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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 05 de março de 2008 23:19:26                                               

 
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TURISMO

O potencial da "Cidade de Pedras" para incrementar o Ecoturismo em Pirenópolis-GO

   
Boanerges Candido Da Silva - CEFETGO/UTFPR
Maclovia Correa da Silva - UTFPR
Bianca Ortiz Redez Da Silva - UNIFSC
Júlio César Caixeta – CEFETGO
Luciana Ananias Maia - UFPR

Resumo 

Local: cachoeira em PIRENÓPOLIS, Centro-Oeste do Brasil.O Planalto Central é fortemente influenciado pela presença da Capital Federal que promoveu inúmeras melhorias na infra-estrutura e na rede urbana regional. O município de Pirenópolis-GO, por estar situado entre Brasília-DF e Goiânia-GO se beneficia destes melhoramentos. A cidade de Pirenópolis já possui tradição na exploração do Turismo, estando aparelhada com uma boa rede hotéis e pousadas e demais serviços de apoio aos visitantes. A localização geográfica do município de Pirenópolis-GO permite que esta cidade receba um intenso fluxo de visitantes oriundos de Brasília-DF e Goiânia-GO. Existem várias atrações no município, a “Cidade de Pedras” é um dos atrativos e apresenta condições ideais para a pratica do Ecoturismo[1]. O destaque são os monumentos de pedra esculpidos pela natureza. O Ecoturismo pode promover a inclusão social e ajudar no resgate da economia local, não podendo ser desprezado como alternativa de desenvolvimento. A “Cidade de Pedras” e os demais atrativos turísticos existentes no município geram oportunidades para empreendimentos que exploram o Turismo e para as atividades de apoio a sua pratica. O Ecoturismo representa uma opção à exploração agropecuária e a mineração, setores econômicos tradicionais no município, com o ganho adicional de ser uma atividade que provoca impactos ambientais mínimos.

 

Palavras Chaves: Ecoturismo, exploração sustentável, atrativo natural, Cidade de Pedras, Desenvolvimento Econômico. 

 

Introdução 

            A constatação, nas últimas décadas do século passado, de que o problema ambiental era grave, permitiu que à sociedade despertasse para a questão e atentasse para os danos causados aos recursos naturais pelas atividades econômicas tradicionais.

 

Na segunda metade do século XX, com a intensificação do crescimento econômico mundial, os problemas ambientais agravaram-se e começaram a aparecer com maior visibilidade para amplos setores da população, particularmente dos países desenvolvidos, os mais afetados pelos impactos provocados pela Revolução Industrial (DIAS, 2003, p. 30).

 

            A conscientização da sociedade e das autoridades, a respeito das questões ambientais estimularam ações no sentido de preservar a natureza. O Turismo se privilegiou desta nova tendência, pois é uma atividade que produz pequenos impactos à natureza e permite a utilização dos recursos naturais sem promover uma degradação irreversível dos mesmos. “A valorização que o turismo sofreu ao longo dos últimos anos faz parte de um processo social abrangente. Esse processo envolve justamente novas formações econômicas que, com o auxílio de novas tecnologias, produziram novos estilos de vida [...]” (TRIGO, 1999, p. 21).

            A nova forma de encarar os recursos naturais motivou o aparecimento de um novo segmento de exploração turística, o Ecoturismo que uniu a proteção aos recursos naturais com o Turismo. "A proteção ao meio ambiente nos últimos anos foi incorporada pelo turismo numa junção de ‘eco’, de ecologia, com a palavra ‘turismo’, dando origem a uma nova modalidade: o ecoturismo" (BARBOSA, 2001, p. 47).

A partir da década de 1980, os países periféricos passaram a receber dos organismos internacionais, recomendações no sentido de promoverem a exploração dos seus atrativos naturais para a prática do Turismo, como forma de superarem a estagnação e o atraso econômico que afeta a economia destas nações.

 

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, afirmava que nessa atividade concentrava-se um potencial de crescimento quase ilimitado, e tanto o Banco Mundial como as Nações Unidas lançaram-se a promovê-la nos países em desenvolvimento (DIAS, 2003, p. 13).

