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INTRODUÇÃO
A atividade
turística se apresenta nos dias atuais de forma conveniente em
determinadas localidades no que diz respeito à aplicação de
investimentos, pela sua possibilidade de geração de capital. É vista em
muitos locais como a solução para problemas de ordem econômica, contudo
em alguns casos ao invés de solucionar, acaba incidindo em novas
preocupações para os gestores. Tendo em vista estas situações pode-se
afirmar que na atualidade o planejamento é indispensável, em qualquer
atividade e/ou setor de cunho turístico. No entanto o processo em
determinadas ocasiões é deixado de lado, principalmente em órgãos
oficiais de turismo municipal.
Sem o planejamento
a atividade turística acaba se desenvolvendo de forma desordenada, e o
município pode passar a ser visto com um perfil que não condiz com sua
realidade. Em alguns casos, por não saber de suas potencialidades reais,
dá-se preferência a algumas atrações fracas, em detrimento de outras com
maior possibilidade de desenvolvimento, ocasionalmente situações como
esta ocorrem pela falta de aplicação de métodos de avaliação que
iriam apontar para as atrações com maior aptidão, ou ainda por causa de
interesses idôneos por parte dos gestores municipais.
Outro fato que
ocorre é o dos gestores públicos que usam da palavra potencial de forma
indevida em seus discursos, quando afirmam sobre a incalculável
potencialidade turística que o município possui, na maioria dos casos
sem saber a que se referem, acabam criando uma imagem sobre o local,
como se o município já fosse apto a desenvolver a atividade e receber
turistas, só que normalmente a realidade é bem distinta. No entanto,
como se pode dizer que um município possui potencial turístico se não
foi efetuada nenhuma pesquisa que permitisse tal afirmação?
É com base nestas
inquietações que se apresenta esta reflexão, que tem o intuito de
fomentar discussões sobre a avaliação de potencial turístico, entre
outros temas relacionados, e também o de motivar novas pesquisas acerca
da temática, por saber das necessidades de mensurar o potencial
turístico de uma localidade, sabendo da importância deste estudo para o
planejamento turístico, enquanto elemento norteador para o processo.
PLANEJAMENTO
TURÍSTICO
As definições de
planejamento são diversas, como sabe-se o turismo é uma atividade
eminentemente social, que não permite estudos similares aos das ciências
exatas sendo assim cada autor coloca seu ponto de vista quanto ao
processo. Um dos conceitos que toma-se para esta seção é o de Ruschmann,
(2004, p. 83) que dispõem de forma sucinta que o processo “é a atividade
que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar
objetivos propostos”. Já Barretto (2005, p. 30) aponta que o processo é
“[...] um mecanismo orientado para um futuro desejado, com os meios
efetivos para tornar este futuro uma realidade”, ou seja, para as
autoras o processo parte da premissa da existência de uma intenção,
tanto de um órgão público ou da iniciativa privada de fomentar o turismo
em determinado local, porém para isto serão necessárias condições e
meios para tal ação, que começa pela existência de recursos com
potencial, passíveis de desenvolvimento, para que através do
planejamento sejam alcançados os anseios intencionados nos objetivos e
torná-los realidade. Para complementar esta reflexão Petrocchi (2009, p.
2) coloca que o
planejamento
do turismo deve considerar todas as formas possíveis de contribuição ao
bem-estar dos moradores e desenvolvimento integral do destino. Porque o
turismo não é um fim em si mesmo e nos núcleos receptores existem as
aspirações da sociedade e outras atividades econômicas.
Vistas as
considerações acima e lançando um olhar sobre a atividade, o
planejamento se configura como ferramenta primordial de base, para que a
atividade se desenvolva de forma ordenada, e sem acarretar danos ao
espaço trabalhado. Pois é com medidas racionais e
previstas que se trabalha em harmonia, ainda que relativa, com o meio,
de modo a preservar o turismo do próprio turismo e para o turismo,
prevenindo os impactos nocivos a atratividade dos recursos,
otimizando o uso dos espaços, e dessa forma maximizando os benefícios,
quer sejam estes a entrada de renda para as localidades, a melhora da
qualidade de vida da população residente e a valorização da cultura
local (SOARES e CARDOZO, 2008).
Ainda tendo em
vista a importância do planejamento, pode-se citar sobre a visão futura
que o processo proporciona, fazendo com que muitos problemas sejam
solucionados no momento de planejar, mais um ponto relevante que faz com
que seu uso se torne inevitável, pois prima pelo desenvolvimento
ordenado da atividade turística.
