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RESUMO
Objetiva-se através deste realizar uma
análise acerca da hospitalidade como atrativo para desenvolver o turismo
receptivo em Teresina. Percebe-se que a prática desse segmento na região
ainda é muito tímida, mas que possui um potencial significativo devido à
boa receptividade e o calor do povo teresinense que se constitui hoje
como umas das características mais marcantes da cidade.
Palavras-chave: Hospitalidade,
Turismo receptivo, Desenvolvimento.
ABSTRACT
It aims to achieve this through an
analysis about the hospitality, attractive to develop the inbound
tourism in Teresina. It is perceived that the practice of this segment
in the region is still very shy, but that has significant potential
because of the good reception and the warmth of the people that Teresina
is today as one of the most striking features of the city.
Key-words:
Hospitality, Inbound tourism, Development
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INTRODUÇÃO
Ao considerar o turismo como uma das
atividades mais promissoras do século XXI, e que traz reais benefícios
às comunidades receptoras, os governos e empresários das várias regiões
do país e do mundo investem milhões em equipamentos e infra-estruturas
para receber turistas, o que acaba provocando um crescimento que muitas
vezes acontece sem planejamento e consequentemente gerando uma má
qualidade dos produtos e serviços oferecidos, principalmente no
atendimento ao consumidor.
Nessa perspectiva o turismo e a
hospitalidade estão intrinsecamente ligados, justamente pelo ato de
recepcionar, característico da atividade turística, que engloba um
complexo grupo de atividades econômicas e profissionais bastante
inter-relacionadas entre si, a ponto de serem consideradas setorialmente
ou, mais freqüentemente, como uma só, sob diferentes denominações -
turismo e hotelaria, turismo e hospitalidade, hotelaria e gastronomia,
indústria hoteleira, hospedagem, turismo de negócios e eventos, lazer e
recreação, viagens e turismo, trade turístico.
Conforme Walker (2002, p. 04-05) “a
hospitalidade deriva de hospice (asilo, albergue) antiga palavra
francesa que significativa dar ajuda/abrigo aos visitantes.” Também pode
ser entendida como uma ação de acolher em casa por caridade ou cortesia.
Com o incremento do comércio, e consequentemente das viagens, fez com
que o aparecimento de alguma forma de acomodação para passar a noite se
tornasse uma necessidade absoluta. Por conta da lentidão das viagens e
das longas e árduas que o viajante era obrigado a encarar muitos
contavam somente com a hospitalidade dos habitantes das regiões onde
passavam.
Nos impérios grego e romano, estalagens e
cavernas espalharam-se por toda parte. Os romanos construíram
hospedagens requintadas e bem equipadas em todas as principais estradas.
Esses estabelecimentos eram muito luxuosos e sofisticados. (WALKER 2002
p. 05).
A atividade comercial associada à
hospitalidade é tão antiga quanto o comércio, havendo evidências de
locais especializados que ofereciam repouso e acomodação. Em geral os
serviços envolviam a oferta de bebidas alcoólicas, embora houvesse
hospedarias que proporcionavam apenas acomodação. (LASHEY, 2004, p. 80)
A hospitalidade propicia a troca e o
benefício mútuo para anfitrião e hóspede e implica numa dádiva que se
constitui em toda prestação de serviços ou de bens efetuada sem garantia
de retribuição. Conforme Camargo, “Toda hospitalidade começa com uma
dádiva que desencadeia o processo de hospitalidade numa perspectiva de
reforço do vínculo social” (CAMARGO, 2004, p.19).
Em um sentido mais amplo, ela é
interpretada como uma ação recíproca entre visitantes e anfitriões.
Portanto, ela esta associada à relação social, aos vínculos, e mais
especificamente, à dádiva.
Para Dencker (2004, p. 189), “a
hospitalidade manifesta-se nas relações que envolvem as ações de
convidar, receber e retribuir visitas ou presentes entre indivíduos,
podendo ser considerada assim como a dinâmica do dom.”
Faz-se necessário a aplicação deste estudo
em Teresina, pois percebe-se que a hospitalidade é um dos aspectos mais
marcantes da cidade, através da boa receptividade dos moradores da
região, se constituindo um fator positivo para o desenvolvimento e
aprimoramento do turismo receptivo local.
