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Resumo
O Planalto
Central é fortemente influenciado pela presença da Capital Federal que
promoveu inúmeras melhorias na infra-estrutura e na rede urbana
regional. O município de Pirenópolis-GO, por estar situado entre
Brasília-DF e Goiânia-GO se beneficia destes melhoramentos. A cidade de
Pirenópolis já possui tradição na exploração do Turismo, estando
aparelhada com uma boa rede hotéis e pousadas e demais serviços de apoio
aos visitantes. A localização geográfica do município de Pirenópolis-GO
permite que esta cidade receba um intenso fluxo de visitantes oriundos
de Brasília-DF e Goiânia-GO. Existem várias atrações no município, a “Cidade
de Pedras” é um dos atrativos e apresenta condições ideais para a
pratica do Ecoturismo.
O destaque são os monumentos de pedra esculpidos pela natureza. O
Ecoturismo pode promover a inclusão social e ajudar no resgate da
economia local, não podendo ser desprezado como alternativa de
desenvolvimento. A “Cidade de Pedras” e os demais atrativos
turísticos existentes no município geram oportunidades para
empreendimentos que exploram o Turismo e para as atividades de apoio a
sua pratica. O Ecoturismo representa uma opção à exploração agropecuária
e a mineração, setores econômicos tradicionais no município, com o ganho
adicional de ser uma atividade que provoca impactos ambientais mínimos.
Palavras Chaves:
Ecoturismo, exploração sustentável, atrativo natural, Cidade de Pedras,
Desenvolvimento Econômico.
Introdução
A constatação,
nas últimas décadas do século passado, de que o problema ambiental era
grave, permitiu que à sociedade despertasse para a questão e atentasse
para os danos causados aos recursos naturais pelas atividades econômicas
tradicionais.
Na segunda
metade do século XX, com a intensificação do crescimento econômico
mundial, os problemas ambientais agravaram-se e começaram a aparecer com
maior visibilidade para amplos setores da população, particularmente dos
países desenvolvidos, os mais afetados pelos impactos provocados pela
Revolução Industrial (DIAS, 2003, p. 30).
A conscientização da sociedade e das autoridades, a respeito
das questões ambientais estimularam ações no sentido de preservar a
natureza. O Turismo se privilegiou desta nova tendência, pois é uma
atividade que produz pequenos impactos à natureza e permite a utilização
dos recursos naturais sem promover uma degradação irreversível dos
mesmos. “A valorização que o turismo sofreu ao longo dos últimos anos
faz parte de um processo social abrangente. Esse processo envolve
justamente novas formações econômicas que, com o auxílio de novas
tecnologias, produziram novos estilos de vida [...]” (TRIGO, 1999, p.
21).
A nova forma de encarar os recursos naturais motivou o
aparecimento de um novo segmento de exploração turística, o Ecoturismo
que uniu a proteção aos recursos naturais com o Turismo. "A proteção ao
meio ambiente nos últimos anos foi incorporada pelo turismo numa junção
de ‘eco’, de ecologia, com a palavra ‘turismo’, dando origem a uma nova
modalidade: o ecoturismo" (BARBOSA, 2001, p. 47).
A partir da década de 1980, os países periféricos passaram a receber dos
organismos internacionais, recomendações no sentido de promoverem a
exploração dos seus atrativos naturais para a prática do Turismo, como
forma de superarem a estagnação e o atraso econômico que afeta a
economia destas nações.
A Organização para a
Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, afirmava
que nessa atividade concentrava-se um potencial de crescimento quase
ilimitado, e tanto o Banco Mundial como as Nações Unidas lançaram-se a
promovê-la nos países em desenvolvimento (DIAS, 2003, p. 13).
Na atividade turística, a exploração sustentável pode ser
entendida como um direito do cidadão, de acordo com o expresso na
Constituição Brasileira de 1988,
que em seu artigo 225 estabelece:
Todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e
futuras gerações. Para assegurar este direito, incumbe ao Poder Público,
dentro outros mecanismos, promover a educação ambiental em todos os
níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio
ambiente.
A cidade de Pirenópolis-GO, devido a sua localização
geográfica próxima a Brasília-DF e a Goiânia-GO, se beneficia da boa
infra-estrutura de transportes e telecomunicação, proporcionada pela
presença da Capital Federal. Os atrativos naturais existentes em seu
território permitiram a exploração do Turismo, que representa uma
alternativa para o desenvolvimento local e a superação da histórica
estagnação econômica desta localidade.
