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Para
Boullón (2002, p. 189) as cidades são ambientes cridos pelo homem,
portanto um espaço cultural, cujo objetivo é a vida em sociedade. Assim
como para Castrogiovanni (2001, p. 23) que compreende as cidades como
uma representação fiel dos "macromovimentos sociais", entendendo as
cidades como "um recorte do mundo, onde independentemente de suas
dimensões ou relevância regional, vibram e transformam-se de acordo com
as necessidades e solicitações das políticas e movimentos sociais
locais, atrelados aos universais". Isso explica as singularidades de
cada cidade por ser um ambiente artificial criado e construído pelo
homem, pode-se concluir assim como Boullón (2002, p. 189) que homens
diferentes construíram cidades diferentes, conforme suas necessidades e
características naturais do local. Portanto para Castrogiovanni (2001,
p. 23) as cidades devem ser compreendidas como representações das
condições humanas, que são representadas na arquitetura e na ordenação
dos elementos urbanos, desta forma deixando testemunhos na paisagem de
tais espaços.
As
cidades, cada qual com suas características arquitetônicas e de
urbanismo, se mostram como produtos diferenciados para o turista que ao
se deparar com uma paisagem cheia de simbolismo e códigos, muitas vezes
se sentem agredidos e ao mesmo tempo impulsionados a decodificar esta
paisagem. Para Wainberg (2001, p. 13) "a percepção é estimulada pelo
estranhamento causado por sua arquitetura, vias limites, bairros, pontos
nodais, marcos, avenidas, cafés e bares; Há cores e odores. Hábitos e
costumes. História e memória. No campo estranho, todo detalhe é
relevante na composição do todo." O mesmo autor ainda complementa, "a
semiótica do ambiente urbano nos ensina que a cidade deve ser vista como
uma escrita, uma fala a ser interpretada pelo transeunte."
Como
pode-se aferir, as cidades são muito mais que simplesmente aspectos
políticos ou as sedes administrativas dos municípios, elas são "o espaço
territorializado, apropriado pelas sociedades." (CASTROGIOVANNI, 2001,
p.24). Portanto tais espaços são um resultado da evolução social, onde
os espaços são produzidos e reproduzidos, através do tempo, pelas suas
sociedades, segundo o autor este espaço são "instâncias da sociedade",
portanto o espaço é influenciado e influência o desenvolvimento não só
da sociedade do período que foi produzido mas sim das demais sociedade e
das outras instâncias da sociedade.
"O tecido
urbano é dinâmico e inserido no processo histórico de uma sociedade."(
CASTROGIOVANNI, 2001, p. 25) Este dinamismo transforma as cidades a cada
momento modificando as paisagens e dando novos valores aos espaços.
A cada
instante há mais do que os olhos podem ver, do que o olfato pode sentir
ou do que os ouvidos podem escutar. Cada momento é repleto de
sentimentos e associações a significados, portanto, há uma constante
construção de significações. A cidade é o que é visto, mas mais ainda, o
que se pode ser sentido. É com esse olhar que devem agir os
profissionais do turismo a fim de serem especulativos e com isto, mais
criativos. Sendo assim, é possível sempre descobrir novas possibilidades
para a oferta de atrativos turísticos urbanos. (CASTROGIOVANNI, 2001, p.
25)
Isto
porque uma cidade é muito mais do que simplesmente os olhos podem ver é
preciso conhecer profundamente sua história para que se possa ver as
cidades com verdadeiros "olhos de ver", não ver simplesmente suas
formas, mas o que estas formas representam e representaram para uma
determinada sociedade em um determinado período de tempo.
Mas a
percepção de uma cidade não se dá de forma imediata na realidade ela é
uma soma de imagens que o ser humano captura e retêm em sua memória,
portanto a formação da imagem de uma cidade "se realiza no transcurso do
tempo, pela soma das imagens parciais que o espaço físico transmite que
o homem registra em sucessivas vivências (visão em série)" (BOULLÓN,
2002, p. 193). E assim se constrói a imagem da paisagem urbana.