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METODOLOGIA
Para a realização deste trabalho
utilizou-se a pesquisa bibliográfica e documental em livros, revistas,
artigos, e em sites oficiais que discutem a questão da hospitalidade e
sua relação com o turismo, a fim de fornecer as bases essenciais e
fundamentação teórica. Segundo Gil (2009) “esse levantamento
bibliográfico preliminar pode ser entendido como um estudo exploratório,
posto que tem a finalidade de proporcionar a familiaridade do aluno com
a área no qual está interessado, bem como sua delimitação.”
As informações coletadas nos livros,
artigos e outros documentos foram selecionadas analisadas
criteriosamente a fim de descobrir possíveis falhas, incoerências ou
contradições que esses dados possam fornecer, conferindo-os
cuidadosamente, oferecendo maior veracidade ao trabalho.
Utilizou-se o método de observação e a
sistematização de informações adquiridas através conhecimento empírico.
A interpretação, também utilizada, ligou-se à análise e consistiu em
expressar o verdadeiro propósito do material apresentado, estabelecendo
uma relação causa-efeito na temática hospitalidade e desenvolvimento do
turismo receptivo na localidade Teresina. Assim, espera-se que este
estudo que sirva de base para futuros trabalhos na área de turismo e
hospitalidade.
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TERESINA, HOSPITALIDADE E
DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO
É comum limitar a hospitalidade à
hotelaria pelo fato do hotel se “constituir” como uma segunda casa para
os turistas, o que dá idéia de acolhimento, mas essa visão se torna
reducionista, pois o turista deve ser bem recebido em todos os segmentos
que fazem parte do turismo, afinal, é uma atividade que trabalha
especificamente com serviços, o que faz do processo de comercialização
um pouco mais complexo, pois envolve expectativas e experiências,
elementos intangíveis, mais difíceis de serem monitorados.
O turismo em Teresina ainda se desenvolve
de uma forma tímida, mas possui um grande potencial para crescer e
prosperar, através do seu principal atrativo que são os negócios e
eventos, não esquecendo os outros segmentos existentes que também estão
em expansão e são importantes para a constituição da oferta turística da
região.
Teresina ganha destaque principalmente no
seu jeito caloroso de receber os visitantes que chegam. Eles se
surpreendem quando se vêem uma cidade planejada, limpa, e um povo
hospitaleiro, superando assim suas expectativas e expandindo seu nível
de satisfação.
Como já foi mencionado anteriormente, um
fator positivo que se destaca na cidade é a hospitalidade do povo, o
espírito acolhedor e o calor humano que se torna o diferencial da
atividade e é um forte elemento propulsionador do turismo receptivo que
não é praticado de forma efetiva na região o que torna importante pelo
fato de criar um sentimento de satisfação e bem-estar ao turista, que
acaba por retornar ao destino por vários motivos, em muitas outras
oportunidades, além de levar uma imagem positiva do lugar à amigos,
parentes, despertando assim o interesse de conhecê-lo.
Segundo Lashey (2000), há uma série de
motivos que justificam a existência da hospitalidade na sociedade, são
eles, a saber:
A consideração pelo outro, incluindo o
desejo de agradar a terceiros, proveniente da amizade e da benevolência
por todos ou da afeição por certas pessoas, a preocupação ou compaixão,
isto é, o desejo de satisfazer a necessidade dos outros e a obediência
ao que se consideram deveres da hospitalidade. (LASHEY, 2000, p.59).
O bem receber é uma das características
essenciais do turismo, pois ao se deslocar o turista deseja encontrar
lugares com pessoas agradáveis, bons atrativos, segurança, conforto,
bem-estar, e boa receptividade. Dessa forma é dada atenção especial por
parte dos profissionais da área a essa temática tão importante para o
desenvolvimento da atividade.
Assim, passa a ser exigido das empresas o
aprimoramento dos funcionários com relação as competências de
comunicação e de qualidade no atendimento, e algumas características
específicas como um bom relacionamento interpessoal e grupal, de
autonomia, de iniciativa, de criatividade, de cooperação, de solução de
problemas e de tomada de decisões, para que possa suprir de maneira
satisfatória as necessidades dos clientes, podendo assim, alcançar sua
fidelização.
