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Resumo
Para a redação do
presente artigo realizamos leituras sobre o tema e fizemos observações
in loco, na ocasião aplicamos alguns questionários com visitantes
em Pirenópolis-GO, procuramos compreender as transformações ocorridas
nesta localidade nas últimas décadas. Utilizamos conceitos, apresentados
pelo referencial teórico da geografia, a contextualização espacial
fundamenta-se no conceito de região, considerando suas diversas
classificações. Os estudos dos fatores da delimitação territorial do
desenvolvimento são enfocados a partir da importância do Turismo como
agente transformador do espaço nesta localidade. A inauguração de
Brasília em 1960 acelerou o desenvolvimento regional, a urbanização e o
crescimento populacional criando demandas econômicas e sociais. A
infra-estrutura de acesso e de comunicações implantadas na região para
interligar a Capital Federal aos demais centros urbanos nacionais impôs
modificações nos usos e costumes regionais. As rápidas transformações
ocorridas no Planalto Central nas últimas décadas do século passado
motivaram a migração para o interior do país e criou um fluxo
intra-regional de pessoas que gerou a demanda por Turismo e Lazer na
região do cerrado. Na localidade de Pirenópolis as novas práticas
socioeconômicas estão centradas no aproveitamento dos atrativos
históricos, culturais e naturais. A localização geográfica, representada
proximidade com Brasília-DF e Goiânia-GO facilitou a exploração
econômica da atividade turística e proporcionou as condições para a
acessibilidade e a cidade foi inserida no contexto da moderna economia
globalizada e promoveu a o crescimento do tecido urbano e impôs novos
comportamentos sociais.
Palavras chave:
Desenvolvimento; Turismo; Ecoturismo; Tecido Urbano.
Introdução
O Turismo
tem se apresentado
também
como
um
fenômeno
da
sociedade
pós
Revolução
Industrial,
não
apenas
pelo
fator
econômico,
mas
também
pelos
aspectos
sociais,
espaciais
e ambientais. As dimensões sociais do setor abrangem as relações
culturais, a mobilidade horizontal, a comunicação social, a
administração, o
trabalho
e o lazer.
A
prática
atual
do
Turismo
reflete a
lógica
do
mundo
moderno
advinda do
processo
de
globalização
da
sociedade
e da
economia,
abrangendo os
mais
diversos
campos
(político,
econômico,
social
e cultural). Nesse
contexto,
o
espaço
geográfico
é repensado, uma
vez
que
ele
só
se
torna
concreto
e se realiza
por
meio
das
práticas
sociais.
Ora,
o
Turismo
coloca-se
como
uma
prática
social
dinamizadora e formadora de
novos
espaços
o
que
o
torna
um
campo
fértil
de
estudo
da
geografia
(BATISTA,
2003, p. 19-20).
A atividade turística é complexa e “possui interdisciplinaridade
com
diversas
áreas
da ciência
como
a
Antropologia,
a
Sociologia,
a
Economia,
a
Arquitetura,
o
Urbanismo,
entre
outras
disciplinas
e tem
grande
interface
com
a Geografia” (SILVA, 2008). Desta maneira podemos induzir que é uma
atividade
que
influencia e intervêm no
espaço
geográfico.
O
espaço
é,
portanto
a
área
que
pode
ser
vivenciada, experimentada e
sentida
por
indivíduos
ou
por
uma sociedade. De acordo com as idéias propostas por Santos (1996), o
espaço
geográfico
é a
natureza
modificada
pelo
trabalho
do
ser
humano. Nesse
sítio,
o
cotidiano
é representado pelas
práticas
do
dia-a-dia
das pessoas.
Na
medida
em
que
o
Turismo
representa uma
ligação
do
lugar
com
o
mundo,
seu
desenvolvimento
irá
certamente
transformar
o
ambiente,
sobretudo
devido
às inúmeras
interações
que
a
atividade
proporciona
entre
os visitantes e os residentes de uma
comunidade
receptora. “O Turismo tem introduzido e espalhado
valores
culturais e
sociais
por
todo
o
mundo”.
No
seu
âmbito
se
descortina
um
campo
em
que
acontecem
novas
discussões
da Geografia (LAGE; MILONE, 2000, p. 124).