Nem todas
as cidade apresentam o mesmo grau de dificuldade de captação de sua
paisagem urbana. Em primeiro lugar, o tamanho é principal obstáculo para
se conhecer uma grande cidade, o traçado é o segundo, e a topografia e o
tipo de arquitetura o terceiro e o quarto. (BOULLÓN, 2002, p.194)
Portanto
muitas vezes o turismo não consegue captar o real significado de um
determinado espaço para a comunidade local, pois a imagem da cidade
segundo Lynch é vista da seguinte forma:
as
imagens ambientais são o resultado de um processo bilateral entre o
observador e seu ambiente. Este último sugere especificidades e
relações, e o observador - com grande capacidade de adaptação e à luz de
seus próprios objetivos - seleciona, organiza e confere significado
àquilo que vê. (SILVA, 2004, p. 25).
Desta
forma pode-se perceber que a imagem formada de uma cidade pelo visitante
depende muito de seus valores, formação e sensibilidade de cada
observador sendo assim cada turista forma uma imagem do local observado,
portanto a satisfação do turista muitas vezes está nos objetivos do
visitante.
Na
leitura urbana não se pode deixar de considerar as singularidades
étnicas e o comportamento da comunidade local. "A coexistência de
manifestações, documentos, agentes e processos, os mais díspares ou
similares possíveis conferem à vida urbana diversidades, portanto uma
riqueza de possibilidade na oferta turística.". Sua identidade sua
originalidade seus hábitos e costumes, sendo estes diferentes dos já
conhecidos pelo turista e tal estranhamento aguça o interesse do
visitante a interpretar e conhecer tal espaço. Para Wainberg (2001, p.
18) esta identidade bem definida torna um elemento fundamental para que
a cidade se torne uma cidade turística onde o turista possa identificar
seus símbolos, e assim incentivando esta a sua exploração.
Portanto
todo estranhamento é fundamental, pois tais detalhes se encontram nas
paisagens das cidades que devem ser lidas e interpretadas. O fenômeno
turístico nos ambientes urbanos é fortemente visual. Assim pode-se
salientar que a cidade é local do olhar, onde cada turista observa e
assimila a cidade de uma forma diferente.
como
dito, a cidade é o lugar do olhar. É o que ensina Massino Canessi. Cada
cidade fala diferente. Os olhares transeuntes captam esse discurso sem
vozes. Algumas dessas falas icônicas emocionam, outras causam repulsa. O
olhar se fixa numa seleção de diferenças que provocam e que se tornam
ela próprias a razão mesma da peregrinação.
Wainberg (2001, p. 15)
O turista
ao decidir por uma localidade como sua destinação turística é
influenciado por diversos fatores, que transformam a atividade do
turismo em algo complexo, entre os fatores destaca-se a contemplação e o
imaginário coletivo, a mídia de uma forma geral que valoriza e repassa
ao seu usuário informações sobre destinações turística, que afetam
diretamente os turistas, desenvolvendo suas motivações.
Destas
motivações é possível comentar que o ser humano é insaciável,
principalmente em se tratando de curiosidades, a forma como se tem para
sanar tais motivações é por meio do conhecimento dos aspectos culturais,
históricos e sociais dos locais visitados. Este conhecimento muitas
vezes pode ser adquirido nos centros das sedes das destinações
turísticas. "As atratividades nos centros urbanos muitas vezes não são
aproveitadas a contento, ou nem mesmo é entendido que sejam de
importância para a atividade turística." (RIBEIRO, 2002, p. 145). Assim
o que é comum em muitos casos é a não utilização de uma série de
artefatos localizados nestes espaços, de valor histórico e cultural,
devido a sua história e arquitetura, que acabam se degradando ou então
sendo utilizados para outras atividades de gosto duvidoso.
Tais
prédios ou espaços fazem parte da atratividade dos centros urbanos
brasileiros, que está "centrada no grau de interesse arquitetônico,
histórico e cultural que o patrimônio histórico e demais componentes da
paisagem urbana geram na visitação e nos serviços existentes, enquanto
atração de "consumo cultural". (RIBEIRO, 2002, p.146)
Para
tanto é preciso que tais patrimônios sejam revitalizados com o objetivo
de resgate da memória, para que estes possam ser inseridos como espaços
de lazer, cultura e prestação de serviços para a sua comunidade e para
seus visitantes,
o passado
é que torna o lugar mais que um espaço; que herança é a possessão que os
atuais fazem de eventos do passado; que sendo o patrimônio de uns razão
de contrariedade de outros, há dissonância, o que demanda resolução do
conflito em torno da memória para que os presentes se apropriem de um ou
mais de um patrimônio capaz de proporcionar desfrute; que tal desfrute
não é físico em essência, mas que proporciona idéias intangíveis e
sentimentos sob controle antes de tudo. E uma experiência com sabor
cultural, em primeiro lugar. Wainberg (2001, p. 14)
Portanto
ao se analisar desde o ponto econômico e cultural, a revitalização de
lugares que apresentam estas características, pode vir a ser um bom
negócio, mas há a necessidade de firmar parcerias entre a empresa
privada e pública, para que a revitalização e o restauro seja possível.