De acordo com Vergueiro (2002, p. 37)
“buscar a qualidade de um produto não é a mesma coisa que buscar a
qualidade de um serviço, embora haja uma proximidade entre ambos, no que
diz respeito ao resultado desejado.”
Diante dessas considerações, torna-se
imperativo de se investir em uma educação voltada para a cultura da
hospitalidade, questão esta que interfere, de forma vital, no futuro da
atividade turística. Ainda tem que se observar o fato da dinamicidade
turística, que faz com que os profissionais estejam sempre atentos aos
novos segmentos e exigências da demanda, adaptando seus negócios e sua
maneira de acolhimento ao cliente.
Conforme cita Walker (2002, p.28), “alguns
dos valores da hospitalidade medieval ajustam-se aos dias de hoje, tais
como o serviço amigável, a atmosfera amena e a abundância de comida”. A
hospitalidade atual está voltada também para os sentimentos de todos os
envolvidos no meio turístico. A preocupação vai além da qualidade dos
serviços e com o conforto do turista, buscando a satisfação total do
visitante.
Ao visitar Teresina, muitos trazem consigo
uma visão estereotipada, pois tem uma idéia de que não irão encontrar
uma cidade bem desenvolvida e que oferece poucos atrativos, limitada
apenas ao segmento de negócios e eventos. Mas ao chegarem, encontram uma
boa estrutura física, bons hotéis, uma gastronomia espetacular e
principalmente uma receptividade e um acolhimento singular, o que faz
uma das marcas da cidade.
De acordo com pesquisas realizadas pela
Fundação CEPRO (2008), a taxa de retorno do turista é analisada a partir
de dois componentes disponíveis: o primeiro, de caráter “ex ante”,
expresso na proporção de respostas afirmativas dos turistas que
pretendem regressar de Teresina; e o segundo, de caráter “ex post”,
correspondente ao número de entrevistados que afirmaram não ser a
primeira vez que visitavam Teresina. Este segundo componente, por sua
vez, é utilizado para indicar se a política de atração de turistas do
Estado está tendo êxito. A maioria (81,3%) dos turistas entrevistados já
esteve em Teresina mais de uma vez. Quanto à taxa de retorno, 93,6%
deles demonstraram pretensão de voltar, sendo que 91,0% a recomendariam
a outras pessoas.
Através das informações obtidas, pode-se
dizer que ao visitarem a cidade, os turistas saem com uma boa impressão
e com intenção de retorno, o que implica afirmar que foram bem recebidos
e gostaram do atendimento do hotel onde se instalaram, do restaurante
que realizaram refeições e dos possíveis atrativos que visitaram, fato
que faz com que eles também recomendem a outras pessoas.
De maneira gradativa, as impressões
iniciais vão se dissipando em uma velocidade surpreendente, e
insistentemente a cidade vem conquistando admiradores por sua forma
simples de receber e contagiante de conviver. A visão do visitante
mudou, pois ele encontra muitas razões para permanecer, e consegue dar
maior valor à sua visita pelas facilidades, equipamentos confortáveis e
preços competitivos. Diariamente a capital teresinense dispõe de shows
musicais, exposições de arte, lançamentos de livros, peças de teatro,
cinema, feiras e muitas outras opções culturais para o entretenimento.
Mas esse acolhimento não deve ser exercido
apenas pelos profissionais hoteleiros ou donos de restaurantes, por
exemplo, deve ser efetivado por todas as pessoas da cidade e
principalmente pelos moradores que, sobretudo são os maiores
representantes e o espelho da própria imagem da região. Tem ainda que se
atentar para a diferença entre um ser bom hospedeiro (aquele que apenas
exerce o ato de receber) e ser bom hospitaleiro (aquele que dá uma
atenção mais especial ao hóspede, com uma colhida mais calorosa), e os
motivos pelos quais levaram a ter essa atitude gentil com certas
pessoas. Segundo Lashey:
O comportamento genuíno hospitaleiro
requer um motivo adequado. Mas para alguém ser considerado hospitaleiro
isso não depende só de seu motivo, mas também de quão frequentemente
ocorre esse comportamento. (LASHEY. 2004, p. 54).