 

            Na atividade turística, a exploração sustentável pode ser entendida como um direito do cidadão, de acordo com o expresso na Constituição Brasileira de 1988[2], que em seu artigo 225 estabelece:

 

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Para assegurar este direito, incumbe ao Poder Público, dentro outros mecanismos, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

 

            A cidade de Pirenópolis-GO, devido a sua localização geográfica próxima a Brasília-DF e a Goiânia-GO, se beneficia da boa infra-estrutura de transportes e telecomunicação, proporcionada pela presença da Capital Federal. Os atrativos naturais existentes em seu território permitiram a exploração do Turismo, que representa uma alternativa para o desenvolvimento local e a superação da histórica estagnação econômica desta localidade.

            O Turismo tradicional apresenta muitos problemas relacionados à utilização dos recursos naturais. “Podemos afirmar que o turismo moderno é filho legitimo da Revolução Industrial, desta herdou a racionalidade capitalista de consumir os recursos naturais para obtenção de renda” (DIAS, 2003, p. 14). E esta realidade é fonte de preocupações crescentes na sociedade atual.

            O Turismo tradicional necessita de transformações e o Ecoturismo se apresenta como uma alternativa a este modelo. Porém a reforma necessita ser profunda “[...] e não se deixar levar pela sedução do plano discursivo destinado a apaziguar consciências, criar novos consumidores sofisticados ou maximizar novas tendências ideológicas [...]” (RIBEIRO & BARROS, 2001, p. 39).

 

 

A relação da cidade de Pirenópolis-GO com a atividade turística

 

            O Poder Público e a população de Pirenópolis-GO já possuem uma relação com a atividade turística. A exploração econômica do setor turístico tem revertido em melhorias significativas para o município e como veremos adiante os resultados são consideráveis.

            O município possui uma boa infra-estrutura urbana e uma rede de serviços destinados a permitir o bem-estar dos visitantes, como: o Centro de Atendimento ao Turista – CAT, pousadas e hotéis capazes de satisfazer desde os visitantes menos exigentes e os mais requintados, muitos restaurantes e bares e vários eventos ao longo de todo o ano.

            A cidade de Pirenópolis-GO foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN em 1988, por se tratar de um sítio especial, requer uma exploração econômica do Turismo que encontre um meio termo entre o crescimento da visitação e da implantação de infra-estrutura necessária para o atendimento do turista e a preservação dos atrativos turísticos do município.

            A análise dos atrativos é importante, pois alguns deles possuem a capacidade de despertar lembranças das questões importantes à comunidade local, estes sítios possuem a propriedade de serem símbolos da cidade. Matriz da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Ponte de Madeira são dois bons exemplos.

As características dos edifícios e as áreas de grande beleza natural despertam espontaneamente emoções, que com o passar do tempo podem estar sendo esquecidas e perdidas parte do legado histórico-cultural-natural. As lembranças fazem parte do passado e através delas nos dele apropriamos da nossa história e entendemos a nossa cultura.

 

A memória – faculdade tão importante para a construção da cultura que ganha forma de uma deusa entre os antigos gregos – vai ser também uma capacidade seletiva: para se lembrar é preciso esquecer. Este nos parece ser o mecanismo que rege as políticas de preservação do patrimônio, que, implementadas tradicionalmente pelos estados, visa à construção de uma identidade nacional. Também trabalham com a dialética lembrar-esquecer: para se criar uma memória nacional, privilegiam-se certos aspectos em detrimento de outros (CASTRIOTA, 2003, p. 186).

            Os benefícios do desenvolvimento da atividade turística estão presentes em Pirenópolis-GO e são usufruídos pela população. A cidade após o início da exploração do Turismo recebeu mais atenção do poder público estadual e municipal, que investiram na melhoria dos serviços públicos, da infra-estrutura e no melhor aparelhamento municipal para o atendimento de novas exigências e necessidades.

 

A presença dos turistas leva o Poder Público a adaptar seu comportamento às novas necessidades. Não são mais aceitas falhas no fornecimento de água e luz. A rede de esgoto e o recolhimento de lixo são medidas que devem ser tomadas de imediato. As estradas recebem pavimentação. Os terminais aéreo e rodoviário modernizam-se. Quem viaja sempre aprende mais, mas quem recebe o turista também transmite e assimila novos conhecimentos (OLIVEIRA 2003, p. 46).

               

            Após o “boom” do Turismo ocorrido na década de 1990 no município de Pirenópolis-GO, muitas melhorias ocorreram na cidade, como construção e recuperação das vias de acesso, ampliação da estação rodoviária e do aeroporto, a dinamização da vida cultural com a realização de inúmeros festivais, shows musicais, encontros e competições dos chamados esportes radicais, além das muitas festas locais, reforma do teatro e do cinema e a construção do cavalhodromo.[3]

            A cidade de Pirenópolis-GO, conta hoje com um campus avançado da Universidade Estadual de Goiás – UEG, onde são ministrados cursos de História, Geografia e Pedagogia. A presença desta instituição universitária faz da cidade um pólo educacional na 12ª micro-região do Estado de Goiás onde está localizada, atraindo estudantes das cidades próximas.

