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O turismo de base
comunitária é um modelo novo de turismo, que vem
propondo diferentes ideias sobre o modo de
viajar, voltado a troca de informação entre o
visitante, o visitado e o local. Contrapõem-se
ao turismo de massa, que a cada dia vem gerando
mais problemas nos destinos e consequentemente
aos moradores.
Como o próprio nome
diz, o turismo de base comunitária está sendo
desenvolvido em comunidades com o propósito de
mostrar aos turistas como vivem essas
comunidades e sua cultura. Mas, qual é a
diferença entre comunidade e sociedade?
Por comunidade
pode-se entender um grupo de pessoas que
convivem no mesmo espaço, entre amigos, família,
vizinhos que se relacionam através dos
sentimentos pessoais, compreendido entre eles.
Tönies (1855-1936) clássico autor da sociologia,
(apud MIRANDA, 1995, p.231) a define como
Tudo aquilo que é partilhado, íntimo, vivido
exclusivamente no conjunto, será entendido como
a comunidade [...] Na comunidade há uma ligação
entre os membros desde o nascimento, uma ligação
entre os membros tanto no bem-estar quanto no
infortúnio.
As mais antigas
formas de comunidade, já demonstravam estas
características. Vivendo em pequenos espaços
territoriais, tinham as normas sociais medidas e
colocadas em prática, por meio das tradições,
hábitos, costumes e religião que cada um seguia
fielmente, de acordo com
Melo (2010, s/p.). Muitas delas seguem as
tradições e os costumes até os dias de hoje,
repassando de geração em geração como é conviver
em conjunto e a importância que isto representa
à comunidade.
Para Melo (2010,
s/p.), a comunidade pode ser definida a partir
de três bases: a base territorial,
emocional e a comunalidade. A base
territorial nada mais é, do que o lugar em que a
comunidade está inserida geograficamente,
indispensável para a aproximação e para a
relação entre as pessoas. O emocional
demonstra a intimidade, a confiança em que cada
um tem pelo o outro, e a comunalidade
representa a relação de semelhança entre os
indivíduos que convivem juntos, ou seja, que
compartilham coisas em comum.
De acordo com que foi exposto por
Melo (2010, s/p.), nota-se a necessidade que
todos temos de conviver em comunidade, sem
deixar de viver na sociedade. Mas, mesmo tendo
esta necessidade, não quer dizer que as pessoas
deixem de viver em sociedade. Assim, segundo o
mesmo autor, as pessoas passam por diferentes
momentos no seu dia-a-dia, nos quais, hora vivem
como comunidade e hora como sociedade.
Na nossa vida cotidiana, a todo momento nos
encontramos em meio a estas vertentes: ora somos
membros de uma família, cujos laços são
afetivos; ora somos membros de um grupo social,
para o qual temos uma relação comunitária; mas,
ao mesmo tempo, somos membros de uma sociedade
mais ampla, na qual somos cidadãos,
trabalhadores, e, portanto, fazemos parte da
divisão social do trabalho, competimos por vagas
de emprego, vestibulares etc., nos colocando em
relações de oposição com relação a outras
pessoas.
Na sociedade é
possível encontrar várias formas de viver em
comunidade, porém mesmo que os laços afetivos
falem mais alto, deve-se obedecer a leis,
competir por vagas de empregos, como dito pelo
autor, ou seja, as pessoas continuam vivendo em
sociedade. Segundo Tönies (apud Miranda,
1995, p. 252): “Enquanto na comunidade, os
homens permanecem essencialmente unidos, a
despeito de tudo o que os separa, na sociedade
eles estão essencialmente separados, apesar de
tudo que os une”.
Conforme foi visto, a
comunidade é toda a forma do convívio em um
grupo, onde os valores, costumes, interesses
comuns são seguidos, criando um elo entre os
seus membros. Já na sociedade, nota-se
características diferentes,
destacam-se, a forma
individualista e egoísta que as pessoas vivem.
Após estes conceitos, verifica-se
as características que estão presentes em cada
uma delas e o modo como elas exercem estas
perante os indivíduos. Sendo a sociedade mais
aberta para a construção e realização de algumas
atividades como o turismo. Já a comunidade,
unida e mais fechada, dificulta a entrada de
novas atividades, porém algumas delas têm aberto
seu espaço para receber a atividade turística.
Apresenta-se assim, o novo
conceito de turismo que está surgindo,
preocupado com os danos que podem ser causados
na comunidade, utilizando-se de métodos
eficientes como o planejamento turístico, o
turismo de base comunitária.