O Turismo tradicional apresenta muitos problemas
relacionados à utilização dos recursos naturais. “Podemos afirmar que o
turismo moderno é filho legitimo da Revolução Industrial, desta herdou a
racionalidade capitalista de consumir os recursos naturais para obtenção
de renda” (DIAS, 2003, p. 14). E esta realidade é fonte de preocupações
crescentes na sociedade atual.
O Turismo tradicional necessita de transformações e o
Ecoturismo se apresenta como uma alternativa a este modelo. Porém a
reforma necessita ser profunda “[...] e não se deixar levar pela sedução
do plano discursivo destinado a apaziguar consciências, criar novos
consumidores sofisticados ou maximizar novas tendências ideológicas
[...]” (RIBEIRO & BARROS, 2001, p. 39).
A relação da cidade de Pirenópolis-GO com a atividade turística
O Poder Público e a população de Pirenópolis-GO já possuem
uma relação com a atividade turística. A exploração econômica do setor
turístico tem revertido em melhorias significativas para o município e
como veremos adiante os resultados são consideráveis.
O município possui uma boa infra-estrutura urbana e uma rede
de serviços destinados a permitir o bem-estar dos visitantes, como: o
Centro de Atendimento ao Turista – CAT, pousadas e hotéis capazes de
satisfazer desde os visitantes menos exigentes e os mais requintados,
muitos restaurantes e bares e vários eventos ao longo de todo o ano.
A cidade de Pirenópolis-GO foi tombada pelo Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - IPHAN em 1988, por se tratar de
um sítio especial, requer uma exploração econômica do Turismo que
encontre um meio termo entre o crescimento da visitação e da implantação
de infra-estrutura necessária para o atendimento do turista e a
preservação dos atrativos turísticos do município.
A análise dos atrativos é importante, pois alguns deles
possuem a capacidade de despertar lembranças das questões importantes à
comunidade local, estes sítios possuem a propriedade de serem símbolos
da cidade. Matriz da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Ponte de
Madeira são dois bons exemplos.
As características dos edifícios e as áreas de grande beleza natural
despertam espontaneamente emoções, que com o passar do tempo podem estar
sendo esquecidas e perdidas parte do legado histórico-cultural-natural.
As lembranças fazem parte do passado e através delas nos dele
apropriamos da nossa história e entendemos a nossa cultura.
A memória
– faculdade tão importante para a construção da cultura que ganha forma
de uma deusa entre os antigos gregos – vai ser também uma capacidade
seletiva: para se lembrar é preciso esquecer. Este nos parece ser o
mecanismo que rege as políticas de preservação do patrimônio, que,
implementadas tradicionalmente pelos estados, visa à construção de uma
identidade nacional. Também trabalham com a dialética lembrar-esquecer:
para se criar uma memória nacional, privilegiam-se certos aspectos em
detrimento de outros (CASTRIOTA, 2003, p. 186).
Os benefícios do desenvolvimento da atividade turística
estão presentes em Pirenópolis-GO e são usufruídos pela população. A
cidade após o início da exploração do Turismo recebeu mais atenção do
poder público estadual e municipal, que investiram na melhoria dos
serviços públicos, da infra-estrutura e no melhor aparelhamento
municipal para o atendimento de novas exigências e necessidades.
A presença
dos turistas leva o Poder Público a adaptar seu comportamento às novas
necessidades. Não são mais aceitas falhas no fornecimento de água e luz.
A rede de esgoto e o recolhimento de lixo são medidas que devem ser
tomadas de imediato. As estradas recebem pavimentação. Os terminais
aéreo e rodoviário modernizam-se. Quem viaja sempre aprende mais, mas
quem recebe o turista também transmite e assimila novos conhecimentos
(OLIVEIRA 2003, p. 46).
Após o “boom” do Turismo ocorrido na década de 1990
no município de Pirenópolis-GO, muitas melhorias ocorreram na cidade,
como construção e recuperação das vias de acesso, ampliação da estação
rodoviária e do aeroporto, a dinamização da vida cultural com a
realização de inúmeros festivais, shows musicais, encontros e
competições dos chamados esportes radicais, além das muitas festas
locais, reforma do teatro e do cinema e a construção do cavalhodromo.