 

           

Brasília e as transformações sócio-ambientais na região do “Entorno” do Distrito Federal

 

            A partir de meados do século passado o processo de urbanização do Brasil dava os primeiros passos em direção a situação atual caracterizada pela presença de um percentual superior a 80% da população, residindo nos centros urbanos segundo o Censo de 2000 e Contagem Populacional de 2005 do IBGE.        

            O Planalto Central Brasileiro sofreu muitas transformações a partir da inauguração de Brasília em 21-04-1960. Até então era uma região onde predominavam os vazios demográficos. A construção de estradas ligando a capital federal aos demais centros nacionais, permitiu o crescimento econômico e a atração de migrantes (MOREIRA, 2002).

            Entre outras características daquele momento, existia uma forte tendência de interiorização da população, ainda hoje, muito concentrada nas regiões litorâneas do país. “A construção de Brasília no Planalto Central, reforçando as políticas de interiorização do país, teve grande impacto político, econômico e social nas áreas do cerrado” (SOARES & BESSA, 1999, p. 14).

            A nova capital promoveu transformações regionais compatíveis com as políticas de desenvolvimento e de urbanização pós 1960, que entre seus objetivos estava a ocupação dos vazios demográficos existentes no interior do país. “A população urbana do Centro-Oeste cresceu 780% em apenas três décadas, o que mostra o forte impacto do crescimento populacional da população urbana, fruto do êxodo rural e das migrações inter-regionais” (MMA, 1998b, p. 18).

            A urbanização acelerada na região ocorreu de forma desordenada como nas demais áreas urbanas do nosso país, gerando exclusão social e sendo um processo que "[...] se apresenta como uma máquina de produzir favelas e agredir o meio ambiente" (MARICATO, 2001, p. 39).

 

Há uma forte relação entre problemas ambientais e problemas sociais no país, em que a realidade do cerrado se destaca, trazendo reflexos diretos para a estrutura urbana que aqui interessa mais especificamente. A realidade do Distrito Federal e do entorno é basicamente interessante, do ponto de vista sociológico, para a compreensão de como os espaços urbanos e o meio ambiente são tratados na região do cerrado (BRAGA & PIRES, 2002, p. 32).

 

            A degradação ambiental e a exclusão social resultante da desigual distribuição dos benefícios advindos do crescimento econômico é outro problema sem solução. “Nas periferias das grandes cidades, a massa de imigrantes que não consegue tirar seu sustento da terra produz e reproduz forte impacto ambiental e social” (MMA, 1998b, p. 18), esta situação tem sido reproduzida em grande velocidade nas áreas de cerrado.

 

O Cerrado é a cara do Brasil. Cidades inchadas, favelas, campos arrasados pelas máquinas e povoados por bois, soja, cercas. Idealizado como celeiro que aliviaria a nossa penúria, o cerrado se converteu em grande exportador de víveres. Na mesma proporção em cresce a produção, aumenta também a degradação, do ambiente e das condições de vida (BURSZTYN, 2002, p.09).

 

Até a década de 1960, a rede urbana do Planalto Central foi estabelecida em função da baixa densidade demográfica e da estagnação econômica, presentes na região devido aos grandes latifúndios e a pecuária. "Anteriormente a rede urbana das áreas de cerrado apresentava-se desarticulada, ou seja, com pequena integração interna, [...]" (SOARES & BESSA, 1999, p. 15).

            Em razão das melhorias ocorridas no sistema infra-estrutura: redes de telecomunicações, de transporte rodoviário e aéreo na região central e de linhas de crédito rural subsidiado a taxas de juros muito abaixo do mercado; injeção de recursos federais e formulação de políticas de integração e desenvolvimento e do acelerado processo de urbanização geraram um importante fluxo intra-regional de pessoas, promovendo uma demanda turística que foi e continua sendo um dos motores da dinamização da economia do Planalto Central Brasileiro (DUARTE, 2002).

 

É necessário destacar que recentemente a atividade turística, seja rural, cultural ou ecológica, está se tornando uma alternativa para o desenvolvimento sustentável das pequenas cidades do cerrado, pois apresenta novas possibilidades de crescimento regional. (SOARES & BESSA, 1999, p. 26).

