.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - 11/11/2006 17:48:22 

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Planejamento e turismo do bairro do Bixiga na cidade de São Paulo: trajetórias e reflexões
Clézio Santos

 

Resumo 

A artigo é resultado da sistematização e análise das pesquisas que o Laboratório de Planejamento e Cartografia do Curso de Turismo do Centro Universitário Ibero-americano (UNIBERO) desenvolveu de 1998 até 2003 sobre o bairro do Bixiga na cidade de São Paulo. O artigo esta dividido em cinco partes além a introdução e das considerações finais. 1) Discussão sobre as idéias de planejamento turístico, 2) O Caminho metodológico adotado 3) Discute o uso e a ocupação do solo do bairro do Bixiga, 4) Apresentação de dois roteiros turísticos no bairro do Bixiga: cultural e casas noturnas. 5) Reflexão sobre o material cartográfico produzido sobre o bairro do Bixiga. O artigo caracteriza o esforço de produção na área de turismo voltado à questão do planejamento urbano, utilizando como exemplo o bairro do Bixiga na cidade de São Paulo.

Palavras-chave: planejamento urbano, turismo urbano, geografia do turismo, cidade de São Paulo, Cartografia.

 

Introdução 

As pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Planejamento e Cartografia do curso de Turismo do Centro Universitário Ibero-americano (UNIBERO) são variadas. Existem desde os projetos internos do laboratório, projetos disciplinares, relatórios de estágios, iniciações científicas, trabalhos de conclusão de curso, até os projetos externos, frutos de pesquisas como a Brinquedoteca e os monitores do Bixiga, ligados à comunidade do bairro. Entretanto, muitas dessas pesquisas foram pouco ou não divulgadas. Essa situação levou-se a criar um capítulo de nosso trabalho que reunisse a produção científica produzida pelo UNIBERO sobre o Bixiga em compêndio bibliográfico, com breves comentários e um índice remissivo por tema. Esse compêndio serviu de embasamento para o projeto e tem como propósito oferecer os assuntos pesquisados sobre o Bixiga para futuros trabalhos.

O artigo é de certa forma uma prestação de conta do momento em que atuei como supervisor do Laboratório de Planejamento e Cartografia do UNIBERO. Além da relevância de organizar e fazer um balanço do que foi produzido em termos de conhecimento sobre um mesmo objeto de pesquisa na área de Turismo, no caso o bairro do Bixiga. Portanto, com todos os problemas que um trabalho desse gênero possa apresentar, ele é um esforço para garantir a memória das pesquisas produzidas por uma instituição de ensino superior na área de Turismo, na difícil tarefa de procurar entender e refletir o espaço que a cerca e a envolve.

O Bixiga contem o Centro Universitário Ibero-Americano (Unibero) e este, está imerso em sua espacialidade. Discutir o processo de inclusão e exclusão espacial não é o tema desse trabalho, mas fica o convite para se conhecer um trabalho de inclusão dos conflitos de um espaço metropolitano chamado Bixiga. 

1.          Planejamento e turismo 

O Laboratório de Planejamento e Cartografia por ser uma unidade pertencente ao curso de Turismo e tem como meta desenvolver e dar apoio aos projetos na área de Truísmo. Deve pensar em refletir as inúmeras teorias do planejamento, seja ele urbano, municipal, regional ou natural, aplicados na esfera do turismo. Essa necessidade nos faz constantemente procurar aplicar teorias, posturas e idéias sobre a organização espacial do turismo e para tanto, o planejamento é fundamental.

Segundo IGNARRA (1990:4) “o planejamento é um processo contínuo de tomada de decisões, onde se prevê o curso dos acontecimentos e a situação futura desejada. Assim, deve ser sistemático e flexível para que se atinja os objetivos determinados, tornando um processo lógico de pensamento, onde se aborda racionalmente e cientificamente os problemas identificados ao se analisar a realidade”.

