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Hoje em dia é incontestável o valor
do meio ambiente para a o turismo, sendo que o contato com a natureza é
atualmente uma das maiores motivações que leva o turista a viajar. "A
deterioração dos ambientes urbanos pela poluição sonora, visual e
atmosférica, a violência, os congestionamentos e as doenças provocadas
pelo desgaste psicofísico das pessoas são as principais causas da "fuga
das cidades" e da "busca do verde" nas viagens de férias e de fim de
semana." (RUSCHMANN, 2001, p.19). Assim compreende-se que o meio
ambiente é um elemento essencial para o desenvolvimento do turismo, já
que este consiste na matéria prima da atividade turística, portanto seu
uso de forma racional e responsável deve ser uma constante nesta
atividade.
Mas esta visão não foi sempre a
realidade, é possível dizer ainda que "O turismo e o meio ambiente não
têm se caracterizado por um relacionamento harmonioso" (RUSCHMANN, 2001,
p.20). Mas que a partir da década de 70, todo o planeta acordou ou
melhor, despertou para problemática ambiental. Reuniões como a ECO-72
realizada em Estocolmo que reuniam cientistas, ambientalistas e
representantes de países começam a discutir a problemática da degradação
ambiental e a ecologia. Após vinte anos outra reunião foi realizada
agora no Rio de Janeiro, a ECO-92, e o interesse por temas ligados ao
meio ambiente, também influenciaram o pensamento e o desenvolvimento do
turismo.
A relação do turismo e do meio
ambiente pode ser caracterizado em 4 fases distintas, segundo vários
estudos realizados na França, estas são segundo Ruschmann (2001):
- “A primeira fase, pioneira, ocorreu
no século XVIII, e se caracterizou pela "descoberta da natureza e das
comunidades receptoras". Os primeiros turistas tinham muita curiosidade
sobre os meios que visitavam e a leitura que faziam dessas áreas era bem
diferente daquela dos viajantes atuais. [...]. Sua motivações eram,
busca de ambientes onde a industrialização ainda não havia chegado ou de
centros turísticos desenvolvidos à beira-mar para bronzearem-se e
banharem-se.(RUSCHMANN, 2001, p. 20 grifo da autora) Esta
é a fase dos primeiros relacionamentos e dos primeiros equipamentos
turísticos. Portanto é uma fase onde o turista começa a procurar o meio
ambiente para fugir dos grandes centros, é uma fase ainda de convívio
equilibrado entre o turismo e o ambiente pois não é todas as pessoas que
podem viajar, então o número de turistas é reduzido sem a exigência de
grandes modificações no ambiente para que este possa ocorrer.
- A Segunda fase, “caracterizada por
um turismo "dirigido" e elitista, ocorreu no final do século XIX e
início do século XX. Não havia a preocupação com a proteção ambiental e
a intensificação da demanda estimulou as construções e o boom
imobiliário que atualmente caracterizam os centros turísticos mais
antigos da Europa. [...]. Trata-se da fase na qual a natureza é
domesticada, porém, não necessariamente esquecida, pois as empresas
turísticas limitavam seus produtos às estações e ao seu entorno, onde a
natureza e as civilizações tradicionais tinham seus direitos
garantidos." (RUSCHMANN, 2001, p.20 grifo da autora). Nesta fase ficam
marcadas as primeiras modificações no ambiente motivados pelo
desenvolvimento do turismo, quanto ao direito dos autóctones e os do
ambiente não foram garantidos, o que acontecia na realidade é que a
demanda mesmo que maior se comparada a fase anterior ainda era pouco
expressiva para que pude-se causar grandes danos ao ambiente onde o
turismo se desenvolveria.
- A terceira fase, que corresponde ao
turismo de massa “ocorre a partir dos anos 50 e tem seu apogeu no
transcorrer dos anos 70 e 80.
A demanda turística dos países desenvolvidos cresce em ritmo muito
rápido e as localidades turísticas vivem uma expansão sem precedentes.