 

                A modernização do campo ocorrida nas últimas décadas aumentou a exclusão social e a concentração de terras, tendo promovido o desenvolvimento e o crescimento econômico no Centro-Oeste brasileiro, porém “Os padrões de produção sobre os quais se deu o crescimento econômico nos cerrados são dificilmente sustentáveis em longo prazo uma vez que concentram a renda e a estrutura fundiária, produzem impactos ambientais cumulativos e perigosos [...]” (DUARTE, 2002, p. 18).

                A desagregação sócio-econômica das populações locais e o desaparecimento das culturas de subsistência, decorrentes deste processo “[...] são estimuladores do êxodo rural e da ocupação desordenada de novas áreas rurais e urbanas, resultando em exclusão e em condições socioeconômicas e ambientais negativas, sobretudo para as camadas mais pobres da população” (DUARTE, 2002, p. 18).

 

 

Localização geográfica e descrição dos principais atrativos de Pirenópolis-GO

 

                O município de Pirenópolis-GO está localizado no Entorno do Distrito Federal, na região de maior concentração populacional do Centro-Oeste brasileiro e possui em seu território muitos atrativos naturais, culturais e históricos tendo um imenso potencial para a exploração do “Ecoturismo”. Como este segmento do Turismo vem crescendo em ritmo acelerado em todo o mundo existe a possibilidade desta atividade ajudar na superação do processo de estagnação da economia local.

            O município e cercado por formações serranas, com dezenas de cachoeiras, a cidade, mantém seu aspecto antigo e bucólico, o povo receptivo e hospitaleiro, alegre e festivo convive com um ambiente de extrema beleza natural. A localidade é um retrato vivo da história e da cultura goiana.

            A principal atividade econômica é a extração de pedra para piso, a nacionalmente famosa Pedra de Pirenópolis. A agropecuária é outro setor importante apresentando uma forte participação na economia do município, hoje em dia já podemos colocar o Turismo como terceira atividade em importância.

            A cidade possui atrações para todo o tipo de público. Passeio pelo Centro Histórico, onde estão situadas as igrejas centenárias, o museu, o teatro, o cine Pireneus, lojas de artesanato e exposições de arte. Visitas às inúmeras cachoeiras e ao mirante, caminhadas pelo cerrado, visitas aos picos na Serra dos Pireneus, as fazendas históricas onde é servido o típico café tropeiro, as reservas naturais.

            A gastronomia também é um importante atrativo. Existem vários restaurantes que servem a tradicional comida goiana, com os seus inúmeros pratos típicos, como a galinhada com pequi[4], doces e licores regionais fazem parte do cardápio, existem muitos bares e restaurantes onde é oferecido aos freqüentadores música ao vivo.

            Os esportes radicais estão presentes e com muito destaque em Pirenópolis-GO, existem muitas pistas e trilhas apropriadas para a prática destes esportes onde são realizadas várias competições de: mountain bike, bóia cross, canoagem, rapel, moto cross, rali, caminhadas, cavalgadas entre outras opções.

            Entre os atrativos naturais do referido município à Cidade de Pedras se destaca, monumento natural de rara beleza, possui inúmeras esculturas de pedra, formadas pela natureza com as mais variadas formas.

 

©2006 Fotos: Rogérios Alves

 

 

Caracterização, descrição e localização da Cidade de Pedras de Pirenópolis-GO

 

            A Cidade de Pedras é um importante recurso natural do município de Pirenópolis-GO, trata-se de um sítio natural de rara beleza recentemente (re) descoberto, poderá se tornar um grande atrativo turístico para a exploração do Ecoturismo, pois apresenta todas as características que despertam o interesse dos adeptos dessa modalidade de Turismo. O potencial para a criação de um pólo para a prática do dessa modalidade turística é grande, devido à beleza dos monumentos de pedra esculpidos pela natureza existentes na localidade.

            O monumento natural é conhecido desde 1841, quando foi descoberto pelo médico naturalista François Henry Trigant des Genettes. Ficou esquecido durante anos, trata-se de uma a gigantesca formação geológica que apresenta inúmeras esculturas naturais reproduzindo as mais variadas formas, como: animais, seres humanos, formas geométricas, etc.

            A formação geológica ficou esquecida durante anos, em 2004 o Governo do Estado de Goiás, patrocinou uma expedição composta: de geólogos, ambientalistas e outros profissionais interessados no potencial turístico da localidade.