A cidade de Pirenópolis-GO, conta hoje com um campus
avançado da Universidade Estadual de Goiás – UEG, onde são ministrados
cursos de História, Geografia e Pedagogia. A presença desta instituição
universitária faz da cidade um pólo educacional na 12ª micro-região do
Estado de Goiás onde está localizada, atraindo estudantes das cidades
próximas.
Brasília e as transformações sócio-ambientais na região do “Entorno”
do Distrito Federal
A partir de
meados do século passado o processo de urbanização do Brasil dava os
primeiros passos em direção a situação atual caracterizada pela presença
de um percentual superior a 80% da população, residindo nos centros
urbanos segundo o Censo de 2000 e Contagem Populacional de 2005 do IBGE.
O Planalto Central Brasileiro sofreu muitas transformações a
partir da inauguração de Brasília em 21-04-1960. Até então era uma
região onde predominavam os vazios demográficos. A construção de
estradas ligando a capital federal aos demais centros nacionais,
permitiu o crescimento econômico e a atração de migrantes (MOREIRA,
2002).
Entre outras características daquele momento, existia uma
forte tendência de interiorização da população, ainda hoje, muito
concentrada nas regiões litorâneas do país. “A construção de Brasília no
Planalto Central, reforçando as políticas de interiorização do país,
teve grande impacto político, econômico e social nas áreas do cerrado”
(SOARES & BESSA, 1999, p. 14).
A nova capital promoveu transformações regionais compatíveis
com as políticas de desenvolvimento e de urbanização pós 1960, que entre
seus objetivos estava a ocupação dos vazios demográficos existentes no
interior do país. “A população urbana do Centro-Oeste cresceu 780% em
apenas três décadas, o que mostra o forte impacto do crescimento
populacional da população urbana, fruto do êxodo rural e das migrações
inter-regionais” (MMA, 1998b, p. 18).
A urbanização
acelerada na região ocorreu de forma desordenada como nas demais áreas
urbanas do nosso país, gerando exclusão social e sendo um processo que
"[...] se apresenta como uma máquina de produzir favelas e agredir o
meio ambiente" (MARICATO, 2001, p. 39).
Há uma forte relação entre
problemas ambientais e problemas sociais no país, em que a realidade do
cerrado se destaca, trazendo reflexos diretos para a estrutura urbana
que aqui interessa mais especificamente. A realidade do Distrito Federal
e do entorno é basicamente interessante, do ponto de vista sociológico,
para a compreensão de como os espaços urbanos e o meio ambiente são
tratados na região do cerrado (BRAGA & PIRES, 2002, p. 32).
A degradação
ambiental e a exclusão social resultante da desigual distribuição dos
benefícios advindos do crescimento econômico é outro problema sem
solução. “Nas periferias das grandes cidades, a massa de imigrantes que
não consegue tirar seu sustento da terra produz e reproduz forte impacto
ambiental e social” (MMA, 1998b, p. 18), esta situação tem sido
reproduzida em grande velocidade nas áreas de cerrado.
O Cerrado
é a cara do Brasil. Cidades inchadas, favelas, campos arrasados pelas
máquinas e povoados por bois, soja, cercas. Idealizado como celeiro que
aliviaria a nossa penúria, o cerrado se converteu em grande exportador
de víveres. Na mesma proporção em cresce a produção, aumenta também a
degradação, do ambiente e das condições de vida (BURSZTYN, 2002, p.09).
Até a década de 1960, a rede
urbana do Planalto Central foi estabelecida em função da baixa densidade
demográfica e da estagnação econômica, presentes na região devido aos
grandes latifúndios e a pecuária. "Anteriormente a rede urbana das áreas
de cerrado apresentava-se desarticulada, ou seja, com pequena integração
interna, [...]" (SOARES & BESSA, 1999, p. 15).
Em razão das
melhorias ocorridas no sistema infra-estrutura: redes de
telecomunicações, de transporte rodoviário e aéreo na região central e
de linhas de crédito rural subsidiado a taxas de juros muito abaixo do
mercado; injeção de recursos federais e formulação de políticas de
integração e desenvolvimento e do acelerado processo de urbanização
geraram um importante fluxo intra-regional de pessoas, promovendo uma
demanda turística que foi e continua sendo um dos motores da dinamização
da economia do Planalto Central Brasileiro (DUARTE, 2002).