Um planejamento consiste na definição dos objetivos, na ordenação dos recursos materiais e humanos, na determinação dos métodos e formas de organização, no estabelecimento das medidas de tempo, quantidade e qualidade, na localização espacial das atividades e outras especificações necessárias para canalizar racionalmente a conduta para o alcance dos resultados pretendidos. O planejamento é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos, conduzindo a mudanças estruturais de realidades existentes, sem perder de vista a sensibilidade do planejador, que antes de qualquer coisa é um pesquisador, um estudioso. Sendo um processo em movimento, é admissível a permanente revisão, a correção do rumo, exigindo um repensar constante.

No turismo, um planejamento constitui o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da atividade, determinando suas dimensões ideais, para que se possa estimular, regular ou restringir sua evolução. Um bom planejamento de turismo requer pesquisas sociais nas quais toda e qualquer tentativa de neutralidade seria um desrespeito para com os sujeitos que necessariamente fazem parte do processo, requer um espírito de pesquisa, requer um esforço para compreensão dos problemas do lugar.

Para se realizar um bom planejamento aplicado ao turismo, é importante contextualizar as definições sobre o que é o turismo e o que é lugar turístico, que o planejamento vai articular diretamente turismo e lugar. Em especial nesse trabalho um lugar chamado Bixiga.

Turismo: é um tipo de deslocamento, realizado para fins de lazer; segundo a OMT (Organização Mundial de Turismo) para que exista turismo é preciso que o indivíduo permaneça fora de seu domicílio habitual por um tempo superior a 24 horas, ou seja, que dispense ao menos uma pernoite em lugar distinto de sua residência.

Lugar turístico: é, em geral, considerado o lugar onde o turismo atua como atividade econômica importante ou os lugares em que se acredita haver algum potencial para o desenvolvimento da atividade. Considerando, entretanto, que a valorização de lugares para fins turísticos é um dado cultural e que a cultura muda no espaço e no tempo, todo lugar do planeta pode ser considerado “lugar turístico. O “espaço turístico” não se restringe, portanto, aos lugares turísticos da atualidade.

Pode-se verificar que o Bixiga, um bairro encravado na área central da metrópole paulistana, é um lugar turístico dentro dessa metrópole, concentrando atividades econômicas relevantes para movimentar o turismo urbano, como a rica gastronomia e também lugar de moradia em áreas centrais, portanto, lugar de conflito.

Esse lugar de conflito que é turístico, torna-se em desafio que o planejamento aplicado ao turismo deve enfrentar. Esse estudo antes de tudo, foi um desafio que o Unibero se lancem para pensar o bairro do Bixiga e suas repercussões na metrópole paulistana. Pensar o lugar turístico, passa a ser um fator importante na visão de planejamento que se implantou nesse trabalho. 

2. Notas metodológicas 

A metodologia para o desenvolvimento dos recursos turísticos é complexa e existem inúmeros estudos e propostas, porém os objetivos e as prioridades são altamente influenciados por critérios de ordem política, social e econômica. Necessita-se coordenar a atividade turística com outras atividades econômicas, integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos e físicos do lugar, pois um plano de desenvolvimento turístico não integrado com outros programas sociais, econômicos e físicos do lugar, acaba sendo um empreendimento isolado que nem sempre atinge os objetivos propostos.

Frente à complexidade que envolve a metodologia ou as metodologias utilizadas para implantar o planejamento do turismo,nesse trabalho adaptam-se vários instrumentos metodológicos, dependendo do momento, dos objetivos e das limitações que o projeto enfrentou. Deve-se lembrar que o projeto Bixiga vem se desenvolvendo desde 1998, com objetivos diversos e equipes de pesquisa distintas. Essas mudanças acabaram alterando as linhas metodológicas adotadas. Procura-se nessas notas metodológicas expor os caminhos adotados pela equipe para a conclusão da pesquisa sobre o Bixiga.

Do ponto de vista do processo racional, as etapas de planejamento podem ser classificadas em reflexão diagnóstica (estudo e decisões), ação, reflexão crítica (avaliação e novas decisões). A etapa de diagnóstico é dimensionada por análises, sínteses, definições de objetivos e metas; é uma investigação, reflexão, compreensão e juízo dos dados da realidade a partir de um quadro normativo definido, com fins