            Conforme informações obtidas no Centro de Atendimento ao Turista de Pirenópolis-GO, em setembro de 2005 a Agência Ambiental do Estado de Goiás está elaborando um plano de manejo com o objetivo de transformar a área em uma Unidade de Conservação do Patrimônio Natural, só após a conclusão destes estudos será permitida a visita de turistas. 

            A Cidade de Pedras está localizada a 51 km do Centro Histórico de Pirenópolis-GO e são necessários cerca de 90 minutos para chegar até o local, às vias de acesso estão em bom estado de conservação, com exceção dos últimos 5 km que apresenta dificuldades para o tráfego de automóveis de passeio, realidade constatada pelos autores em visita realizada ao local em setembro de 2005.Ver mapa abaixo[5]:


 

           

 

 

 

 

 

 

A localização geográfica da Cidade de Pedras, próxima ao município de Cocalzinho-GO, cerca de 4 Km, permite a criação e o desenvolvimento de atividades para o apoio aos visitantes possibilitando o crescimento do comércio de artesanato, bares, restaurantes, hotelaria e a exploração da venda de combustíveis para automóveis, etc., também neste município.

                A população das áreas conurbadas[6] a Brasília-DF e Goiânia-GO que também passaram por intenso processo de urbanização nas últimas décadas como podemos observar nos dados da tabela abaixo, se apresenta como o publico alvo de projetos para a exploração econômica do Ecoturismo na Cidade de Pedras.

  

Evolução da população em Brasília-DF, na RIDE[7], Goiânia-GO e Região Metropolitana de Goiânia [8] (1960-2005).

MUNICÍPIOS

1960

1970

1980

1991

1996

2000

2005

Brasília

  139.796

  538.351

1.176.935

1.596.274

1.821.946

2.051.146

2.333.108

RIDE

115.953

161.386

 246.039

353.976

635.573

815.522

1.029.832

Goiânia

  151.013

  381.055

   714.174

   920.257

1.003.477

1.093.007

1.201.006

RM de Goiânia

-

-

-

1.312.709

-

1.743.297

2.013.073

Total

406.762

1.080.792

2.137.148

4.183.216

3.460.996

5.702.972

6.577.019

Fonte: FIBGE[9], Censos Demográficos, 1960-2000. FIBGE. Contagem Populacional 1996 e 2005.     

 

            À distância entre as duas capitais, aproximadamente 200 Km e a posição geográfica de Pirenópolis-GO, distando cerca de 120 Km de cada capital, combinada com a concentração populacional nesta área, atualmente superior aos 6,5 milhões de habitantes, permite que a localidade receba um intenso fluxo de visitantes, concentrado nos finais de semana, com o aumento da visitação nos feriados prolongados e nas datas festivas do município: Cavalhadas, Festa do Morro, Festival de Inverno, etc.

 

 

Ecoturismo como opção de lazer no Entorno do Distrito Federal

 

            A mudança da capital promoveu a urbanização acelerada do Planalto Central e influenciou muito na formação de uma importante demanda turística nesta região, especialmente do Turismo de lazer.

            Brasília está muito afastada do litoral, o principal lazer dos primeiros moradores, os funcionários públicos cariocas, a praia, ficou impraticável devido as grandes distâncias a serem percorridas, combinadas com as dificuldades de transporte existentes naquele momento histórico, motivou a procura de alternativas próximas e menos dispendiosas.

            Nas áreas do "Entorno" do Distrito Federal, novas alternativas de lazer foram encontradas, os atrativos naturais existentes na região como: cachoeiras, rios e lagos, grutas, cavernas, antigas fazendas, manifestações culturais como: as festas religiosas e folclóricas, as cidades históricas e a gastronomia são algumas atrações da região.

            Impulsionada pela demanda de lazer criada por estes novos habitantes da região, a atividade turística tornou-se uma importante vertente de desenvolvimento econômico no Centro-Oeste, especialmente nas cidades, localizadas no Entorno do Distrito Federal, em algumas destas localidades o turismo “[...] está se tornando uma alternativa para o desenvolvimento sustentável, [...]" (SOARES & BESSA, 1999, p. 26).

            O Ecoturismo tem experimentado um forte crescimento na região e esta pratica representa um avanço em relação ao Turismo tradicional, pois as posições sobre os recursos naturais são bem definidas, apesar dos problemas sem solução referente ao choque cultural e a má distribuição da renda gerada junto às populações locais.