No mundo atual, a tecnologia distancia o
homem das relações afetivas com o próximo. O atendimento está cada vez
mais mecanizado, realizado através de máquinas e da tecnologia da
informação, há necessidade de calor humano e uma maior proximidade entre
as pessoas, por isso a hospitalidade é fator tão determinante nesse
processo.
Percebe-se que a capital piauiense tem
hospitalidade suficiente para oferecer aos visitantes que vem seja para
turismo de negócios e eventos, seja para lazer ou simplesmente visitas a
familiares e amigos, mas é claro que ela precisa ser melhor gerenciada
para dar base ao turismo receptivo, que ainda é falho na localidade. Há
carência de guias turísticos, de empresas de montagem de pacotes de city
tour, passeios e que trabalhem especificamente com serviços de
receptivo.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A tendência atual é que haja um
crescimento das viagens de forma considerável, surgindo a necessidade de
aperfeiçoamento e qualidade na prestação de serviços, especialmente na
atividade turística que é tão dinâmica e sensível aos fatores externos.
A boa receptividade é fundamental para o desenvolvimento do turismo e é
fator preponderante nas relações humanas.
Aos poucos os turistas e os próprios
moradores vão descobrindo que Teresina possui potencial para ser
efetivamente um destino turístico. Por não praticar o segmento de Sol e
Mar, a cidade desenvolveu bastante a área de eventos, e cresceu
culturalmente muito mais do que a grande maioria do que os municípios
vizinhos. O turista chega com muitos compromissos e negócios a tratar,
compras a realizar e amigos a visitar ou a fazer. O cenário da cidade se
modificou, pois hoje ela passa a oferecer algo que é tão singular e
próprio da sua estrutura: boa receptividade, excelente culinária e
muitas opções para quem quer ocupar o tempo.
O novo perfil de cidade turística traz
muitas vantagens, pois os governos passaram a admitir que o turismo é um
fator de valor significativo para a cidade. O desenvolvimento do turismo
em Teresina ajudou a criar uma consciência nos órgãos públicos para a
importância de sua inclusão na pauta administrativa, pois inicialmente
não era dada nenhuma atenção para essa atividade.
Portanto, o novo conceito de crescimento
turístico mostra a população é a principal beneficiária direta do
turismo, daí a necessidade de cuidados especiais que as administrações
públicas, empresários e a própria população devem ter ao lidar com os
visitantes. A hospitalidade na cidade existe e isso é um fato
comprovado, mas ainda é preciso que ela seja modelada para ser efetivada
de maneira adequada e assim poder ser um elemento essencial no
incremento do turismo receptivo da região.
REFERÊNCIAS
CAMARGO, L. O. L. Hospitalidade.
São Paulo: Aleph, 2004.
DENCKER, A. F. M. “Considerações
Finais: hospitalidade e mercado”. In: DENCKER, A. (Coord).
Planejamento e Gestão em Turismo e Hospitalidade. São Paulo: Thomson,
2004.
FUNDAÇÃO CEPRO. [Informações dispersas].
Disponível em: <www.cepro.pi.gov.br/pesqturistica. php>. Acesso dia 24
ago 2010.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar
Projetos de Pesquisa. 4° ed-11. reimpr. São Paulo: Atlas, 2009.
LASHEY, Conrad.
MORRISON, Alison (Orgs.). Em busca da hospitalidade:
perpectivas para um mundo globalizado. Tradução de Carlos David
Szlak. Barueri. São Paulo. Manole, 2004.
PIAUÍ TURISMO. [Informações dispersas].
Disponível em: <www.piauiturismo.com>. Acesso dia 13 Jun. 2010.
VERGUEIRO, Waldomiro. Qualidade em
serviços de informação. São Paulo. Arte e Ciência, 2002.
WALKER, John R. Introdução à
hospitalidade. Tradução Élcio de Gusmão Verçosa Filho.
Barueri: Manole, 2002.
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