AVALIAÇÃO
DE POTENCIAL TURÍSTICO
A problemática da
avaliação de potencial de espaços para o turismo vem sendo abordada há
certo tempo, no entanto são poucos os estudiosos que se arriscam a
pesquisar sobre o tema, problema que se deve a falta de material para
tal trabalho e a sua complexidade. Como coloca Smith (1992, apud
ALMEIDA, 2006, p. 34), sobre os problemas que cercam a investigação
descritiva de lugares, afirma que
o problema de
nomear, descrever e classificar os recursos recreativos e sua exploração
é um problema complexo e de múltiplas facetas e que, embora todos os
pesquisadores concordem com tal afirmação, todos eles estão de acordo
também com tal necessidade, porém não coincidem quanto à utilização de
um sistema único de classificação.
Ainda pesa sobre o
problema da avaliação de potencial a diversidade de recursos que podem e
devem ser avaliados, sabendo que cada um apresenta aspectos intrínsecos
de acordo com suas tipologias. Outro ponto é o que diz respeito a
subjetividade da análise de recursos, como exemplo pode-se tomar as
paisagens enquanto atrativo turístico, ou ainda o valor de um atrativo
perante outro de características similares, onde o olhar do planejador é
fator determinante no resultado final da avaliação. Pires (2001, apud
SILVA 2007, p. 28) afirma que mesmo sendo um mecanismo de intensa
discussão entre os diversos ramos do turismo, geralmente, sem a clareza
necessária nas suas propostas ou definições de métodos, a avaliação do
potencial turístico de um dado lugar pode ser realizada a partir de
inúmeras variáveis, sejam elas concretas ou abstratas que, geralmente,
estão associadas aos aspectos naturais e sócio-culturais de relevância
estética nos recursos e também na paisagem.
Para Almeida (2006
p. 216) potencial turístico pode ser entendido como
a existência de
condições objetivas favoráveis da oferta turística, dos aspectos
normativo-institucionais e de outros fatores complementares capazes de
viabilizar, por meio do adequado planejamento, uma exploração turística
sustentável destinada a satisfazer uma demanda atual ou latente.
Ignarra (2003, p.
85), discorre que a avaliação do potencial das atrações se dá juntamente
com o planejamento, na etapa do estudo diagnóstico da localidade e dos
recursos, que é o exame de todos os componentes do turismo tanto do
ponto de vista efetivo, quanto do ponto de vista potencial.
Já Leno Cerro
(1993) faz alusão à avaliação de potencial enquanto um ponto chave no
estudo de qualquer localidade quer seja turística, ou que tenha o desejo
de desenvolver a atividade. Quanto ao estudo (LENO CERRO, 1993, p.51)
aponta que
Os métodos de
classificação e inventário dos recursos constituem os primeiros passos
na análise do potencial turístico de uma zona, facilitando a
identificação daqueles elementos ou atividades que tenham certo poder
atual ou potencial para atrair a demanda turística. Certamente, o valor
real do potencial turístico de uma área não se mede unicamente pelo
número de atrativos que reúne, mas sim pela qualidade destes.
No entanto para
medir qual é o potencial turístico de determinado local, faz-se
necessário avaliar os recursos que o compõe, a começar pelos atrativos,
sendo assim identificado e classificado o atrativo turístico, deve ser
avaliado para estabelecer o seu valor e hierarquizá-lo para determinar a
sua importância turística dentro do contexto municipal, regional ou
nacional (PARANÁ, 2005).
Torna-se
necessário também avaliar os equipamentos que estão instalados, assim
como as vias acesso, transporte, de forma geral, todas as facilidades
que agregam valor ao atrativo e permitem a estadia do turista na
localidade.
Assim sendo, a
avaliação e análise de potencial turístico, sinaliza para o planejamento
da atividade como critério balizador, tendo em vista a prática de ações
futuras nos locais que almejam desenvolver o turismo, sabendo da
realidade local e dos desafios a enfrentar, porém utilizando o processo
e trabalhando de acordo com as especificidades dos espaços, sem cometer
erros que possam afetar a atratividade das atrações.
Trata-se da busca,
através de argumentos metodológicos, de dados e fatos conferidos de
fundamento científico que comprovem as particularidades da localidade,
estas que darão formas ao planejamento, e nortearão as ações suscetíveis
a seu implemento.