O Turismo Ecológico é uma prática adotada, principalmente, entre os grupos sociais que possuem maior poder aquisitivo e melhor formação educacional. “[...] este novo tipo de turismo é maior nos grupos sociais identificados com as camadas médias urbanas mais intelectualizadas, que são mais sensíveis às repercussões dos impactos do turismo tradicional ao meio ambiente" (DIAS & AGUIAR, 2002, p. 97).

            Os atrativos naturais passaram a serem compreendidos pela população como recursos que possuem valor econômico e financeiro. Passaram a um novo patamar sendo valorizados e protegidos na perspectiva da obtenção de lucros com a sua exploração. "O turismo se torna aquele ingrediente que transforma o processo e faz com que os recursos mereçam ser preservados e protegidos, porque representam o futuro e a condição de vida para as novas gerações" (BARROS, 2000, p. 91).

 

O ecoturismo é necessariamente uma atividade de baixo impacto ambiental. O turista procura satisfazer necessidades legítimas de repouso, diversão, recreação e cura, além das necessidades intelectuais, espirituais e de conhecimento. De fato, a natureza oferece tudo isto. Mas, quando observamos o perfil do ecoturista brasileiro, percebemos que, para ele, muitas vezes a natureza é apenas um objeto a ser vendido, e não usufruído (FURLAN & NUCCI, 1999, p. 101).

 

            O Turismo Ecológico é uma atividade que tem o potencial necessário para promover a inclusão social e o resgate econômico das pequenas cidades do Planalto Central, sendo uma prática menos agressiva aos recursos naturais que a agricultura, a pecuária e a extração de recursos minerais, atividades tradicionalmente desenvolvidas na região dos cerrados.

            O meio ambiente é o principal produto do Ecoturismo, ele é o ingrediente para a atração dos turistas e a sua conservação é fundamental para manter esta capacidade, portanto existe a necessidade do envolvimento da população no processo de planejamento e exploração dos recursos naturais.

            O Ecoturismo, no final do século passado, experimentou um grande desenvolvimento, a partir da década de 1990 "o boom do ecoturismo é tal que em todo o mundo surgiram destinos ecoturísticos, que oferecem atividades e projetos relacionados com a interação homem-natureza" (DIAS, 2003, p.103).

 

O ecoturismo é o segmento que mais cresce no mundo. Representa hoje 8% do mercado global. No Brasil, onde existe cerca de 200 agências de ecoturismo, o crescimento é de 30% ao ano. A maioria do público das agências de ecoturismo tem entre 25 e 35 anos, é formada por solteiros com curso superior; 75% são mulheres (FURLAN & NUCCI, 1999, p. 101).

 

            Segundo dados da Embratur, o Turismo tem influência e ligações com 53 segmentos distintos da economia, sendo, portanto uma atividade econômica que gera um grande número de empregos indiretos. “Estimativas indicam que o turismo é a maior indústria mundial. Nos países em desenvolvimento, é o único setor econômico com superávit. [...] A Embratur demonstra que o setor de turismo no Brasil alcançou 4% do PIB nacional [...]” (MONTORO, 2003, p. 16 e 17).

            Diante desta dimensão o Ecoturismo ganha importância com opção econômica para romper com o atraso e a estagnação econômica dos pequenos municípios das áreas do cerrado. Em Pirenópolis-GO esta atividade tem todo um potencial a ser explorado, representado pela Cidade de Pedras e pelos demais atrativos existentes no município, além da clientela constituída pelos habitantes da região que anseiam por este tipo de lazer.

 

 

Planejamento e exploração sustentável da Cidade de Pedras de Pirenópolis-GO

 

            A Cidade de Pedras de Pirenópolis-GO é um sítio com um enorme potencial para a exploração do Ecoturismo, e a capacidade de gerenciar a atividade turística dos agentes econômicos no município é incontestável, o resultado alcançado no Turismo tradicional, demonstra o sucesso dos empresários e do poder público local na gestão do setor turístico.

            Existe, portanto, todas as condições necessárias para a exploração econômica do Turismo Ecológico na Cidade de Pedras, que mesmo antes de estar liberada para a visitação já desperta a curiosidade e interesse de muitos adeptos do Ecoturismo.