As transformações pelas quais passa a sociedade contemporânea deram
origem a uma “crise ambiental”, que exerce um papel fundamental e
determinante para o aparecimento dos movimentos “[...] sociais
conservacionistas, ecologistas e ambientalistas e para que, entre os
governos e as populações de modo geral, se tenham começado a buscar, e
em alguns casos a adotar, novas formas de desenvolvimento [...]” (DIAS,
2003, p. 18), que representam uma nova maneira de se relacionar com a
natureza, possibilitando a sua preservação para a existência e
sobrevivência humana.
A transferência da Capital Federal para o interior do Brasil, em 1960,
permitiu a implantação na Região Centro-Oeste de uma moderna malha
viária e de comunicações, que combinada com a modernização do campo
acelerou a urbanização regional. A construção de Brasília, junto com as
políticas públicas de interiorização do país, teve grande impacto,
econômico e social nas áreas do cerrado. “O ‘olhar’ para o interior do
País é muito recente e ganhou maiores contornos durante o governo de
Juscelino Kubitschek de Oliveira e do seu Plano de Metas (1956-60),
responsável pela incorporação de um novo padrão de acumulação para a
região” (SILVA, 2008, p. 101).
Com o crescimento do contingente populacional na região o
Turismo enquanto atividade de descanso e Lazer ganhou devido ao aumento
do fluxo intra-regional de pessoas. A urbanização acelerada, propiciada
pela nova realidade regional pós-inauguração da nova Capital Federal,
pela modernização do campo não foram acompanhados pela preocupação
socioambiental e nas cidades da região estão presentes os mesmos
problemas dos demais centros urbanos brasileiros. Porém promoveu o
aumento da demanda por serviços na região, entre os setores que mais
cresceram estão o Turismo e Lazer.
A nova realidade socioeconômica regional acentuou o processo de
degradação do Cerrado, devido às políticas governamentais direcionadas
para a modernização do campo. Os investimentos em culturas agrícolas
destinados a exportação e a abertura de novas pastagens para alimentar o
rebanho bovino, combinado com a criação de uma infra-estrutura de
transportes e de comunicação necessárias para a consolidação de Brasília
como Capital Federal.
Tecnologia, acessibilidade e Turismo
As novas técnicas e tecnologias incorporadas ao cotidiano da
humanidade a partir da Revolução Industrial, particularmente na área de
transporte, permitiram que algumas pessoas dispusessem de tempo para se
deslocarem durante as férias em busca de descanso e Lazer. Este fato
impulsionou o crescimento do Turismo que se converteu em atividade
econômica rendosa. "O Turismo é o setor da economia que mais cresce na
atualidade, já tendo atingido o status de principal atividade
econômica no mundo" (DIAS, 2003, p. 9).
O Setor turístico nasceu e se desenvolveu com a economia
capitalista. Por ser um serviço, não é considerado um artigo de primeira
necessidade. A atividade “[...] sofreu – e ainda sofre – com todas as
crises ao longo da história. [...] O maior exemplo é a II Guerra
Mundial, que provocou a interrupção do Turismo” (TRIGO, 1999, p. 19).
O século XX apresentou como uma de suas marcas o
desenvolvimento tecnológico do automóvel, meio de transporte e locomoção
mais utilizado pela sociedade moderna, que se tornou símbolo de
status e poder. O Turismo ganhou importância e cresceu se valendo de
infra-estrutura como as estradas, nas quais os veículos particulares
percorrem com segurança e rapidez os trajetos ao encontro dos atrativos
turísticos. “No início, devido ao alto custo, era usado pelos mais
ricos, mas a partir da década de 1950, os eles [automóveis] se
popularizaram” (SILVA, 2008, p. 63).
Dentro desse contexto, ocorreu um processo de valorização da
atividade turística, que despontou como uma panacéia para o
desenvolvimento econômico e social dos países periféricos. O aumento do
fluxo turístico decorrente de novos hábitos de Lazer e de viagens
intensificaria os deslocamentos dos moradores de países ricos, segundo
este entendimento, a atividade abriria as portas para o progresso de
países pobres (DIAS, 2003).