É
necessário destacar que recentemente a atividade turística, seja rural,
cultural ou ecológica, está se tornando uma alternativa para o
desenvolvimento sustentável das pequenas cidades do cerrado, pois
apresenta novas possibilidades de crescimento regional. (SOARES & BESSA,
1999, p. 26).
A
modernização do campo ocorrida nas últimas décadas aumentou a exclusão
social e a concentração de terras, tendo promovido o desenvolvimento e o
crescimento econômico no Centro-Oeste brasileiro, porém “Os padrões de
produção sobre os quais se deu o crescimento econômico nos cerrados são
dificilmente sustentáveis em longo prazo uma vez que concentram a renda
e a estrutura fundiária, produzem impactos ambientais cumulativos e
perigosos [...]” (DUARTE, 2002, p. 18).
A
desagregação sócio-econômica das populações locais e o desaparecimento
das culturas de subsistência, decorrentes deste processo “[...] são
estimuladores do êxodo rural e da ocupação desordenada de novas áreas
rurais e urbanas, resultando em exclusão e em condições socioeconômicas
e ambientais negativas, sobretudo para as camadas mais pobres da
população” (DUARTE, 2002, p. 18).
Localização geográfica e descrição dos principais atrativos de
Pirenópolis-GO
O município de Pirenópolis-GO está localizado no Entorno do
Distrito Federal, na região de maior concentração populacional do
Centro-Oeste brasileiro e possui em seu território muitos atrativos
naturais, culturais e históricos tendo um imenso potencial para a
exploração do “Ecoturismo”. Como este segmento do Turismo vem
crescendo em ritmo acelerado em todo o mundo existe a possibilidade
desta atividade ajudar na superação do processo de estagnação da
economia local.
O município e cercado por formações serranas, com dezenas de cachoeiras,
a cidade, mantém seu aspecto antigo e bucólico, o povo receptivo e
hospitaleiro, alegre e festivo convive com um ambiente de extrema beleza
natural. A localidade é um retrato vivo da história e da cultura goiana.
A principal atividade econômica é a extração de pedra para
piso, a nacionalmente famosa Pedra de Pirenópolis. A agropecuária é
outro setor importante apresentando uma forte participação na economia
do município, hoje em dia já podemos colocar o Turismo como terceira
atividade em importância.
A cidade possui atrações para todo o tipo de público.
Passeio pelo Centro Histórico, onde estão situadas as igrejas
centenárias, o museu, o teatro, o cine Pireneus, lojas de artesanato e
exposições de arte. Visitas às inúmeras cachoeiras e ao mirante,
caminhadas pelo cerrado, visitas aos picos na Serra dos Pireneus, as
fazendas históricas onde é servido o típico café tropeiro, as reservas
naturais.
A gastronomia também é um importante atrativo. Existem
vários restaurantes que servem a tradicional comida goiana, com os seus
inúmeros pratos típicos, como a galinhada com pequi,
doces e licores regionais fazem parte do cardápio, existem muitos bares
e restaurantes onde é oferecido aos freqüentadores música ao vivo.
Os esportes radicais estão presentes e com muito destaque em
Pirenópolis-GO, existem muitas pistas e trilhas apropriadas para a
prática destes esportes onde são realizadas várias competições de:
mountain bike, bóia cross, canoagem, rapel, moto cross, rali,
caminhadas, cavalgadas entre outras opções.
Entre os atrativos naturais do referido município à Cidade de Pedras
se destaca, monumento natural de rara beleza, possui inúmeras esculturas
de pedra, formadas pela natureza com as mais variadas formas.

©2006 Fotos:
Rogérios Alves
Caracterização, descrição e localização da Cidade de Pedras de
Pirenópolis-GO
A Cidade de Pedras é um importante recurso natural do
município de Pirenópolis-GO, trata-se de um sítio natural de rara beleza
recentemente (re) descoberto, poderá se tornar um grande atrativo
turístico para a exploração do Ecoturismo, pois apresenta todas as
características que despertam o interesse dos adeptos dessa modalidade
de Turismo. O potencial para a criação de um pólo para a prática do
dessa modalidade turística é grande, devido à beleza dos monumentos de
pedra esculpidos pela natureza existentes na localidade.
O monumento natural é conhecido desde 1841, quando foi
descoberto pelo médico naturalista François Henry Trigant des Genettes.