REFLEXÃO ACERCA
DA AVALIAÇÃO DE POTENCIAL SUA RELEVÂNCIA PARA O PLANEJAMENTO TURÍSTICO E
A FALTA DESTES ESTUDOS NO ÂMBITO PÚBLICO MUNICIPAL
O turismo é visto
na sociedade contemporânea como uma atividade que transforma lugares,
que traz benefícios de ordem econômica e que movimenta divisas dentro de
um país. No entanto se pensado de um ponto de vista mais apurado,
nota-se no que tange às suas dimensões, certa complexidade, já que
envolve inúmeros fatores, onde alguns podem ser manipulados pelo próprio
gestor da iniciativa privada, e aqueles que são de responsabilidade
pública, cabendo citar os fatores sociais que são parte dos principais e
os mais difíceis de serem controlados.
Tomando por base a
metodologia de Almeida (2006), entende-se como de fatores de ordem
privada: equipamentos e serviços turísticos ou infra-estrutura
turística, que às vezes podem ser geridos pelo poder público, como por
exemplo em um Parque Nacional, Estadual ou Municipal, ou qualquer outro
espaço que seja desta iniciativa; e os de ordem pública: transporte,
saneamento básico, acessos ou infra-estrutura básica e de apoio e ainda
gestão de órgãos oficiais de turismo. Por meio de um trabalho coerente e
organizado das duas iniciativas é que poderão ser alcançados os
resultados sociais.
As linhas de
trabalho das iniciativas são distintas, como cita Ruschmann (2004, p. 83
– 84)
O planejamento de
uma organização comercial (privada) tem como objetivo principal o lucro,
que pode ser medido objetivamente, ao passo que os órgãos públicos não
visam lucros, e seus resultados não podem ser medidos por indicadores
qualitativos.
Ou seja, o poder
público deve ter como principal objetivo o bem estar social das
comunidades receptoras, com agregação da renda, e a proteção dos
ambientes onde a atividade se desenvolve, enquanto a iniciativa privada
quer ver o capital investido, voltando para empresa através de seus
trabalhos, se tornando uma atividade lucrativa.
Desta forma, no
que se trata a alcance de objetivos, quem tem maior dificuldade é o
poder público, já que trabalha com elementos intangíveis, que somente
serão sentidos pelos beneficiados após um determinado tempo, ainda
podendo ser benéfico para alguns e para outros não, onde entra a
variável pessoal de cada indivíduo, e o que cada um espera com a
atividade. São objetivos permeados por fatores qualitativos, mais
difíceis de serem notados, medidos e solucionados.
Já para a
iniciativa privada não deixa de ser difícil, mas nota-se mais
facilidade, no entanto que ela também depende do trabalho da outra
iniciativa para lhe dar suporte com o que for necessário e de sua
responsabilidade, de toda forma, esta iniciativa trabalha mais voltada a
números, ou seja, resultados quantitativos, mais fáceis de serem
medidos, solucionados e atingidos.
Não obstante, no
que diz respeito ao turismo, vê-se as duas iniciativas tendo que andar
juntas, cada uma cumprindo sua parte dentro da atividade, unindo
infra-estrutura turística à básica, formando o produto turístico.
Contudo, um fato
que vale ressaltar, é o de os órgãos oficiais de turismo municipal não
disporem de dados concretos advindos de pesquisas e documentos como o
inventário turístico, por meio do qual ocorre a “[...] identificação dos
atrativos, equipamentos, serviços e infra-estrutura que serão
analisados, quantificados e qualificados” (VELOSO 2003, p. 96) e do
estudo diagnóstico, onde se busca identificar e se “descreve a situação
atual da destinação com base nos fatos, nas estatísticas e no seu
histórico, obtidos pelo inventário”. (RUSCHMANN, 2004, p. 160)
Estes estudos
apontam a situação do município e norteiam o planejamento da localidade.
A falta destes, em alguns casos, acaba influenciando e incentivando a
iniciativa privada a trabalhar com o turismo. O que ocorre, é que pela
inexistência destes documentos, muitos gestores vão pelo discurso, já
que é praxe ver políticos em suas falas mencionar sobre o potencial
turístico que o município possui, porém, habitualmente, não houve nenhum
estudo, de onde viriam resultados que comprovariam ou argüiriam tal
afirmação.
De fato, muitas
são as realidades locais quando se fala em turismo. No entanto, em
algumas ocasiões estas realidades são vistas de forma simplista, e
expressada em uma palavra: potencial. Como cita Almeida (2006, p. 17) em
sua tese doutoral, onde discute sobre esta mesma inquietação, “[...] se
se parte da premissa de que “potencial” aproxima-se de “possível”, como
consta dos dicionários, então é possível admitir que tudo é potencial!”.