A atividade turística nas últimas décadas do século passado
passou a ser compreendida como um bem econômico, material e imaterial,
que atende as necessidades de descanso e Lazer dos indivíduos. Essa
prática, enquanto uma das alternativas utilizadas para a conservação dos
recursos naturais teve como fundamento uma ideologia triunfalista,
acreditava-se que o Turismo viria “[...] substituir as indústrias
poluidoras da Revolução Industrial, por uma atividade limpa e não
contaminante – uma indústria sem chaminés” (DIAS, 2003, p. 13).
Para as instituições como a Organization for Economic
Cooperation and Development - OECD e a Organização das Nações Unidas
- ONU o setor possuía características que o diferenciaria quanto aos
demais investimentos, pois se devolve dentro de parâmetros de
racionalidade contrária à degradação ambiental, ao lucro imediato e à
acumulação predatória de capital (SILVA, 2008).
No Brasil, em meados da década 1980, o Turismo passou a ser
visto como um mecanismo econômico capaz de gerar desenvolvimento que
seria estratégico para compensar perdas de postos de trabalho no setor
industrial. A atividade emergiu na economia contemporânea como fonte de
geração de rendas e de promoção do crescimento nas regiões e cidades que
souberam aproveitaram o potencial dos atrativos.
O Turismo muito se beneficia dos avanços tecnológicos nos meios
de transporte que permitiram o crescimento, de forma consistente nas
últimas décadas, do número de pessoas que se deslocam em busca de Lazer.
A maior agilidade na divulgação das informações tem facilitado as
viagens. Os modernos e eficientes sistemas de transportes encurtaram as
distâncias ao diminuir o tempo gasto nos deslocamentos: o espaço mundial
ficou mais integrado. “O progresso tecnológico dos transportes, aliado à
acumulação de capital, despertou maior desejo de viajar” (CASTRO, 2002,
p. 113).
Sem a expansão das modalidades de transporte e dos meios de
comunicação, o desenvolvimento capitalista não atingiria a base técnica
atual e as relações econômicas mundiais não alcançariam o patamar da
globalização dos negócios. Na economia moderna, as pessoas necessitam se
deslocar freqüentemente pelos mais variados motivos e para os lugares
mais diversos, gerando um mercado promissor para a atividade turística.
As mudanças ocorridas na cidade de Pirenópolis
também
estão relacionadas aos
fatores
tecnológicos.
A
transferência
da
Capital
Federal
para
o
interior
do
país,
em
1960, permitiu a
implantação
na
Região
Centro-Oeste
de uma
moderna
malha
viária
e de
comunicações,
que
combinada
com
a modernização do
campo
acelerou a urbanização
regional
e a migração. A
presença
de
um
maior
contingente
populacional na
região
estimulou o
Turismo
e reproduziu os
demais
fenômenos
socioambientais existentes nas
proximidades
das
maiores
cidades
brasileiras. "A
construção
de Brasília no
Planalto
Central,
reforçando as
políticas
de interiorização do
país,
teve
grande
impacto
político,
econômico
e
social
nas
áreas
do
cerrado"
(SOARES;
BESSA, 1999, p. 14).
No
contexto
das transformações ocorridas na região Centro-Oeste, que sofreu rápido
processo de urbanização influenciado pela transferência da nova Capital
Federal. As
cidades
do
seu
entorno experimentaram um crescimento fruto das novas demandas
econômicas. A necessidade de habitar, trabalhar, circular e recrear foi
(re) definindo novos usos
para
o
solo,
as atividades produtivas e a acessibilidade (SILVA, 2008).

Gráfico 1: Origem
do visitante
Fonte: elaborado
pelos autores com base questionário aplicado em Pirenópolis-GO – em 2007
As vias feitas para garantir a acessibilidade aos atrativos
turísticos e os demais investimentos em infra-estrutura são de alguma
forma apropriados pela população, que faz uso delas no seu cotidiano.
Assim, a administração pública tem mais condições de preservar os
acervos culturais em museus e bibliotecas, de remodelar e manter
parques, praças e outros espaços não urbanizados, e o espectro de
serviços têm seus custos absorvidos por esses recursos.
O
pólo
turístico de Pirenópolis-GO atraiu, em um
primeiro
momento,
movimentos
espontâneos
de
circulação
de
pessoas
e
veículos
provindos de
áreas
vizinhas e
mais
distantes.