Ficou esquecido durante anos, trata-se de uma a gigantesca formação
geológica que apresenta inúmeras esculturas naturais reproduzindo as
mais variadas formas, como: animais, seres humanos, formas geométricas,
etc.
A formação geológica ficou esquecida durante anos, em 2004 o
Governo do Estado de Goiás, patrocinou uma expedição composta: de
geólogos, ambientalistas e outros profissionais interessados no
potencial turístico da localidade.
Conforme informações obtidas no Centro de Atendimento ao
Turista de Pirenópolis-GO, em setembro de 2005 a Agência Ambiental do
Estado de Goiás está elaborando um plano de manejo com o objetivo de
transformar a área em uma Unidade de Conservação do Patrimônio Natural,
só após a conclusão destes estudos será permitida a visita de turistas.
A Cidade de Pedras está localizada a 51 km do Centro
Histórico de Pirenópolis-GO e são necessários cerca de 90 minutos para
chegar até o local, às vias de acesso estão em bom estado de
conservação, com exceção dos últimos 5 km que apresenta dificuldades
para o tráfego de automóveis de passeio, realidade constatada pelos
autores em visita realizada ao local em setembro de 2005.Ver mapa abaixo:

A localização geográfica da Cidade de Pedras, próxima
ao município de Cocalzinho-GO, cerca de 4 Km, permite a criação e o
desenvolvimento de atividades para o apoio aos visitantes possibilitando
o crescimento do comércio de artesanato, bares, restaurantes, hotelaria
e a exploração da venda de combustíveis para automóveis, etc., também
neste município.
A
população das áreas conurbadas
a Brasília-DF e Goiânia-GO que também passaram por intenso processo de
urbanização nas últimas décadas como podemos observar nos dados da
tabela abaixo, se apresenta como o publico alvo de projetos para a
exploração econômica do Ecoturismo na Cidade de Pedras.
Evolução da população em Brasília-DF, na RIDE,
Goiânia-GO e Região Metropolitana de Goiânia
(1960-2005).
|
MUNICÍPIOS |
1960 |
1970 |
1980 |
1991 |
1996 |
2000 |
2005 |
|
Brasília |
139.796 |
538.351 |
1.176.935 |
1.596.274 |
1.821.946 |
2.051.146 |
2.333.108 |
|
RIDE |
115.953 |
161.386 |
246.039 |
353.976 |
635.573 |
815.522 |
1.029.832 |
|
Goiânia |
151.013 |
381.055 |
714.174 |
920.257 |
1.003.477 |
1.093.007 |
1.201.006 |
|
RM
de Goiânia |
- |
- |
- |
1.312.709 |
- |
1.743.297 |
2.013.073 |
|
Total |
406.762 |
1.080.792 |
2.137.148 |
4.183.216 |
3.460.996 |
5.702.972 |
6.577.019 |
Fonte:
FIBGE,
Censos Demográficos, 1960-2000. FIBGE. Contagem Populacional 1996 e
2005.
À distância entre as duas capitais, aproximadamente 200 Km e
a posição geográfica de Pirenópolis-GO, distando cerca de 120 Km de cada
capital, combinada com a concentração populacional nesta área,
atualmente superior aos 6,5 milhões de habitantes, permite que a
localidade receba um intenso fluxo de visitantes, concentrado nos finais
de semana, com o aumento da visitação nos feriados prolongados e nas
datas festivas do município: Cavalhadas, Festa do Morro, Festival de
Inverno, etc.
Ecoturismo como opção de
lazer no Entorno do Distrito Federal
A mudança da capital promoveu a urbanização acelerada do
Planalto Central e influenciou muito na formação de uma importante
demanda turística nesta região, especialmente do Turismo de lazer.
Brasília está muito afastada do litoral, o principal lazer
dos primeiros moradores, os funcionários públicos cariocas, a praia,
ficou impraticável devido as grandes distâncias a serem percorridas,
combinadas com as dificuldades de transporte existentes naquele momento
histórico, motivou a procura de alternativas próximas e menos
dispendiosas.
Nas áreas do "Entorno" do Distrito Federal, novas
alternativas de lazer foram encontradas, os atrativos naturais
existentes na região como: cachoeiras, rios e lagos, grutas, cavernas,
antigas fazendas, manifestações culturais como: as festas religiosas e
folclóricas, as cidades históricas e a gastronomia são algumas atrações
da região.