Se considerado
como possibilidade, em se tratando de turismo, pode se entender como
potencialidade, a existência de recursos com poder de atratividade
passíveis de desenvolvimento, a existência de facilidades, como vias de
acesso e equipamentos de apoio, ou seja, uma gama de condições que podem
possibilitar o trabalho da atividade. Só que cabe ressaltar, se é uma
possibilidade não deve ser encarada como algo concreto, pois muitos
quando usam desta terminologia, fazem criar-se um imaginário de um
local, como se este estivesse apto para receber turistas.
Porém, muitos são
os gestores que falam em potencial turístico, já, são raros os que
tentam mensurá-lo. As ações necessárias para tal fim, demandam tempo e
variados estudos, a começar por um inventário da oferta turística bem
estruturado, onde devem se encontrar descritos, os atrativos e recursos
turísticos, e as facilidades que são de responsabilidade pública e
privada.
Após a etapa do
inventário, a localidade deve partir para o estudo diagnóstico da
localidade, juntamente com o qual se dá a avaliação de potencial. Uma
das principais fases deste estudo é o da avaliação e hierarquização dos
atrativos, que ocorre com base no inventário turístico, onde estão
identificados e classificados os atrativos e recursos turísticos segundo
suas tipologias e abrangências, a partir disso o trabalho é
desenvolvido, para determinar a importância turística de cada um dentro
do contexto municipal, regional ou nacional (PARANÁ, 2005).
A avaliação é
relevante para poder atribuir à importância do atrativo com relação a
outros de características similares, ou da mesma categoria, e para se
saber o que é atrativo e o que é recurso. Este estudo orientará a
avaliação de potencial, uma vez que esta tem por base inicial em sua
aplicação os atrativos e não os recursos.
Sendo assim
Ruschmann (2004, p. 142), coloca que:
a avaliação dos
atrativos determina seu potencial turístico e constitui elemento
fundamental para a tomada de decisões estratégicas para uma localidade e
fornece subsídios para determinar a abrangência dos projetos e a
quantidade e a qualidade dos equipamentos e da infra-estrutura por
instalar.
Quanto à
hierarquização, Beni (2002, p. 388) expõe que “é o processo que permite
ordenar os atrativos de acordo com sua importância turística”, ou seja,
a hierarquização auxilia sobremaneira o processo de decisões dos
planejadores do turismo, pois coloca em ranking as atrações,
determinando qual delas merece atenção imediata ou em curto, médio e
longo prazo.
Mais uma vez cabe
ressaltar, com base nas considerações feitas até o momento sobre a
necessidade de os responsáveis pela atividade no âmbito municipal, e dos
envolvidos no trade, estarem cientes e serem conhecedores dos
estudos que nortearão o correto planejamento.
Contudo, a
realidade está muito distante dos anseios de muitos planejadores, é rara
a existência destes estudos feitos com seriedade e com base na realidade
local, nas diversas esferas, mas principalmente na municipal. O que
ocorre é que com a ausência destes trabalhos corre-se o risco de a
comunidade acabar se desenvolvendo turisticamente de forma desordenada,
causando impactos irreversíveis, tanto de ordem natural como também nas
culturas locais, as quais em inúmeras vezes são únicas, e acabam se
perdendo por falta de ações pensadas.
Outro ponto a
citar é que estes estudos, sobretudo o inventário, por se tratar de
áreas sociais, devem ser atualizados regularmente, pois como aponta
Cardozo (2007, p. s/p)
[...] o inventário
turístico deve ser atualizado periodicamente, pois assim como a demanda,
a oferta é flexível, e bastante sujeita aos câmbios do mercado e da
sociedade: estabelecimentos abrem e fecham e entidades se fixam ou se
deslocam, por exemplo. Manter estes dados atualizados é também manter
uma das principais fontes de informações do planejamento turístico
confiável.
A autora (2007, p.
s/p) ainda recomenda quanto à divulgação deste documento, pois este
trata de dados tanto de interesse dos gestores públicos como dos
privados, e também para que todo o trade turístico tenha
conhecimento deste e possa usar das suas informações.
Porém, uma vez
atualizado o inventário, também se fará necessário rever o estudo
diagnóstico, por este ser baseado no inventário, e as variáveis acima
citadas por Cardozo (2007) influenciarem também no documento do
diagnóstico.
Ou seja, como o
planejamento é um processo baseado em resultados, e nas análises destes,
que determinarão novas ações, e sabendo que estes documentos são de base
para o processo, devem estar de acordo com os dados reais, para
futuramente não surgirem problemas, derivados de outros que poderiam ter
sido solucionados antes da concepção do processo de planejamento em
determinada localidade.