Mais
tarde,
com
a
mudança
da Capital Federal
para
o
Centro-Oeste,
um
conjunto
de
vias
possibilitou as
viagens
para
muitas
cidades
até
então
isoladas.
Com
maior
acessibilidade,
aumentou o
fluxo
de turistas, e se
intensificaram
as
ações,
tanto
do
poder
público
como
da
iniciativa
privada,
na
direção
de
dotar
a
cidade
de
infra-estrutura
para
atender
as
necessidades
de
alimentação
dos visitantes, de
implantar
novos
equipamentos,
e de
ajustar
a
demanda
e a
oferta
de
hospedagem
com
a
construção
de hotéis, reformas de
casas
para
pousadas.
O crescimento do Turismo e do tecido urbano em Pirenópolis
Na história de Goiás, o espaço no sentido geográfico era
composto por vazios demográficos e grandes latifúndios, dificultando que
o território assumisse a atual configuração. Foi a partir dos primeiros
anos do século passado, que a migração em direção à região do cerrado se
tornou possível, devido as grandes obras de infra-estrutura realizadas
em função da nova Capital Federal (MOREIRA, 2002).
As obras de infra-estrutura implantadas foram rodovias,
ferrovias, aeroportos, um moderno sistema de telecomunicações e grandes
hidrelétricas entre outras ações na direção da interiorização da
população e da consolidação de Brasília como sede do poder público
federal. “Este momento vem marcado por políticas governamentais de
gestão do território voltadas para o desenvolvimento econômico e a
integração regional [...]” (BATISTA, 2003, p. 18).
A participação do governo federal no processo de urbanização do
Centro-Oeste foi fundamental, e a partir do golpe de estado praticado
pelos militares em
1964, a
atuação do poder público se fortaleceu e a idéia de povoar os vazios
demográficos brasileiros como estratégia para manter a soberania
territorial ganhou força. O lema “Integrar para não entregar” foi muito
explorado nas propagandas oficiais da época, incentivando o crescimento
populacional e econômico da região central do Brasil.
A distribuição espacial da população nas áreas de cerrado, de acordo com
a metodologia de cálculo utilizada pelo IBGE, revela uma tendência à
concentração em áreas urbanas. Os dados do último censo demográfico
demonstram que o Estado de Goiás e o Distrito Federal já apresentam
índices de urbanização superiores à média nacional. A repercussão na
conservação, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico centrado
na exploração dos recursos naturais é grande e tem provocado reações de
alguns setores da sociedade (SILVA, 2008).
O processo de urbanização sofre sensíveis modificações a partir
da década de 1990, com a diminuição ritmo do êxodo rural, a maior
integração entre o meio rural e as cidades. Com ao aumento do número de
trabalhadores e proprietários rurais que passaram a residir nos centros
urbanos, ocorreu uma diminuição no ritmo de crescimento das cidades com
mais de um milhão de habitantes (SOARES; BESSA, 1999).
A nova realidade brasileira e regional estimulou a demanda
turística, o acesso a momentos de descanso e afastamento das atividades
desenvolvidas na maior parte do ano. Esta necessidade é atendida pelo
Turismo que se tornou uma das formas mais populares de Lazer usufruídas
pela sociedade contemporânea.
A cidade de Pirenópolis é um campo único para o desenvolvimento do
Turismo na região do cerrado. Com o crescimento da atividade, ela
incorporou mudanças em sua configuração espacial, evidenciadas por
traçados irregulares das ruas e dos monumentos. Novos bairros, com o
desenho mais homogêneo distanciaram-se do centro histórico, e criaram
novos processos sociais e urbanos de integração (ALMEIDA, 2006).
A região administrativa do entorno de Brasília caracteriza-se pela
heterogeneidade, apresentando simultaneamente traços cosmopolitas ao
lado de núcleos urbanos com estruturas provincianas e agrárias. Nesse
contexto ímpar, Pirenópolis desponta como expoente do Patrimônio
Histórico, Arquitetônico, Cultural e Paisagístico nacional no interior
goiano.
Pirenópolis-GO, situada na região denominada Entorno do Distrito
Federal funciona com centro receptor de turistas, principalmente pela
sua proximidade com a Capital Federal, a variedade de atrativos
presentes no seu território e a hospitalidade do povo comum nas pequenas
cidades goianas. Ela apresenta características diferenciadas dos outros
municípios que compõem a RIDE, pois possui importante acervo
histórico-arquitetônico e uma cultura secular, juntamente com as
tradições guardadas e revividas por seus moradores, no cotidiano, ou nos
momentos de celebrações solenes, religiosas ou profanas (SILVA, 2008).