Portanto
suas edificações e espaços abertos ainda existentes que possuem alguma
característica de atratividade turística acabaram perdendo seu valor,
sendo necessário projetos de revitalização e restauração de tais espaços
para que estes possam servir para o propósito de lazer, convivência e
atração turística.
"A
atividade turística passou a representar uma nova alternativa na luta
pela preservação do acervo arquitetônico, vista como uma estratégia no
próprio convencimento em se tratando de leis de tombamento e
manutenção." (RIBEIRO, 2002, p. 146)
Por outro
lado, não podemos caracterizar somente edificações e conjuntos
arquitetônicos como atratividades destinadas ao Turismo. Pensar e
planejar áreas de lazer aliadas a espaços ociosos da urbe e sua
posterior valorização através de parques e praças com motivos culturais
e históricos são formas de resgate da cultura e homenagem a etnias que
habitam as cidades.(RIBEIRO, 2002, p.148-149)
Assim
transformando lugares degradados em espaços com uma "proposta de cultura
e lazer voltada para os habitantes da cidade bem como para
turistas[...]."(RIBEIRO, 2002, p. 149).
Portanto
o turismo pode vir a ser para as cidades uma alternativa de
desenvolvimento e revitalização de alguns espaços degradados, criando
assim não só um novo produto turístico mas uma nova área de lazer para
sua própria comunidade
Segundo
Scherer (2002, p. 103) "A melhor coisa que uma cidade tem a oferecer ao
turista é ela mesma, na medida em que cada cidade tem sua feição, seus
sons, aromas e paisagens, seus encantos explícitos ou reservados aos
poucos que se dispõe a buscá-los, cristalizados ao longo do tempo que a
tornam única."
Para
concluir deve-se considerar : "A cidade é um mundo de representações.
Pode ser pequena ou uma metrópole; ela pulsa, vive, seduz, agride,
transforma-se e transforma aqueles que nela interagem." (CASTROGIOVANNI,
2001, p.31)
A cidade
é viva, possui a sua própria identidade, apresenta um dinamismo de
relações que se alteram ao ritmo de diferentes circunstâncias, portanto
sempre é possível a renovação urbana. A cidade deve ser vista como um
bem cultural, em que devem ser valorizadas funções culturais que atendam
à qualidade de vida dos seus habitantes. (CASTROGIOVANNI, 2001, p.31)
As
cidades possuem uma atratividade ao turismo como lugares com níveis
variados de motivação, sendo assim tais espaços se encontram na equação
do turismo como sendo a oferta turística. Assim ao se tratar de um
planejamento urbano voltado ao turismo nos espaços urbanos deve-se
adotar uma hierarquização de atrativos e de caminhos para que a
experiência vivida pelo turista seja a mais agradável possível.
Referências:
Boullón,
Roberto C. Planejamento do espaço turístico. Trad. Josely Vianna
Batista. Bauru: EDUSC, 2002
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. Turismo e ordenação no espaço urbano.
In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. Turismo urbano.
São Paulo: Contexto, 2001
RIBEIRO, Marcelo. A atratividade dos centros urbanos e
o turismo. In: GASTAL, Susana. Turismo: 9 proposta
para um saber-fazer. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.
SCHERER,
Rebeca. Paisagem urbanística, urbanização pós-moderna e turismo.
In: YAZIGI, Eduardo (org.). Turismo e paisagem. São Paulo:
Contexto, 2002
SILVA,
Maria da Glória Lanci da. Cidades turísticas: identidades e cenários
de lazer. São Paulo: Aleph, 2004
WAINBERG,
Jacques. Cidades como sites de excitação turística. In:
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. Turismo urbano. São Paulo:
Contexto, 2001
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