Impulsionada pela demanda de lazer criada por estes novos
habitantes da região, a atividade turística tornou-se uma importante
vertente de desenvolvimento econômico no Centro-Oeste, especialmente nas
cidades, localizadas no Entorno do Distrito Federal, em algumas
destas localidades o turismo “[...] está se tornando uma alternativa
para o desenvolvimento sustentável, [...]" (SOARES & BESSA, 1999, p.
26).
O Ecoturismo tem experimentado um forte crescimento na
região e esta pratica representa um avanço em relação ao Turismo
tradicional, pois as posições sobre os recursos naturais são bem
definidas, apesar dos problemas sem solução referente ao choque cultural
e a má distribuição da renda gerada junto às populações locais.
O Turismo Ecológico é uma prática adotada, principalmente, entre os
grupos sociais que possuem maior poder aquisitivo e melhor formação
educacional. “[...] este novo tipo de turismo é maior nos grupos sociais
identificados com as camadas médias urbanas mais intelectualizadas, que
são mais sensíveis às repercussões dos impactos do turismo tradicional
ao meio ambiente" (DIAS & AGUIAR, 2002, p. 97).
Os atrativos naturais passaram a serem compreendidos pela
população como recursos que possuem valor econômico e financeiro.
Passaram a um novo patamar sendo valorizados e protegidos na perspectiva
da obtenção de lucros com a sua exploração. "O turismo se torna aquele
ingrediente que transforma o processo e faz com que os recursos mereçam
ser preservados e protegidos, porque representam o futuro e a condição
de vida para as novas gerações" (BARROS, 2000, p. 91).
O
ecoturismo é necessariamente uma atividade de baixo impacto ambiental. O
turista procura satisfazer necessidades legítimas de repouso, diversão,
recreação e cura, além das necessidades intelectuais, espirituais e de
conhecimento. De fato, a natureza oferece tudo isto. Mas, quando
observamos o perfil do ecoturista brasileiro, percebemos que, para ele,
muitas vezes a natureza é apenas um objeto a ser vendido, e não
usufruído (FURLAN & NUCCI, 1999, p. 101).
O Turismo Ecológico é uma atividade que tem o potencial
necessário para promover a inclusão social e o resgate econômico das
pequenas cidades do Planalto Central, sendo uma prática menos agressiva
aos recursos naturais que a agricultura, a pecuária e a extração de
recursos minerais, atividades tradicionalmente desenvolvidas na região
dos cerrados.
O meio ambiente é
o principal produto do Ecoturismo, ele é o ingrediente para a atração
dos turistas e a sua conservação é fundamental para manter esta
capacidade, portanto existe a necessidade do envolvimento da população
no processo de planejamento e exploração dos recursos naturais.
O Ecoturismo, no
final do século passado, experimentou um grande desenvolvimento, a
partir da década de 1990 "o boom do ecoturismo é tal que em todo
o mundo surgiram destinos ecoturísticos, que oferecem atividades e
projetos relacionados com a interação homem-natureza" (DIAS, 2003,
p.103).
O
ecoturismo é o segmento que mais cresce no mundo. Representa hoje 8% do
mercado global. No Brasil, onde existe cerca de 200 agências de
ecoturismo, o crescimento é de 30% ao ano. A maioria do público das
agências de ecoturismo tem entre 25 e 35 anos, é formada por solteiros
com curso superior; 75% são mulheres (FURLAN & NUCCI, 1999, p. 101).
Segundo dados da Embratur, o Turismo tem influência e
ligações com 53 segmentos distintos da economia, sendo, portanto uma
atividade econômica que gera um grande número de empregos indiretos.
“Estimativas indicam que o turismo é a maior indústria mundial. Nos
países em desenvolvimento, é o único setor econômico com superávit.
[...] A Embratur demonstra que o setor de turismo no Brasil alcançou 4%
do PIB nacional [...]” (MONTORO, 2003, p. 16 e 17).
Diante desta dimensão o Ecoturismo ganha importância com
opção econômica para romper com o atraso e a estagnação econômica dos
pequenos municípios das áreas do cerrado. Em Pirenópolis-GO esta
atividade tem todo um potencial a ser explorado, representado pela
Cidade de Pedras e pelos demais atrativos existentes no município, além
da clientela constituída pelos habitantes da região que anseiam por este
tipo de lazer.