Nesta localidade goiana a atividade turística inicialmente se
desenvolveu explorando o potencial histórico e cultural, posteriormente
o Ecoturismo ganhou importância e esta nova maneira de relacionamento
entre o homem e a natureza reflete o interesse que o morador dos centros
urbanos demonstra por maior contato com a natureza. O meio natural
atualmente é um dos mais importantes atrativos das viagens de Turismo e
Lazer.
De acordo com Cruz (2000), a constatação de alterações
espaciais provocadas no tecido urbano pelo Turismo é mais perceptível em
cidades litorâneas. Nas localidades situadas no interior, como
Pirenópolis-GO situada na região do cerrado, qualquer alteração no
cotidiano pode fazer com que perdas e ganhos acarretem em polêmicas
entre moradores e turistas.
Por vezes, as modificações de uso não permitem de imediato, a
construção de uma idéia dos novos significados que um espaço pode
assumir. O (re) ordenamento espacial pode ser mínimo e passar
despercebido ou imperceptível, mas os observadores mais atentos
conseguem visualizar os novos (re) arranjos espaciais e distinguir as
alterações no organismo urbano.
Em Pirenópolis, o crescimento do tecido urbano foi
significativo, novos bairros e loteamentos se formaram nas áreas
periféricas provocando uma reorganização espacial que motivou antigos
moradores a abandonarem a centralidade da cidade. O centro histórico
(foto 1) antes ocupado pela população autóctone perdeu parte do caráter
residencial, hoje abriga os empreendimentos comerciais necessários ao
atendimento do visitante ou se tornaram residências secundárias.
Estas transformações urbanas e político-econômicas em Pirenópolis a
partir de 1980, são resultado da acelerada reorganização econômica que o
mundo passou e que tiveram grandes implicações na estruturação do espaço
urbano na Região Centro-Oeste.
A realização da atividade turística pode criar também, no espaço, uma
segregação funcional que se reflete socialmente. Ocorre um “processo de
elitização” ou de “gentrificação” que determinam a valorização
imobiliária de alguns bairros, expulsando a população diante da
incapacidade de arcar com os custos impostos pelo poder público e pelos
novos usos. Segundo (BATISTA, 2003, p. 108), “O turismo como prática
social, como processo econômico, criando e recriando espaços vem
imprimindo em Pirenópolis mudanças em sua dinâmica sócio espacial”.

Foto 1/Centro
Histórico de Pirenópolis-GO
Foto do autor –
2007
Há casos em que pontos da cidade são identificados e escolhidos
pelo poder público para se converter em atrativos turísticos. A escolha
potencializa as localidades e atrai os visitantes, em Pirenópolis o
tombamento do
Centro
Histórico alçado à
categoria
de
Patrimônio
Histórico
e Cultural Nacional, valorizou os imóveis provocando a expulsão dos
antigos moradores para a criação das condições necessárias para a
adequação da área à nova imagem pretendida pela administração municipal
(SILVA, 2008).
O interesse pelo Turismo pode ser acompanhado pelos dados
estatísticos relacionados ao deslocamento de pessoas, confirmados em
estatísticas, mas também está na criação de novos significados, na sua
capacidade de (re) organizar sociedades, de (re) condicionar o
ordenamento do espaço territorial e nas transformações das relações
sociais promovendo mudanças econômicas, culturais e sociais (MENDONÇA,
2003).
Na
medida
em
que
os turistas se deslocam buscando
conhecer
novas
culturas,
levam a
sua
própria
cultura,
que
é
diferente,
e
eles
encontram nas
cidades
pessoas
interessadas
em
conhecê-la e consumi-la.
Até
então,
pode-se
presumir
que
deveria
acontecer
apenas
o desejado
intercâmbio
cultural.
Todavia a
identidade
local
nas
comunidades
receptoras de visitantes
passa
por
um
processo
de
aculturação.
Novos
hábitos
surgem do
processo
de relacionamento
entre
essas
comunidades
e os turistas.
