Tenho 46 anos e essa foi uma das melhores viagens que já fiz.
Foi a primeira que fiz sozinha e ao contrário do que imaginava, não houve
momentos de depressão ou insatisfação. Pelo contrário. Impus o meu ritmo do
início ao fim e apesar do pouco tempo, conheci pessoas e lugares
espetaculares.
A viagem que transcorreu sem nenhum incidente, foi de Trancoso a Valença,
de moto. Fiz todo o percurso pelo litoral. Até Guaiu eu já conhecia, assim,
dei prioridade para conhecer lugares a partir daí. Minha primeira parada foi
na Praia de Mogiquiçaba, que pertence ao município de Belmonte. A paisagem é
deslumbrante. Uma pequena igrejinha branca, numa das extremidades de um
gramado retangular, às margens do rio Preto ou Sucuruiba e as dunas da praia
a alguns metros de distância. Fascinante. Próximo a igreja você atravessa
para a praia, extensa, de águas tranqüilas e repleta de tartarugas! Foi uma
recepção sem igual.
Um pouco mais adiante parei na Praia do Rio Preto ou Sucuruiba. Deserta.
Alguns sítios, muitos pés de coco, caju e Mangaba. Descobri a origem do nome
Sucuruiba ao acaso, conversando com um rapazinho que pescava por ali. O
apelido Sucuruibam, como o Rio Preto também é conhecido, foi dado em virtude
da quantidade de sucuris que habitam suas águas escuras. Não deveria ter
perguntado!
A próxima parada foi em Belmonte. Cheguei um dia depois da cidade
comemorar 119 anos (23 de maio de 1891) e encontrei a cidade ainda em festa.
A cidade foi muito bem planejada,com largas avenidas arborizadas e
construções que datam do final do século XIX. Uma particularidade da cidade,
que eu já tinha lido e não deixei de conhecer foi o Farol da cidade. Ele foi
encomendado em 1892 a mesma empresa que construiu a Torre Eiffel. A história
conta que em 1907 o farol teve que ser removido porque o avanço do mar terra
adentro fez com que ele ficasse dentro da água.
De Belmonte atravesse o rio Jequitinhonha para Canavieiras. Foi outra
surpresa. Acreditava que a moto seria transportada para Canavieiras em um
Barco maior, desses que transportam passageiros. Mas não foi. Atravessamos o
rio num barco pequeno de alumínio com motor de polpa. No início houve um
certo receio, mas logo deu para perceber que seria seguro. A travessia durou
1 hora e 50 minutos e foi maravilhosa. O barco por ser pequeno, contornou
canais estreitos do rio, repletos de curvas fechadas e com uma paisagem de
tirar o fôlego. Mais adiante, já no final da travessia, a paisagem do
encontro do mar com rio surpreende. As águas antes mais escuras, apesar de
cristalinas, se tornam verdes, de uma beleza estonteante. Logo em seguida as
primeiras construções de Canavieiras já podem ser vistas às margens do rio.
São vários construções muito antigas, cada uma pintada com uma cor bem
definida, que nos trás a uma cidade histórica que também teve o cacau com
sua principal fonte de renda.
Depois de conhecer o centro histórico da cidade e a praia principal,
peguei a estrada para Ilhéus. Minha primeira parada foi em um povoado
chamado Lençóis. A praia me surpreendeu bela beleza. Mar de águas
esverdeadas, uma vasta faixa de areia branca e fina que contrasta com uma
orla repleta de coqueiros. Visual perfeito para quem busca harmonia e paz.
Essa é uma característica marcante da grande maioria das praias ao sul de
Ilhéus que conheci.
Passei apenas uma noite em Ilhéus e segui para Itacaré. A primeira parada
na Praia de Itacarezinho. Indescritível. Banho de mar em águas mornas e
esverdeadas e para completar, um banho gelado de cachoeira. Perfeito! Um
visual deslumbrante. Existe ali uma magia no ar que reflete paz e harmonia
incondicionais. Amei cada segundo nas praias de Itacaré: Rezende, a praia da
Tiririca, do Costão, da Ribeira e definitivamente nada semelhante à Prainha.
Fiz uma caminhada, na companhia de guias locais, por 3 km até um espetáculo
da natureza. A Prainha. Praticamente intocada, é um cenário de uma beleza
exuberante. Entre encostas, como a maioria das praias de Itacaré que
conheci, ela se destaca não só pela sua beleza, mas pela magia que há na
atmosfera intocada daquele pedaço do Brasil.
Conheci ainda a cidade de Camamu, destino das minhas próximas folgas.
Quero atravessar para Barra Grande, conhecer cada centímetro da Península de
Maraú e a baía de Camamu, a terceira maior do Brasil.
Não agora, mas pretendo ainda voltar a Ilhéus e a Itacaré, há muitas
coisas apara conhecer ainda por lá.
Moro e trabalho no Karapitangui Praia Hotel em Morro de São Paulo. A moto
fica num estacionamento em Valença, só esperando a próxima viagem. Aos 46
anos, estou aprendendo que viajar sozinha, não é tão ruim assim.
Espero que tenham viajado comigo através desse relato.