            A Agência Ambiental de Goiás está desenvolvendo estudos e formulando junto com a comunidade um plano de manejo para transformar a região em uma Unidade de Conservação do Patrimônio Natural de Pirenópolis-GO, para viabilizar a visitação pública e também permitir novos estudos e pesquisas sobre a Cidade de Pedras. Atualmente o acesso à localidade se encontra proibido, conforme informações obtidas junto ao Centro de Atendimento ao Turista - CAT, órgão da Secretaria de Turismo e Cultura do Município.

                A decisão de realizar estudos para formular um plano de manejo mostra-se extremamente apropriada, pois existem vários aspectos a serem considerados, todos relacionados com a preservação deste importante patrimônio natural. A exploração não pode ser realizada nos moldes tradicionais, pois uma utilização intensiva deste atrativo pode levar a uma degradação irreversível da área.

 

[…] a exploração desordenada dos recursos naturais para fins turísticos, embora tenha gerado e continue gerando dividendos econômicos para muitas regiões, provoca tal impacto no meio ambiente que pode acabar com os mesmos recursos naturais que motivaram a demanda turística (DIAS, 2003, p. 24).

 

            A exploração econômica sustentável deste patrimônio natural requer uma preparação da área para a recepção dos turistas, pois ao mesmo tempo em que a atividade pode proporcionar o crescimento do Ecoturismo, no município de Pirenópolis-GO, também pode criar um processo de destruição dos recursos e atrativos naturais existentes na área.

            É preciso entender que é importante o planejamento e a preparação da área de maneira que os impactos fiquem “[...] dentro de limites aceitáveis, para que não provoque modificações ambientais irreversíveis e não prejudique o prazer do visitante ao usufruir o lugar” (DIAS, 2003, p. 21).

 

[…] impõe-se à necessidade de se instituírem novas formas de exploração dos recursos naturais para fins turísticos, que levem em consideração as limitações de uso do atrativo e as condições de manutenção de sua existência de forma duradoura, para que futuras gerações possam usufruir o mesmo benefício (DIAS, 2003, p. 25).

 

            A exploração do Ecoturismo na Cidade de Pedras pode criar diversas oportunidades econômicas, tanto para o meio empresarial como para os demais segmentos da população local, gerando ocupações profissionais novas, como guias turísticos ou condutores de visitantes, proprietários de pousadas, artesãos, vendedores, donos de bares e restaurantes, etc. Atividades que são mais rentáveis e lucrativas que as tradicionalmente praticadas no município de Pirenópolis-GO.

            Contudo é necessário evitar que ocorra uma periferização da população local, “[...] de maneira que o contato entre visitantes e nativos, a inserção destes na paisagem urbana, aconteça apenas em obediência às necessidades da produção, consumo e da prestação de serviços aos turistas” (MENDONÇA, 2003, p.43).

            O poder público pode contribuir para o crescimento do Ecoturismo em Pirenópolis-GO, mas existe a necessidade da integração de toda a sociedade para se alcançar este objetivo. Todos os envolvidos no processo precisam desenvolver ações graduais e permanentes na conservação dos atrativos naturais e turísticos do município.

 

O governo pode criar políticas, leis e incentivos ao turismo, melhorar a segurança do local, promover a preservação da natureza e da cultura locais, providenciar melhoria ou construção de amplo sistema de transporte para o fluxo de turistas, contribuir para um sistema de promoção e divulgação dos locais, fornecer infra-estrutura básica como redes de água e esgotos. A iniciativa privada pode providenciar os alojamentos e a comunidade local pode aprender a hospitalidade (DIAS & AGUIAR, 2002, p. 76).

 

            A falta de uma ação integrada destes três segmentos: Governo, iniciativa privada e população local podem refletir na conservação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico centrado na exploração dos recursos naturais em Pirenópolis-GO. Promovendo uma sistemática degradação dos atrativos naturais.

             Muitos problemas referentes à conservação estão relacionados à falta informação sobre a importância destes recursos, pois muitas vezes a sociedade não consegue entender que cuidar e proteger a natureza, para prática do Turismo e do Ecoturismo vale a pena porque representa ganhos financeiros.

 

O turismo tem tido efeito positivo na preservação da vida selvagem e nos esforços de proteção, […] Numerosas espécies de animais e plantas estariam extintas ou em rápido processo de extinção se não se tivessem tornado atrações turísticas. Muitos países, devido a isso, cuidam das reservas de vida selvagem como importante fonte de receita, e ainda criam leis bastante restritivas, protegendo os animais que encantam os turistas. Como resultado dessas medidas, muitas espécies ameaçadas recuperam-se e podem estar a salvo de um perigo imediato (DIAS, 2003, p. 99).