Como
resultado
desta
prática
acontece a
perda
da
identidade
local
com
a
assimilação
de
novos
hábitos
provenientes do relacionamento do turista
com
a população (SILVA, 2008, p. 15-16).
As raízes destas
contradições
residem no
fato
das
comunidades
receptoras
nem
sempre
estarem preparadas, no
sentido
de
entender
o
valor
de
suas
tradições,
seus
hábitos
e
costumes,
e começarem
então
a
desprezar
sua
própria
cultura
e “substituí-la”
pela
cultura
do turista,
mesmo
que
involuntariamente.
Com
o
tempo,
festas
religiosas e pagãs começam a
perder
seu
valor,
a
culinária
típica
começa
a
ser
substituída,
até
a
maneira
de
vestir
e a
linguagem
utilizada
são
modificadas. O
resultado
é
que
além
de perderem
sua
identidade,
perdem o
seu
principal
atrativo
para
o
Turismo:
a singularidade e a
originalidade
de
sua
cultura.
A atividade turística tem representado uma nova oportunidade de
crescimento econômico para o município de Pirenópolis-GO, mas em
decorrência das modificações impostas pelas demandas de Turismo e de
Lazer no Brasil Central, esta cidade passou por um processo de (re)
configuração urbana, de transformação nas relações sociais e na cultura,
experimentando um processo de esvaziamento da sua população em direção a
centros urbanos maiores e de perda da identidade cultural (SILVA, 2008).
Neste município, a atividade turística já é a terceira fonte de
arrecadação, conforme informações obtidas no Centro de Atendimento ao
Turista - CAT. O destaque a partir do final da década de 1980 é o
Ecoturismo devido ao bom índice de preservação do meio ambiente, pois,
as atividades tradicionais na localidade sempre foram praticadas de
forma extensiva com a finalidade de prover a subsistência dos produtores
rurais e de suas famílias, sem os interesses comerciais que marcam o
moderno agronegócio.
As transformações constatadas pelos autores em Pirenópolis-GO
estão relacionadas a presenças dos visitantes. Os moradores do Centro
Histórico cederam o espaço residencial para a implantação de atividades
se apoio e suporte as necessidades dos visitantes, lojas de lembranças e
presentes, hotéis, pousadas, bares e restaurantes. Outras foram vendidas
aos visitantes, que as mantêm fechadas a maior parte do ano, funcionado
como segunda residência. No lugar dos restaurantes de comida típica,
surgiram as pizzarias e a culinária internacional.
A
localidade
passou
por
um
processo
de transformação na
malha
urbana.
As mudanças ocorrem
não
somente
na
direção
do atendimento das
demandas
criadas
pela
atividade
turística, e
pelo
tombamento
da
cidade
pelo
IPHAN,
mas
também
pelos
movimentos
populacionais. A
vinda
de
novos
moradores, a
saída
de
pessoas
que
preferiram
viver
em
outras
cidades,
as
pessoas
que
optaram
por
uma
segunda
residência
na
localidade,
a acessibilidade e o êxodo
rural
interno impulsionou a
construção
de
novos
traçados
para
o
tecido
urbano.
Turismo e o Ecoturismo como indutores do desenvolvimento
Dentro do Turismo um novo segmento, o Ecoturismo, vem ganhando adeptos e
importância, esta prática pode ser definida como uma atividade baseada
na natureza, em que a motivação dos turistas é observar e apreciar as
belezas naturais e as culturas tradicionais existentes nas pequenas
localidades e na zona rural, sem participação ativa, ou seja, evitando
interferência (SILVA, 2008).
O meio ambiente é o principal produto do Turismo Ecológico, ele é o
ingrediente essencial e poderoso para o fascínio dos turistas, a sua
conservação é vital para manter o poder de seduzir e, portanto existe a
necessidade do envolvimento da população autóctone no processo de
planejamento e de exploração econômica dos atrativos naturais. O
Ecoturismo é uma atividade com impactos ambientais mínimos, ao
praticá-lo os turistas procuram a satisfação de necessidades legítimas
como o “[...] repouso, a diversão, a recreação e a cura, [também buscam
a realização dos anseios] intelectuais, espirituais e de conhecimento” (FURLAN;
NUCCI, 1999, p. 101).
