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Vive-se hoje em um
mundo transformado por diversas modificações, onde a dúvida e o medo são
uma constante, sobre o futuro. Segundo Trigo (2002) as alterações tornam
desafiadoras as tentativas de se prever tendências para o futuro, pois o
terrorismo, os conflitos políticos e sociais, as crises na economia e
diversos outros fatores influenciam diretamente em toda a sociedade
neste início de século. As novas tecnologias e a dinâmica econômica e
política aceleraram os processos de mudanças criando um clima de
incertezas no cenário mundial. Diante deste quadro inseguro percebe-se
que as pessoas estão a cada dia que passa mais independentes dos
contatos e das relações interpessoais, gerando uma certa carência de
proximidade devido o predomínio deste ambiente hostil. No entanto
nota-se que o ser humano nos últimos anos está se preocupando com este
cenário e, busca formas de minimizar os problemas sociais, frutos de tal
realidade. Com intuito de resgatar e por em prática a proximidade social
alguns autores se reportam a conceitos comuns e valorosos presentes na
antigüidade, mas que se perderam com o passar dos anos. Assim, temas
como a hospitalidade, a conversação e a comunicação humana, a identidade
cultural, a tradição e os rituais ganham nova atualidade e interesse.
A hospitalidade na
idade média era muito mais expressiva, o hábito de acolher as pessoas em
deslocamento estava ligado ao dever social, dever religioso e ou de
caridade cristã. Após a Revolução Industrial a hospitalidade
transforma-se em negócio para atender a classe burguesa, que exigia boas
acomodações durante suas viagens. Com os benefícios tecnológicos este
tipo de atividade se expande e se aprimora, com foco na hotelaria e na
restauração, de forma que o próprio termo hospitalidade se confunde com
hotelaria. A palavra
hospitalidade é derivada
hospitalitas que hospitalitatis do latim, que significa
hospedar, acolher, amabilidade e gentileza.
Neste contexto percebe-se sua complexidade que é intrínseco ao ato de
dar, receber e retribuir.
Desta forma,
despertando para esta realidade as gestões de alguns setores,
principalmente o de serviços estão aplicando a hospitalidade como
elemento diferencial. Tradicionalmente têm-se duas escolas de
hospitalidade a francesa e a americana, a primeira se interessa pela
hospitalidade doméstica e pública com um atendimento esmerado e
personalizado enquanto a segunda baseada na hospitalidade comercial,
prática e automatizada legitimada por contratos. O sensato é conseguir
instituir uma mescla priorizando os aspectos positivos das diferentes
bases formulando, assim, um modelo de hospitalidade imparcial e
eficiente para nossa realidade. Porém não adianta manter a tradição da
hospedagem doméstica e a hospedagem comercial da prestação de serviço se
não tiver solidificado a gestão da hospitalidade pública. Por exemplo,
quando se recebe em casas ou como funcionários de hotel, nem sempre se
tem consciência de que o espaço real da hospitalidade além da casa ou
hotel é a cidade.
Segundo Guerrier
(2000), a hospitalidade em si é um fenômeno muito mais amplo, que não se
restringe a oferta, ao visitante, de abrigo e alimento, mas sim ao ato
de acolher, considerado em toda a sua amplitude. Envolve um amplo
conjunto de estruturas, serviços e atitudes que, intrinsecamente
relacionados, proporcionam bem estar ao hóspede. Esses elementos que a
compreendem, tornam alguns lugares mais hospitaleiros do que os outros e
isso se dá em função as variadas dimensões socioespaciais.
Como levantado no
início do texto o momento atual é de transição de uma sociedade
industrial para uma sociedade de serviços, onde o turismo desponta como
a atividade de serviço de maior expressão e potencialidade.
Segundo Moesch (2002, p. 9) o turismo é uma combinação complexa de
inter-relacionamentos entre produção e serviços, em cuja composição
integram-se uma prática social com base cultural, com herança histórica,
a um meio ambiente diverso, cartografia natural, relações sociais de
hospitalidade, troca de informações interculturais. O somatório desta
dinâmica sociocultural gera um fenômeno, recheado de
objetividade/subjetividade, consumido por milhões de pessoas, com
síntese: produto turístico.
No entanto para o
desenvolvimento da atividade turística deve-se primeiramente priorizar o
planejamento da localidade ou empreendimento turístico e posteriormente
trabalhar de forma pertinente sua gestão. O planejamento e gestão
aplicada ao turismo e a hospitalidade deve abordar uma série de fatores
que serão descritos a seguir em formas de perguntas.
Até quando se pensará
somente nos que viajam, sem pensar também nos que recebem? É justo
colocar todo ônus do crescimento econômico advindo da atividade
turística nas costas da população residente? Quando a reflexão vai
avançar no sentido das patologias de cidades e condomínios de veraneio
que esquizofrenicamente se agitam em algumas épocas do ano para mais
tarde se transformarem em locais fantasmas na maior parte do ano? Quando
a sociedade irá reagir contra dilapidação de recursos? Como valorizar a
comunidade local se os moradores muitas vezes sentem-se agredidos pelo
comportamento dos visitantes que muitas vezes não foram convidados?
Os estudos da
hospitalidade querem e precisam resgatar, sobretudo na hospitalidade
comercial, as verdadeiras virtudes da hospitalidade, com todos os
desafios que essa diretriz implica, quais sejam: repensar as cargas
turísticas, os receptivos locais, a formação do pessoal envolvido e uma
gestão que auxilie as comunidades a pensar um estilo de hospitalidade e
que eduque os turistas para a hospitalidade.
Desta forma a
hospitalidade de um povo, como se pode perceber com as informações
anteriores, resulta de todo o processo de desenvolvimento e em todos os
seus aspectos.
Referências
GUERRIER,
Yvonne. Comportamento organizacional em hotéis e restaurantes:
uma perspectiva internacional. São Paulo: Futura, 2000.
MOESCH,
Marutschka Martini. A produção do saber turístico. 2 ed. São
Paulo: Contexto, 2002.
TRIGO,
Luiz Gonzaga Godoi. A sociedade pós-industrial e o profissional em
turismo. 6.ed. Campinas: Papirus, 2002.
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