboa, 1997 (p.13-20).
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Empírica do Lazer" [tradução Silvia Mazza e J.Guinsburg]. São Paulo,
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Paulo: Sesc, 1980.
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ICOM, 1987.
KRIPPENDORF, Jost. Sociologia do
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sempre. In
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RODRIGUES, Adyr Balestreri.
Turismo e Espaço – Rumo a um conhecimento transdisciplinar. 2ª
edição. São Paulo: Hucitec, 1999.
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profissionais de museus: desafios para o próximo milênio. Anais,
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