Modo diferente de viajar, fugindo
dos grandes centros e dos destinos badalados, o
turismo de base comunitária traz algo diferente
a ser apresentado, onde os valores culturais,
ambientais, sociais são os pontos fundamentais
para sua existência, buscando contrapor os
valores supérfluos, como o consumo desnecessário
de objetos, roupas, alimentos, etc. Esta questão
vem sendo muito debatida nos dias de hoje,
principalmente por este consumo, prejudicar o
meio ambiente. Para uma melhor compreensão,
Bursztyn, Bartholo e Delamaro (2009, p. 86,
grifo dos autores) explicam o assunto “O turismo
alternativo de base comunitária busca se
contrapor ao turismo massificado, requerendo
menor densidade de infraestrutura e serviços
buscando valorizar uma vinculação situada
nos ambientes naturais e na cultura de cada
lugar [...]”.
A partir da
explicação, nota-se que é possível o
desenvolvimento de locais sem grandes atrativos,
hotéis, resorts, mas que mantém os
valores simples da vida, que vem se perdendo com
a modernização e a globalização das sociedades.
Zaoual (2009, p. 55), confirma: “as observações
empíricas mostram bem que a demanda vira as
costas, cada vez mais, ao turismo de massa e de
grande distância”.
Pode-se compreender que o turismo
comunitário, desde o momento em que surgiu, tem
a pretensão de trazer algo novo aos olhos dos
turistas, mudando o modo como as comunidades são
vistas e tratadas. Portanto, Bursztyn, Bartholo
e Delamaro (2009, p. 86) o definem a partir de
suas características:
Esse turismo respeita as heranças culturais e
tradições locais, podendo servir de veículo para
revigorá-las e mesmo resgatá-las. Tem
centralidade em sua estruturação o
estabelecimento de uma relação dialogal e
interativa entre visitantes e visitados. Nesse
modo relacional, nem os anfitriões são submissos
aos turistas, nem os turistas fazem dos
hospedeiros meros objetos de instrumentalização
consumista.
Pensar desta forma, permite que a
comunidade se desenvolva turisticamente sem
gerar danos físicos, psicológicos e sociais.
Trabalhar assim, não só para o turista, mas para
a comunidade, expõe a preocupação que os
moradores têm em resguardar a cultura, a
tradição, o ambiente e a identidade do seu povo.
Quanto mais unida e mais independente
economicamente a comunidade for, é mais difícil
de ela ser desestruturada, pois entre os
moradores existe um laço que os une.
Para tanto, a
comunidade necessita do desenvolvimento
turístico que venha cooperar com a atividade,
trazendo melhorias ao local e preparando os
moradores a receber os turistas de forma a
elevar os pontos positivos da comunidade.
Entende-se que para o
bom desenvolvimento turístico, o local não pode
prescindir do planejamento turístico. Ruschmann
(1999, p. 100) acredita no planejamento
turístico integrado que, segundo ela, tem por
objetivo “[...] o desenvolvimento coerente dos
elementos físicos, econômicos, sociais,
culturais, técnicos e ambientais, para
satisfação de turistas e empresários [...]”.
Como atividade abrangente e
interdisciplinar, o turismo necessita de novas
formas de se planejar, sem que o foco seja
apenas econômico e/ou físico. Por isso, o
planejamento integrado através de outros
elementos, se torna uma chave importante para
que o local possa se desenvolver com qualidade,
gerando mais satisfação ao turista e para a
comunidade.
Tal benefício pode ser alcançado
no momento em que se tem um planejamento
interessado em desenvolver não somente a
economia do local, que se preocupa com o
desenvolvimento social, cultural e ambiental. Já
Tavares e Araujo (2008, s/p) defendem a ideia de
que a comunidade pode melhorar o padrão de vida
(desenvolvimento econômico) seguindo um
planejamento bem elaborado.
A partir da execução
de um planejamento bem elaborado, espera-se um
olhar por parte da comunidade, não só para o
desenvolvimento econômico, mas para com a
melhora na qualidade de vida e a vontade por
parte dos moradores de participar e desenvolver
o turismo. Encontra-se aí, a necessidade dos
moradores utilizarem o planejamento, de forma a
elevar os benefícios que a atividade pode
trazer.