[...]. Esse período é o mais devastador e se caracteriza pelo domínio
brutal do turismo sobre a natureza e as comunidades receptoras. Trata-se
de uma fase de excessos, [...]. Predominam o concreto, o crescimento
desordenado, a arquitetura urbana, a falta de controle de efluentes de
esgotos, a criação de marinhas, de portos artificiais e de estação de
esportes de inverno, onde várias construções ruíram por causa da falta
de estudos geológicos. Em resumo, um período catastrófico para a
proteção do meio ambiente" (RUSCHMANN, 2001, p. 21)
Observa-se desta forma que o turismo
teve seu grande desenvolvimento a partir da segunda guerra mundial
durante os anos 50 e 60, foi uma fase desastrosa na relação ambiente e
turismo, o aumento significativo dos viajantes devido as facilidades que
surgiram na época como o avanço nas tecnologias de transportes e
comunicações, as conquistas trabalhistas que s deram na época e a
expansão da economia mundial, proporcionaram que cada vez mais segmentos
da sociedade tivessem condições para consumo de bens e serviços, que
antes eram privilégio das elites. Tais fatos fizeram do turismo uma
oportunidade de crescimento econômico. Pois a cada ano gerava, mais e
mais renda devido ao aumento do fluxo de viajantes. Portanto muitos
países vislumbrados com as oportunidades do turismo, começam a
incentivar a atividade.
Neste período vivia-se a realidade de
que "os valores materiais proporcionados pelo "progresso" e
"prosperidade" advinda do crescimento econômico se sobrepunham às
questões ambientais, não se reconhecendo limites para o crescimento e
aceitando-se os riscos dele decorrentes." (PIRES, 2002 p. 34
grifos do autor). Este era um paradigma da época onde o crescimento
econômico em diversas atividades vinham causando danos ao ambiente onde
era desenvolvido, mas o fator econômico vinha sempre a frente dos
ambientais.
No início dos anos 70 este turismo de
massa, atinge sua plenitude, e começam a se evidenciar todos os
problemas causados por ele, sobre as comunidades autóctones a sobre o
meio ambiente. Este quadro atinge e fomenta críticas por parte de alguns
setores ligados ao turismo sobre este tipo de desenvolvimento
desordenado.
Atualmente, em
muitos países entrou-se em uma fase na qual o turismo passa a considerar
os problemas do meio ambiente. A partir dos anos
70, a qualidade do
meio ambiente começa a constituir elemento de destaque do produto
turístico: a natureza e as comunidades receptoras ressurgem no setor dos
empreendimentos turísticos, ainda massificadas, porém adaptadas à
sensibilidade da época. (RUSCHMANN, 2001 p. 21)
É importante ter em mente que o
turismo é um sistema aberto que influencia e é influenciado por outros
sistemas, e este por sua vez se encontra dentro de um sistema ainda
maior. Portanto estas mudanças que ocorreram na relação entre o turismo
e o meio ambiente não de deram por mérito somente do sistema turístico,
eles ocorreram devido a uma conscientização muito maior por parte da
sociedade dos problemas ambientais que ocorriam na época. Que tiveram
suas origens nos anos 60 quando algumas informações importantes sobre a
destruição de áreas naturais e seus ecossistemas, a deteriorização
ambiental, além de descobertas naturalistas e botânicas para medicina,
nas florestas tropicais e nas regiões periféricas. Extravasam do circulo
científica e começam a ser conhecidas por outras partes da comunidades,
tais informações começam a chamar a atenção da mídia devido a seu
caráter pioneiro e a sua importância, gradativamente começam a tomar
espaço nos meio de comunicações.
Assim nos anos 70 os problemas
ambientais são conhecidos por toda a sociedade, dando origem os
movimentos ambientalistas, "que se organizam em uma frente de reação ao
sistema econômico, cuja lógica de maximização da produção e otimização
do uso dos recursos naturais, renováveis ou não, subestima o custo
social e ambiental decorrente desse processo." (PIRES, 2002, p.
48). Tal movimento surge em um período em que outros movimentos de
caráter político-ideológico e contracultural estão em plena atuação,
portanto o que ocorre é uma identificação entre eles, formando uma união
e uma sinergia e união entre os movimentos.