Planejamento e exploração sustentável da Cidade de Pedras de
Pirenópolis-GO
A Cidade de
Pedras de Pirenópolis-GO é um sítio com um enorme potencial para a
exploração do Ecoturismo, e a capacidade de gerenciar a atividade
turística dos agentes econômicos no município é incontestável, o
resultado alcançado no Turismo tradicional, demonstra o sucesso dos
empresários e do poder público local na gestão do setor turístico.
Existe, portanto,
todas as condições necessárias para a exploração econômica do Turismo
Ecológico na Cidade de Pedras, que mesmo antes de estar liberada para a
visitação já desperta a curiosidade e interesse de muitos adeptos do
Ecoturismo.
A Agência Ambiental de Goiás está desenvolvendo estudos e
formulando junto com a comunidade um plano de manejo para transformar a
região em uma Unidade de Conservação do Patrimônio Natural de
Pirenópolis-GO, para viabilizar a visitação pública e também permitir
novos estudos e pesquisas sobre a Cidade de Pedras. Atualmente o
acesso à localidade se encontra proibido, conforme informações obtidas
junto ao Centro de Atendimento ao Turista - CAT, órgão da Secretaria de
Turismo e Cultura do Município.
A decisão de realizar estudos para formular um plano de manejo mostra-se
extremamente apropriada, pois existem vários aspectos a serem
considerados, todos relacionados com a preservação deste importante
patrimônio natural. A exploração não pode ser realizada nos moldes
tradicionais, pois uma utilização intensiva deste atrativo pode levar a
uma degradação irreversível da área.
[…] a
exploração desordenada dos recursos naturais para fins turísticos,
embora tenha gerado e continue gerando dividendos econômicos para muitas
regiões, provoca tal impacto no meio ambiente que pode acabar com os
mesmos recursos naturais que motivaram a demanda turística (DIAS, 2003,
p. 24).
A exploração econômica sustentável deste patrimônio natural
requer uma preparação da área para a recepção dos turistas, pois ao
mesmo tempo em que a atividade pode proporcionar o crescimento do
Ecoturismo, no município de Pirenópolis-GO, também pode criar um
processo de destruição dos recursos e atrativos naturais existentes na
área.
É preciso entender que é importante o planejamento e a
preparação da área de maneira que os impactos fiquem “[...] dentro de
limites aceitáveis, para que não provoque modificações ambientais
irreversíveis e não prejudique o prazer do visitante ao usufruir o
lugar” (DIAS, 2003, p. 21).
[…]
impõe-se à necessidade de se instituírem novas formas de exploração dos
recursos naturais para fins turísticos, que levem em consideração as
limitações de uso do atrativo e as condições de manutenção de sua
existência de forma duradoura, para que futuras gerações possam usufruir
o mesmo benefício (DIAS, 2003, p. 25).
A exploração do Ecoturismo na Cidade de Pedras pode criar
diversas oportunidades econômicas, tanto para o meio empresarial como
para os demais segmentos da população local, gerando ocupações
profissionais novas, como guias turísticos ou condutores de visitantes,
proprietários de pousadas, artesãos, vendedores, donos de bares e
restaurantes, etc. Atividades que são mais rentáveis e lucrativas que as
tradicionalmente praticadas no município de Pirenópolis-GO.
Contudo é necessário evitar que ocorra uma periferização da população
local, “[...] de maneira que o contato entre visitantes e nativos, a
inserção destes na paisagem urbana, aconteça apenas em obediência às
necessidades da produção, consumo e da prestação de serviços aos
turistas” (MENDONÇA, 2003, p.43).
O poder público pode contribuir para o crescimento do
Ecoturismo em Pirenópolis-GO, mas existe a necessidade da integração de
toda a sociedade para se alcançar este objetivo. Todos os envolvidos no
processo precisam desenvolver ações graduais e permanentes na
conservação dos atrativos naturais e turísticos do município.
O governo pode criar
políticas, leis e incentivos ao turismo, melhorar a segurança do local,
promover a preservação da natureza e da cultura locais, providenciar
melhoria ou construção de amplo sistema de transporte para o fluxo de
turistas, contribuir para um sistema de promoção e divulgação dos
locais, fornecer infra-estrutura básica como redes de água e esgotos. A
iniciativa privada pode providenciar os alojamentos e a comunidade local
pode aprender a hospitalidade (DIAS & AGUIAR, 2002, p. 76).