 

            Mesmo existindo a consciência nas pequenas comunidades da necessidade de dinamização econômica e do desenvolvimento local, devido às carências históricas, nunca superada em algumas áreas do Planalto Central, o contato com a realidade transformadora representada pelo Turismo provoca um choque cultural, levando uma parte importante destas localidades a resistirem às mudanças representadas pela chegada do turista.

 

 

Conclusão

 

                A transformações ocorridas no Centro-Oeste foram muitas: a intensa urbanização, a implantação de infra-estrutura, a dinamização da economia regional através de novas práticas econômicas como o Turismo, o agro-negócio, a industrialização e o setor de serviços. Todas estas atividades trouxeram muitos benefícios para a região, mas provocaram muitas transformações sócio-ambientais e econômicas, mas da forma como foram implantadas e estruturadas são inviáveis em longo prazo.          

            A exploração econômica da atividade turística já é uma realidade em alguns pequenos municípios localizados na região denominada Entorno do Distrito Federal. Estas localidades procuram explorar os atrativos naturais, históricos e culturais existentes na região. Dinamizando a economia e vencendo a histórica estagnação econômica existente na região do Cerrado.

            O poder aquisitivo da população de Brasília-DF e de Goiânia-GO permite os deslocamentos de parte dela, em busca de lazer e diversão promovendo a injeção de recursos financeiros nos municípios localizados na região denominada Entorno do Distrito Federal.

            No caso de Pirenópolis-GO especificamente, os belos atrativos naturais, históricos, culturais e o roteiro gastronômico existente permitem que a cidade se beneficie da proximidade com Brasília-DF e Goiânia-GO, pois a localização privilegiada permite um fluxo regular de visitantes durante os fins de semana e feriados para este município.

            O Ecoturismo tem sido o segmento da atividade turística que mais atraí novos adeptos e as belezas naturais do Planalto Central, são atrativos, que bem aproveitados podem incrementar o crescimento desta modalidade de Turismo na região, o contingente populacional em torno de 6,5 milhões de habitantes, favorece muito a exploração e a implantação de projetos turísticos e ecoturísticos nas pequenas cidades do Entorno de Brasília-DF e Pirenópolis-GO tem se aproveitado desta oportunidade.

            A exploração econômica do Ecoturismo na área denominada Cidade de Pedras pode proporcionar um caráter mais dinâmico à economia do município de Pirenópolis-GO, incrementando o crescimento econômico a partir de uma atividade com baixo poder de degradação ambiental e adequada aos tempos modernos e aos novos parâmetros de desenvolvimento almejados pela sociedade.

            A geração de empregos neste setor pode representar a solução para o problema do desemprego com a abertura de postos de trabalho no município de Pirenópolis-GO, estimulando a fixação do cidadão natural, desta localidade, em sua própria região diminuindo a migração em direção a centros urbanos maiores.

            Apesar de reações contrárias de alguns segmentos da população, é possível constatar que a maioria é acolhedora, recebendo com cordialidade os turistas. A aprendizagem para o convívio com esta nova realidade vem ocorrendo lentamente, os proveitos econômicos do novo momento que vive a cidade foram assimilados pela população e influenciam o seu comportamento.

 

 

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TRIGO, L. G. Turismo e Qualidade: Tendências contemporâneas. Campinas, Papirus, 1999.


 

[1]  Os termos Turismo, Turismo Ecológico e Ecoturismo, nesse artigo serão grafados com letras maiúsculas para destacar a importância dessas atividades.

[2] Constituição Brasileira, Imprensa Nacional, 1988.

[3] Local apropriado para as apresentações das Cavalhadas, que retratam as lutas entre os cristãos e os mouros.

[4] Árvore muito grossa e própria dos cerrados possui frutos oleaginosos e aromáticos, usados como condimento pra arroz e para fabricar licor.

[5] Fonte: (www.pirenopolis.com.br, acesso em 07/05/2007, às 17:14 h).

[6] Cidades que se agrupam num conjunto formado por uma cidade grande ou principal e suas tributárias limítrofes ou agrupamento de cidades vizinhas de importância paralela.

[7] Dados referentes à Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno – RIDE, incluem apenas os municípios goianos que fazem parte da mesma.

[8] A Região Metropolitana de Goiânia-GO foi criada em 30/12/1999 através da Lei Complementar Estadual n° 027.

[9] Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

 

 
 

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