O Ecoturismo no final do século passado experimentou um grande
desenvolvimento, a partir da década de 1990 "o boom do ecoturismo
é tal que em todo o mundo surgiram destinos ecoturísticos, que oferecem
atividades e projetos relacionados com a interação homem-natureza"
(DIAS, 2003, p.103). No Brasil apesar de haver muito espaço para o
crescimento do Turismo Ecológico, o setor ainda enfrenta muitos
problemas, mas está se estruturando e avançando.
O ecoturismo é o
segmento que mais cresce no mundo. Representa hoje 8 % do mercado
global. No Brasil, onde existe cerca de 200 agências de ecoturismo, o
crescimento é de 30 % ao ano. A maioria do público das agências de
ecoturismo tem entre 25 e 35 anos, é formada por solteiros com curso
superior; 75 % são mulheres (FURLAN; NUCCI, 1999, p. 101).
A economia moderna usa os recursos naturais de forma intensa com o
objetivo de produzir cada vez mais e alcançar lucros crescentes. As
atividades agrárias são reconhecidamente fortes depredadoras dos
recursos naturais. Os efeitos devastadores dessa prática têm sido a
destruição de ecossistemas frágeis como o cerrado, onde a utilização de
técnicas modernas e a mecanização do campo produziram enorme devastação,
fenômeno ainda inexistente em Pirenópolis, pois na localidade a
agropecuária praticada era destinada à subsistência do produtor e da sua
família.
Nas sociedades contemporâneas o aperfeiçoamento técnico “[...]
na procura de aumento da produtividade por hectare e por trabalhador
visando aumentar a lucratividade, o ambiente natural está cada vez mais
sendo alterado, chegando em algumas áreas do Brasil e do mundo a
verdadeira degradação ambiental” (ROSS, 2005, p. 225).
O Poder Público e a população de algumas cidades do Cerrado, como
Pirenópolis, no Estado de Goiás, já possuem uma interação com a
atividade turística e exploram o Turismo incentivando as festas
folclóricas e religiosas, promovendo eventos e criando uma estrutura
para apoio aos visitantes. A cidade recebe um expressivo número de
turistas, interessados no Turismo Histórico e Cultural.
No caso de Pirenópolis-GO, o poder público e a iniciativa privada têm
usado as manifestações culturais como: a festa do morro, a festa do
divino e as Cavalhadas, e promovido festivais para atrair mais
visitantes ao município. As cavalhadas, que retratam as guerras entre
cristãos e mouros merecem atenção especial, foi construído um local
apropriado para a realização da encenação, o cavalhódromo, com a
finalidade de dar mais conforto e permitir uma presença maior de público
às encenações (SILVA, 2008).
Os principais fluxos de turistas, que alimentam a demanda
regional por Lazer partem do Distrito Federal, de Goiânia e de Anápolis,
as maiores cidades desta região goiana, na busca dos atrativos naturais,
culturais e históricos existentes na região denominada Entorno do
Distrito Federal com destaque para a cidade de Pirenópolis-GO.
O município de Pirenópolis-GO vem experimentando um “boom” no setor de
Turismo, desde o final dos anos 1980, esse fenômeno tem motivado o
crescimento da malha urbana e promovido a periferização da população
tradicional, que está se deslocando do centro histórico para os novos
bairros e loteamentos que surgiram na periferia da cidade, esse fenômeno
já foi constatado em outras localidades por vários pesquisadores (SILVA
ET AL., 2007; DIAS, 2003; MENDONÇA, 2003; BARBOSA, 2001).
Atualmente a rede hoteleira local é bastante variada, possuindo
desde as tradicionais pousadas, aos luxuosos hotéis, além de varias
áreas de camping. Recentemente o Serviço Social do Comércio - SESC
inaugurou um balneário que oferece estadia a preços populares. O acesso
ao município é fácil, existindo várias opções por meio rodoviário e um
aeroporto de médio porte. A cidade possui uma razoável infra-estrutura
urbana para o atendimento ao visitante, praças, restaurantes, bares com
música ao vivo, teatro, cinema, enfim varias atividades destinadas a
promover o bem estar do visitante (SILVA, 2008).