Se o contrário acontecer, a
comunidade não se preparar para receber o
turista, ela pode sofrer sérios danos,
como o exposto por Butler (1980 apud
Ruschmann, 1999, p. 103) no ciclo das
destinações turísticas. Iniciada com a fase da
exploração, objetivando o lucro, a população
local demonstra algumas facilidades para os
primeiros visitantes criando um mercado forte e
fiel.
A próxima fase encontrada no
ciclo é a do desenvolvimento, na qual a
população deixa de participar e ter o controle
dos empreendimentos. São criados pelas
organizações externas mais empreendimentos que
incentivam a entrada de mais visitantes. Na
consolidação o domínio já é das empresas e
serviços multinacionais, cuja participação
permite controlar os custos e manter a
competitividade com as outras destinações.
A saturação é a fase em
que a demanda alcança seu apogeu, aí a
destinação começa a decair na preferência dos
turistas. Precisando de turistas, os preços
baixam e passam a atrair a demanda de menor
poder aquisitivo, dando margem ao turismo de
massa. O local começa a perder sua atratividade,
pois as atrações envelhecem e saem de moda.
Começa aí a fase do declínio, porém, se o
destino quiser recomeçar é possível, através da
fase do rejuvenescimento. (BUTLER, 1980
apud RUSCHMANN, 1999, p. 103).
Este ciclo permite que se tenha
um olhar mais crítico quanto ao desenvolvimento
das destinações turísticas. Nota-se, que muitas
vezes deseja-se o crescimento da atividade,
porém deixa-se de lado o planejamento para
obter o lucro, os investidores de fora acabam
possuindo grande parte dos empreendimentos e
exploram de todas as formas possíveis o local e
seus habitantes para atrair turistas.
Através do planejamento
turístico bem elaborado
é possível verificar o surgimento
de novas formas de se desenvolver o local,
pensando no local e nos moradores. Entretanto,
para que o desenvolvimento aconteça de modo a
resguardar a comunidade, é preciso que ele seja
totalmente voltado, pensado e planejado para
ela, do mesmo modo que para os turistas. Assim,
para Antunes (2006) “[...] a possibilidade de um
desenvolvimento bem-sucedido só é possível a
partir da elaboração de um planejamento
turístico que utilize as investigações no
sentido de priorizar os interesses dos moradores
fixos”.
O desenvolvimento no local trará
maiores benefícios para os moradores a partir do
momento que eles sejam incluídos ou se incluam
no processo de planejar, ou seja, que eles
tenham um espaço para demonstrar suas ideias, só
assim eles poderão conhecer e aceitar as
mudanças pretendidas.
Para um desenvolvimento planejado
é preciso que se tenham os olhares voltados aos
moradores, que se olhe como um deles, enxergando
suas preocupações, suas deficiências, seus
problemas. Desta forma o desenvolvimento trará
consequências boas ao local e principalmente aos
moradores.
Mello (2007, s/p) explica a
importância do papel do turismo enquanto
propulsor do desenvolvimento na localidade,
segundo ele, o turismo como propulsor do
desenvolvimento local deve pensar em atender o
respeito aos valores culturais e sócio
-ambientais, enriquecer o aprendizado dos
moradores locais, assim como, eliminar
preconceitos entre a demanda e a população
anfitriã.
Como visto, o turismo de base
comunitária, surgiu para desenvolver a atividade
turística em comunidades que tem potencial para
tal atividade, mas que muitas vezes deixam-se
influenciar somente por fatores econômicos
(lucro) e acabam esquecendo de seus moradores,
sua cultura e do próprio destino. A partir de
sua implantação, espera-se que a atividade seja
pensada de forma a valorizar os moradores, sua
identidade cultural e o próprio local, que
estará pronto para receber os turistas, de forma
minimizar os impactos negativos e elevar os
positivos.
REFERÊNCIAS
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Desenvolvimento Turistico: Um olhar sobre as
comunidades receptoras. In: Ruschmann, Doris.
Solha, Karina Toledo (orgs). Planejamento
turístico. Barueri, SP: Manole, 2006.
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olhares e experiências brasileiras. Roberto
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In: Roberto Bartholo, Davis
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Turismo de base comunitária: diversidade de
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MIRANDA, Orlando. Para ler
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Disponível em
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http://www.cdvhs.org.br/sispub/imagedata/1893/sits/files/O%
20TURISMO%20COMO%20PROPULSOR.PDF.
Acesso em 07/06/10.
ZAOUAL, Hassan. Do turismo de
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Bartholo, Davis Gruber Sansolo e Ivan Bursztyn (orgs).
Turismo de base comunitária: diversidade de
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Imagem, 2009. |