Sendo assim os
estudos das realidades locais são de extrema importância para o
ordenamento da atividade turística. Porém em várias ocasiões estes
estudos na são efetuados ou são limitados pela falta de conhecimento dos
que os fazem. E assim mesmo o turismo se desenvolve, com bases não
adequadas, e dessa forma, sem a perspectiva real de um futuro com
resultados positivos, e podendo ainda danificar aspectos positivos das
localidades.
Os estudos em
turismo devem dispor de confiabilidade desde a sua concepção. Pois como
já citado, cada estudo se configura como de base para os seguintes, e
esta continuidade, mantendo consistência e confiabilidade dificilmente
existe. Fatos que se configuram não somente pela falta de conhecimento
acerca da temática, mas também pela constante troca dos profissionais
que atuam na área, nas diversas escalas do poder público.
Como nota-se a
cada mandato político, o tempo de trabalho é pequeno, e muitas vezes não
se dá continuidade aos estudos executados pelo gestor anterior, é como
Molina (2005, p. 32) aponta quando descreve sobre os problemas
enfrentados pelo planejamento:
Descontinuidade nas
políticas de crescimento. Para que os resultados do planejamento se
concretizem e se consolidem são necessários prazos que normalmente vão
mais além do que o disponível pelo grupo político que está no poder.
Informação
turística insuficiente. O planejamento é um processo de constante tomada
de decisões, o qual por sua vez, está baseado em dados e informações
estatísticas de um amplo espectro de atividades.
[...] Isto
evidentemente, dificulta os benefícios do planejamento, uma vez que as
decisões e ações ocorrem a partir de fatos parciais e inexistentes.
No momento que os
gestores disporem de dados que apontarem qual é a possibilidade do
município no que concerne a trabalhar o turismo, poderá se pensar com
ciência no que empreender. Porém, se as situações já vistas se
repetirem, onde os discursos são encarados como fato, continuará havendo
o desordenamento da atividade, os impactos destruindo atrações únicas,
as culturas locais sendo invadidas e perdidas com o correr do tempo, e
depois com a perda do poder de atratividade, a estagnação e declínio da
atividade turística.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A atividade
turística exige cada vez mais de ações partam da premissa de que o
planejamento é necessário em qualquer esfera que se trabalhe o turismo,
afinal muitos são os lugares onde o desordenamento e a falta do processo
ajudaram na causa de danos irreversíveis, tanto no ambiente natural como
nas comunidades locais, as quais esperam benefícios com a atividade,
porém muitas vezes ficam com os impactos negativos.
É desta feita que
o planejamento sinaliza para a atividade enquanto elemento de base,
aquele que organiza, e faz com que o turismo se desenvolva tendo em
vista a realidade e todos os envolvidos, trabalhando de forma
responsável, com base em fatos e dados confiáveis e concretos, sem os
achismos e com empirismo.
Para tanto este
trabalho teve como principal intuito, o de despertar uma reflexão sobre
a avaliação de potencial turístico, enquanto uma das fases do
planejamento, normalmente deixada de lado, e que é um elemento norteador
que aponta para o destino a sua aptidão, vocação turística, com base em
metodologias e trabalhos resguardados de confiabilidade.
Esta ferramenta do
planejamento turístico é de extrema importância para o bem das
localidades receptoras, uma vez que sinaliza para estas, de modo a
preservá-las, a partir de ações calcadas em suas especificidades e
fragilidades culturais e ambientais, as quais normalmente são únicas, e
tem um valor incalculável, além de que se apresentam como atrativos para
a atividade turística. Sabendo disso o turismo deve não degradar, mas
sim proteger sua matéria prima, que são as atrações, sem as quais este
não existe.
A necessidade de
pessoas que disponham de conhecimento e sensibilidade para gerir o
turismo nos espaços municipais é urgente e se torna imperativa, uma vez
que estas poderão estar propondo ações organizadas a partir do
planejamento turístico.
A carência de
percepção das realidades locais, não pode existir, pois são estas
realidades que norteiam o desenvolvimento do turismo, apontando para uma
singularidade local, e por que não dizer uma personalidade no que
concerne a atividade turística.
Necessita-se de
mais seriedade e discernimento, para apontar o que realmente se possui
em mãos para ser trabalhado, o que realmente pode-se fazer, em termos de
turismo, para não cair cada vez mais no esquecimento com ações
inconvenientes, mas sim a partir de ações adequadas, mostra-se para o
mercado turístico de forma atraente, com produtos turísticos condizentes
com as limitações existentes, porém com qualidades próprias.
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