Apesar das modificações e dos novos usos urbanos impostos pelo
Turismo, a população local consegue conviver com as novidades, em parte
isso ocorre por que a freqüência dos turistas acontece nos feriados,
fins de semana, datas festivas locais, sempre em períodos curtos. Após a
partida dos visitantes a comunidade retoma novamente a sua rotina e se
apropria dos equipamentos urbanos, utilizando-os da forma costumeira com
os seus usos tradicionais.
Considerações
O Turismo é uma atividade antiga, desde os mais remotos tempos,
as pessoas se deslocavam pelos mais variados motivos, essas viagens
manifestavam o interesse de conhecer novas regiões, novos povos e de
aumentar o conhecimento dos que as realizavam. Os deslocamentos criam
oportunidades econômicas e geram riquezas. Os empreendedores aproveitam
as possibilidades investindo seus recursos financeiros na busca do
lucro, porém para obterem sucesso precisam do trabalho de outros, assim
geram empregos e renda nas comunidades emissoras e receptoras de
turistas. Junto com os benefícios econômicos e sociais surgem os
problemas, decorrentes de um planejamento equivocado ou da falta de
preparo dos agentes para lidarem com as demandas do setor.
A atividade turística experimentou um crescimento acelerado nas
últimas décadas do século XX, especialmente nos países desenvolvidos.
Esta nova realidade ocorreu devido ao aumento das disponibilidades
financeiras e do tempo livre, da melhoria dos sistemas de transportes,
de comunicações e do processo de globalização da economia mundial, que
em conjunto, ajudaram o Turismo a se tornar uma atividade de massa, com
importantes repercussões na economia dos países e das localidades
receptoras.
A transferência da Capital Federal para o interior, promoveu
transformações na região do cerrado como: a acelerada urbanização, a
modernização do campo, o crescimento econômico e a implantação de
moderna rede de infra-estrutura, que juntas integraram o Centro-Oeste
com as demais regiões do país, incrementando as correntes migratórias em
direção a área central do país e criando um fluxo intra-regional de
pessoas, fatos que combinados tornaram o Turismo uma importante
atividade na economia da região Centro-Oeste e de forma especial nas
pequenas cidades históricas como Pirenópolis situada na região do
entorno do Distrito Federal.
A localização geográfica do município, nas proximidades dos dois maiores
centros urbanos regionais, Goiânia-GO e Brasília-DF, associada ao
moderno e eficiente sistema viário implantado para facilitar o acesso à
cidade são fatores que favorecem a exploração do Turismo. A exploração
desta atividade permitiu o crescimento econômico do município e trouxe
outros benefícios junto com os visitantes como: o aumento do nível
cultural; a melhoria na infra-estrutura urbana, nas vias de acesso à
cidade e nos serviços públicos.
Os poderes público estadual e municipal aproveitaram o potencial dos
atrativos turísticos existentes no município e incentivaram a exploração
econômica da atividade do Turismo em todas as suas modalidades. Os
atrativos históricos, culturais, naturais e gastronômicos despertam
forte interesse e curiosidade.
O Turismo Histórico e o Turismo Cultural são segmentos que merecem
destaque e atraem a presença de visitantes em Pirenópolis-GO, mas devido
ao comportamento inadequado dos turistas e a sua disposição de
consumirem os atrativos sem se preocuparem com a degradação dos mesmos
criam problemas para a conservação dos atrativos naturais, históricos e
culturais.
O Ecoturismo se apresenta como uma alternativa de
desenvolvimento ainda pouco explorada e com importante potencial de
crescimento na cidade de Pirenópolis-GO. Os atrativos naturais
apresentam uma grande variedade, possibilitando o satisfatório
atendimento do ecoturista, que em número cada mais expressivo tem
procurado esta cidade, onde desfrutam os recursos naturais, descansando
e se afastando do cotidiano agitado dos centros urbanos.
O potencial dos atrativos existentes em Pirenópolis-GO despertou um
forte interesse entre os habitantes dos grandes centros localizados na
Região Centro-Oeste. O desejo por um maior contato com o meio natural,
tornou o Ecoturismo uma importante alternativa para o desenvolvimento
das pequenas cidades localizadas no Entorno do Distrito Federal. Em
algumas pequenas cidades como Pirenópolis a exploração econômica do
setor já é uma realidade e tem dinamizado a economia local gerando
renda, criando postos de trabalho, ampliando as oportunidades de
investimentos e promovendo a inclusão social.
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