Portanto dos anos 60 até o início dos
anos 70 vários eventos e diversos tratados em vários países foram
realizados para discutir a problemática ambiental, mas o ano de 72 foi
um marco para tais discussão, "pela primeira vez, então, expuseram-se e
discutiram-se, em escala mundial, os direitos da humanidade a um
ambiente saudável e produtivo. [...] da pressão e da mobilização de uma
sociedade que desapertava para a importância transcendente desse tema e,
por isso, firmou-se como um referencial do ambientalismo contemporâneo."
(PIRES, 2002, p.49), é a Conferencia das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente, realizada em Estocolmo.
Como não poderia ser diferente neste
momento que toda a sociedade repensava a forma de desenvolvimento das
atividades econômicas, isto refletiu diretamente no turismo, que até
este momento se desenvolvia de forma massificada causando custos
sociais, ambientais, culturais e econômicos. Sendo necessário novas
idéias para um desenvolvimento do turismo mais ordenado e que estivesse
de acordo coma ética vigente na sociedade.
Esta mudança começa a surgir nas
destinações turísticas por parte de suas comunidades, políticos e
ambientalistas que buscam reordenar seus espaços turísticos, para
atender a um turismo mais moderado, com operações de pequena escala,
dando ênfase aos recursos da comunidade, com poucas alterações na
localidade e um alto nível de envolvimento da população local. Esta nova
ética no turismo fruto de uma mudança do paradigma da época, resultado
de acontecimentos de caráter cultural e ideológico no âmbito geral da
sociedade, tem por finalidade "o respeito às populações autóctones, a
valorização de seu ambiente natural e de sua cultura." (PIRES, 2002,
p.44)
"As manifestações
de contracultura, que foram movimentos de libertação
político-ideológicos surgidos em oposição à sociedade
tecnológico-industrial e consumista, cujas bandeiras de luta incluíam as
questões ecológicas e ambientais, o antimilitarismo, o pacifismo e os
direitos da minorias, emprestam seu caráter contestatório e inovador Às
aspirações por um "turismo alternativo", como movimento de reação ao
"turismo massificado" então dominante." (PIRES, 2002, p.43 grifo do
autor)
Estas mudanças não se deram somente
por iniciativa da oferta turística mas também por parte da demanda que
motivada pelos idéias ambientalistas da época, fez com que
segmentos
crescentes de turistas insatisfeitos com a qualidade da experiência, de
viagem oferecida pelo modelo de turismo massificado, caracterizado pela
padronização das viagens e dos serviços e pela estereotipação dos
programas e pacotes, começam a expressar seu desejo por novas
alternativas turísticas, em que possam engajar-se em atividades sociais
e culturais, dessa forma dando mais sentido à sua auto-realização.
(PIRES, 2002, p.43)
Surgindo assim em resposta a todas as
transformações em que o paradigma atual estava passando surge o turismo
alternativo que, uma nova modalidade de turismo que busca uma inovação
na atividade, incorporando as transformações exigidas pela sociedade,
propondo outra forma de desenvolver a atividade turística em
contraposição ao turismo convencional.
Portanto devido a esta mudança de
paradigma, devido a crítica dos modelos de desenvolvimento econômicos,
imposto pela sociedade, e refletido para dentro do turismo, surge o
turismo alternativo que tem princípios éticos e humanitários, como a
valorização do patrimônio cultural e natural de um povo, o respeito à
dignidade humana e a educação, e a melhora da qualidade de vida da
população, preservação da natureza e a realização de experiências
turísticas autenticas enriquecedoras da condição humana.
O turismo alternativo é uma renovação
na forma de fazer turismo, um movimento que teve origem no ideal que se
forjava no descontentamento e na mobilização das opiniões mais sensíveis
e das camadas sociais atingidos pelo modelo predatório do turismo de
massas, que hoje encontra em pleno desenvolvimento na tentativa de
diminuir os impactos negativos do turismo, minimizar os problemas
ambientais e ser uma oportunidade de desenvolvimento moderado e ordenado
que promoverá o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida de uma
comunidade.
Referências
RUSCHMANN, Doris van
de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio
ambiente. 7. ed. Campinas: Papirus, 2001.
PIRES,
Paulo dos Santos. Dimensões do ecoturismo. São
Paulo: SENAC, 2002
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