A falta de uma ação integrada destes três segmentos:
Governo, iniciativa privada e população local podem refletir na
conservação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico centrado na
exploração dos recursos naturais em Pirenópolis-GO. Promovendo uma
sistemática degradação dos atrativos naturais.
Muitos problemas referentes à conservação estão
relacionados à falta informação sobre a importância destes recursos,
pois muitas vezes a sociedade não consegue entender que cuidar e
proteger a natureza, para prática do Turismo e do Ecoturismo vale a pena
porque representa ganhos financeiros.
O turismo
tem tido efeito positivo na preservação da vida selvagem e nos esforços
de proteção, […] Numerosas espécies de animais e plantas estariam
extintas ou em rápido processo de extinção se não se tivessem tornado
atrações turísticas. Muitos países, devido a isso, cuidam das reservas
de vida selvagem como importante fonte de receita, e ainda criam leis
bastante restritivas, protegendo os animais que encantam os turistas.
Como resultado dessas medidas, muitas espécies ameaçadas recuperam-se e
podem estar a salvo de um perigo imediato (DIAS, 2003, p. 99).
Mesmo existindo a consciência nas pequenas comunidades da
necessidade de dinamização econômica e do desenvolvimento local, devido
às carências históricas, nunca superada em algumas áreas do Planalto
Central, o contato com a realidade transformadora representada pelo
Turismo provoca um choque cultural, levando uma parte importante destas
localidades a resistirem às mudanças representadas pela chegada do
turista.
Conclusão
A transformações ocorridas no Centro-Oeste foram muitas: a intensa
urbanização, a implantação de infra-estrutura, a dinamização da economia
regional através de novas práticas econômicas como o Turismo, o
agro-negócio, a industrialização e o setor de serviços. Todas estas
atividades trouxeram muitos benefícios para a região, mas provocaram
muitas transformações sócio-ambientais e econômicas, mas da forma como
foram implantadas e estruturadas são inviáveis em longo prazo.
A exploração econômica da atividade turística já é uma
realidade em alguns pequenos municípios localizados na região denominada
Entorno do Distrito Federal. Estas localidades procuram explorar os
atrativos naturais, históricos e culturais existentes na região.
Dinamizando a economia e vencendo a histórica estagnação econômica
existente na região do Cerrado.
O poder aquisitivo da população de Brasília-DF e de
Goiânia-GO permite os deslocamentos de parte dela, em busca de lazer e
diversão promovendo a injeção de recursos financeiros nos municípios
localizados na região denominada Entorno do Distrito Federal.
No caso de Pirenópolis-GO especificamente, os belos
atrativos naturais, históricos, culturais e o roteiro gastronômico
existente permitem que a cidade se beneficie da proximidade com
Brasília-DF e Goiânia-GO, pois a localização privilegiada permite um
fluxo regular de visitantes durante os fins de semana e feriados para
este município.
O Ecoturismo tem sido o segmento da atividade turística que
mais atraí novos adeptos e as belezas naturais do Planalto Central, são
atrativos, que bem aproveitados podem incrementar o crescimento desta
modalidade de Turismo na região, o contingente populacional em torno de
6,5 milhões de habitantes, favorece muito a exploração e a implantação
de projetos turísticos e ecoturísticos nas pequenas cidades do Entorno
de Brasília-DF e Pirenópolis-GO tem se aproveitado desta oportunidade.
A exploração econômica do Ecoturismo na área denominada
Cidade de Pedras pode proporcionar um caráter mais dinâmico à economia
do município de Pirenópolis-GO, incrementando o crescimento econômico a
partir de uma atividade com baixo poder de degradação ambiental e
adequada aos tempos modernos e aos novos parâmetros de desenvolvimento
almejados pela sociedade.
A geração de empregos neste setor pode representar a solução
para o problema do desemprego com a abertura de postos de trabalho no
município de Pirenópolis-GO, estimulando a fixação do cidadão natural,
desta localidade, em sua própria região diminuindo a migração em direção
a centros urbanos maiores.
Apesar de reações contrárias de alguns segmentos da
população, é possível constatar que a maioria é acolhedora, recebendo
com cordialidade os turistas. A aprendizagem para o convívio com esta
nova realidade vem ocorrendo lentamente, os proveitos econômicos do novo
momento que vive a cidade foram assimilados pela população e influenciam
o seu comportamento.
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